Segundo trimestre de gravidez: sintomas, cuidados e exames
O segundo trimestre vai da 14ª à 27ª semana. É a fase do teste de glicose entre 24 e 28 semanas, da vacina dTpa a partir da 20ª semana e dos primeiros movimentos do bebê. Veja o que muda, o que alivia as queixas comuns e os sinais de alerta.
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O segundo trimestre costuma ser lembrado como a fase mais tranquila da gravidez, e a própria Caderneta do Ministério da Saúde diz que, nessa fase, a gestante pode sentir menos desconforto e mais disposição. Mas é também a fase com dois compromissos que não dá para perder: o teste de glicose entre 24 e 28 semanas e a vacina dTpa a partir da 20ª semana. Este texto continua o guia do primeiro trimestre de gravidez com o que os documentos oficiais dizem sobre os meses 4, 5 e 6.
Quais semanas formam o segundo trimestre?#
A Caderneta Brasileira da Gestante, edição de 2026, define o segundo trimestre como o período de 14 a 27 semanas. Em meses: o 4º vai da 14ª à 17ª semana, o 5º da 18ª à 22ª e o 6º da 23ª à 27ª. A partir da 28ª semana começa o terceiro trimestre. Para saber em que semana você está hoje, a calculadora de idade gestacional faz a conta pela data da última menstruação ou pelo ultrassom.
O que muda no corpo e no bebê?#
Segundo a Caderneta 2026, nesse trimestre o corpo passa a mostrar mudanças mais visíveis, como o crescimento da barriga, das mamas e dos quadris, e a gestante pode começar a sentir os movimentos do bebê, que ficam mais perceptíveis aos poucos.
O Caderno de Atenção Básica nº 32 dá uma referência de como o útero cresce: na 16ª semana, o fundo do útero fica entre o osso do púbis e o umbigo; na 20ª, chega à altura do umbigo. Daí em diante, a medida da altura uterina, feita com fita métrica na consulta, acompanha o número de semanas e ajuda a equipe a avaliar o crescimento do bebê.
Do lado do bebê, a Caderneta descreve três momentos:
| Semanas | O que a Caderneta 2026 descreve |
|---|---|
| A partir de 14 | Movimentos do corpo já aparecem no ultrassom; tamanho próximo ao de uma laranja |
| 17 a 18 | Cerca de 17 a 20 cm e 200 a 250 gramas, como uma manga |
| 20 a 24 | Cerca de 26 cm e 500 gramas em média; movimentos mais perceptíveis, com períodos de atividade e de descanso; tamanho de um mamão pequeno |
Quando o bebê começa a mexer?#
O Caderno nº 32 situa a percepção dos movimentos do bebê entre 18 e 20 semanas, e o Manual de Gestação de Alto Risco, de 2022, diz que eles são percebidos a partir de 18 semanas na maioria dos casos.
Depois disso, eles viram um sinal a observar. A Caderneta 2026 coloca entre os motivos para buscar atendimento imediato a diminuição ou ausência dos movimentos, especialmente se o bebê ficar mais de 4 horas sem se mexer depois das 20 semanas. O Manual de Alto Risco diz que não existe método padronizado para registrar os movimentos, mas considera útil a "contagem até 10", que marca o tempo para perceber dez movimentos; a equipe diz se e quando usá-la. Na dúvida, não espere a próxima consulta.

Quais consultas e exames estão previstos?#
Até a 28ª semana, as consultas de pré-natal são mensais, dentro do mínimo de sete consultas recomendado pelo Ministério da Saúde, intercaladas entre médica(o) e enfermeira(o). Em todas elas a equipe mede a pressão e o peso, mede a altura uterina e ouve o coração do bebê.
A lista de exames de rotina do segundo trimestre na Caderneta 2026 é curta:
| Exame | Para quem e quando |
|---|---|
| Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com 75 g | Todas, de preferência entre 24 e 28 semanas |
| Coombs indireto | Quem tem fator Rh negativo e teve resultado negativo no primeiro trimestre |
| Toxoplasmose | Quem não tem anticorpos IgG, ou seja, ainda pode pegar a infecção |
| Malária | Gestantes de regiões endêmicas |
O TOTG é o exame que busca o diabetes gestacional, que na maioria das vezes não dá sintoma. O Manual de Alto Risco descreve o procedimento: a glicose é medida em jejum, uma hora e duas horas depois de beber a solução, e basta um valor acima dos limites (92, 180 e 153 mg/dL) para o diagnóstico. Onde o teste não estiver disponível, o manual admite repetir a glicemia de jejum no mesmo período. O texto sobre diabetes gestacional explica o que acontece se o resultado vier alterado.
E o ultrassom morfológico? Ele não está na lista de rotina da Caderneta 2026, que prevê uma ultrassonografia obstétrica, idealmente entre 7 e 12 semanas. A FEBRASGO noticiou, em outubro de 2025, que um projeto de lei para tornar obrigatórios dois morfológicos no SUS havia passado por uma comissão da Câmara, com várias etapas ainda pela frente. Segundo a entidade, no exame do segundo trimestre "a avaliação do colo uterino por via transvaginal possibilita selecionar as gestantes com risco aumentado de parto prematuro". Vale perguntar à equipe. O guia de pré-natal no SUS traz a lista completa de exames dos três trimestres.
Quais vacinas tomar nessa fase?#
A Caderneta 2026 marca a dTpa (difteria, tétano e coqueluche) para a partir da 20ª semana, em toda gestação, mesmo para quem tomou numa gravidez anterior. Quem tem só uma dose antiga de vacina contra o tétano recebe uma dose de dT e a dTpa a partir da 20ª semana. A vacina da gripe pode ser tomada em qualquer fase da gestação, e a da hepatite B e a da Covid-19 seguem o esquema que a equipe indicar. A próxima da lista é a do vírus sincicial respiratório, a partir da 28ª semana, que protege o bebê contra a bronquiolite nos primeiros meses.
Azia, câimbra, varizes e prisão de ventre: o que ajuda?#
A Caderneta 2026 não traz uma lista de queixas comuns. Quem faz isso é o Caderno nº 32, com uma premissa importante: a maioria das queixas diminui ou desaparece sem remédio, e medicamentos devem ser evitados ao máximo e usados só com indicação da equipe.
- Azia. Comer em pequenas porções, evitar frituras, café, chá preto, mate, doces, álcool e fumo, deixar os líquidos para fora das refeições e não se deitar logo depois de comer. Antiácido só a critério médico.
- Câimbra. Massagear o músculo contraído, aplicar calor local, evitar excesso de exercício e alongar antes e depois de caminhadas longas e antes de deitar. O texto sobre câimbra mostra o que os estudos dizem sobre suplementos na gravidez.
- Varizes. Não ficar muito tempo em pé ou sentada, repousar com as pernas elevadas por 20 minutos várias vezes ao dia, evitar roupas apertadas e, se possível, usar meia-calça elástica para gestante.
- Prisão de ventre e gases. Alimentação rica em fibras (frutas, verduras, mamão, ameixa, cereais integrais), mais líquidos e caminhadas. Veja os alimentos ricos em fibras. Para hemorroidas, o Caderno indica higiene com água e sabão neutro e compressas mornas, e consulta se houver dor ou sangramento persistente.
- Dor nas costas. Corrigir a postura ao sentar e andar, usar sapato baixo e confortável e aplicar calor local.
- Gengiva sangrando. Escova macia, fio dental e consulta odontológica.
- Corrimento. Algum aumento é comum. Cor amarelada ou esverdeada, cheiro forte ou coceira pedem consulta.
- Manchas e estrias. As manchas no rosto pedem proteção solar e costumam clarear depois do parto (veja melasma). Sobre estrias, o Caderno diz que não existe método eficaz de prevenção.
Alimentação e ganho de peso#
A base é a do começo da gravidez: comida fresca e pouco ultraprocessado (o guia de alimentação na gravidez detalha o que comer e o que evitar). Duas orientações pesam mais agora. O Caderno nº 32 lembra que leite e derivados são as principais fontes de cálcio e sugere não misturar café ou achocolatado ao leite, porque eles reduzem o aproveitamento do mineral; o texto sobre alimentos ricos em cálcio mostra outras fontes. E, para prevenir anemia, o Caderno recomenda alimentos com ferro (carnes, feijão, lentilha, folhas verde-escuras) junto com uma fruta com vitamina C, além da suplementação preventiva de ferro prevista no pré-natal, que é prescrita pela equipe: a dose é do profissional.
O peso é avaliado em todas as consultas, a partir do IMC de antes da gravidez (a calculadora de IMC faz a conta com o peso pré-gestacional). A Caderneta 2026 adotou curvas brasileiras com estas faixas de ganho até 40 semanas:
| IMC antes da gravidez | Ganho recomendado até 40 semanas |
|---|---|
| Baixo peso (menor que 18,5) | 9,7 a 12,2 kg |
| Peso adequado (18,5 a menos de 25) | 8 a 12 kg |
| Sobrepeso (25 a menos de 30) | 7 a 9 kg |
| Obesidade (30 ou mais) | 5 a 7,2 kg |
As faixas são menores que as da tabela do Caderno nº 32, de 2013, e é a Caderneta 2026 que vale hoje. Ela traz ainda um aviso: quem passou da faixa não deve tentar perder peso na gestação; a equipe orienta um ganho semanal mínimo.
Atividade física, descanso e emoções#
A Caderneta 2026 recomenda, para quem não tem contraindicação, de 30 a 60 minutos de atividade física por dia, em intensidade leve a moderada: se não der para conversar durante o exercício, reduza o ritmo. Caminhada, alongamento, exercícios na água e de respiração estão entre as opções. Evite o sol entre 11h e 14h e não faça exercício se houver sangramento, perda de líquido ou contrações antes da hora, sem falar com a equipe. Para a falta de ar, que fica mais comum com o crescimento do útero, o Caderno nº 32 sugere repousar deitada de lado, do lado esquerdo.
As emoções também mudam. A Caderneta pede que a gestante converse com a equipe se sentir tristeza intensa que não melhora, ansiedade forte, isolamento ou pensamentos de se machucar. Se for o caso, o CVV atende pelo 188, de graça e 24 horas, e o SAMU pelo 192, como lista o Ministério da Saúde.
Sinais de alerta no segundo trimestre#
A Caderneta 2026 orienta procurar a unidade de saúde, a maternidade de referência ou um serviço de urgência, ou acionar o SAMU 192, quando houver:
- pressão mais alta que o habitual ou a partir de 140 por 90 (a partir de 160 por 110 é urgência);
- sangramento vaginal;
- dor abdominal forte ou persistente;
- febre a partir de 37,8 °C (veja o que fazer com febre na gravidez);
- dor de cabeça intensa, visão turva, flashes ou pontos cegos;
- dor forte na parte de cima da barriga, logo abaixo das costelas;
- inchaço repentino no rosto, nas mãos ou nas pernas;
- dor ou ardência ao urinar;
- bebê sem se mexer por mais de 4 horas depois das 20 semanas;
- contrações com ritmo, que vêm em intervalos regulares e não passam, antes de 37 semanas, ou perda de líquido pela vagina: segundo o Caderno de Atenção Básica nº 32, do Ministério da Saúde, podem ser sinal de trabalho de parto prematuro, situação de risco que deve ser levada à maternidade de referência;
- falta de ar, dor forte no peito, desmaio ou convulsão.
A Caderneta também orienta procurar o serviço de saúde se houver saída de líquido diferente pela vagina.
Pressão alta com dor de cabeça, inchaço e alteração na visão pode ser pré-eclâmpsia, que o Caderno nº 32 define como surgida depois da 20ª semana e que, segundo a Caderneta, pode aparecer mesmo em quem nunca teve pressão alta. A infecção urinária, por sua vez, pode não dar sintoma no início, e por isso o exame de urina faz parte da rotina.
Quando procurar atendimento#
Além dos sinais de alerta acima, procure a equipe do pré-natal se:
- você chegou à 24ª semana e ainda não tem o TOTG pedido ou agendado;
- passou da 20ª semana e não tomou a dTpa;
- ainda não percebeu nenhum movimento do bebê depois das 20 semanas;
- a azia, a dor nas costas ou a prisão de ventre não melhoram com as medidas simples;
- o ganho de peso parece muito rápido ou muito lento em relação à faixa da Caderneta;
- você está triste, ansiosa ou sem apoio.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. Exames, vacinas, suplementos e qualquer remédio são definidos pela equipe que acompanha a sua gestação.
Perguntas frequentes
Quais semanas formam o segundo trimestre da gravidez?
Na Caderneta Brasileira da Gestante de 2026, o segundo trimestre vai da 14ª à 27ª semana. Ele reúne o 4º mês (da 14ª à 17ª semana), o 5º (da 18ª à 22ª) e o 6º (da 23ª à 27ª). O terceiro trimestre começa na 28ª semana.
Quando a gestante começa a sentir o bebê mexer?
O Caderno de Atenção Básica nº 32, do Ministério da Saúde, situa a percepção dos movimentos do bebê entre 18 e 20 semanas, e o Manual de Gestação de Alto Risco diz que, na maioria dos casos, eles são percebidos a partir de 18 semanas. Depois da 20ª semana, a Caderneta 2026 orienta procurar atendimento se o bebê ficar mais de 4 horas sem se mexer.
Quais exames são feitos no segundo trimestre?
A rotina da Caderneta 2026 para o segundo trimestre é o teste oral de tolerância à glicose com 75 g, de preferência entre 24 e 28 semanas, o Coombs indireto para quem tem Rh negativo e teve resultado negativo no início, o teste de toxoplasmose para quem não tem anticorpos IgG e o teste de malária em regiões endêmicas. Em todas as consultas a equipe mede a pressão, o peso e a altura uterina.
O ultrassom morfológico é feito pelo SUS no segundo trimestre?
Ele não aparece na lista de exames de rotina da Caderneta Brasileira da Gestante de 2026, que prevê uma ultrassonografia obstétrica, idealmente entre 7 e 12 semanas. Segundo a FEBRASGO, um projeto de lei que torna obrigatórios dois morfológicos no SUS foi aprovado em uma comissão da Câmara em outubro de 2025 e ainda tinha outras etapas pela frente. Na prática, a oferta varia por município: pergunte à sua equipe.
Quando tomar a vacina dTpa na gravidez?
A partir da 20ª semana, em todas as gestações, mesmo que a mulher tenha tomado a dTpa numa gravidez anterior. É o que diz a Caderneta Brasileira da Gestante de 2026. A vacina protege a gestante e o bebê contra difteria, tétano e coqueluche, e os anticorpos passam para o bebê durante a gravidez e pelo leite.
Quanto peso é normal ganhar na gravidez?
Depende do IMC de antes da gestação. A Caderneta 2026 usa curvas brasileiras com estas faixas até 40 semanas: 9,7 a 12,2 kg para baixo peso, 8 a 12 kg para peso adequado, 7 a 9 kg para sobrepeso e 5 a 7,2 kg para obesidade. A Caderneta também afirma que, mesmo acima da faixa, perder peso na gestação não é recomendado.
O que fazer contra azia, câimbra e varizes na gravidez?
O Caderno de Atenção Básica nº 32 orienta, para a azia, comer em pequenas porções, evitar frituras, café, chá preto, mate, doces, álcool e fumo e não se deitar logo depois de comer; para a câimbra, massagear o músculo, aplicar calor local e alongar; para as varizes, não ficar muito tempo em pé ou sentada e repousar com as pernas elevadas por 20 minutos várias vezes ao dia. Remédio só com orientação da equipe.
Quais sinais exigem ir à maternidade no segundo trimestre?
Sangramento vaginal, saída de líquido diferente pela vagina, dor abdominal forte, febre a partir de 37,8 °C, pressão a partir de 140 por 90, dor de cabeça intensa, alterações na visão, inchaço repentino, falta de ar, desmaio, convulsão e, depois de 20 semanas, bebê sem se mexer por mais de 4 horas. A Caderneta 2026 orienta procurar a maternidade de referência ou acionar o SAMU pelo 192.
Fontes consultadas
- 1.Caderneta Brasileira da Gestante (2026): trimestres, desenvolvimento do bebê, exames, vacinas, ganho de peso e sinais de alerta — Ministério da Saúde
- 2.Atenção ao pré-natal de baixo risco (Caderno de Atenção Básica nº 32): queixas mais comuns na gestação, altura uterina, movimentos fetais e alimentação — Ministério da Saúde
- 3.Manual de Gestação de Alto Risco (2022): diagnóstico do diabetes gestacional e monitorização dos movimentos fetais — Ministério da Saúde
- 4.Câmara aprova inclusão da ultrassonografia morfológica no pré-natal do SUS — FEBRASGO
- 5.Prevenção do suicídio: onde buscar ajuda — Ministério da Saúde


