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Gravidez

Febre na gravidez: quando é sinal de alerta e o que fazer

Para o Ministério da Saúde, febre na gestante é temperatura a partir de 37,8 °C, e ela está na lista de sinais que pedem atendimento imediato. Veja como medir, as infecções que mais causam febre na gravidez, o que fazer na hora e as vacinas que protegem.

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Redação Blog com Saúde

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Foto em preto e branco de uma gestante deitada em um sofá claro, de olhos fechados e com as mãos sobre a barriga
Foto em preto e branco de uma gestante deitada em um sofá claro, de olhos fechados e com as mãos sobre a barriga

Na maior parte da vida adulta, uma febre baixa costuma ser tratada em casa, com repouso e paciência. Na gravidez, a regra muda. O Ministério da Saúde coloca a febre na mesma lista de sangramento, dor forte e falta de ar: sinais que pedem atendimento imediato. Este texto explica a partir de que temperatura a gestante deve se preocupar, por que a febre não pode esperar, quais infecções mais a causam e o que fazer enquanto procura ajuda, com base na Caderneta Brasileira da Gestante 2026 e em três manuais do Ministério da Saúde.

Resposta rápida. Na gestação, febre é temperatura a partir de 37,8 °C, medida na axila, segundo a Caderneta 2026 e o Manual de Gestação de Alto Risco. Febre na gravidez não é para esperar passar em casa: a Caderneta a coloca entre os sinais de alerta que pedem atendimento. Meça com termômetro, anote o valor e procure a UBS, a maternidade de referência ou o SAMU 192. Os sinais que pedem ida imediata estão em quando procurar atendimento.

A partir de quantos graus é febre na gravidez?#

A Caderneta Brasileira da Gestante 2026 define febre como temperatura maior ou igual a 37,8 °C e a inclui na lista de sinais de alerta da gestação. O Manual de Gestação de Alto Risco, de 2022, usa o mesmo número e especifica a forma de medir: temperatura axilar, ou seja, com o termômetro embaixo do braço.

Na prática:

  • meça com termômetro. Mão na testa e sensação de calor não dão o número que a Caderneta usa como referência;
  • meça na axila, como no Manual, e espere o tempo que o termômetro indica;
  • anote o valor e a hora, e repita a medida se os sintomas mudarem. Esse registro ajuda a equipe a entender quando a febre começou e como evoluiu;
  • repare no que vem junto: ardência ao urinar, dor nas costas, tosse, dor no corpo, manchas na pele, saída de líquido pela vagina.

Temperatura de 37,0 °C a 37,7 °C não entra na definição de febre da Caderneta, mas vale continuar medindo se você se sente mal. Para saber em que semana você está, e contar isso no atendimento, a calculadora de idade gestacional faz a conta pela data da última menstruação.

Termômetro digital branco e azul na palma de uma mão aberta, com o visor marcando 37,0
Para o Ministério da Saúde, a febre da gestante começa em 37,8 °C. O Manual de Gestação de Alto Risco usa a medida feita na axila. · Foto: Unsplash

Por que a febre na gravidez pede avaliação?#

Por três motivos, todos registrados nos documentos oficiais.

A febre em si pode afetar o bebê. O Guia de Manejo e Tratamento de Influenza 2023, do Ministério da Saúde, afirma que "a elevação da temperatura na gestante deve ser sempre controlada com antitérmico, uma vez que a hipertermia materna determina lesões no feto".

A causa da febre costuma ser uma infecção, e infecção na gravidez se complica mais. O Manual de Gestação de Alto Risco descreve a sepse materna, uma reação grave do corpo à infecção, como a terceira maior causa de adoecimento e morte materna, e aponta os focos mais comuns: genital, urinário e pulmonar. Febre ou calafrios abrem a lista de sinais de alerta para infecção na gestação e no pós-parto nesse mesmo manual.

O próprio SUS trata a febre sem explicação como urgência. No quadro de situações de urgência e emergência obstétrica que devem ser avaliadas no hospital, o Manual inclui a temperatura axilar a partir de 37,8 °C quando não há sinais de infecção das vias aéreas superiores, como coriza e dor de garganta. Ou seja: febre sem resfriado aparente precisa de alguém que procure a causa.

A Caderneta 2026 resume a conduta: ao perceber um sinal de alerta, procure o serviço de saúde mais próximo, incluindo a UBS; se necessário, vá à maternidade de referência ou a um serviço de urgência, ou acione o SAMU 192.

Quais infecções costumam causar febre na gestação?#

As fontes do Ministério da Saúde destacam quatro grupos.

CausaO que costuma vir com a febreO que as fontes orientam
Infecção urinária no rim (pielonefrite)Calafrios, dor lombar, náusea, vômito, falta de apetiteInternação obrigatória após o diagnóstico (Manual de Alto Risco)
Gripe e covid-19Tosse, dor de garganta, dor no corpo, dor de cabeçaAntiviral para toda gestante com síndrome gripal (Guia de Influenza)
Dengue e outras arbovirosesDor no corpo, dor atrás dos olhos, manchas na peleObservação e hemograma obrigatório (manual de dengue)
Infecção dentro do útero ou no pós-partoBolsa rompida, dor na barriga, corrimento ou lóquios com mau cheiroAvaliação hospitalar (Manual de Alto Risco e Caderneta)

Infecção urinária e pielonefrite#

O Manual de Gestação de Alto Risco diz que a infecção do trato urinário atinge cerca de 10% a 12% das gestantes e pode levar a anemia, parto prematuro, baixo peso ao nascer, ruptura da bolsa e sepse. A forma que costuma dar febre é a pielonefrite, infecção do rim, que acomete de 1% a 2% das gestações, é mais frequente no segundo e no terceiro trimestres e se manifesta com calafrios, dor lombar, falta de apetite, náuseas, vômitos e febre. Feito o diagnóstico, segundo o Manual, "a hospitalização é obrigatória", com antibiótico pela veia.

A Caderneta 2026 lembra que a infecção urinária pode não dar sintoma no início e por isso os exames de urina fazem parte do pré-natal, e lista os sinais que pedem a UBS ou a urgência: ardor ao urinar, vontade frequente de urinar, dor na parte de baixo da barriga ou nas costas, urina turva ou com sangue, febre ou mal-estar. O texto sobre infecção urinária explica o diagnóstico e a prevenção em mais detalhes.

Gripe e covid-19#

O Guia de Manejo e Tratamento de Influenza 2023 coloca gestantes em qualquer idade gestacional e puérperas até duas semanas após o parto entre os grupos com risco de complicações. Na gestante, o Guia cita desidratação, pneumonia, trabalho de parto prematuro, aborto e natimorto. Por isso a orientação é forte: toda gestante ou puérpera com síndrome gripal, mesmo vacinada e mesmo sem sinal de agravamento, deve ser tratada com o antiviral oseltamivir, que o Guia diz não ser contraindicado na gestação. Nas gestantes, o maior benefício foi visto quando o tratamento começou em até 72 horas do início dos sintomas.

Sobre a covid-19, o Manual de Gestação de Alto Risco afirma que gestantes infectadas têm mais chance de evolução ruim, com mais risco de UTI, intubação e morte. No Brasil, até outubro de 2021, foram contabilizadas 1.901 mortes de gestantes ou puérperas pela doença, segundo o Manual. Para diferenciar os quadros, veja o texto sobre gripe, resfriado e covid. O Guia pede atenção especial à falta de ar: mesmo que ela seja comum na gravidez, a queixa "deve ser valorizada na presença de síndrome gripal".

Dengue e outras arboviroses#

O manual Dengue: diagnóstico e manejo clínico (6ª edição, 2024) classifica as gestantes como condição clínica especial: mesmo sem sinais de alarme, entram no grupo que fica em observação até o resultado dos exames, com hemograma obrigatório. O manual afirma que a letalidade da dengue entre gestantes é maior do que entre mulheres da mesma idade que não estão grávidas, com risco mais alto no terceiro trimestre, e cita risco de aborto no primeiro trimestre e de parto prematuro quando a infecção ocorre no último.

Um detalhe que engana: os sinais de alarme da dengue costumam aparecer quando a febre começa a ir embora, entre o terceiro e o sétimo dia. Febre que baixa não significa, sozinha, que o quadro melhorou. Os sinais de alarme e o que fazer estão no texto sobre dengue. O Manual de Gestação de Alto Risco acrescenta que, onde há o mosquito transmissor, a gestante com suspeita de arbovirose é considerada fonte de infecção durante o período de febre, e por isso deve ficar em ambiente com janelas e portas protegidas.

Infecção dentro do útero e no pós-parto#

Quando a bolsa se rompe antes da hora, o Manual de Gestação de Alto Risco lista a febre materna entre os sinais que sugerem infecção dentro do útero (a corioamnionite). Se houver saída de líquido pela vagina com febre, vá à maternidade. Depois do parto, a Caderneta 2026 repete o número de alerta, febre a partir de 37,8 °C, ao lado de sangramento com mau cheiro, dor forte na barriga ou na cicatriz e sinais de infecção nos pontos. O texto sobre pós-parto e puerpério detalha esses sinais.

O que fazer na hora?#

  1. Confirme com o termômetro e anote valor e horário.
  2. Procure atendimento no mesmo dia: a UBS, a maternidade de referência, um serviço de urgência ou o SAMU 192, como orienta a Caderneta. Leve a caderneta da gestante e conte há quanto tempo está com febre e o que veio junto.
  3. Beba líquidos e descanse. Repouso e hidratação aparecem entre as medidas de suporte do Manual de Gestação de Alto Risco para covid leve e arboviroses.
  4. Antitérmico, só o indicado. O Guia de Influenza diz que a melhor opção para a gestante é o paracetamol, e o Manual de Alto Risco e o manual de dengue citam paracetamol ou dipirona. A dose é do profissional: pergunte à equipe do pré-natal, de preferência antes de precisar.
  5. Não use anti-inflamatório nem AAS por conta própria. O Manual de Gestação de Alto Risco diz que os anti-inflamatórios não esteroides são contraindicados na gestação e vedados nas arboviroses, porque podem agravar sangramentos; o manual de dengue também proíbe salicilatos, grupo do AAS. Se você já usa AAS receitado para prevenir pré-eclâmpsia, não suspenda sozinha: avise a equipe que está com febre.
  6. Não tome antibiótico ou antiviral sem receita. A escolha depende da causa e de exames, como a urocultura.

Tomar o antitérmico não dispensa a consulta. Ele trata o sintoma; a causa ainda precisa ser descoberta.

Quais vacinas protegem?#

A Caderneta Brasileira da Gestante 2026 indica, entre as vacinas da gestação:

  • Influenza (gripe): uma dose por temporada, em qualquer fase da gestação. Se não tomar na gravidez, a aplicação é feita até 45 dias após o parto.
  • Covid-19: uma dose a cada gestação, depois de seis meses da última dose recebida. Segundo a Caderneta, a vacina reduz o risco de casos graves e de morte.

O Manual de Gestação de Alto Risco afirma que a vacina da gripe é segura, pode ser aplicada em qualquer momento da gestação, mesmo no primeiro trimestre, e reduz em cerca de 50% o risco de infecção respiratória aguda e em 40% as internações. Segundo o Manual, a vacinação durante a gestação protege a mãe, o feto e o recém-nascido.

Contra dengue e febre amarela, o Manual informa que as vacinas existentes têm vírus atenuado e não estão liberadas para uso na gravidez, salvo situações específicas avaliadas pela equipe no caso da febre amarela. Para essas doenças, a prevenção é contra o mosquito: eliminar criadouros, usar roupas claras que cubram o corpo e repelente. O calendário completo das vacinas da gestação está no guia de pré-natal no SUS, e o que muda da 14ª à 27ª semana, no texto sobre o segundo trimestre de gravidez. Para as outras fases, veja os guias do primeiro trimestre e do terceiro trimestre.

Quando procurar atendimento#

Febre a partir de 37,8 °C já é motivo para procurar atendimento no mesmo dia. Vá imediatamente à maternidade ou a um serviço de urgência, ou ligue para o SAMU 192, se a febre vier com qualquer um destes sinais, que estão na Caderneta 2026, no Guia de Influenza e no manual de dengue:

  • falta de ar, respiração acelerada ou dor forte no peito;
  • sangramento vaginal ou saída de líquido pela vagina;
  • dor abdominal forte ou persistente, ou dor forte nas costas com calafrios;
  • dor ou ardência ao urinar;
  • manchas vermelhas na pele ou vermelhidão nos olhos;
  • vômitos persistentes, tontura ao levantar ou desmaio;
  • sonolência, confusão ou convulsão;
  • bebê mexendo menos, ou mais de 4 horas sem se mexer depois das 20 semanas;
  • febre que dura mais de três dias ou que volta depois de 48 horas sem febre;
  • mal-estar intenso ou sensação de que algo não está bem.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. A causa da febre, os exames e qualquer remédio na gravidez são definidos pela equipe de saúde que acompanha a sua gestação.

Perguntas frequentes

A partir de quantos graus é febre na gravidez?

A partir de 37,8 °C. A Caderneta Brasileira da Gestante 2026, do Ministério da Saúde, define febre como temperatura maior ou igual a 37,8 °C e a inclui entre os sinais que pedem atendimento imediato. O Manual de Gestação de Alto Risco usa o mesmo número, medido na axila, entre as situações de urgência que devem ser avaliadas no hospital quando não há sinais de gripe ou resfriado que expliquem a febre.

Febre na gravidez faz mal ao bebê?

Pode fazer. O Guia de Manejo e Tratamento de Influenza 2023, do Ministério da Saúde, afirma que a elevação da temperatura na gestante deve ser sempre controlada, porque a hipertermia materna pode causar lesões no feto. Além disso, a infecção que provoca a febre pode trazer riscos próprios, como parto prematuro, segundo a Caderneta e o Manual de Gestação de Alto Risco. Por isso a febre pede avaliação no mesmo dia.

Grávida pode tomar paracetamol para febre?

O Guia de Manejo e Tratamento de Influenza 2023 diz que a melhor opção de antitérmico para a gestante é o paracetamol, e o Manual de Gestação de Alto Risco cita paracetamol ou dipirona no tratamento de sintomas da gripe e das arboviroses. A dose é do profissional, e o remédio não substitui a avaliação: a febre continua sendo motivo para procurar atendimento.

Grávida pode tomar ibuprofeno ou AAS para febre?

Não por conta própria. O Manual de Gestação de Alto Risco diz que anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno, são contraindicados na gestação e vedados nas arboviroses, e o manual de dengue do Ministério da Saúde orienta não usar salicilatos, como o AAS, nem anti-inflamatórios. Quem usa AAS receitado no pré-natal para prevenir pré-eclâmpsia não deve suspender sozinha, mas deve avisar a equipe se tiver febre.

Infecção urinária na gravidez dá febre?

A cistite, infecção da bexiga, costuma dar ardência e vontade frequente de urinar. A febre, junto com calafrios, dor lombar, náuseas e vômitos, é característica da pielonefrite, a infecção do rim. O Manual de Gestação de Alto Risco diz que a pielonefrite atinge de 1% a 2% das gestações e que, feito o diagnóstico, a internação é obrigatória.

Gestante com gripe precisa tomar antiviral?

Sim, segundo o Guia de Manejo e Tratamento de Influenza 2023, do Ministério da Saúde: todas as gestantes e puérperas com síndrome gripal, mesmo vacinadas e mesmo sem complicação, devem ser tratadas com o antiviral oseltamivir, que o Guia diz não ser contraindicado na gestação. O benefício é maior quando o tratamento começa cedo, por isso a gestante com febre e sintomas de gripe deve procurar atendimento logo.

Quais vacinas protegem a gestante de doenças que dão febre?

A Caderneta Brasileira da Gestante 2026 indica a vacina da gripe, uma dose por temporada, em qualquer fase da gestação, e a vacina contra a covid-19, uma dose a cada gestação, depois de seis meses da última dose. Segundo o Manual de Gestação de Alto Risco, a vacina da gripe é oferecida de graça nas Unidades Básicas de Saúde. As vacinas contra dengue e febre amarela não são liberadas para uso rotineiro na gravidez, segundo o Manual de Gestação de Alto Risco.

Fontes consultadas

  1. 1.Caderneta Brasileira da Gestante (2026): sinais de alerta na gestação, infecção urinária, vacinas e sinais de alerta no puerpério — Ministério da Saúde
  2. 2.Manual de Gestação de Alto Risco (2022): urgências obstétricas, influenza, covid-19, arboviroses, infecção do trato urinário e sepse na gestação — Ministério da Saúde
  3. 3.Guia de Manejo e Tratamento de Influenza (2023): gestantes e puérperas, sinais de agravamento e vacinação — Ministério da Saúde
  4. 4.Dengue: diagnóstico e manejo clínico, adulto e criança (6ª edição, 2024): aspectos clínicos na gestante e gestação e dengue — Ministério da Saúde
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