Pré-eclâmpsia: o que é, sinais de alerta e tratamento
Pré-eclâmpsia é a pressão a partir de 14 por 9 que aparece depois da 20ª semana com proteína na urina ou lesão de órgão. Pressão de 16 por 11 é urgência. Veja os sinais de alerta, quem tem mais risco, o que previne e como é o tratamento, segundo o Ministério da Saúde.
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A pré-eclâmpsia costuma chegar em silêncio. A gestante se sente bem, a barriga cresce, e a pressão sobe sem dar sinal. Por isso o Ministério da Saúde manda medir a pressão em todas as consultas, "mesmo quando você está se sentindo bem", nas palavras da Caderneta Brasileira da Gestante 2026. Este texto explica o que é a doença, quem tem mais risco, o que previne e quais sinais pedem ir à maternidade na hora, com base no Manual de Gestação de Alto Risco (2022), na Caderneta 2026, na Organização Mundial da Saúde (OMS) e na FEBRASGO.
O que é pré-eclâmpsia?#
O Manual de Gestação de Alto Risco, do Ministério da Saúde, define a pré-eclâmpsia como pressão arterial de 140 por 90 mmHg ou mais, em gestante que tinha pressão normal, a partir da 20ª semana, associada a proteína na urina. Mesmo sem proteína na urina, o diagnóstico vale quando a pressão alta vem acompanhada de lesão de órgãos (queda de plaquetas, alteração do fígado, insuficiência dos rins, líquido nos pulmões) ou de sinais de que a placenta não funciona bem, como restrição de crescimento do bebê ou alteração no Doppler.
Segundo a OMS, a pré-eclâmpsia afeta de 3% a 8% das mulheres que dão à luz no mundo, e os distúrbios de pressão alta respondem por cerca de 16% das mortes maternas. No Brasil, o Manual descreve as síndromes hipertensivas como "a intercorrência clínica mais comum da gestação".
Para medir, o Manual orienta a gestante sentada, com o braço na altura do coração e manguito adequado ao tamanho do braço. Uma medida alta isolada não fecha diagnóstico: a equipe repete a aferição e pede exames de urina e de sangue.
Hipertensão gestacional, crônica, pré-eclâmpsia, eclâmpsia e HELLP: qual a diferença?#
O Manual de Gestação de Alto Risco separa assim:
| Condição | O que é, segundo o Ministério da Saúde |
|---|---|
| Hipertensão crônica | Pressão alta que já existia antes da gravidez ou que aparece antes da 20ª semana |
| Hipertensão gestacional | Pressão alta na segunda metade da gravidez, sem proteína na urina e sem outros sinais de pré-eclâmpsia. Pode evoluir para pré-eclâmpsia em 10% a 50% dos casos e deve sumir até 12 semanas após o parto |
| Pré-eclâmpsia | Pressão alta a partir da 20ª semana com proteína na urina ou lesão de órgão |
| Pré-eclâmpsia sobreposta | Pré-eclâmpsia em quem já tinha hipertensão crônica |
| Eclâmpsia | Convulsões, coma ou ambos em gestante ou puérpera com pré-eclâmpsia, sem outra doença neurológica que explique |
| Síndrome HELLP | Destruição de glóbulos vermelhos, aumento das enzimas do fígado e queda das plaquetas; ocorre em 10% a 20% das gestantes com pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia |
O Manual também classifica a pré-eclâmpsia "sem" ou "com sinais de gravidade" (os antigos nomes leve e grave). HELLP e eclâmpsia estão entre as formas mais graves. Quem já tem pressão alta antes de engravidar merece atenção especial: o capítulo de hipertensão crônica do Manual diz que ela acomete de 1% a 1,5% das gestações e pode se complicar com pré-eclâmpsia em 13% a 40% dos casos.
Quem tem mais risco?#
O Manual de Gestação de Alto Risco traz uma tabela de fatores de risco, adaptada da Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez:
Risco alto
- pré-eclâmpsia em gravidez anterior, sobretudo com desfecho ruim;
- gestação de gêmeos ou mais;
- obesidade (IMC acima de 30);
- hipertensão crônica;
- diabetes tipo 1 ou 2;
- doença renal;
- doenças autoimunes, como lúpus e síndrome antifosfolípide.
Risco moderado
- primeira gravidez;
- mãe ou irmã que teve pré-eclâmpsia;
- baixo nível socioeconômico;
- ser afrodescendente;
- idade de 35 anos ou mais;
- ter nascido com baixo peso;
- gravidez anterior com desfecho adverso;
- intervalo de mais de 10 anos desde a última gestação.
O próprio Manual diz que os testes de predição disponíveis ainda não são baratos, acessíveis e reprodutíveis o bastante, e recomenda que o rastreio se baseie nos fatores clínicos. É por isso que a primeira consulta do pré-natal pergunta tanto sobre histórico: é ali que a equipe identifica quem precisa de prevenção. O diabetes gestacional também pesa: a Caderneta 2026 cita a pressão alta na gravidez entre os riscos de não acompanhá-lo.
Dá para prevenir?#
Para a gestante de risco, sim, em parte. O Manual de Gestação de Alto Risco orienta iniciar a prevenção quando há um fator de risco alto ou a combinação de dois moderados. Ela tem dois itens:
- Ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose, iniciado antes da 16ª semana e mantido até a 36ª semana. No capítulo de síndromes hipertensivas, para quem já teve pré-eclâmpsia, o Manual fala em começar a partir da 12ª semana.
- Suplemento de cálcio até o parto.
A dose e o início exato são decisão da equipe do pré-natal. AAS por conta própria na gravidez não é seguro: o texto sobre febre na gravidez explica por que o remédio não deve ser usado como antitérmico. E quem recebeu a receita não deve suspender sozinha.
A ressalva sobre o cálcio. Em abril de 2026, a FEBRASGO e a Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez publicaram que "passam a não recomendar o uso de cálcio para a prevenção da Pré-eclâmpsia à luz das evidências atuais". A mudança veio de uma nova revisão Cochrane (2025) que, ao excluir estudos considerados pouco confiáveis, não encontrou efeito protetor. A entidade lembra que o cálcio pode ser prescrito por outras razões, que a decisão pode ser do médico e que aguarda o posicionamento da OMS e do Ministério da Saúde, cujas recomendações se apoiavam na revisão anterior, de 2018. A OMS, por sua vez, mantém a recomendação de cálcio para gestantes de locais com baixo consumo do mineral. Na prática: se você usa cálcio receitado, converse com a equipe antes de mudar qualquer coisa. Comer bem também conta, e o texto sobre alimentos ricos em cálcio mostra onde ele está.
A FEBRASGO acrescenta atividade física para quem tem fatores de risco, citando como exemplo caminhada de 30 minutos, cinco vezes por semana, quando liberada pela equipe.

Quais são os sinais de alerta?#
A pressão alta pode não dar sintoma. Quando a pré-eclâmpsia se agrava, a Caderneta Brasileira da Gestante 2026 orienta procurar imediatamente a UBS ou um serviço de urgência se aparecer:
- dor de cabeça forte ou diferente do habitual;
- inchaço intenso e repentino no rosto, nas mãos ou nas pernas;
- alterações na visão, como visão embaçada, pontos luminosos, flashes ou escurecimento;
- dor forte na parte superior da barriga, logo abaixo das costelas (ou "na região do estômago, logo abaixo da linha entre as mamas").
Os valores de pressão que a Caderneta ensina a ler:
| Pressão medida | O que significa na gestação |
|---|---|
| Abaixo de 12 por 8 (120 x 80 mmHg) | Normal |
| 14 por 9 ou mais (140 x 90 mmHg) em duas medidas | Pressão alta |
| 16 por 11 ou mais (160 x 110 mmHg) | Situação de urgência: atendimento imediato |
O que fazer: diante de um desses sinais ou de pressão de 16 por 11, vá à maternidade de referência ou ao serviço de urgência mais próximo, ou ligue para o SAMU 192. Convulsão é emergência: chame o 192. A FEBRASGO lembra que muitas mulheres descrevem a alteração visual como "ver estrelinhas".
Como é o acompanhamento e o tratamento?#
Depende da gravidade. O Manual de Gestação de Alto Risco descreve dois caminhos.
Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade. No diagnóstico, a gestante é internada para avaliação. Se estiver estável, pode seguir em casa desde que more perto de um hospital, tenha alguém por perto o tempo todo, meça a pressão todos os dias, fique atenta aos movimentos do bebê e volte a cada semana para consulta e exames. Qualquer sinal de piora leva a nova internação. Se tudo se mantiver controlado, o parto deve ocorrer com 37 semanas, e a indução pode ser proposta.
Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Inclui pressão de 160 por 110 ou mais confirmada em 15 minutos, HELLP, sinais de iminência de eclâmpsia, eclâmpsia, líquido nos pulmões, dor no peito e insuficiência dos rins. Todos esses casos são internados. A equipe usa remédios para baixar a pressão de forma gradual e, havendo risco de convulsão, o sulfato de magnésio, que o Manual chama de "anticonvulsivante de escolha". A OMS informa que ele reduz o risco de eclâmpsia em mais da metade. Doses e vias são decididas no hospital. Entre 24 e 34 semanas, quando não há indicação de parto imediato, o Manual orienta tentar chegar a pelo menos 34 semanas, com corticoide para amadurecer o pulmão do bebê.
O parto é a solução definitiva. O Manual diz que o tratamento definitivo da eclâmpsia é o nascimento e a retirada da placenta, e lista situações em que a gravidez deve ser interrompida em qualquer idade gestacional, como HELLP, eclâmpsia e alterações na vitalidade do bebê. Nos casos graves, o Manual considera o parto vaginal preferível quando possível, para não somar riscos cirúrgicos. Como a doença tende a aparecer na reta final, vale ler também sobre o terceiro trimestre de gravidez e o que muda nas consultas dessa fase.
Dieta e repouso: o Manual diz que a dieta deve ser a habitual, que a restrição de sal só se justifica em situações clínicas específicas e que não há necessidade de repouso absoluto no leito.
E depois do parto?#
A pré-eclâmpsia não termina na sala de parto. O Manual de Gestação de Alto Risco afirma que, depois do nascimento, o risco de eclâmpsia é maior dentro de uma semana e que a pressão pode piorar do terceiro ao sexto dia após o parto. Nos casos graves, também recomenda evitar anti-inflamatórios para controlar a dor e dar alta com orientação sobre os sinais que pedem consulta imediata.
A Caderneta 2026 repete, para o puerpério, os sinais de dor de cabeça forte, alteração na visão, inchaço repentino e pressão elevada, medida ou suspeita.
Quem teve pré-eclâmpsia precisa se cuidar depois?#
Sim. O Manual de Gestação de Alto Risco afirma que mulheres que tiveram as formas graves apresentam "maiores chances de eventos vasculares cardíacos, encefálicos e renais, fenômenos tromboembolísticos e outras comorbidades", e pede aconselhamento sobre hábitos de vida depois da alta. A FEBRASGO vai na mesma linha: quem teve pré-eclâmpsia precisa de acompanhamento ao longo da vida, com dieta saudável e exercício regular. A hipertensão gestacional que não desaparece em 12 semanas após o parto passa a ser tratada como hipertensão crônica. Numa próxima gravidez, o histórico coloca a mulher no grupo de alto risco, com indicação de prevenção desde o início do pré-natal.
Quando procurar atendimento#
Procure a maternidade de referência ou o serviço de urgência, ou ligue para o SAMU 192, se durante a gestação ou nas semanas após o parto houver, segundo a Caderneta Brasileira da Gestante 2026:
- pressão de 16 por 11 (160 x 110 mmHg) ou mais, ou pressão mais alta que o habitual ou acima de 14 por 9;
- dor de cabeça intensa, diferente do habitual ou que não melhora;
- visão turva, pontos luminosos, flashes, pontos cegos ou perda de visão;
- dor forte no estômago ou na parte de cima da barriga, logo abaixo das costelas;
- inchaço repentino no rosto, nas mãos ou nas pernas;
- falta de ar, dor forte no peito, desmaio ou convulsão;
- bebê se mexendo menos ou mais de 4 horas sem se mexer depois das 20 semanas;
- mal-estar intenso ou sensação de que algo não está bem.
Este texto é informativo e não substitui a consulta com a equipe de saúde que acompanha a sua gestação.
Perguntas frequentes
O que é pré-eclâmpsia?
É uma forma de pressão alta própria da gravidez. O Manual de Gestação de Alto Risco, do Ministério da Saúde, define como pressão de 140 por 90 mmHg ou mais, em gestante que tinha pressão normal, a partir da 20ª semana, acompanhada de proteína na urina. Sem proteína na urina, também é pré-eclâmpsia quando a pressão alta vem com sinais de lesão de órgãos, como fígado, rins, pulmões ou sangue, ou com sinais de que a placenta não funciona bem.
Quais são os sintomas de pré-eclâmpsia?
Muitas vezes não há sintoma no começo, e por isso a pressão é medida em toda consulta. Quando há sintomas, a Caderneta Brasileira da Gestante 2026 cita dor de cabeça forte ou diferente do habitual, inchaço intenso e repentino no rosto, nas mãos ou nas pernas, alterações na visão, como visão embaçada, pontos luminosos ou escurecimento, e dor forte na parte superior da barriga, logo abaixo das costelas. Qualquer um deles pede atendimento imediato.
Qual pressão é perigosa na gravidez?
A Caderneta Brasileira da Gestante 2026 considera pressão alta a partir de 14 por 9 (140 por 90 mmHg) em duas medidas e situação de urgência a partir de 16 por 11 (160 por 110 mmHg). Também orienta procurar atendimento quando a pressão estiver mais alta que o habitual. Com 16 por 11 ou mais, vá à maternidade de referência ou acione o SAMU 192.
Pré-eclâmpsia tem cura?
O tratamento controla a pressão e previne complicações, mas a doença só se resolve com o nascimento do bebê e a saída da placenta. O Manual de Gestação de Alto Risco descreve o parto como o tratamento definitivo da eclâmpsia, e a FEBRASGO resume que a pré-eclâmpsia só desaparece quando o bebê nasce. O momento do parto é decidido pela equipe conforme a gravidade e a idade gestacional.
Dá para prevenir a pré-eclâmpsia?
Em gestantes de risco, o Manual de Gestação de Alto Risco, do Ministério da Saúde, recomenda ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose, iniciado antes da 16ª semana e mantido até a 36ª, e suplemento de cálcio até o parto. Em abril de 2026, a FEBRASGO e a Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez deixaram de recomendar o cálcio só para esse fim, depois de uma nova revisão Cochrane. A prescrição é da equipe do pré-natal: não tome por conta própria.
Pré-eclâmpsia pode aparecer depois do parto?
Pode. O Manual de Gestação de Alto Risco diz que, depois do parto, o risco de eclâmpsia é maior na primeira semana, e que a pressão pode piorar entre o terceiro e o sexto dia. A Caderneta 2026 lista entre os sinais de alerta do puerpério dor de cabeça forte, alterações na visão, inchaço repentino e pressão elevada. Diante deles, procure atendimento imediatamente.
Quem teve pré-eclâmpsia tem riscos no futuro?
Sim. O Manual de Gestação de Alto Risco afirma que mulheres que tiveram as formas graves apresentam maiores chances de problemas vasculares no coração, no cérebro e nos rins e de trombose, e que precisam de orientação sobre isso. A FEBRASGO recomenda acompanhamento ao longo da vida. Quem teve pré-eclâmpsia também entra no grupo de alto risco na gravidez seguinte.
Fontes consultadas
- 1.Manual de Gestação de Alto Risco (2022), capítulos 11 (síndromes hipertensivas na gestação) e 43 (hipertensão arterial crônica) — Ministério da Saúde
- 2.Caderneta Brasileira da Gestante (2026): sinais de alerta e hipertensão, pré-eclâmpsia e eclâmpsia — Ministério da Saúde
- 3.Pre-eclampsia (fact sheet) — Organização Mundial da Saúde
- 4.Pré-eclâmpsia: entenda os sintomas, riscos e cuidados para proteger mães e bebês — FEBRASGO
- 5.Reposição de cálcio em gestantes para a prevenção de pré-eclâmpsia (abril de 2026) — FEBRASGO


