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Gravidez

Terceiro trimestre de gravidez: sintomas, cuidados e exames

O terceiro trimestre começa na 28ª semana. As consultas passam a ser quinzenais até a 36ª e semanais depois, a vacina contra o VSR entra a partir de 28 semanas e os exames de sangue e urina se repetem. Veja o que muda, o que alivia as queixas e os sinais de alerta.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·Atualizado em ·11 min de leitura

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Gestante sorridente de blusa branca, com as mãos na barriga, em pé diante de um berço de madeira num quarto de bebê
Gestante sorridente de blusa branca, com as mãos na barriga, em pé diante de um berço de madeira num quarto de bebê

A reta final traz mais consultas e muitas decisões práticas. A Caderneta Brasileira da Gestante, do Ministério da Saúde, resume a fase assim: o corpo e o bebê "passam por mudanças de preparação para o parto". Este texto fecha a série que começou no primeiro trimestre e seguiu no segundo trimestre de gravidez, com o que os documentos oficiais dizem sobre os meses 7, 8 e 9.

Quais semanas formam o terceiro trimestre?#

A Caderneta 2026 define o terceiro trimestre como o período a partir de 28 semanas. Em meses: o 7º vai da 28ª à 31ª semana, o 8º da 32ª à 35ª e o 9º começa na 36ª. A calculadora de idade gestacional mostra em que semana você está pela data da última menstruação ou pelo ultrassom.

O que muda no corpo e no bebê?#

Segundo a Caderneta, a gestante pode sentir mais peso, desconforto, vontade frequente de urinar, dificuldade para dormir ou ansiedade. Dois sinais comuns da fase costumam assustar e, na maioria das vezes, são esperados: a barriga endurecendo por alguns momentos, geralmente sem dor, e a saída de colostro pelo bico do seio, "um líquido importante para o bebê".

O endurecimento tem nome. O Caderno de Atenção Básica nº 32 (CAB 32), do Ministério da Saúde, explica que as contrações de Braxton-Hicks são diferentes das do trabalho de parto "pela ausência de ritmo e regularidade". Segundo a Caderneta 2026, a hora de ir para a maternidade ou o Centro de Parto Normal de referência é a fase ativa do trabalho de parto, quando as contrações ficam fortes, regulares e frequentes, a cada 2 a 3 minutos; na dúvida sobre a ruptura da bolsa, procure um serviço de saúde. Antes de 37 semanas, a situação é outra: o CAB 32 lembra que contrações com ritmo e frequência regulares nessa fase podem ser trabalho de parto prematuro, que é situação de risco e deve ser levada à maternidade de referência, sem esperar a próxima consulta.

Do lado do bebê, a Caderneta descreve três etapas:

SemanasO que a Caderneta 2026 descreve
25 a 32Cresce bastante, ganha peso, desenvolve cérebro e pulmões e acumula gordura, que ajuda a manter a temperatura depois do nascimento. Cerca de 34 a 43 cm e 1 a 2 kg
33 a 36Órgãos quase prontos para funcionar fora do útero, sobretudo os pulmões; costuma ficar de cabeça para baixo. Cerca de 44 a 48 cm e 2,3 a 2,8 kg
37 a 42Pronto para nascer, com os órgãos totalmente desenvolvidos. Cerca de 48 a 52 cm e 3 a 4 kg

Queixas comuns: o que ajuda?#

O CAB 32 lembra que a maioria das queixas da gravidez diminui ou desaparece sem remédio, e que medicamentos devem ser evitados ao máximo. As medidas para azia, câimbra, varizes e prisão de ventre foram detalhadas no texto do segundo trimestre e continuam valendo. No fim da gestação, estas ganham peso:

  • Urinar toda hora. O CAB 32 explica que é comum no início e no fim da gravidez, pela compressão da bexiga pelo útero, e que, mesmo incomodando, é importante continuar bebendo água. Dor ao urinar ou sangue na urina, com ou sem febre, pedem consulta: pode ser infecção urinária.
  • Falta de ar. Vem do útero maior comprimindo os pulmões e também da ansiedade. O Caderno recomenda repousar deitada do lado esquerdo. Tosse, chiado ou falta de ar forte pedem avaliação.
  • Dor nas costas. Corrigir a postura ao sentar e andar, usar sapato baixo e confortável e aplicar calor local. Analgésico só com orientação médica.
  • Inchaço nos pés. Segundo o CAB 32, o edema aparece em 80% das gestantes. Quando é só no tornozelo, sem pressão alta, o Caderno manda ver se tem relação com a postura, o fim do dia, o calor ou o calçado. Já o inchaço no rosto e nas mãos, o que já está presente ao acordar ou o de uma perna só, com dor, precisa de avaliação.
  • Sono e ansiedade. O CAB 32 descreve que, no terceiro trimestre, as ansiedades se intensificam com a proximidade do parto e da mudança de rotina. A Caderneta sugere perguntar na UBS pelo grupo de gestantes, um espaço para tirar dúvidas e trocar apoio.

Como ficam as consultas?#

O ritmo aperta. A Caderneta 2026 traz a programação mínima:

FaseFrequência das consultas
Até 28 semanasMensais
Da 28ª à 36ª semanaQuinzenais
A partir da 36ª semanaSemanais
Depois do partoNo mínimo duas consultas puerperais

Em toda consulta a equipe mede a pressão e o peso, mede a altura uterina, ouve o coração do bebê e pergunta pelos movimentos dele. A ficha da Caderneta também tem um campo para a apresentação fetal, ou seja, a posição em que o bebê está. E a Caderneta é clara: "não existe alta do pré-natal". O acompanhamento só termina na consulta do pós-parto.

O CAB 32 acrescenta um marco: toda gestante com 41 semanas deve ser encaminhada para avaliação do bem-estar do bebê, incluindo o líquido amniótico e o monitoramento dos batimentos, ou antes disso, se os movimentos diminuírem.

Quais exames se repetem no terceiro trimestre?#

A lista de rotina da Caderneta 2026 para o terceiro trimestre repete boa parte dos exames do início. O guia de pré-natal no SUS traz a lista completa dos três trimestres.

ExamePara quem
Hemograma (hemoglobina e hematócrito)Todas
Glicemia em jejumTodas
Teste rápido ou exame para sífilis (VDRL/RPR)Todas
Teste rápido ou exame para HIVTodas
Urina tipo I e urocultura com antibiogramaTodas
Coombs indiretoQuem tem Rh negativo e teve resultado negativo no primeiro trimestre
ToxoplasmoseQuem não tem anticorpos IgG, ou seja, ainda pode pegar a infecção
MaláriaGestantes de regiões endêmicas

No parto ou logo depois, a Caderneta prevê ainda testes rápidos para HIV e sífilis e, se não tiverem sido feitos no pré-natal, para hepatites B e C.

E o exame do estreptococo do grupo B?#

É a dúvida mais comum desta fase, e a resposta oficial não é uma só. O exame não está na lista de rotina da Caderneta 2026. O CAB 32, de 2013, conclui que "não se tem elementos suficientes para recomendar a realização sistemática da coleta" no Brasil. O Manual de Gestação de Alto Risco, de 2022, vai em outra direção e recomenda o rastreio universal entre 36 semanas e 37 semanas e 6 dias, com coleta de material da vagina e do ânus por cotonete. O manual explica o porquê: a bactéria pode viver sem sintomas na mãe e passar para o bebê no parto, e quem tem resultado positivo recebe antibiótico na veia durante o trabalho de parto.

Na prática, depende do protocolo local: pergunte à equipe, por volta da 35ª semana, se o exame será pedido.

Quais vacinas tomar nessa fase?#

A grande novidade é a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), que a Caderneta 2026 indica a partir da 28ª semana, em dose única a cada gestação. Segundo a Caderneta, o VSR é o maior responsável pelas internações e mortes por bronquiolite em bebês, e os anticorpos da mãe passam para o bebê na gravidez e pelo leite. Se o bebê nascer prematuro, ele deve receber ainda na maternidade o nirsevimabe, também garantido pelo SUS.

Confira também o que ficou para trás. A dTpa é indicada a partir da 20ª semana em toda gestação; se ainda não tomou, não espere. A vacina da gripe pode ser tomada em qualquer fase. A da hepatite B, se o esquema não fechar, pode ser concluída até 45 dias depois do parto. Depois do nascimento, o calendário passa a ser o do bebê: veja a vacinação do bebê.

Movimentos do bebê: quando se preocupar?#

A Caderneta 2026 manda buscar atendimento imediato se houver diminuição ou ausência dos movimentos, especialmente se o bebê ficar mais de 4 horas sem se mexer depois das 20 semanas.

O CAB 32 descreve o registro diário dos movimentos, que pode começar a partir da 34ª semana em gestações de baixo risco: escolher um horário, comer antes, sentar com a mão na barriga e anotar o tempo até sentir seis movimentos. Se em uma hora não sentir seis, repete; se na hora seguinte também não, procura a unidade de saúde na hora. O Manual de Gestação de Alto Risco usa a "contagem até 10", com a mesma lógica de uma hora e uma repetição. Não há método padronizado: combine com a equipe qual usar e, se sentir o bebê diferente, não espere a contagem.

Mulher de vestido verde abrindo a gaveta de uma cômoda de madeira cheia de fraldas de pano coloridas e dobradas
A Caderneta 2026 lembra que bebês não precisam de muitos produtos: o que mais pesa nos primeiros dias é cuidado e apoio. · Foto: Unsplash

Plano de parto e preparação#

O pré-natal do fim da gestação também serve para planejar. A Caderneta 2026 orienta que a equipe informe qual é a maternidade ou o Centro de Parto Normal de referência e converse sobre o plano de parto, um documento em que a gestante anota como deseja o cuidado no parto e no nascimento. Entre os itens que a Caderneta sugere:

  • quem será o acompanhante e a doula, se houver;
  • como prefere ser chamada e como deseja o ambiente;
  • posições no trabalho de parto e métodos de alívio da dor;
  • procedimentos que aceita ou não, como toques vaginais repetidos e episiotomia;
  • cuidados com o bebê logo depois do nascimento e contracepção após o parto.

A Caderneta faz uma ressalva: o plano "não é um contrato" e pode ser revisto a qualquer momento. Em imprevistos, a equipe pode sugerir mudanças, mas a gestante tem direito a explicações claras e a participar das decisões.

Segundo a Caderneta, a gestante pode ter um acompanhante de sua escolha nas consultas de pré-natal, no parto e no pós-parto (Lei nº 11.108/2005 e Lei nº 14.737/2023) e uma doula no trabalho de parto, sem que uma exclua a outra (Lei nº 15.381/2026).

O checklist da Caderneta para a bolsa inclui documento de identidade, CPF, a própria Caderneta, o plano de parto, roupas confortáveis, absorventes, roupas e fraldas para o bebê, além de saber o caminho até a maternidade e combinar quem ajuda nos primeiros dias. O que vem depois do parto está no texto sobre pós-parto e puerpério.

Sinais de alerta no terceiro trimestre#

A Caderneta 2026 orienta procurar a unidade de saúde, a maternidade de referência ou um serviço de urgência, ou acionar o SAMU 192, quando houver:

  • pressão mais alta que o habitual ou a partir de 140 por 90 (a partir de 160 por 110 é urgência);
  • sangramento vaginal;
  • dor abdominal forte ou persistente;
  • febre a partir de 37,8 °C (veja febre na gravidez);
  • dor de cabeça intensa ou que não melhora;
  • visão turva, sensibilidade à luz, flashes ou pontos cegos;
  • dor forte na região do estômago, logo abaixo da linha entre as mamas;
  • inchaço repentino no rosto, nas mãos ou nas pernas;
  • dor ou ardência ao urinar;
  • bebê sem se mexer por mais de 4 horas;
  • falta de ar, dor forte no peito, desmaio ou convulsão;
  • contrações com ritmo, que vêm em intervalos regulares e não passam, antes de 37 semanas, ou perda de líquido pela vagina: segundo o Caderno de Atenção Básica nº 32, do Ministério da Saúde, podem ser sinal de trabalho de parto prematuro, situação de risco que deve ser levada à maternidade de referência;
  • mal-estar intenso ou sensação de que algo não está bem.

Pressão alta com dor de cabeça, inchaço repentino e alteração na visão pode ser pré-eclâmpsia, que a Caderneta diz poder aparecer mesmo em quem nunca teve pressão alta. Os sinais, a prevenção e o tratamento estão no texto sobre pré-eclâmpsia. A Caderneta também orienta procurar atendimento se houver saída de líquido diferente pela vagina.

As emoções contam. A Caderneta pede que a gestante converse com a equipe se sentir tristeza intensa que não melhora, ansiedade forte ou medo constante, isolamento ou pensamentos de se machucar. Veja os sinais de depressão. Em crise, o CVV atende pelo 188, de graça e 24 horas, e o SAMU pelo 192, como lista o Ministério da Saúde; o CAPS e a UBS também acolhem.

Quando procurar atendimento#

Vá à maternidade de referência ou ligue para o SAMU 192 diante de qualquer sinal da lista acima. Além disso, procure a equipe do pré-natal se:

  1. você passou da 28ª semana e não tomou a vacina contra o VSR;
  2. não tomou a dTpa ou a vacina da gripe;
  3. ainda não sabe qual é a sua maternidade de referência nem como chegar lá;
  4. chegou às 41 semanas sem ter sido encaminhada para avaliação do bem-estar do bebê;
  5. sente o bebê se mexer menos, mesmo que não tenha completado 4 horas;
  6. está triste, ansiosa ou sem apoio para a chegada do bebê.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Exames, vacinas e qualquer remédio são definidos pela equipe que acompanha a sua gestação.

Perguntas frequentes

Quais semanas formam o terceiro trimestre da gravidez?

Na Caderneta Brasileira da Gestante de 2026, o terceiro trimestre começa na 28ª semana e vai até o parto. Ele reúne o 7º mês (da 28ª à 31ª semana), o 8º (da 32ª à 35ª) e o 9º, a partir da 36ª semana.

De quanto em quanto tempo são as consultas no terceiro trimestre?

A Caderneta 2026 prevê consultas quinzenais da 28ª à 36ª semana e semanais a partir da 36ª, dentro do mínimo de sete consultas de pré-natal. O Caderno de Atenção Básica nº 32 acrescenta que toda gestante com 41 semanas deve ser encaminhada para avaliação do bem-estar do bebê.

Quais exames são feitos no terceiro trimestre?

A lista de rotina da Caderneta Brasileira da Gestante 2026 para o terceiro trimestre tem hemograma, glicemia em jejum, teste rápido ou exame para sífilis e para HIV, exame de urina tipo I com urocultura, Coombs indireto para quem tem Rh negativo, toxoplasmose para quem não tem anticorpos IgG e malária em regiões endêmicas.

O exame do estreptococo do grupo B é obrigatório no SUS?

Não está na lista de rotina da Caderneta 2026, e os documentos do Ministério da Saúde divergem. O Caderno de Atenção Básica nº 32, de 2013, diz que não há elementos suficientes para recomendar a coleta sistemática. O Manual de Gestação de Alto Risco, de 2022, recomenda o rastreio universal entre 36 e 37 semanas e 6 dias. Pergunte à sua equipe qual é o protocolo do seu serviço.

Quando tomar a vacina contra o VSR na gravidez?

A partir da 28ª semana, em dose única a cada gestação, segundo a Caderneta Brasileira da Gestante 2026. A vacina protege o bebê contra bronquiolite e pneumonia nos primeiros meses de vida. Se o bebê nascer prematuro, ele deve receber o nirsevimabe ainda na maternidade, também pelo SUS.

Quanto tempo o bebê pode ficar sem mexer no fim da gravidez?

A Caderneta 2026 orienta buscar atendimento imediato se houver diminuição ou ausência dos movimentos, especialmente se o bebê ficar mais de 4 horas sem se mexer depois das 20 semanas. No método do Caderno de Atenção Básica nº 32, se a gestante não sentir seis movimentos em uma hora, repete a contagem; se na hora seguinte também não sentir, deve procurar a unidade de saúde na hora.

É normal a barriga endurecer no terceiro trimestre?

A Caderneta Brasileira da Gestante 2026 cita a barriga endurecendo por alguns momentos, geralmente sem dor, entre os sinais comuns do fim da gestação. O Caderno de Atenção Básica nº 32 explica que essas contrações, chamadas de Braxton-Hicks, não têm ritmo nem regularidade, ao contrário das do trabalho de parto. Dor forte, sangramento ou perda de líquido pedem atendimento. Antes de 37 semanas, contrações com ritmo, em intervalos regulares, que não passam também pedem ida à maternidade de referência, porque podem ser trabalho de parto prematuro.

O que é o plano de parto e quando fazer?

É um documento em que a gestante anota como deseja o cuidado no parto e no nascimento, por exemplo quem será o acompanhante, as posições, os métodos de alívio da dor e os cuidados com o bebê. A Caderneta 2026 traz um modelo, orienta conversar sobre ele nas consultas e lembra que ele não é um contrato: pode ser revisto a qualquer momento.

Fontes consultadas

  1. 1.Caderneta Brasileira da Gestante (2026): trimestres, desenvolvimento do bebê, consultas, exames, vacinas, plano de parto e sinais de alerta — Ministério da Saúde
  2. 2.Atenção ao pré-natal de baixo risco (Caderno de Atenção Básica nº 32): calendário de consultas, queixas comuns, edema, registro dos movimentos fetais e estreptococo do grupo B — Ministério da Saúde
  3. 3.Manual de Gestação de Alto Risco (2022): colonização materna por estreptococo do grupo B e monitorização dos movimentos fetais — Ministério da Saúde
  4. 4.Prevenção do suicídio: onde buscar ajuda — Ministério da Saúde
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