Pular para o conteúdo
Blog com Saúde
Comportamento

Depressão: Sinais, Diferença da Tristeza, Tratamento no SUS e Como Ajudar

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 15,5% dos brasileiros terão depressão ao longo da vida. A OMS diferencia a doença da tristeza comum pela duração: humor deprimido ou perda de prazer quase todos os dias, por pelo menos duas semanas. Veja sinais, tratamento no SUS e como ajudar.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

Texto produzido com inteligência artificial

Revisão técnica

Sem revisão profissional

Como este texto foi produzido

Publicado em ·8 min de leitura

Tamanho do texto
Duas jovens sentadas encostadas numa parede clara; uma apoia a cabeça no ombro da outra, que a abraça pelo braço
Duas jovens sentadas encostadas numa parede clara; uma apoia a cabeça no ombro da outra, que a abraça pelo braço

"Tristeza" e "depressão" aparecem como sinônimos em muita conversa, e isso atrapalha nos dois sentidos. Quem está deprimido ouve que "é só uma fase", e quem está triste por um bom motivo acha que precisa de remédio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde dão critérios claros para separar uma coisa da outra, e é com eles que este texto responde às perguntas mais comuns: quais são os sinais, como a depressão é tratada no SUS e o que fazer para ajudar alguém.

Depressão é comum no Brasil?#

É. O Ministério da Saúde afirma que a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%, e que estudos mostram prevalência de até 20% nas mulheres e 12% nos homens. Segundo dados da OMS citados na Linha de Cuidado da Depressão do Ministério, o Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina e o segundo das Américas.

No mundo, a OMS estima que 5,2% dos adultos tenham depressão: 4,1% dos homens e 6,2% das mulheres. São cerca de 322 milhões de pessoas, e a doença é cerca de 1,5 vez mais comum entre mulheres. Pode começar em qualquer idade, mas, segundo o Ministério, a época mais comum de aparecimento é o fim da terceira década de vida, perto dos 30 anos.

O Ministério também descreve a depressão como uma doença que tende a ser crônica e recorrente, principalmente quando não é tratada, e como a doença mental mais associada ao suicídio. É um problema médico grave, e não falta de força de vontade.

Qual a diferença entre tristeza e depressão?#

A OMS diz que o transtorno depressivo é diferente das mudanças regulares de humor e dos sentimentos do dia a dia. Três pontos ajudam a separar:

Tristeza comumEpisódio depressivo
DuraçãoVai e volta, ligada a acontecimentosMaior parte do dia, quase todos os dias, por ao menos 2 semanas (OMS)
PrazerContinua possívelPerda de prazer ou de interesse pelas atividades
Outros sintomasEm geral, nãoCansaço, sono e apetite alterados, culpa, desesperança, dificuldade de concentração
ImpactoPassa sem desorganizar a vidaAtrapalha relações, trabalho, estudo e vida em comunidade

O Ministério da Saúde descreve um detalhe que muita gente não associa à depressão: muitas pessoas se mostram mais apáticas do que tristes e relatam um "sentimento de falta de sentimento". Tudo parece vazio, "o mundo é visto sem cores".

Quais são os sinais e sintomas?#

Durante um episódio depressivo, segundo a OMS, a pessoa tem humor deprimido (triste, irritável ou vazio) ou perda de prazer e interesse, junto com outros sintomas, como:

  • dificuldade de concentração;
  • culpa excessiva ou baixa autoestima;
  • desesperança em relação ao futuro;
  • pensamentos sobre morte ou suicídio;
  • sono alterado;
  • mudanças de apetite ou de peso;
  • muito cansaço ou falta de energia.

O Ministério da Saúde acrescenta lentidão do corpo e do pensamento, queixas de falta de memória, de vontade e de iniciativa, redução do interesse sexual e sintomas físicos difusos, como mal-estar, cansaço, queixas digestivas, dor no peito, taquicardia e suor. A insônia costuma ser no meio ou no fim da noite; em algumas formas, o que aparece é sonolência. Quando a falta de sono se arrasta, vale ler sobre as causas da insônia e o tratamento de primeira linha. A Linha de Cuidado do Ministério lista, na versão para pacientes, também a ansiedade e "diferentes sintomas físicos persistentes sem causa aparente".

A depressão costuma andar junto com a ansiedade. Quando ela aparece em forma de crises com coração disparado e falta de ar, o texto sobre crise de ansiedade mostra o que fazer na hora. E o sono, que se altera em quase todos os quadros, é tema do guia de qualidade do sono.

O que causa a depressão?#

A OMS diz que a depressão resulta de uma interação complexa entre fatores sociais, psicológicos e biológicos. O Ministério da Saúde cita um componente genético, estimado em 40% da suscetibilidade, alterações em substâncias do cérebro ligadas ao humor, ao sono e ao apetite, e eventos estressantes que podem desencadear episódios em quem tem predisposição.

Entre os fatores de risco listados pelo Ministério estão estresse crônico, histórico familiar, ansiedade crônica, dependência de álcool e drogas, conflitos conjugais, traumas, mudança brusca de condição financeira e desemprego, além de doenças do coração, hormonais, neurológicas e câncer. O estresse crônico do trabalho merece atenção especial: o Ministério alerta que a síndrome de burnout pode evoluir para depressão.

Como é feito o diagnóstico?#

O Ministério da Saúde explica que o diagnóstico é clínico, feito pelo médico depois de conhecer a história completa da pessoa e de um exame do estado mental. Não existe exame de laboratório específico para depressão.

A Linha de Cuidado indica, na página para pacientes, o questionário PHQ-9 para identificar risco de depressão e orienta procurar um profissional quando a pontuação for igual ou maior que 9, ou quando os sinais e sintomas durarem pelo menos 2 semanas. O questionário é uma triagem, e não substitui a consulta.

Qual é o tratamento?#

A OMS afirma que há tratamento eficaz para a depressão leve, moderada e grave. Os pontos centrais:

  • Psicoterapia vem primeiro. Os tratamentos psicológicos são os primeiros tratamentos para a depressão, segundo a OMS. Entre os eficazes estão a ativação comportamental, a terapia cognitivo-comportamental, a psicoterapia interpessoal e a terapia de solução de problemas.
  • Remédio, quando indicado. Os antidepressivos podem ser combinados à psicoterapia nos casos moderados e graves e não são necessários na depressão leve. A OMS diz que eles não devem ser usados em crianças e que, em adolescentes, não são a primeira escolha. A escolha do remédio e a dose são sempre do profissional.
  • Não pare por conta própria. O Ministério da Saúde alerta que interromper o tratamento sem orientação ou usar a medicação de forma inadequada pode aumentar significativamente o risco de a doença se tornar crônica.

A Linha de Cuidado acrescenta que o tratamento depende da gravidade e dos recursos da região, pode incluir aconselhamento, terapia individual ou em grupo, remédio e, em algumas situações, internação, e que o envolvimento da família e da rede de apoio é muito importante para a recuperação.

Autocuidado ajuda o tratamento. A OMS recomenda tentar manter atividades de que a pessoa gostava, ficar perto de amigos e família, fazer exercício regularmente (mesmo uma caminhada curta), manter horários de comer e dormir, evitar álcool e drogas e conversar com alguém de confiança. O Ministério inclui ainda evitar o cigarro, e o texto sobre como parar de fumar explica o tratamento gratuito no SUS.

Onde buscar atendimento no SUS?#

A Linha de Cuidado da Depressão, do Ministério da Saúde, é direta: a depressão tem tratamento, e ele está disponível no SUS.

  • Unidade Básica de Saúde (posto de saúde) ou equipe de Consultório na Rua: porta de entrada e acompanhamento.
  • CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): unidades especializadas em transtornos mentais. Há CAPS em todo o território nacional, e o atendimento pode começar por procura direta.
  • Ambulatórios especializados: também fazem o tratamento, segundo o Ministério.
  • Emergência: SAMU 192, UPA, pronto-socorro e hospitais.
  • CVV, telefone 188: apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas, todos os dias, de qualquer telefone fixo ou celular.
Duas mulheres de casaco escuro conversando lado a lado, apoiadas numa grade, com prédios iluminados ao entardecer
Ouvir sem julgar e se oferecer para acompanhar a pessoa ao atendimento estão entre as orientações do Ministério da Saúde para quem quer ajudar. · Foto: Unsplash

Como ajudar alguém com depressão?#

As orientações do Ministério da Saúde para apoiar quem está em sofrimento são simples e práticas:

  1. Escolha um momento e um lugar calmos para conversar, e deixe claro que você está ali para ouvir.
  2. Ouça com a mente aberta, sem julgar e sem minimizar. Quem pede ajuda tem o direito, diz o Ministério, de ser respeitado, levado a sério e escutado.
  3. Incentive a busca por um profissional e ofereça-se para acompanhar a pessoa ao atendimento.
  4. Fique em contato depois, para saber como ela está e o que está fazendo.

Alguns sinais pedem atenção redobrada. O Ministério cita falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, dizer que se sente sem esperança, culpado ou um peso para os outros, e se isolar, deixando de atender o telefone ou de fazer o que gostava. Frases como "vou desaparecer" ou "queria dormir e nunca mais acordar" são sinais de alerta.

Se você acha que a pessoa está em perigo imediato, o Ministério orienta não deixá-la sozinha, procurar ajuda de serviços de saúde ou de emergência, avisar alguém de confiança indicado por ela e restringir o acesso a meios letais em casa.

Quando procurar atendimento#

A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde orienta procurar um profissional quando os sinais e sintomas de depressão durarem pelo menos 2 semanas. Busque a UBS ou o CAPS se:

  1. a tristeza, o vazio ou a perda de prazer estiverem presentes quase todos os dias, há duas semanas ou mais;
  2. o quadro estiver atrapalhando o trabalho, os estudos, a casa ou as relações;
  3. houver alterações importantes de sono, apetite ou peso;
  4. a pessoa já tratou depressão antes e os sintomas voltaram, ou parou o remédio por conta própria;
  5. houver sintomas no pós-parto (a diferença entre baby blues e depressão pós-parto está no texto sobre pós-parto e puerpério): a Linha de Cuidado orienta falar com a equipe nas consultas e na visita domiciliar.

Procure ajuda imediata, pelo SAMU 192, numa UPA ou num pronto-socorro, se houver pensamentos de morte ou de se machucar, e ligue também para o CVV, no 188. A OMS lembra a quem passa por isso: você não está sozinho, e muitas pessoas que passaram pelo mesmo encontraram ajuda.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e o tratamento da depressão são definidos pelo profissional de saúde que acompanha você.

Perguntas frequentes

Como saber se é tristeza ou depressão?

Pela duração, pela intensidade e pelo quanto atrapalha a vida. A OMS explica que o episódio depressivo é diferente das flutuações normais de humor: o humor deprimido ou a perda de prazer duram a maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, e vêm acompanhados de outros sintomas, como cansaço, alteração de sono e de apetite, culpa excessiva e desesperança. Só um profissional de saúde faz o diagnóstico.

Quais são os sintomas da depressão?

A OMS cita humor deprimido (triste, irritável ou vazio), perda de prazer ou interesse, dificuldade de concentração, culpa excessiva ou baixa autoestima, desesperança, pensamentos sobre morte ou suicídio, sono alterado, mudanças de apetite ou peso e cansaço. O Ministério da Saúde acrescenta lentidão, falta de vontade e de iniciativa, redução do interesse sexual e sintomas físicos difusos, como mal-estar, queixas digestivas, dor no peito e taquicardia.

Depressão tem cura?

Tem tratamento eficaz. A OMS afirma que há tratamento eficaz para a depressão leve, moderada e grave. O Ministério da Saúde alerta que a doença tende a ser crônica e recorrente, principalmente quando não é tratada, e que interromper o tratamento por conta própria ou usar a medicação de forma inadequada pode aumentar muito o risco de cronificação. Por isso a adesão ao tratamento, até a alta, é tão importante.

Todo mundo com depressão precisa tomar remédio?

Não. Segundo a OMS, os tratamentos psicológicos são os primeiros tratamentos para a depressão e podem ser combinados com antidepressivos nos casos moderados e graves, e os antidepressivos não são necessários na depressão leve. A OMS também diz que eles não devem ser usados para tratar depressão em crianças e não são primeira linha em adolescentes. A indicação e a dose são sempre do profissional.

Onde tratar depressão pelo SUS?

O Ministério da Saúde orienta procurar a Unidade Básica de Saúde (posto de saúde) ou a equipe de Consultório na Rua, e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades especializadas em transtornos mentais. Segundo o Ministério, o tratamento pode ser feito na Atenção Primária, nos CAPS e em ambulatórios especializados. Em emergência, os pontos de atendimento são o SAMU 192, a UPA, o pronto-socorro e os hospitais.

Como ajudar alguém com depressão?

O Ministério da Saúde orienta escolher um momento e um lugar calmos para conversar, ouvir com a mente aberta, oferecer apoio, incentivar a busca por um profissional e se oferecer para acompanhar a pessoa ao atendimento. Se você acha que ela está em perigo imediato, não a deixe sozinha e procure ajuda de serviços de saúde ou de emergência. Depois, mantenha contato para saber como ela está.

Falar sobre suicídio pode piorar a situação?

As orientações do Ministério da Saúde vão no sentido oposto: a Linha de Cuidado da Depressão diz que o profissional não deve ter receio de investigar o risco de suicídio e que todo paciente que fala sobre o tema merece atenção. Para quem está em sofrimento, o Ministério recomenda conversar com alguém de confiança. O CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas, com sigilo.

Depressão pós-parto também é depressão?

Sim. A OMS estima que mais de 10% das gestantes e das mulheres que acabaram de ter bebê no mundo têm depressão. A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde orienta comparecer às consultas pós-parto e falar sobre qualquer sinal com a equipe, e lembra que toda mulher tem direito a tratamento gratuito pelo SUS, independentemente de onde fez o pré-natal e o parto.

Fontes consultadas

  1. 1.Depressão: causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção — Ministério da Saúde
  2. 2.Depressive disorder (depression) (fact sheet) — OMS — Organização Mundial da Saúde
  3. 3.Linha de Cuidado da Depressão no adulto: Sou Paciente/Familiar — Ministério da Saúde
  4. 4.Linha de Cuidado da Depressão no adulto: definição — Ministério da Saúde
  5. 5.Suicídio: prevenção, sinais de alerta e como ajudar — Ministério da Saúde
Assuntosdepressãosintomas de depressãotratamento no SUSCAPSCVV 188