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Comportamento

Síndrome de Burnout: Sintomas, o Que a OMS Diz e Quais São os Seus Direitos

A OMS descreve o burnout na CID-11 como fenômeno do trabalho com três dimensões: exaustão, distanciamento e queda da eficácia. No Brasil ele está na lista de doenças relacionadas ao trabalho, e o afastamento acidentário garante 12 meses de estabilidade.

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Redação Blog com Saúde

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Mulher de jaqueta jeans com a mão na cabeça e expressão cansada diante de um notebook, numa mesa de trabalho com papéis e copo de café
Mulher de jaqueta jeans com a mão na cabeça e expressão cansada diante de um notebook, numa mesa de trabalho com papéis e copo de café

"Burnout" virou palavra do dia a dia, usada para qualquer cansaço de fim de semestre. Mas ela tem uma definição oficial, e essa definição diz mais do que parece. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), burnout não é falta de força de vontade nem fraqueza individual: é o resultado do estresse crônico no trabalho que não foi bem gerenciado. No Brasil, desde uma portaria de novembro de 2023, o "Esgotamento (Burnout)" está oficialmente na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho do Ministério da Saúde, o que tem consequências práticas para quem precisa se afastar.

Este texto mostra o que a OMS e o Ministério da Saúde dizem, quais são os sintomas, como diferenciar de estresse e de depressão, onde tratar no SUS e quais direitos o trabalhador tem.

O que é burnout, segundo a OMS?#

A OMS incluiu o burn-out na 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como fenômeno ocupacional. A organização é explícita: ele não é classificado como condição médica. Fica no capítulo "Fatores que influenciam o estado de saúde ou o contato com serviços de saúde", que reúne motivos pelos quais as pessoas procuram atendimento, mas que não são doenças.

A definição da CID-11 diz que o burn-out é uma síndrome resultante de estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso, caracterizada por três dimensões:

  1. sensação de esgotamento de energia ou exaustão;
  2. aumento do distanciamento mental em relação ao trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo ligados a ele;
  3. redução da eficácia profissional.

E termina com uma frase que muda a conversa: o burn-out "refere-se especificamente a fenômenos no contexto ocupacional e não deve ser aplicado para descrever experiências em outras áreas da vida". A OMS lembra ainda que ele já estava na CID-10, na mesma categoria, mas com uma definição menos detalhada.

O Ministério da Saúde usa uma linguagem diferente. Chama a Síndrome de Burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional, de "distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante". Diz que a principal causa é o excesso de trabalho e que ela é comum entre profissionais que trabalham sob pressão e com responsabilidades constantes, como médicos, enfermeiros, professores, policiais e jornalistas. Também pode surgir quando a pessoa recebe metas muito difíceis e sente que não tem capacidade de cumpri-las.

Burnout é doença do trabalho no Brasil?#

É. A Portaria GM/MS nº 1.999, de 27 de novembro de 2023, atualizou a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT) e incluiu o código Z73.0, "Esgotamento (Burnout)". Os fatores de risco associados são psicossociais e ligados à forma como o trabalho é organizado:

  • gestão organizacional e contexto da organização do trabalho;
  • características das relações sociais no trabalho;
  • conteúdo das tarefas e condições do ambiente;
  • jornada de trabalho;
  • violência e assédio moral ou sexual no trabalho;
  • discriminação e risco de morte e trauma no trabalho.

A mesma lista traz outros transtornos mentais ligados aos mesmos fatores, como episódios depressivos, transtorno depressivo recorrente e transtornos ansiosos. Ou seja: a lei olha para o ambiente de trabalho, e não só para a pessoa.

Na mesma direção, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas. O manual do Ministério do Trabalho e Emprego sobre o tema dá como exemplos de risco o excesso de demandas, o assédio de qualquer natureza e a falta de apoio no trabalho.

Quais são os sintomas?#

O Ministério da Saúde lista os principais sinais e sintomas:

  • cansaço excessivo, físico e mental, e fadiga;
  • dificuldade de concentração;
  • sentimentos de incompetência, fracasso, insegurança, derrota e desesperança;
  • negatividade constante;
  • dor de cabeça frequente e dores musculares;
  • insônia;
  • alterações no apetite;
  • alterações repentinas de humor;
  • alteração nos batimentos cardíacos e pressão alta;
  • isolamento;
  • problemas gastrointestinais.

O mesmo texto chama atenção para o jeito como o quadro começa: os sintomas costumam surgir de forma leve e piorar com o passar dos dias, e por isso muita gente acha que é algo passageiro. O estresse e a falta de vontade de sair da cama ou de casa, quando constantes, podem indicar o início da síndrome.

A insônia aparece na lista do Ministério e, ao mesmo tempo, a prevenção recomendada por ele inclui descansar e dormir bem. O guia de qualidade do sono, no cartão abaixo, reúne o que ajuda a recuperar a noite.

Burnout, estresse ou depressão?#

Os três se misturam, e só a avaliação profissional separa com segurança. Estresse, em si, não é burnout: pela definição da OMS, o burnout é o que resulta quando o estresse do trabalho fica crônico e não é gerenciado com sucesso. A diferença para a depressão fica mais clara lado a lado:

BurnoutDepressão
De onde vemEstresse crônico do trabalho não gerenciado (OMS)Interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos (OMS)
Onde apareceRestrito ao contexto ocupacional, segundo a CID-11Afeta todos os aspectos da vida, em casa, no trabalho e na comunidade (OMS)
MarcasExaustão, distanciamento ou cinismo em relação ao trabalho e queda da eficáciaHumor deprimido ou perda de prazer na maior parte do dia, quase todos os dias, por ao menos 2 semanas
ClassificaçãoFenômeno ocupacional (OMS); doença relacionada ao trabalho no Brasil (LDRT)Transtorno mental

A relação entre burnout e depressão é de risco, não de sinônimo. O Ministério da Saúde afirma que a síndrome pode resultar em depressão profunda e que, quando o tratamento não é seguido, os sintomas pioram, com perda total da motivação e distúrbios gastrointestinais, e a pessoa pode desenvolver depressão. Os sinais da depressão estão no texto sobre depressão: sinais, tratamento e como ajudar. Quando a exaustão vem em forma de crises com coração disparado e falta de ar, veja o que fazer numa crise de ansiedade.

E o cansaço extremo de quem cuida dos filhos? A própria restrição da OMS ao contexto ocupacional explica por que ele não entra na definição oficial. O burnout parental é estudado como um construto de pesquisa à parte, com instrumento próprio, e o texto do site mostra o que os estudos encontraram.

Como é feito o diagnóstico e onde tratar no SUS?#

Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico é feito por profissional especialista depois de análise clínica, e o psiquiatra e o psicólogo são os indicados para identificar o problema. O Ministério reconhece que muita gente demora a procurar ajuda por não identificar os sintomas, e que amigos e familiares podem ajudar a pessoa a perceber que precisa de apoio.

No SUS, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) oferece, de forma integral e gratuita, todo o tratamento, do diagnóstico ao tratamento com medicamentos. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são, para o Ministério, os locais mais indicados. A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a porta de entrada da rede.

Qual é o tratamento?#

O Ministério da Saúde descreve o tratamento como feito basicamente com psicoterapia, podendo envolver medicamentos (antidepressivos e/ou ansiolíticos), sempre por prescrição. Informa que o tratamento normalmente surte efeito entre um e três meses, mas pode durar mais, conforme o caso. E inclui duas peças que não estão no consultório:

  • mudanças nas condições de trabalho;
  • mudanças de hábitos e estilo de vida, com atividade física regular e exercícios de relaxamento.

Após o diagnóstico médico, o Ministério recomenda fortemente que a pessoa tire férias e faça atividades de lazer com pessoas próximas.

Homem de moletom e boné caminhando sozinho por uma trilha asfaltada num parque arborizado, com gramado ao fundo
Atividade física regular e lazer fora do trabalho fazem parte do tratamento e da prevenção do burnout descritos pelo Ministério da Saúde. · Foto: Unsplash

Como prevenir?#

Para o Ministério da Saúde, a melhor prevenção são estratégias que diminuam o estresse e a pressão no trabalho. A lista de condutas inclui definir pequenos objetivos na vida profissional e pessoal, participar de lazer com amigos e familiares, fazer atividades que fujam da rotina, conversar com alguém de confiança sobre o que sente, praticar atividade física regular, evitar álcool, tabaco e outras drogas, não se automedicar e descansar adequadamente.

A OMS desloca boa parte da responsabilidade para o empregador. Na página sobre saúde mental no trabalho, lista como riscos a carga ou o ritmo excessivos, a falta de pessoal, jornadas longas ou inflexíveis, a falta de controle sobre a própria carga, a violência, o assédio e a insegurança no emprego. E recomenda intervenções organizacionais, que avaliam e reduzem esses riscos na origem, além de treinamento de gestores, adaptações razoáveis no trabalho e programas de retorno gradual após o afastamento. A OMS estima que cerca de 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos por ano no mundo por depressão e ansiedade.

Quais são os direitos de quem tem burnout?#

Quando a incapacidade para o trabalho passa de 15 dias, o segurado pode pedir ao INSS o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença). O INSS diferencia duas modalidades:

ComumAcidentário (ligado ao trabalho)
Carência12 contribuições, exceto casos isentosIsento
Estabilidade no empregoNão há12 meses após o retorno ao trabalho
FGTS durante o benefícioEmpresa não é obrigada a depositarEmpresa é obrigada a depositar

O pedido é feito pelo Meu INSS, com a conta gov.br, ou pelo telefone 135. O INSS orienta anexar atestado legível, sem rasuras, com identificação do segurado, doença ou CID, data, tempo estimado de afastamento e assinatura e identificação do profissional, além de exames e laudos, quando houver. Em algumas situações, pode ser necessária perícia presencial.

Quando procurar atendimento#

O Ministério da Saúde orienta buscar apoio profissional assim que notar os primeiros sinais, porque os sintomas tendem a piorar. Procure a UBS ou o CAPS se:

  1. o cansaço, a insônia ou a falta de vontade de sair de casa forem constantes;
  2. surgirem sentimentos persistentes de fracasso, derrota ou desesperança;
  3. houver perda total da motivação, um dos sinais de piora citados pelo Ministério;
  4. aparecerem sinais de depressão, que nos casos mais graves, segundo o Ministério, pode indicar internação para avaliação.

Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, ligue para o CVV, no 188: segundo o Ministério da Saúde, a ligação é gratuita de qualquer telefone, e o atendimento é sigiloso, 24 horas, todos os dias. Em perigo imediato, procure o SAMU 192, uma UPA ou um pronto-socorro, e não fique sozinho. Antes de qualquer remédio, lembre a orientação do Ministério: não se automedique.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e o tratamento da síndrome de burnout são definidos pelo profissional de saúde que acompanha você.

Perguntas frequentes

Burnout é doença?

Depende de quem classifica. Na CID-11, a OMS diz que o burn-out é um fenômeno ocupacional e não é classificado como condição médica: ele aparece no capítulo de fatores que influenciam o estado de saúde. O Ministério da Saúde, por sua vez, chama a Síndrome de Burnout de distúrbio emocional, e a Portaria GM/MS nº 1.999/2023 inclui o "Esgotamento (Burnout)" na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho. Para o trabalhador, o efeito prático é o mesmo: há diagnóstico, tratamento e direitos.

Quais são os primeiros sintomas de burnout?

O Ministério da Saúde cita cansaço excessivo, físico e mental, dificuldade de concentração, sentimentos de incompetência e de fracasso, dor de cabeça frequente, insônia, alterações de apetite e de humor, isolamento e problemas gastrointestinais. Diz também que os sintomas costumam começar leves e piorar com o passar dos dias, e que a falta de vontade de sair da cama ou de casa, quando constante, pode indicar o início do quadro.

Qual a diferença entre burnout e depressão?

A OMS define o burnout como algo que se refere especificamente ao contexto do trabalho e que não deve ser usado para descrever experiências em outras áreas da vida. A depressão, segundo a OMS, envolve humor deprimido ou perda de prazer na maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, e afeta todos os aspectos da vida. O Ministério da Saúde alerta que o burnout pode evoluir para depressão, por isso a avaliação profissional é importante.

Quem diagnostica burnout?

Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico é feito por profissional especialista depois de análise clínica, e o psiquiatra e o psicólogo são os indicados para identificar o problema e orientar o tratamento. No SUS, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) oferece o cuidado de forma integral e gratuita, e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são, para o Ministério, os locais mais indicados.

Quanto tempo dura o tratamento do burnout?

O Ministério da Saúde informa que o tratamento é feito basicamente com psicoterapia, podendo envolver antidepressivos ou ansiolíticos, e que normalmente surte efeito entre um e três meses, podendo durar mais conforme o caso. O tratamento inclui mudanças nas condições de trabalho e nos hábitos, como atividade física regular e exercícios de relaxamento.

Burnout dá direito a afastamento pelo INSS?

Pode dar, quando a incapacidade para o trabalho passa de 15 dias. O INSS explica que o auxílio por incapacidade temporária acidentário, ligado ao trabalho, é isento de carência, obriga a empresa a depositar o FGTS durante o benefício e garante estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno. O pedido é feito pelo Meu INSS ou pelo telefone 135, com atestado que informe a doença ou o CID e o tempo estimado de afastamento.

Burnout de mãe e pai é a mesma coisa?

Não do ponto de vista da classificação. A OMS restringe o termo burn-out ao contexto ocupacional e diz que ele não deve ser aplicado a outras áreas da vida. O chamado burnout parental é um construto de pesquisa, com instrumento próprio e estudos em dezenas de países, mas não é uma categoria diagnóstica oficial. O sofrimento é real nos dois casos e merece cuidado.

Fontes consultadas

  1. 1.Burn-out an 'occupational phenomenon': International Classification of Diseases — OMS — Organização Mundial da Saúde
  2. 2.Síndrome de Burnout: sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção — Ministério da Saúde
  3. 3.Portaria GM/MS nº 1.999, de 27 de novembro de 2023: Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT) — Ministério da Saúde
  4. 4.Diferença entre auxílio por incapacidade temporária comum ou decorrente de acidente de trabalho — INSS — Instituto Nacional do Seguro Social
  5. 5.Mental health at work (fact sheet) — OMS — Organização Mundial da Saúde
  6. 6.Manual de interpretação e aplicação do GRO da NR-1 (2026) — Ministério do Trabalho e Emprego
Assuntossíndrome de burnoutesgotamento profissionalsaúde mental no trabalhoCID-11INSS