Síndrome do Pânico: Sintomas, o Que Fazer na Crise e Tratamento
Uma crise de pânico isolada não é síndrome do pânico. O transtorno é feito de crises inesperadas que se repetem e do medo constante da próxima. Para o Ministério da Saúde, a terapia cognitivo-comportamental é o tratamento de primeira linha, e os calmantes ficam em segundo plano.
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Neste texto: a síndrome do pânico como transtorno, com os sintomas, como se reconhece e como é tratada. O passo a passo para a hora de uma crise está no texto sobre crise de ansiedade e o que fazer na hora.
A crise de pânico pode vir no ônibus, na fila do mercado, no meio de uma reunião. E é aí que mora o problema da síndrome do pânico. A crise passa em minutos; o que fica é o medo de que ela volte, e a vida vai encolhendo para evitar os lugares onde ela poderia voltar.
Este texto se apoia na Linha de Cuidado dos Transtornos de Ansiedade, do Ministério da Saúde, na Organização Mundial da Saúde (OMS) e numa revisão Cochrane. Aqui o foco é a doença: como reconhecer e como tratar.
Crise de pânico e síndrome do pânico são a mesma coisa?#
Não. A crise é um sintoma que aparece em vários quadros: a Linha de Cuidado registra que, na fobia social e na fobia específica, enfrentar a situação temida pode provocar um ataque de pânico.
"Síndrome do pânico" é o nome popular do transtorno de pânico. Nos critérios simplificados que o Ministério da Saúde reproduz, o diagnóstico exige duas coisas:
- ataques de pânico recorrentes e espontâneos, isto é, que se repetem e vêm sem aviso, sem um gatilho claro;
- depois de pelo menos um deles, uma destas consequências: preocupação persistente com novas crises; preocupação com o que a crise significa ou pode causar, como perder o controle ou ter um ataque cardíaco; ou mudança importante de comportamento por causa das crises.
A OMS resume da mesma forma: transtorno de pânico é ter ataques de pânico e medo de continuar tendo. É comum. A revisão Cochrane de 2016 estima que de 1% a 4% das pessoas terão o transtorno em algum momento da vida.
| Crise de pânico isolada | Síndrome (transtorno) do pânico | |
|---|---|---|
| Quantas vezes | Uma ou poucas | Crises que se repetem, sem aviso |
| Entre as crises | A vida segue | Medo constante da próxima crise |
| Comportamento | Sem mudança importante | Mudança importante para evitar novas crises |
| O que fazer | Avaliar a primeira crise | Avaliação e tratamento contínuo |
Quais são os sintomas da síndrome do pânico?#
Pela Linha de Cuidado, o ataque de pânico começa de forma súbita, como uma onda de medo ou desconforto intenso que atinge o pico em poucos minutos, com pelo menos 4 de 13 sintomas:
- No coração e no peito: palpitações, coração acelerado, dor ou desconforto no peito.
- Na respiração: sensação de falta de ar, de sufocamento ou de asfixia.
- No resto do corpo: suor, tremores, náusea ou desconforto na barriga, tontura ou sensação de desmaio, calafrios ou ondas de calor, formigamento ou dormência.
- Na mente: sensação de irrealidade ou de estar distante de si mesmo, medo de perder o controle ou de "enlouquecer" e medo de morrer.
Entre uma crise e outra, o sintoma mais marcante não é físico: é a antecipação. A Linha de Cuidado descreve que quem tem transtorno de ansiedade às vezes interpreta sinais normais do corpo, como os batimentos do coração, como ameaça, mesmo sem nenhum problema físico.
Por que a crise parece um infarto, e quando pode ser?#
Os sintomas do pânico são, em boa parte, os mesmos de doenças do coração e do pulmão. Por isso a Linha de Cuidado diz que o primeiro passo do diagnóstico é afastar outro problema clínico. Entre as condições que causam sintomas parecidos, ela lista doença coronariana, arritmia, asma, embolia pulmonar, hipertireoidismo e hipoglicemia, além de cafeína e outros estimulantes e da abstinência de álcool e de calmantes. A avaliação é feita pela conversa e pelo exame clínico; exames complementares entram quando há suspeita de algo específico.
A Linha de Cuidado da Dor Torácica, na página escrita para o paciente, cita o transtorno do pânico entre as causas de dor no peito quando não há sinais de alerta, e define esses sinais. Chame o SAMU 192 ou vá a um serviço de emergência se a dor no peito:
- é em pressão, aperto ou peso;
- irradia para o braço, o pescoço, o queixo ou o estômago;
- começa de repente e é intensa;
- dura mais de 20 minutos e não alivia com repouso;
- vem com suor intenso, náusea ou vômito, falta de ar ou desmaio.
Ter síndrome do pânico não protege ninguém de um infarto. Dor diferente das crises habituais, mais longa ou com esses sinais, pede atendimento.
O que é agorafobia e por que ela pesa tanto?#
A agorafobia é o medo de ficar em lugares de onde seria difícil sair ou conseguir ajuda se algo acontecesse. Pela Linha de Cuidado, ela envolve medo ou ansiedade marcantes em pelo menos duas destas cinco situações: usar transporte público, ficar em espaços abertos, ficar em locais fechados, estar numa fila ou no meio de uma multidão e sair de casa sozinho. A pessoa evita essas situações ou as enfrenta com muito sofrimento, e o quadro dura pelo menos seis meses.

É a evitação que faz uma crise de minutos ocupar a vida inteira. Evitar alivia na hora, mas a Linha de Cuidado diz que os comportamentos de evitação perpetuam e pioram a ansiedade, e que a terapia cognitivo-comportamental é especialmente importante para vencer a agorafobia.
O que fazer durante uma crise de pânico?#
Se a crise é a primeira, ou vem com os sinais de alerta acima, o caminho é o atendimento. Para quem já foi avaliado, a Linha de Cuidado traz três orientações que as equipes ensinam aos pacientes:
- Respire com a barriga. Coloque uma mão na barriga e outra no peito e respire devagar pelo nariz, de modo que só a mão da barriga se mexa.
- Use a memória das crises anteriores. Pensamentos de morte durante o ataque podem ser questionados lembrando que os episódios anteriores foram passageiros e não deixaram dano à saúde física. A frase que o documento sugere é: "o alarme disparou, mas não há nenhum incêndio".
- Não brigue com o pensamento. Tentar "não pensar" aumenta a frequência e a força dos pensamentos ruins. O documento orienta não dar importância a eles, para que percam força com o tempo.
O próprio Ministério avisa que a ansiedade não vai sumir por completo, porque é uma emoção normal.
Qual é o tratamento da síndrome do pânico?#
A Linha de Cuidado traz uma tabela por diagnóstico. Para o transtorno de pânico, ela diz:
| Opção | O que diz o Ministério da Saúde |
|---|---|
| Terapia cognitivo-comportamental (TCC) | Tratamento de primeira linha |
| Terapia psicodinâmica | Eficaz, em especial em quem tem baixa autoestima ou dificuldades nas relações |
| Antidepressivos ISRS e IRSN | Primeira linha entre os remédios |
| Tricíclicos, benzodiazepínicos e IMAO | Segunda linha |
| Terapia e remédio juntos | Pode ser mais eficaz que cada um isolado, sem evidência que torne isso inquestionável |
A terapia. A TCC trabalha os pensamentos catastróficos, a leitura distorcida das sensações do corpo e a vigilância constante. Segundo a Linha de Cuidado, monta-se uma lista do que dá medo, da situação menos temida para a mais temida, e o enfrentamento é gradual, com tempo para a pessoa ver a ansiedade diminuir. A OMS lembra que essas terapias podem ser individuais ou em grupo, presenciais ou online.
A revisão Cochrane de 2016 comparou oito tipos de psicoterapia para o pânico. A TCC foi a mais estudada (32 estudos só no desfecho principal) e muitas vezes superou as outras, com duas ressalvas dos autores: a diferença foi pequena e a evidência, de baixa qualidade. Um detalhe da Linha de Cuidado: o mindfulness pode ajudar nos sintomas ligados ao estresse, mas não trata os sintomas fóbicos, como a evitação.
Os remédios. Os antidepressivos ISRS são, segundo o Ministério, a primeira escolha para qualquer transtorno de ansiedade, pela eficácia e pelos poucos efeitos adversos. O efeito começa a aparecer entre 2 e 6 semanas depois do início, e a ansiedade pode piorar nos primeiros dias. O documento é explícito: antidepressivos não causam dependência, e nenhum desses remédios deve ser interrompido de repente.
Os benzodiazepínicos, os calmantes mais conhecidos, agem rápido, mas o uso prolongado está ligado a dependência, a problemas de memória e a quedas em idosos. A OMS diz que, em geral, eles não são recomendados para transtornos de ansiedade, pelo alto potencial de dependência e pela eficácia limitada a longo prazo. Não use remédio indicado por conhecidos: a escolha e a dose são do profissional.
Os hábitos. A Linha de Cuidado pede restringir café e bebidas alcoólicas, fazer atividade física (pelo menos 150 minutos por semana; veja quanto exercício fazer por semana) e parar de fumar: a nicotina dá falsa sensação de calma, e a cessação do tabagismo está associada à redução da ansiedade. O texto sobre como parar de fumar mostra o tratamento gratuito no SUS. O documento também inclui orientações de sono; se a insônia já dura meses, leia sobre o tratamento de primeira linha para quem não consegue dormir.
Síndrome do pânico tem cura?#
Tem tratamento eficaz, e o objetivo é a remissão: ficar sem crises e sem o medo que as acompanha. O que as fontes não prometem é resultado permanente sem cuidado. A Linha de Cuidado orienta manter o remédio por pelo menos um ano depois da remissão, porque parar cedo demais leva à recaída em número importante de pacientes, e a retirada é sempre gradual.
Sobre o longo prazo, a revisão Cochrane encontrou os maiores índices de remissão ou resposta com a TCC e a terapia psicodinâmica, o que sugere efeitos mais estáveis, com a mesma cautela sobre a qualidade dos estudos.
A Linha de Cuidado orienta ainda investigar sempre depressão, álcool e tabagismo em quem tem ansiedade, e avaliar o risco de suicídio, que é maior nesse grupo. O texto sobre sinais de depressão e tratamento no SUS ajuda a reconhecer quando os dois quadros andam juntos.
Onde buscar ajuda no SUS?#
- Unidade Básica de Saúde (UBS): é por onde começar. Segundo a Linha de Cuidado, a maior parte dos casos de ansiedade pode ser acompanhada na Atenção Primária.
- CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): dá apoio às equipes das UBS e atende diretamente os casos com mais prejuízo na vida diária.
- Atenção especializada: encaminhamento quando não há resposta a duas estratégias de tratamento, cada uma por pelo menos 8 semanas, ou há outros transtornos graves associados.
- UPA 24h, SAMU 192 e pronto-socorro: para crises que não passam, dor no peito com sinais de alerta ou risco à vida.
- CVV, telefone 188: apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, de qualquer telefone fixo ou celular, segundo o Ministério da Saúde.
Segundo a OMS, só cerca de 1 em cada 4 pessoas com transtorno de ansiedade recebe algum tratamento, e uma das barreiras é não saber que a condição é tratável.
Quando procurar atendimento#
Procure o SAMU 192, uma UPA ou um pronto-socorro se:
- for a primeira crise e ela vier com dor ou aperto no peito, falta de ar intensa ou desmaio;
- a dor no peito tiver os sinais de alerta descritos acima;
- a crise for muito intensa ou não passar;
- houver pensamentos de morte ou de se machucar. Nesse caso, não fique sozinho e ligue também para o CVV, no 188.
Procure a UBS, sem urgência, se as crises se repetem, se você vive com medo da próxima, se passou a evitar ônibus, filas, lugares cheios ou sair sozinho, ou se começou a usar calmante, álcool ou outra substância para dar conta.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e o tratamento da síndrome do pânico são definidos pelo profissional de saúde que acompanha você.
Perguntas frequentes
O que é síndrome do pânico?
É o nome popular do transtorno de pânico. Pelos critérios resumidos na Linha de Cuidado dos Transtornos de Ansiedade, do Ministério da Saúde, a pessoa tem ataques de pânico repetidos e inesperados, e pelo menos um deles é seguido de preocupação persistente com novas crises, de medo das consequências (perder o controle, ter um ataque cardíaco) ou de mudança importante de comportamento por causa delas. Uma crise isolada, sozinha, não fecha o diagnóstico.
Quais são os sintomas da síndrome do pânico?
Na crise, segundo a Linha de Cuidado do Ministério da Saúde, aparecem de forma súbita, com pico em poucos minutos, pelo menos 4 de 13 sintomas, como coração disparado, suor, tremor, falta de ar, dor ou desconforto no peito, tontura, formigamento, sensação de irrealidade e medo de morrer ou de enlouquecer. Entre as crises, o sintoma que mais pesa é o medo de ter outra, que leva a evitar lugares e situações.
Como saber se é crise de pânico ou infarto?
Sozinho, não dá para ter certeza, e por isso a primeira crise com dor no peito deve ser avaliada. A Linha de Cuidado da Dor Torácica, do Ministério da Saúde, manda chamar o SAMU 192 quando a dor no peito é em pressão, aperto ou peso, irradia para braço, pescoço, queixo ou estômago, começa de repente, dura mais de 20 minutos, não alivia e vem com suor, náusea, falta de ar ou desmaio. O transtorno do pânico aparece na mesma página entre as causas de dor no peito quando não há esses sinais.
O que fazer durante uma crise de pânico?
Em quem já foi avaliado e sabe que tem crises de pânico, a Linha de Cuidado do Ministério da Saúde orienta a respiração diafragmática: uma mão na barriga e outra no peito, respirando devagar pelo nariz, de modo que só a mão da barriga se mexa. Também orienta lembrar que crises anteriores passaram sem dano à saúde física e não brigar com os pensamentos ruins, sem dar importância a eles. A crise que não passa, ou a primeira crise com dor no peito, pede atendimento.
Síndrome do pânico tem cura?
Tem tratamento eficaz e a meta é a remissão, isto é, ficar sem sintomas. A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde recomenda manter o remédio por pelo menos um ano depois da remissão, porque parar cedo demais leva à recaída em número importante de pacientes. A revisão Cochrane de 2016 sobre psicoterapias para o pânico encontrou, no longo prazo, os melhores índices de remissão com a terapia cognitivo-comportamental e a psicodinâmica, com evidência de baixa qualidade.
Calmante resolve a síndrome do pânico?
Não é a primeira escolha. A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde coloca os benzodiazepínicos, os calmantes mais conhecidos, na segunda linha do transtorno de pânico, porque o uso prolongado causa dependência, e a OMS afirma que eles em geral não são recomendados para transtornos de ansiedade. A primeira linha de remédio são os antidepressivos ISRS e IRSN, que não causam dependência. Qualquer remédio é decisão do profissional que acompanha o caso.
Onde tratar síndrome do pânico pelo SUS?
Na Unidade Básica de Saúde. Segundo a Linha de Cuidado do Ministério da Saúde, a maior parte dos casos de ansiedade pode ser acompanhada na Atenção Primária, com apoio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) nos casos mais graves. Em crise com risco, o Ministério indica UPA 24h, SAMU 192 e pronto-socorro, e o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.
Fontes consultadas
- 1.Linha de Cuidado dos Transtornos de Ansiedade no adulto: rastreamento e diagnóstico na Atenção Primária — Ministério da Saúde
- 2.Linha de Cuidado dos Transtornos de Ansiedade no adulto: planejamento terapêutico na Atenção Primária — Ministério da Saúde
- 3.Linha de Cuidado da Dor Torácica: Sou Paciente (sinais de alerta) — Ministério da Saúde
- 4.Psychological therapies for panic disorder with or without agoraphobia in adults: a network meta-analysis — Cochrane Database of Systematic Reviews, 2016 (Pompoli A e col., PMID 27071857)
- 5.Anxiety disorders (fact sheet) — OMS — Organização Mundial da Saúde
- 6.Suicídio: prevenção, sinais de alerta e onde buscar ajuda (CVV 188, CAPS, UBS, SAMU 192) — Ministério da Saúde


