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Fitness Geral

Quanto Exercício Fazer por Semana? O Que Recomendam o Ministério da Saúde e a OMS

Adultos precisam de 150 a 300 minutos de atividade moderada por semana, ou 75 a 150 de vigorosa, mais fortalecimento muscular em 2 dias, segundo a OMS. Veja as metas para idosos, gestantes e crianças e como começar.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·9 min de leitura

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Grupo de mulheres de várias idades fazendo ginástica ao ar livre em um parque arborizado, de braços abertos
Grupo de mulheres de várias idades fazendo ginástica ao ar livre em um parque arborizado, de braços abertos

"Quanto exercício eu preciso fazer?" tem resposta oficial, com número, e ela é mais flexível do que parece. O Ministério da Saúde publicou em 2021 o primeiro Guia de Atividade Física para a População Brasileira, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou suas diretrizes em 2020. As duas fontes concordam no essencial: há uma meta semanal de atividade aeróbica, uma meta de fortalecimento muscular e um recado que costuma passar despercebido, o de que qualquer quantidade é melhor do que nada.

A conta importa porque a maioria ainda fica abaixo dela. Segundo a OMS, 31% dos adultos do mundo, cerca de 1,8 bilhão de pessoas, não chegam a 150 minutos semanais de atividade moderada, e 81% dos adolescentes de 11 a 17 anos são considerados fisicamente inativos. Pessoas insuficientemente ativas têm risco de morte de 20% a 30% maior do que as suficientemente ativas.

Quanto exercício um adulto deve fazer por semana?#

O Guia do Ministério da Saúde fixa o piso para adultos: pelo menos 150 minutos por semana de atividade física moderada ou pelo menos 75 minutos de atividade vigorosa, ou uma combinação das duas. Além disso, em pelo menos 2 dias da semana, devem entrar atividades de fortalecimento dos músculos e ossos, como musculação e exercícios com peso externo ou com o peso do próprio corpo.

A diretriz da OMS, publicada no British Journal of Sports Medicine, traz a mesma base com uma faixa em vez de um mínimo:

GrupoAtividade aeróbica por semanaFortalecimento
Adultos (18 a 64 anos)150 a 300 min moderada ou 75 a 150 min vigorosa2 ou mais dias, todos os grandes grupos musculares
Idosos (65 anos ou mais)igual aos adultosatividade multicomponente com equilíbrio e força em 3 ou mais dias
Gestantes e pós-partopelo menos 150 min moderadaincluir fortalecimento e alongamento leve
Crianças e jovens (5 a 17 anos)média de 60 min por dia, moderada a vigorosaatividades vigorosas e de fortalecimento em pelo menos 3 dias

Passar de 300 minutos moderados ou de 150 vigorosos traz benefícios adicionais, segundo a OMS, desde que não haja contraindicação. Os autores da diretriz explicam por que a faixa existe: é nela que se concentra a maior redução de risco, e ir muito além não reduz de forma apreciável o risco de morte por qualquer causa ou por doença cardiovascular. A faixa é um alvo, e não um teto.

Moderado ou vigoroso: como saber a intensidade?#

Sem relógio nem frequencímetro, o teste mais prático é o da conversa. O Guia de Atividade Física usa uma escala de esforço de 0 a 10:

  • Leve (1 a 4): você respira tranquilamente, conversa e consegue até cantar.
  • Moderada (5 e 6): a respiração acelera, você conversa com dificuldade e não consegue cantar.
  • Vigorosa (7 e 8): a respiração fica muito mais rápida e você não consegue nem conversar.

A regra prática que sai das diretrizes é que 1 minuto vigoroso equivale, grosso modo, a 2 moderados: 75 minutos de corrida cumprem a mesma meta que 150 de caminhada rápida. Quem gosta de números pode combinar as duas coisas na mesma semana.

Aeróbico ou fortalecimento: precisa dos dois?#

Precisa. As diretrizes tratam as duas metas como somadas, e não como alternativas. A atividade aeróbica (caminhar, pedalar, nadar, dançar, correr) é a que a OMS associa a menor mortalidade por todas as causas e por doença cardiovascular, menos hipertensão e diabetes tipo 2 e melhor saúde mental e sono. O fortalecimento muscular entra como benefício adicional, e a OMS o recomenda para todas as idades. O próprio texto da diretriz observa que a promoção de exercícios de força e de prevenção de quedas foi "amplamente esquecida ou ignorada" no passado e precisa de muito mais atenção, em especial com o envelhecimento da população.

Mulher de camiseta branca segurando dois halteres pequenos enquanto um profissional ajusta a posição do braço dela
O fortalecimento muscular em 2 ou mais dias por semana completa a meta aeróbica; pesos leves e o peso do corpo também contam. · Foto: Unsplash

Para quem quer entender como montar esse treino de força com segurança, o texto sobre musculação para mulheres mostra por que ele importa para os ossos, e o de periodização do treino explica como aumentar a carga sem pular etapas.

A regra dos 10 minutos caiu#

Na versão de 2010, a OMS dizia que a atividade aeróbica devia ser acumulada em blocos de pelo menos 10 minutos. A diretriz de 2020 retirou essa exigência: os estudos de coorte mostraram associação com melhor saúde, inclusive menor mortalidade, para atividade de qualquer duração. O Guia do Ministério da Saúde vai na mesma linha. Você pode dividir a prática em pequenos blocos ou fazer tudo de uma vez, "faça como preferir e como puder", e cada minuto conta.

Na prática, subir escadas, ir a pé ao mercado e brincar ativamente com as crianças entram na conta. O Guia lista quatro momentos do dia em que a atividade física acontece: no tempo livre, no deslocamento, no trabalho ou estudo e nas tarefas domésticas.

E o tempo sentado?#

As duas fontes tratam o comportamento sedentário como um risco à parte. A OMS associa muito tempo sentado a maior mortalidade e a mais casos de doença cardiovascular, câncer e diabetes tipo 2, e recomenda que adultos troquem tempo parado por atividade de qualquer intensidade, até leve. O Guia dá um exemplo concreto: a cada uma hora sentado, movimente-se por pelo menos 5 minutos, fique em pé, beba água, alongue o corpo.

Idosos: equilíbrio entra na meta#

Para quem tem 65 anos ou mais, a OMS mantém a meta aeróbica dos adultos e acrescenta atividade multicomponente, que combina exercício aeróbico, força e treino de equilíbrio, em 3 ou mais dias por semana, para preservar a capacidade funcional e prevenir quedas. Segundo os autores, a recomendação deixou de valer só para idosos com pouca mobilidade e passou a valer para todos.

O Guia do Ministério da Saúde orienta fortalecer os principais músculos (costas, abdômen, braços e pernas) e fazer exercícios de equilíbrio de duas a três vezes por semana, em dias alternados. Entre os benefícios que o Guia lista para essa idade estão menos dores nas articulações e nas costas, melhor postura e equilíbrio e menor risco de quedas. O texto sobre dor lombar detalha o papel do exercício na dor nas costas.

Gestantes: 150 minutos, com cuidados#

Sem contraindicações, o Guia recomenda no mínimo 150 minutos de atividade moderada por semana na gestação e no pós-parto. Atividades vigorosas (75 minutos semanais) são aconselhadas para quem já se exercitava assim antes de engravidar. O documento é enfático: a atividade física na gestação não aumenta o risco de malformação, de ruptura da bolsa nem de aborto, não induz o trabalho de parto e não altera o leite materno.

A OMS acrescenta cuidados práticos: evitar calor excessivo, manter a hidratação, evitar esportes de contato ou com risco de queda e evitar exercícios deitada de barriga para cima depois do primeiro trimestre. O Guia lista as situações em que a gestante não deve se exercitar, como sangramento, descolamento de placenta, trabalho de parto prematuro, restrição de crescimento do bebê e pré-eclâmpsia grave. Por isso, o plano de atividade deve ser conversado no pré-natal.

Crianças e adolescentes#

O Guia detalha as metas por idade:

  • Até 1 ano: pelo menos 30 minutos por dia de barriga para baixo, que podem ser distribuídos ao longo do dia.
  • De 1 a 2 anos: pelo menos 3 horas por dia de atividade de qualquer intensidade.
  • De 3 a 5 anos: pelo menos 3 horas por dia, sendo no mínimo 1 hora moderada a vigorosa.
  • De 6 a 17 anos: 60 minutos ou mais por dia, com fortalecimento de músculos e ossos (saltar, puxar, empurrar) em pelo menos 3 dias.

Sobre telas, o Guia recomenda nenhum tempo até 1 ano, até 1 hora por dia de 1 a 5 anos e no máximo duas horas por dia para crianças e jovens de 6 a 17 anos, sempre que possível.

Como começar sem se machucar#

A OMS resume a estratégia em uma frase: comece com pequenas quantidades e aumente aos poucos a frequência, a intensidade e a duração. Para quem não tem contraindicação e vai fazer atividade leve ou moderada, que não passe do esforço de uma caminhada rápida, a liberação médica prévia em geral é desnecessária. Quem tem doença crônica pode pedir ajuda a um profissional de saúde para ajustar o tipo e a quantidade.

Uma sequência que segue a lógica das duas fontes:

  1. Primeiro, mexa-se mais no dia a dia. Levante a cada hora sentado, troque trajetos curtos de carro por caminhada, suba escadas. O Guia sugere identificar na rotina os horários com mais chance de dar certo.
  2. Depois, ganhe ritmo. Aumente o passo até chegar ao "conversar com dificuldade" e some minutos ao longo das semanas, em quantos blocos precisar.
  3. Acrescente força. Inclua 2 dias de fortalecimento, começando pelo peso do corpo, como sentar e levantar da cadeira, exemplo que o próprio Guia dá para idosos.
  4. Só então, se quiser, suba a intensidade. Quem já faz atividade moderada com regularidade pode passar aos poucos para a vigorosa sem precisar consultar um profissional, segundo a OMS, desde que não apareçam sintomas novos.

Respeite a recuperação. Aumentar demais o volume de uma vez é um dos caminhos para o excesso de treino. Se o objetivo inclui o peso, a calculadora de IMC ajuda a acompanhar a evolução junto com a equipe de saúde. E se a dúvida é a barriga, os estudos sobre exercícios para perder barriga mostram por que abdominal sozinho não resolve.

Quando procurar atendimento#

Ter um dia a dia ativo é bastante seguro, diz o Guia do Ministério da Saúde, mas alguns sinais pedem que você pare e procure um profissional:

  • náuseas, dores, tonturas, suor excessivo ou outro desconforto durante a atividade;
  • dor na região do peito ou tontura, que o Guia orienta avaliar na Unidade Básica de Saúde;
  • lesão ou desconforto anormal que não passa;
  • na gestação, qualquer sinal de alerta que o profissional do pré-natal tenha indicado; a OMS recomenda que a gestante seja informada desses sinais e procure atendimento imediatamente se eles aparecerem;
  • para quem tem diabetes e usa insulina, a necessidade de ajustar dose e alimentação nos dias de exercício, que deve ser combinada com a equipe de saúde.

Em caso de dor no peito forte, falta de ar intensa ou desmaio, ligue para o Samu, no 192.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Um profissional de saúde ou de educação física pode adaptar as recomendações à sua condição.

Perguntas frequentes

Quantos minutos de exercício por semana um adulto precisa fazer?

A diretriz de 2020 da OMS recomenda de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, ou uma combinação equivalente das duas. O Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, fixa o mínimo de 150 minutos moderados ou 75 vigorosos. As duas fontes pedem ainda fortalecimento muscular em pelo menos 2 dias da semana.

Caminhar 30 minutos por dia é suficiente?

Trinta minutos de caminhada em ritmo moderado, cinco dias por semana, somam 150 minutos, o mínimo da OMS e do Ministério da Saúde para adultos. Para ser moderada, a caminhada precisa deixar você conversando com dificuldade e sem conseguir cantar, segundo o Guia de Atividade Física. A caminhada não cobre a recomendação de fortalecimento muscular, que deve ser feita em 2 ou mais dias.

Preciso fazer pelo menos 10 minutos seguidos para contar?

Não. A diretriz de 2020 da OMS retirou a exigência de blocos de pelo menos 10 minutos que existia na versão de 2010, porque estudos mostraram benefício com atividade de qualquer duração. O Guia do Ministério da Saúde diz o mesmo de outra forma: você pode dividir a prática em pequenos blocos ou fazer tudo de uma vez, e cada minuto conta.

Quanto exercício um idoso deve fazer?

O Guia de Atividade Física recomenda para idosos os mesmos 150 minutos moderados ou 75 vigorosos por semana, mais fortalecimento dos principais músculos e equilíbrio de duas a três vezes por semana, em dias alternados, para prevenir quedas. A OMS pede atividade multicomponente, com ênfase em equilíbrio e força, em 3 ou mais dias por semana a partir dos 65 anos.

Grávida pode fazer exercício? Quanto?

Sem contraindicação, sim. O Guia do Ministério da Saúde recomenda no mínimo 150 minutos de atividade moderada por semana na gestação e no pós-parto, e diz que a prática não aumenta o risco de aborto, de malformação nem de ruptura da bolsa. Atividade vigorosa é aconselhada para quem já se exercitava assim antes. Sangramento, descolamento de placenta e pré-eclâmpsia grave são situações em que não se deve fazer exercício.

Quanto tempo de atividade física uma criança precisa?

Pelo Guia de Atividade Física, crianças de 1 a 5 anos precisam de pelo menos 3 horas por dia de atividade de qualquer intensidade, sendo no mínimo 1 hora moderada a vigorosa entre 3 e 5 anos. Dos 6 aos 17 anos, a meta é de 60 minutos ou mais por dia, com fortalecimento de músculos e ossos em pelo menos 3 dias da semana. Bebês de até 1 ano precisam de 30 minutos por dia de bruços.

Preciso de exame médico antes de começar a me exercitar?

Para atividade leve ou moderada que não passe da exigência de uma caminhada rápida, a diretriz da OMS diz que a liberação médica prévia em geral é desnecessária para quem não tem contraindicação. Quem tem doença crônica pode consultar um profissional de saúde para ajustar tipo e quantidade. Dor no peito, tontura ou desconforto anormal durante a atividade são motivo para parar e procurar a Unidade Básica de Saúde.

Fontes consultadas

  1. 1.Guia de Atividade Física para a População Brasileira (2021) — Ministério da Saúde
  2. 2.WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour (2020) — Organização Mundial da Saúde
  3. 3.World Health Organization 2020 guidelines on physical activity and sedentary behaviour (Bull et al.) — British Journal of Sports Medicine, via PubMed Central
  4. 4.Physical activity: fact sheet — Organização Mundial da Saúde