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Exercícios Para Perder Barriga: O Que a Evidência Mostra

Abdominal fortalece, mas não queima a gordura da barriga, segundo ensaios controlados. O que reduz a gordura abdominal e visceral é a atividade aeróbica regular, somada a força e alimentação. Veja o que dizem os estudos e a OMS.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·7 min de leitura

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Mulher de moletom preto e homem de moletom cinza correndo lado a lado em um parque arborizado, com luz do sol entre os pinheiros
Mulher de moletom preto e homem de moletom cinza correndo lado a lado em um parque arborizado, com luz do sol entre os pinheiros

Nenhum exercício tira gordura só da barriga. Os ensaios controlados com abdominais mostram que eles fortalecem o abdômen, mas não reduzem a gordura que fica sobre ele. O que diminui a gordura abdominal, inclusive a visceral, que envolve os órgãos, é a atividade aeróbica feita com regularidade, dentro de uma rotina que inclui treino de força e alimentação equilibrada.

Abdominal queima a gordura da barriga?#

Não, segundo os estudos que testaram exatamente isso. No ensaio de Vispute e colegas, publicado em 2011 no Journal of Strength and Conditioning Research, 24 adultos sedentários de 18 a 40 anos foram sorteados para dois grupos. Um deles fez sete exercícios abdominais, em 2 séries de 10 repetições, cinco dias por semana, durante seis semanas; o outro não treinou. Todos mantiveram a mesma alimentação.

Ao fim do estudo, os abdominais não mudaram o peso, o percentual de gordura, a gordura da região abdominal medida por densitometria, a circunferência abdominal nem as dobras cutâneas da barriga. O que mudou foi a resistência: o grupo que treinou fez, em média, 47 repetições no teste de abdominal, contra 32 do grupo controle. Os autores concluem que o treino abdominal sozinho não foi suficiente para reduzir a gordura subcutânea da barriga.

A "queima localizada" existe?#

O tema ainda é discutido. Um ensaio norueguês publicado em 2023 na Physiological Reports, de Brobakken e colegas, acompanhou 16 homens com sobrepeso por 10 semanas. Os dois grupos corriam na esteira; um deles somava a isso uma série longa de exercícios abdominais e de rotação de tronco. Nesse grupo, a gordura do tronco caiu cerca de 7%, enquanto no grupo que só corria ela não mudou. A perda de gordura total, porém, foi parecida nos dois grupos (6% e 5%).

É um estudo pequeno, só com homens, em que os abdominais vinham junto com corrida. Ele não autoriza a ideia de que fazer abdominal, sem o resto, vai "secar" a barriga. Para quem quer reduzir a cintura, o recado prático das pesquisas continua o mesmo: o que move a gordura do corpo inteiro é o conjunto de atividade aeróbica, força e alimentação.

O que reduz a gordura abdominal e visceral?#

A atividade aeróbica é o ponto central. A metanálise de Ismail e colegas, publicada em 2012 na Obesity Reviews, reuniu 35 estudos randomizados com adultos com sobrepeso ou obesidade, em que a gordura visceral foi medida por tomografia ou ressonância antes e depois de pelo menos quatro semanas de treino. O resultado:

Tipo de treinoEfeito sobre a gordura visceral
Aeróbico (caminhar rápido, pedalar, correr)redução significativa em relação a quem não treinou
Força isoladasem efeito significativo
Aeróbico e força combinadossem diferença significativa, com só 7 estudos disponíveis

Os autores concluem que o exercício aeróbico deve ser o centro de um programa que tenha como objetivo reduzir a gordura visceral, e que mesmo volumes abaixo das recomendações para controle de peso podem trazer benefício nessa gordura.

Isso não tira o treino de força da semana. A diretriz de 2020 da Organização Mundial da Saúde (OMS) o recomenda a todos os adultos pelos benefícios adicionais à saúde, e o texto sobre treino de força para iniciantes explica o que ele faz pelos músculos, ossos e pela redução de risco de doenças.

A alimentação entra na mesma conta. A OMS lista, entre as ações individuais para reduzir o risco de sobrepeso e obesidade, uma dieta rica em frutas, verduras, leguminosas, cereais integrais e castanhas, com menos alimentos ricos em gordura, açúcar e sal, menos bebidas açucaradas, atividade física regular e sono adequado.

Quanto exercício a OMS recomenda?#

A diretriz de 2020 da OMS, publicada no British Journal of Sports Medicine, recomenda a adultos de 18 a 64 anos:

  • 150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, ou uma combinação das duas;
  • fortalecimento muscular em 2 ou mais dias por semana, de intensidade moderada ou maior, envolvendo os grandes grupos musculares.

Entre os benefícios para adultos, a diretriz cita menor mortalidade, menos hipertensão e diabetes tipo 2, melhor saúde mental e sono, e acrescenta que as medidas de gordura corporal também podem melhorar. Ela não traz uma quantidade específica para a barriga; a meta é a mesma para a saúde em geral. O texto sobre quanto exercício fazer por semana detalha as metas para idosos, gestantes e crianças.

Como montar a semana sem prometer milagre#

Não há receita única, e um plano individual depende de avaliação. Uma forma de organizar a semana dentro do que a OMS recomenda:

  1. Some minutos de atividade aeróbica. Caminhar em ritmo acelerado, pedalar, nadar ou dançar contam. A diretriz de 2020 diz que blocos de qualquer duração entram na conta. O texto sobre caminhada e passos por dia ajuda quem vai começar por ela.
  2. Reserve 2 dias para força. Exercícios com peso, elásticos ou o peso do próprio corpo, para pernas, costas, peito, braços e abdômen.
  3. Comece pequeno e aumente aos poucos. A OMS orienta começar com pouca atividade e aumentar gradualmente a frequência, a intensidade e a duração.
  4. Acompanhe a cintura, não só a balança. A medida da cintura, explicada abaixo, dá uma pista sobre a gordura abdominal que o peso sozinho não dá. A calculadora de IMC complementa essa leitura.

Para que serve o abdominal, então?#

Para fortalecer o abdômen. No estudo de Vispute, o ganho de resistência muscular foi o único resultado claro do treino abdominal. Exercícios para o abdômen podem fazer parte dos 2 dias de fortalecimento que a OMS recomenda, desde que o treino também cubra os outros grandes grupos musculares. Prancha e variações de abdominal têm lugar no treino; só não fazem o papel do exercício aeróbico.

Mulher de top cinza e legging escura fazendo prancha com os braços estendidos sobre um tapete, na sala de casa
Prancha e abdominais fortalecem o tronco; a redução da gordura abdominal depende da atividade aeróbica e do conjunto da rotina. · Foto: Unsplash

Por que a cintura importa mais que o peso?#

A OMS reconhece que o diagnóstico de sobrepeso e obesidade é feito pelo índice de massa corporal (IMC), mas que outras medidas, como a circunferência da cintura, também podem ser usadas. O relatório de especialistas da OMS sobre cintura explica o motivo: a gordura abdominal pode variar bastante entre pessoas com IMC parecido, e o acúmulo dela está associado a maior risco de doenças ligadas à obesidade. Segundo o relatório, a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril estão ligadas a maior risco de morte por qualquer causa em toda a faixa de IMC dos adultos.

Para medir, o relatório orienta: em pé, pés juntos, braços ao lado do corpo, pouca roupa, ao fim de uma expiração normal, com a fita no ponto médio entre a última costela palpável e o topo do osso do quadril. Os valores de corte variam conforme a população estudada, e o próprio relatório lembra que faltam dados para vários grupos étnicos. Por isso, a interpretação do número fica melhor com um profissional de saúde.

Quando procurar atendimento#

A diretriz da OMS diz que, para quem não tem contraindicação, a liberação médica antes de começar atividade leve ou moderada, que não passe do esforço de uma caminhada rápida, em geral é desnecessária. Procure um profissional de saúde:

  • se você tem doença crônica, como pressão alta, diabetes ou problema no coração, para ajustar tipo e quantidade de atividade; a OMS sugere essa conversa para quem convive com condições crônicas;
  • se aparecer um sintoma novo quando você aumenta a atividade, como recomenda a diretriz;
  • se você está grávida: a OMS orienta que a gestante seja informada pelo profissional de saúde dos sinais de alerta em que deve parar a atividade e procurar atendimento imediatamente.

Para montar um plano adequado a você, um profissional de educação física e um nutricionista podem ajudar. Se durante o exercício surgir dor no peito forte, falta de ar intensa ou desmaio, pare e chame o Samu, no 192.

Este texto é informativo e não substitui a consulta.

Perguntas frequentes

Fazer abdominal todo dia perde barriga?

Os estudos controlados não mostram isso. No ensaio de Vispute e colegas, publicado no Journal of Strength and Conditioning Research em 2011, 24 adultos sedentários fizeram sete exercícios abdominais, cinco dias por semana, durante seis semanas. Não houve redução da gordura abdominal, da circunferência abdominal nem do percentual de gordura. O que melhorou foi a resistência dos músculos do abdômen.

Qual exercício reduz a gordura visceral?

A atividade aeróbica, como caminhar em ritmo acelerado, pedalar, nadar ou correr. Na metanálise de Ismail e colegas, publicada na Obesity Reviews em 2012 com 35 estudos randomizados, o exercício aeróbico reduziu a gordura visceral medida por tomografia ou ressonância. O treino de força isolado não teve efeito significativo sobre essa gordura, embora a OMS o recomende por outros benefícios à saúde.

Quanto exercício por semana é preciso para perder barriga?

Não há uma quantidade oficial específica para a barriga. A referência é a diretriz de 2020 da OMS para adultos: 150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, ou 75 a 150 de vigorosa, mais fortalecimento muscular em 2 ou mais dias. A diretriz diz que, além dos benefícios para coração, metabolismo e saúde mental, as medidas de gordura corporal também podem melhorar.

Como medir a circunferência da cintura?

O relatório de especialistas da OMS sobre circunferência da cintura orienta medir no ponto médio entre a última costela palpável e o topo do osso do quadril (crista ilíaca), em pé, com os pés juntos, os braços ao lado do corpo e ao fim de uma expiração normal, com fita que não estica. A medida ajuda a acompanhar a gordura abdominal, mas a interpretação deve ser feita com um profissional de saúde.

Fontes consultadas

  1. 1.World Health Organization 2020 guidelines on physical activity and sedentary behaviour (Bull et al.) — British Journal of Sports Medicine, via PubMed Central
  2. 2.The effect of abdominal exercise on abdominal fat (Vispute et al., 2011) — Journal of Strength and Conditioning Research, via PubMed
  3. 3.A systematic review and meta-analysis of the effect of aerobic vs. resistance exercise training on visceral fat (Ismail et al., 2012) — Obesity Reviews, via PubMed
  4. 4.Abdominal aerobic endurance exercise reveals spot reduction exists: a randomized controlled trial (Brobakken et al., 2023) — Physiological Reports, via PubMed Central
  5. 5.Waist circumference and waist-hip ratio: report of a WHO expert consultation — Organização Mundial da Saúde
  6. 6.Obesity and overweight: fact sheet — Organização Mundial da Saúde
Assuntosgordura abdominalgordura visceralabdominalexercício aeróbicoatividade física