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Fitness Geral

Sedentarismo: O Que É, Quais os Riscos e Como Sair Dele Aos Poucos

Um em cada três adultos das capitais brasileiras não chega a 150 minutos de atividade por semana, e 62,6% passam 3 horas ou mais do tempo livre diante de telas, segundo o Vigitel 2024. Entenda os riscos e como sair do sedentarismo sem pressa.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·9 min de leitura

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Homem de barba e óculos recostado na cadeira do escritório, com as mãos atrás da cabeça e os pés apoiados na mesa, diante de um notebook
Homem de barba e óculos recostado na cadeira do escritório, com as mãos atrás da cabeça e os pés apoiados na mesa, diante de um notebook

"Sedentário" virou rótulo para quem não vai à academia. As fontes oficiais usam a palavra para duas coisas diferentes, e entender a diferença muda o jeito de sair dela. Uma é não se mexer o suficiente ao longo da semana. A outra é passar horas parado, sentado ou deitado, mesmo que você treine. A Organização Mundial da Saúde (OMS) trata as duas como riscos à parte, e o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, dá orientações para cada uma.

O que é sedentarismo, afinal?#

O Guia define atividade física como qualquer movimento voluntário do corpo que gaste energia acima do repouso, no tempo livre, no deslocamento, no trabalho ou estudo e nas tarefas domésticas. A meta para adultos é de pelo menos 150 minutos por semana de atividade moderada, ou 75 de vigorosa. Quem fica abaixo disso está no que o Ministério da Saúde chama de prática insuficiente de atividade física, o sentido mais comum de "sedentarismo".

O comportamento sedentário é outra coisa. O Guia o descreve como as atividades feitas acordado, "sentado, reclinado ou deitado e gastando pouca energia": usar celular, computador ou videogame, assistir à televisão ou à aula, jogar cartas, ficar dentro do carro, ônibus ou metrô. A diretriz de 2020 da OMS dá a régua técnica: gasto de até 1,5 vez o do repouso nessas posições.

ConceitoO que medeQuem está nele
Prática insuficienteminutos de atividade por semanaquem não soma 150 min moderados (ou 75 vigorosos)
Inatividade física (Vigitel)ausência total de atividadequem não fez nenhuma atividade no lazer nos últimos 3 meses, não se desloca a pé ou de bicicleta, não faz esforço intenso no trabalho nem limpeza pesada em casa
Comportamento sedentáriotempo parado acordadoqualquer pessoa, inclusive quem treina

A consequência prática é que uma pessoa pode cumprir a meta de exercício e, ainda assim, passar dez horas por dia sentada. A OMS escolheu de propósito o termo "comportamento sedentário" em vez de "tempo sentado" para incluir quem usa cadeira de rodas: para essas pessoas, dá para reduzir o tempo parado com atividade feita sentado.

Quantos brasileiros estão nessa situação?#

O Vigitel, inquérito telefônico do Ministério da Saúde nas capitais e no Distrito Federal, traz os números de 2024:

  • 33,3% dos adultos têm prática insuficiente de atividade física. Em 2013 eram 48,7%. A queda foi maior entre as mulheres, mas elas ainda são maioria nesse grupo: 39,7%.
  • 9,4% são fisicamente inativos, sem nenhuma das atividades da tabela acima. Em 2009 eram 13,9%.
  • 62,6% passam três horas ou mais do tempo livre por dia diante da televisão ou usando computador, tablet ou celular.
  • Só no computador, tablet ou celular, a fatia com três horas ou mais subiu de 19,2%, em 2016, para 26,3% em 2024.

O relatório registra que, entre 2019 e 2024, a prática insuficiente e a inatividade ficaram estáveis, sem melhora significativa. No mundo, a OMS estima que 31% dos adultos não alcançam os 150 minutos semanais e que essa proporção cresceu 5 pontos percentuais entre 2010 e 2022. Mantida a tendência, chegaria a 35% em 2030.

Quais são os riscos do sedentarismo?#

A OMS coloca a inatividade física entre os principais fatores de risco de morte por doenças crônicas não transmissíveis. Pessoas insuficientemente ativas têm risco de morte de 20% a 30% maior do que as suficientemente ativas, segundo a ficha técnica da organização. Do outro lado, a atividade regular em adultos se associa a menor mortalidade geral e cardiovascular, menos hipertensão, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, além de melhor saúde mental, sono e controle da gordura corporal.

Para o tempo parado, a diretriz da OMS associa quantidades maiores de comportamento sedentário em adultos a:

  • maior mortalidade por todas as causas, por doença cardiovascular e por câncer;
  • mais casos de doença cardiovascular, câncer e diabetes tipo 2.

As diretrizes brasileiras trazem números sobre esse risco. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), estima que cada hora passada em comportamento sedentário aumenta em 5% o risco cardiovascular. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) cita uma metanálise de 47 estudos de coorte em que o tempo sedentário se associou a risco de morte por qualquer causa cerca de 18% maior e a risco de diabetes tipo 2 cerca de 91% maior, independentemente da atividade física.

A ressalva que acompanha esses números: são estudos observacionais, que mostram associação e não provam causa. A própria OMS reconhece que não conseguiu definir quantas horas sentado passam do limite. A evidência era insuficiente, e o efeito parece variar com o desfecho, com o nível de atividade e com a população. Por isso não existe uma "dose máxima" oficial de cadeira.

Mulher de jaqueta jeans subindo uma escada de degraus de pedra encostada em um muro branco
Subir escadas em vez de usar o elevador é um dos exemplos do Guia de Atividade Física para tornar o dia a dia mais ativo. · Foto: Unsplash

Treinar compensa o tempo sentado?#

Em parte, e aqui está o ponto que costuma passar despercebido. A OMS encontrou evidência de que a relação entre tempo sedentário e mortalidade muda conforme a quantidade de atividade física. Por isso a diretriz de 2020 faz duas recomendações para adultos, e não uma:

  1. Limitar o tempo parado. Trocar tempo sedentário por atividade de qualquer intensidade, inclusive leve, traz benefício.
  2. Fazer mais do que o mínimo se você passa muitas horas sentado: buscar mais do que a meta de atividade moderada a vigorosa ajuda a reduzir os efeitos negativos.

O Guia do Ministério da Saúde traduz isso de forma simples: se você passa muito tempo sentado ao longo do dia, tente compensar incluindo mais atividade física na rotina. Quanto é "mais", e por que 150 a 300 minutos é a faixa de referência, está explicado no texto sobre quanto exercício fazer por semana.

Como sair do sedentarismo aos poucos#

A estratégia das duas fontes oficiais é a mesma: começar com pequenas quantidades e aumentar aos poucos a frequência, a intensidade e a duração. A OMS observa que eventuais danos podem ser controlados justamente por esse aumento gradual. O Guia acrescenta duas frases que valem como regra: "fazer qualquer atividade física, no tempo e no lugar em que for possível, é melhor que não fazer nada" e "nunca é tarde para começar".

1. Quebre o tempo parado. O Guia orienta: a cada uma hora sentado, movimente-se por pelo menos 5 minutos. Fique em pé, vá ao banheiro, beba água, alongue o corpo. Para quem tem pressão alta, a Diretriz de Hipertensão da SBC é mais exigente e fala em levantar e se movimentar por 5 minutos a cada 30 minutos sentado. A SBD recomenda a mesma pausa a cada 30 minutos para pessoas com diabetes.

2. Use os quatro domínios. Antes de pensar em academia, procure atividade onde ela já existe:

  • Deslocamento: ir a pé ou de bicicleta ao mercado, à padaria, à Unidade Básica de Saúde.
  • Trabalho ou estudo: escada em vez de elevador, conversas de pé.
  • Tarefas domésticas: varrer, passar pano, cuidar do quintal, passear com o cachorro.
  • Tempo livre: o que você gosta de fazer, sozinho ou com companhia.

3. Some minutos, não sessões. A OMS retirou em 2020 a exigência de blocos de pelo menos 10 minutos: atividade de qualquer duração conta. Os 150 minutos podem virar 30 minutos em cinco dias, ou três blocos de 10 minutos em cinco dias, como couber. A caminhada é o jeito mais simples de começar.

4. Ajuste a intensidade pela conversa. No ritmo leve, dá para conversar e até cantar. No moderado, que é o que conta para a meta, você conversa com dificuldade e não consegue cantar. Comece no leve e vá acelerando ao longo das semanas.

5. Inclua força depois de criar o hábito. A meta oficial pede fortalecimento muscular em pelo menos 2 dias por semana. Musculação, exercícios com elástico ou com o peso do corpo servem. O texto sobre treino de força para iniciantes mostra como começar com segurança.

6. Para idosos, comece em casa. O Guia sugere atividades mais leves para quem está parado há muito tempo: caminhar devagar, sentar e levantar algumas vezes da cadeira ou do sofá, arrumar a cama, lavar louça, cuidar das plantas. É normal sentir um pouco de dor muscular nas primeiras vezes.

7. Procure apoio gratuito. Muitas Unidades Básicas de Saúde oferecem programas de atividade física, e o Programa Academia da Saúde tem polos em vários municípios. O Guia lista também praças, quadras, parques, ações de "ruas de lazer" e programas do sistema S.

Menos tempo de tela também ajuda no descanso: o texto sobre qualidade do sono explica por que o hábito de noite pesa.

Preciso de avaliação médica antes de começar?#

Na maioria dos casos, não. A diretriz da OMS afirma que, para quem não tem contraindicação, a liberação médica prévia em geral é desnecessária antes de começar atividade leve ou moderada que não passe da exigência de uma caminhada rápida ou da vida diária. Quem já faz atividade moderada com regularidade pode passar aos poucos para a vigorosa sem consultar, desde que não surjam sintomas novos.

Quem tem doença crônica pode pedir ajuda a um profissional de saúde para ajustar tipo e quantidade de exercício, inclusive por causa dos remédios em uso. O Guia orienta, por exemplo, que quem tem diabetes e usa insulina combine com a equipe o ajuste da dose e da alimentação nos dias de atividade: a dose é sempre definida pelo profissional. Os cuidados para essas condições estão no texto sobre exercício para quem tem pressão alta ou diabetes.

Quando procurar atendimento#

O Guia de Atividade Física afirma que ter um dia a dia ativo é bastante seguro e que a preocupação com lesões não deve impedir ninguém de se mexer. Ainda assim, pare a atividade e procure um profissional de saúde se aparecerem:

  • náuseas, dores, tonturas, suor excessivo ou outros desconfortos durante o esforço;
  • dor na região do peito ou tontura, que o Guia orienta avaliar na Unidade Básica de Saúde;
  • lesão ou desconforto anormal que não passa;
  • sintomas novos ao aumentar a quantidade ou a intensidade da atividade, situação em que a OMS recomenda consultar.

Diante de dor forte no peito, falta de ar intensa ou desmaio, ligue para o Samu, no 192.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Um profissional de saúde ou de educação física pode adaptar as recomendações à sua condição.

Perguntas frequentes

O que é sedentarismo?

No uso comum, sedentarismo é não fazer atividade física suficiente. O Vigitel, inquérito do Ministério da Saúde, chama de prática insuficiente não alcançar o equivalente a 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 de vigorosa, somando tempo livre, deslocamento e trabalho. O Guia de Atividade Física separa isso do comportamento sedentário, que é o tempo acordado sentado, reclinado ou deitado, gastando pouca energia.

Quem faz academia pode ser sedentário?

Pode, no sentido de comportamento sedentário. A diretriz de 2020 da OMS trata o tempo parado como um risco à parte: muito tempo sentado se associa a maior mortalidade e a mais doença cardiovascular, câncer e diabetes tipo 2. Para quem passa muitas horas sentado, a OMS recomenda fazer mais do que a meta mínima de atividade moderada a vigorosa, além de reduzir o tempo parado.

Quais os riscos do sedentarismo para a saúde?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, pessoas insuficientemente ativas têm risco de morte de 20% a 30% maior do que as suficientemente ativas. A inatividade e o comportamento sedentário contribuem para doenças crônicas como as cardiovasculares, o câncer e o diabetes tipo 2. A Diretriz Brasileira de Hipertensão de 2025 estima que cada hora em comportamento sedentário aumenta em 5% o risco cardiovascular.

Quantas horas sentado por dia é demais?

Não há número oficial. A OMS considerou fixar um limite de horas na diretriz de 2020, mas concluiu que a evidência era insuficiente, porque o efeito varia conforme o desfecho, o nível de atividade e a população. A orientação prática do Guia de Atividade Física é se movimentar por pelo menos 5 minutos a cada uma hora sentado. Para quem tem diabetes ou pressão alta, as diretrizes brasileiras falam em pausas a cada 30 minutos.

Como sair do sedentarismo?

Comece com pouco e aumente aos poucos a frequência, a duração e a intensidade, como orienta a OMS. O Guia de Atividade Física sugere identificar na rotina os horários com mais chance de dar certo, usar o deslocamento a pé ou de bicicleta e lembrar que qualquer atividade é melhor do que nada. Para idosos que estão parados, o Guia sugere começar com atividades leves, como caminhar devagar e sentar e levantar da cadeira.

Preciso de exame médico antes de começar a me exercitar?

Para quem não tem contraindicação e vai começar com atividade leve ou moderada, que não passe do esforço de uma caminhada rápida, a diretriz de 2020 da OMS diz que a liberação médica prévia em geral é desnecessária. Quem tem doença crônica pode pedir orientação a um profissional de saúde sobre tipo e quantidade de atividade. Sintomas novos ao aumentar o esforço são motivo para consultar.

Tarefas de casa contam como atividade física?

Contam. O Guia de Atividade Física para a População Brasileira considera quatro domínios: tempo livre, deslocamento, trabalho ou estudo e tarefas domésticas. Varrer, passar pano, cuidar do quintal e passear com o cachorro entram na conta. A diretriz da OMS também afirma que a atividade feita em casa, no trabalho, no lazer ou no deslocamento conta para a recomendação.

Fontes consultadas

  1. 1.Guia de Atividade Física para a População Brasileira (2021) — Ministério da Saúde
  2. 2.Vigitel Brasil 2006-2024: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico — Ministério da Saúde
  3. 3.Physical activity: fact sheet — Organização Mundial da Saúde
  4. 4.World Health Organization 2020 guidelines on physical activity and sedentary behaviour (Bull et al.) — British Journal of Sports Medicine, via PubMed Central
  5. 5.Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025 (Arquivos Brasileiros de Cardiologia) — Sociedade Brasileira de Cardiologia
  6. 6.Atividade física e exercício no pré-diabetes e DM2 (Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes) — Sociedade Brasileira de Diabetes
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