Crise de Ansiedade: Sintomas, o Que Fazer na Hora e Quando É Pânico
O protocolo do Ministério da Saúde para a crise de pânico começa sem remédio: tranquilizar, respirar pelo nariz e devagar. Veja os sintomas, a diferença entre ansiedade e pânico e quando a dor no peito pede emergência.
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Neste texto: o que é uma crise de ansiedade e o que fazer na hora em que ela acontece. Se a dúvida é sobre crises que se repetem, o diagnóstico e o tratamento do transtorno, leia o texto sobre síndrome do pânico.
Coração disparado, falta de ar, mãos formigando, a certeza de que alguma coisa muito ruim vai acontecer agora. Quem já teve uma crise de ansiedade costuma descrever o momento como um dos piores da vida, e quase sempre com a mesma dúvida: "isso é ansiedade ou é o coração?". A boa notícia é que o Ministério da Saúde tem um roteiro claro para esse momento, escrito para as equipes do SAMU e dos prontos-socorros. E o primeiro passo dele não é remédio: é tranquilizar e respirar.
Este texto usa esse roteiro, a Linha de Cuidado dos Transtornos de Ansiedade no adulto, junto com a página da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema, para responder o que é a crise, o que fazer na hora, como ela se diferencia do pânico e quando é preciso procurar atendimento.
Ansiedade é sempre um problema?#
Não. A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde define a ansiedade como uma emoção normal, um "sinal de alarme" diante de um perigo real ou imaginado, que tem função de proteção. Ela vira problema de saúde quando fica exagerada e desproporcional.
A página do Ministério voltada ao paciente resume o ponto de virada: a ansiedade passa a ser considerada um transtorno quando é desproporcional aos acontecimentos, aparece com frequência, causa muito sofrimento, atrapalha a vida familiar, social e profissional e dura alguns meses.
O problema é comum. Segundo a OMS, os transtornos de ansiedade são os transtornos mentais mais frequentes do mundo: afetavam cerca de 470 milhões de pessoas em 2023, o equivalente a 5,8% da população. Mulheres são mais afetadas do que homens, e os sintomas costumam começar na infância ou na adolescência. O transtorno obsessivo-compulsivo, que já foi descrito como uma forma de ansiedade, hoje tem grupo próprio na CID-11 e está explicado no texto sobre TOC.
Quais são os sintomas de uma crise?#
A crise pode ser de ansiedade intensa ou um ataque de pânico, e os sintomas se misturam. A Linha de Cuidado descreve o ataque de pânico como uma onda de início súbito de apreensão, medo, horror ou desconforto intenso, que atinge o pico em poucos minutos e traz pelo menos quatro destes sintomas:
- palpitações, coração acelerado;
- suor;
- tremores ou abalos;
- sensação de falta de ar ou de sufocamento;
- sensação de asfixia;
- dor ou desconforto no peito;
- náusea ou desconforto na barriga;
- tontura, instabilidade ou sensação de desmaio;
- calafrios ou ondas de calor;
- formigamento ou dormência;
- sensação de irrealidade ou de estar distante de si mesmo;
- medo de perder o controle ou de "enlouquecer";
- medo de morrer.
A OMS acrescenta, entre os sintomas dos transtornos de ansiedade em geral, a dificuldade de concentração e de decidir, a irritabilidade, a inquietação, a dificuldade para dormir e a sensação de perigo iminente.
A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério explica o mecanismo de forma simples: a região do cérebro que controla as emoções e a liberação de adrenalina prepara o corpo para fugir ou lutar. No pânico, esse "alarme" dispara sem que haja perigo real.
Crise de ansiedade ou crise de pânico: qual a diferença?#
"Crise de ansiedade" é um nome popular, não um diagnóstico. As definições da Linha de Cuidado ajudam a separar as coisas:
| Ansiedade | Ataque de pânico | |
|---|---|---|
| O que é | Antecipação de uma ameaça futura | Onda súbita de medo ou desconforto intenso |
| Como aparece | Tensão muscular, vigilância, evitar situações | Início súbito, pico em poucos minutos |
| Sintomas típicos | Preocupação, inquietação, irritabilidade | Ao menos 4 de 13 sintomas, como taquicardia e falta de ar |
| Duração | No transtorno de ansiedade generalizada, preocupação na maioria dos dias por 6 meses ou mais | Passageira; a média citada pelo Ministério é de 15 a 30 minutos |
Ter um ataque de pânico não significa ter transtorno de pânico. Pelos critérios resumidos na Linha de Cuidado, o transtorno exige ataques repetidos e inesperados, seguidos de preocupação persistente com novas crises ou com suas consequências, ou de mudança importante de comportamento por causa delas, como deixar de sair de casa. Os sintomas, a agorafobia e o tratamento estão no texto sobre síndrome do pânico.
O que fazer na hora da crise?#
O roteiro abaixo vem do manejo inicial da crise de pânico na Linha de Cuidado do Ministério da Saúde. Ele foi escrito para profissionais, mas os passos servem para quem está em crise e para quem está ao lado.
- Lembre que é ansiedade. O protocolo manda tranquilizar a pessoa, informando que os sintomas vêm de um ataque de ansiedade, e não de uma condição grave com risco de morte iminente. Isso vale para crises já avaliadas antes por um profissional; na primeira crise, veja a seção sobre quando procurar atendimento.
- Reconheça o mal-estar sem brigar com ele. O documento pede para reconhecer que a crise é realmente muito desagradável e que isso acontece com um grande número de pessoas.
- Lembre que passa. A orientação é reforçar o caráter passageiro, "cerca de poucos minutos".
- Respire pelo nariz, não pela boca. A ideia é controlar o ritmo das inspirações para não hiperventilar, que é respirar rápido demais.
- Use o diafragma. Quando a falta de ar domina, o protocolo orienta a respiração diafragmática: puxar o ar com a barriga, usando menos os músculos do peito, e respirar lentamente até os sintomas passarem.
O Ministério registra que, na maioria das vezes, a tranquilização rápida e o fato de a crise acabar sozinha bastam para encerrá-la. Medicamento entra só nas crises muito intensas ou prolongadas, administrado pela equipe de saúde.
Se você está ao lado de alguém em crise, fale devagar, fique perto e ofereça ajuda sem pressionar. As orientações do Ministério para a abordagem de crises em saúde mental pedem aproximação tranquila, apresentação, escuta da linguagem verbal e não verbal e, depois, orientar a família a procurar a unidade de saúde ou o CAPS para acompanhamento.

E depois da crise, o que ajuda?#
Fora da crise, a OMS lista medidas de autocuidado que ajudam o tratamento:
- evitar ou reduzir o álcool e não usar drogas, que podem piorar a ansiedade;
- fazer exercício com regularidade, mesmo que seja uma caminhada curta;
- manter horários regulares de comer e de dormir, com alimentação saudável;
- aprender técnicas de relaxamento, como a respiração lenta e o relaxamento muscular progressivo;
- praticar atenção plena (mindfulness), mesmo que por poucos minutos ao dia.
O sono pesa muito nessa conta, e o guia de qualidade do sono mostra o que muda a noite na prática. O cigarro também: a página do Ministério da Saúde para pacientes com ansiedade afirma que parar de fumar reduz a ansiedade e melhora o humor, e o texto sobre como parar de fumar explica o tratamento gratuito no SUS.
A Biblioteca Virtual em Saúde acrescenta uma observação útil: o exercício físico provoca sensações parecidas com as do pânico, como coração acelerado e suor, mas num contexto agradável, o que ajuda a pessoa a reconhecê-las sem medo.
Qual é o tratamento?#
A OMS afirma que existem tratamentos muito eficazes e que quem tem sintomas deve procurar cuidado. As intervenções psicológicas, a terapia conversada com profissionais, são o tratamento essencial, e as que têm mais evidência são as baseadas na terapia cognitivo-comportamental, incluindo a exposição gradual às situações temidas. Antidepressivos, como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, também podem ser úteis em adultos.
Um ponto que costuma surpreender: segundo a OMS, os benzodiazepínicos, os calmantes mais conhecidos, em geral não são recomendados para os transtornos de ansiedade, pelo alto potencial de dependência e pela eficácia limitada a longo prazo. A página do Ministério para pacientes é direta: não use remédio indicado por amigos, vizinhos ou parentes. A escolha do tratamento e da dose é do profissional.
O maior problema, diz a OMS, não é falta de tratamento, e sim falta de acesso a ele: só cerca de 1 em cada 4 pessoas com transtorno de ansiedade (27,6%) recebe algum tratamento. Entre as barreiras estão não saber que é uma condição tratável e o estigma.
Ansiedade e humor andam juntos com frequência. A Linha de Cuidado orienta as equipes a sempre investigar depressão em quem tem transtorno de ansiedade, e o texto sobre sinais de depressão e tratamento no SUS mostra como diferenciar. Quando a ansiedade vem do trabalho e se soma à exaustão, vale ler sobre a síndrome de burnout.
Onde buscar ajuda no SUS?#
Segundo o Ministério da Saúde, a pessoa em crise pode ser atendida em qualquer serviço da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Na prática:
- Unidade Básica de Saúde (UBS): é a principal porta de entrada do SUS e faz o acompanhamento contínuo.
- CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): acolhe pessoas em intenso sofrimento psíquico. O atendimento pode começar por procura direta, sem encaminhamento.
- SAMU 192, UPA 24h e pronto-socorro: para crises intensas, prolongadas ou com sinais de outra doença.
- CVV, telefone 188: apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas, todos os dias, de qualquer telefone fixo ou celular.
Quando procurar atendimento#
A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde diz que pacientes com sintomas que ameacem a vida, incluindo a crise de pânico e o risco agudo de suicídio, devem ser atendidos em serviço de emergência. Procure o SAMU 192, uma UPA ou um pronto-socorro se:
- for a primeira crise e vier com dor ou aperto no peito, falta de ar intensa ou desmaio. A Linha de Cuidado lista arritmias, doença coronariana, isquemia cerebral e excesso de hormônio da tireoide entre as condições que causam sintomas parecidos com os do pânico, e só a avaliação clínica separa uma coisa da outra;
- a crise for muito intensa ou não passar, mesmo com a respiração lenta;
- houver pensamentos de morte ou de se machucar. Nesse caso, não fique sozinho e ligue também para o CVV, no 188.
Procure a UBS ou o CAPS, sem urgência, se as crises se repetem, se você passou a evitar lugares ou situações por medo de uma nova crise, ou se a preocupação atrapalha o trabalho, os estudos e o sono há semanas. Conte ao profissional se as crises começaram depois de beber, usar drogas ou parar um remédio por conta própria: a Linha de Cuidado lista a abstinência de álcool, de calmantes e de antidepressivos, além de estimulantes como a cafeína, entre as causas de sintomas de ansiedade que precisam ser descartadas.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e o tratamento da ansiedade são definidos pelo profissional de saúde que acompanha você.
Perguntas frequentes
O que fazer na hora de uma crise de ansiedade?
A Linha de Cuidado dos Transtornos de Ansiedade, do Ministério da Saúde, orienta três passos para a crise de pânico: lembrar que os sintomas vêm de um ataque de ansiedade e não de uma doença com risco de morte iminente, reconhecer que a sensação é muito desagradável mas passageira, e respirar pelo nariz, controlando o ritmo para não hiperventilar. Quando a falta de ar predomina, a orientação é respirar devagar com o diafragma, a barriga, até os sintomas cederem.
Quanto tempo dura uma crise de pânico?
Pouco, na maioria das vezes. A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde diz que a crise é passageira, de cerca de poucos minutos, e que o ataque de pânico atinge o pico em poucos minutos. A página do Ministério sobre transtorno do pânico, na Biblioteca Virtual em Saúde, fala em duração média de 15 a 30 minutos. Crise muito intensa ou prolongada é motivo para procurar atendimento.
Qual a diferença entre crise de ansiedade e crise de pânico?
Crise de ansiedade é um nome popular, não um diagnóstico. A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde define a ansiedade como a antecipação de uma ameaça futura, ligada a tensão muscular e vigilância, e o ataque de pânico como uma onda súbita de medo ou desconforto intenso que atinge o pico em poucos minutos, com pelo menos quatro de treze sintomas físicos ou mentais, como taquicardia, falta de ar, tremor e medo de morrer.
Crise de ansiedade pode parecer infarto?
Pode. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde lembra que alguns sintomas do pânico podem ser confundidos com os do infarto, e a Linha de Cuidado lista arritmias, doença coronariana, isquemia cerebral e excesso de hormônio da tireoide entre as condições que imitam a crise. Por isso a primeira crise com dor no peito, falta de ar ou desmaio deve ser avaliada em serviço de saúde, pelo SAMU 192 ou numa UPA.
Posso tomar calmante por conta própria na crise?
Não. A página do Ministério da Saúde sobre transtornos de ansiedade pede para não usar remédio indicado por amigos ou parentes, e a OMS afirma que os benzodiazepínicos, os calmantes mais conhecidos, em geral não são recomendados para transtornos de ansiedade, pelo alto potencial de dependência e pela eficácia limitada a longo prazo. Remédio, quando necessário, é decisão do profissional que acompanha o caso.
Ansiedade tem tratamento no SUS?
Tem. A porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde, e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) atendem quem está em sofrimento intenso, inclusive por procura direta, segundo o Ministério da Saúde. A OMS afirma que existem tratamentos muito eficazes, em especial as terapias baseadas na terapia cognitivo-comportamental, mas que só cerca de 1 em cada 4 pessoas com transtorno de ansiedade recebe tratamento.
Com quem posso conversar se a crise vier com vontade de morrer?
Com o CVV, pelo telefone 188. Segundo o Ministério da Saúde, a ligação é gratuita de qualquer telefone fixo ou celular, e o atendimento é sigiloso, 24 horas, todos os dias. Em perigo imediato, procure o SAMU 192, uma UPA ou um pronto-socorro, e não fique sozinho.
Fontes consultadas
- 1.Linha de Cuidado dos Transtornos de Ansiedade no adulto: manejo inicial da crise de pânico (SAMU 192) — Ministério da Saúde
- 2.Linha de Cuidado dos Transtornos de Ansiedade no adulto: rastreamento e diagnóstico na Atenção Primária — Ministério da Saúde
- 3.Linha de Cuidado dos Transtornos de Ansiedade no adulto: Sou Paciente — Ministério da Saúde
- 4.Transtorno do pânico (Dicas em Saúde) — Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde
- 5.Anxiety disorders (fact sheet) — OMS — Organização Mundial da Saúde
- 6.Suicídio: prevenção, sinais de alerta e onde buscar ajuda (CVV 188, CAPS, UBS, SAMU 192) — Ministério da Saúde


