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Gravidez

Primeiro Trimestre de Gravidez: Cuidados, Exames e o Que Esperar

O primeiro trimestre vai de 0 a 13 semanas, e o Ministério da Saúde pede que o pré-natal comece até a 12ª semana. Veja a lista de exames, as vacinas, a alimentação, o que é seguro e os sinais de alerta nessa fase.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·Atualizado em ·11 min de leitura

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Médico conversando com uma gestante em consultório durante a consulta de pré-natal
Médico conversando com uma gestante em consultório durante a consulta de pré-natal

Os três primeiros meses da gravidez são os mais discretos por fora e os mais cheios de decisões por dentro. A barriga quase não aparece, mas é nessa fase que se começa o pré-natal, se pedem os primeiros exames e se acertam a data da gestação e os cuidados que valem até o parto. Este texto reúne o que o Ministério da Saúde orienta para o primeiro trimestre, em ordem de uso: quando começar, o que será pedido, o que comer e fazer, e quando não esperar.

Quanto dura o primeiro trimestre?#

A Caderneta Brasileira da Gestante, edição de 2026, define o primeiro trimestre como o período de 0 a 13 semanas. Em meses, são o 1º mês (da 1ª à 4ª semana), o 2º (da 5ª à 8ª) e o 3º (da 9ª à 13ª). Para saber exatamente em que semana você está, a calculadora de idade gestacional faz a conta pela data da última menstruação ou pelo laudo do ultrassom.

Segundo a Caderneta, nesse começo é comum sentir enjoo, sono, mais cansaço e mudanças no apetite, nos seios e no humor. Do lado do bebê, a descrição é a seguinte: até quatro semanas ele tem o tamanho de um grão de arroz, e começam a se formar braços, pernas, órgãos internos e o rosto. Ao final do 3º mês o bebê já se movimenta, o cordão umbilical está formado e o coração pode ser ouvido no pré-natal, com tamanho comparável ao de um limão.

Se você ainda está na fase de suspeita, o texto sobre sintomas de gravidez e quando fazer o teste explica o que é sinal e o que é confirmação.

Quando começar o pré-natal?#

A resposta do Ministério da Saúde é curta: o quanto antes. A orientação é iniciar o pré-natal na atenção primária assim que a mulher descobrir ou desconfiar da gravidez, de preferência até a 12ª semana, e seguir de forma regular até o nascimento. Começar cedo permite identificar riscos, calcular a data certa e pedir os exames no momento em que eles têm mais efeito.

O calendário mínimo é de consultas mensais até a 28ª semana, quinzenais da 28ª à 36ª e semanais no fim da gestação. A Caderneta 2026 recomenda ao menos sete consultas, intercaladas entre médica(o) e enfermeira(o). A unidade básica de saúde mais perto da sua casa faz a inclusão, e o guia de pré-natal no SUS detalha as consultas, os exames de cada trimestre e o que não está na rotina.

O que acontece na primeira consulta?#

O Caderno de Atenção Básica nº 32 descreve o roteiro. Na conversa (anamnese), a equipe pergunta a data da última menstruação, a regularidade dos ciclos, o uso de anticoncepcionais, gestações anteriores, doenças, cirurgias, medicamentos em uso e a história de infecções sexualmente transmissíveis. Pergunta também sobre trabalho, rede de apoio e se a gravidez foi desejada, porque o acolhimento faz parte do cuidado. Com a data da última menstruação, calcula-se a idade gestacional e a data provável do parto.

No exame físico, os itens indispensáveis incluem peso, altura e cálculo do IMC, medida da pressão arterial, exame das mamas e avaliação de mucosas, tireoide, coração, pulmões, abdome e pernas. O exame ginecológico pode incluir a coleta do Papanicolau, quando for necessário. A ausculta dos batimentos do bebê com o sonar-doppler costuma ser possível a partir da 10ª-12ª semana. Quem quer entender melhor esse exame pode ler sobre saúde ginecológica e exames de rotina e sobre o HPV e a vacina.

Nessa consulta também é feita a classificação de risco, que se repete em todas as consultas. O Caderno nº 32 explica que cerca de 10% das gestações precisam de acompanhamento em serviço de alto risco, e a Caderneta 2026 cita hipertensão, diabetes, doenças do coração e dos rins e gestação de mais de um bebê entre as situações que pedem cuidado mais próximo. Ser encaminhada ao alto risco não significa que algo deu errado: significa acompanhamento mais frequente.

Quais exames são pedidos no primeiro trimestre?#

A Caderneta 2026 traz a lista de rotina para o primeiro trimestre ou primeira consulta:

  • Teste rápido de gravidez, que pode ser feito na própria unidade de saúde.
  • Hemograma, para avaliar hemoglobina e hematócrito, ou seja, a presença de anemia.
  • Tipagem sanguínea (ABO e fator Rh) e, para quem tem Rh negativo, teste de Coombs indireto.
  • Eletroforese de hemoglobina, que busca doenças como a doença falciforme. A Caderneta lembra que essa condição é mais prevalente em mulheres negras, e que o rastreamento ativo faz parte do cuidado.
  • Glicemia em jejum.
  • Sífilis (teste rápido ou VDRL/RPR), HIV, hepatite B e hepatite C, em testes rápidos ou sorologias.
  • Toxoplasmose (IgG e IgM) e teste para HTLV.
  • Exame de urina tipo I e urocultura com antibiograma, para achar infecção urinária, mesmo sem sintomas.
  • Teste para doença de Chagas, em casos suspeitos, e para malária, em regiões endêmicas.
  • Ultrassonografia obstétrica.

Alguns exames só entram quando há indicação clínica: teste para tuberculose, hormônio da tireoide, teste para clamídia e gonorreia, Papanicolau ou teste molecular de HPV, exame de fezes e exame de secreção vaginal.

Por que tantos testes de infecção? O Caderno nº 32 explica o raciocínio: o rastreamento de HIV, sífilis e hepatite B é oferecido logo na primeira consulta porque a intervenção durante a gestação reduz a transmissão para o bebê. Se a sífilis der positivo, o tratamento deve ser imediato, porque trata a mãe e protege o feto. Se a hepatite B der negativa e não houver vacinação prévia, a recomendação é vacinar.

Sobre o ultrassom, vale uma observação. A Caderneta 2026 indica a janela ideal de 7 a 12 semanas, e o Caderno nº 32, de 2013, de 10 a 13 semanas, com o argumento de que 11% a 42% das idades gestacionais calculadas só pela data da última menstruação estão incorretas. O mesmo documento reconhece que o benefício do ultrassom de rotina sobre outros desfechos ainda é discutido, e que a sua não realização não é omissão do pré-natal. Em resumo: o exame ajuda a acertar a data e é pedido na rotina, e a equipe define o momento.

Vacinas, vitaminas e remédios#

Vacinas. A Caderneta 2026 recomenda, para quem não tem o esquema completo, a vacina da hepatite B (três doses, completadas até 45 dias depois do parto se não der tempo), uma dose da vacina contra Covid-19 a cada gestação, depois de seis meses da última dose, e a vacina da gripe. A dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, é aplicada a partir da 20ª semana, em toda gestação, e a vacina contra o vírus sincicial respiratório fica para a partir da 28ª semana. Vacina que não puder ser aplicada na gravidez é oferecida depois do parto.

Vitaminas. O Caderno nº 32 lista, entre os medicamentos que a atenção básica deve oferecer, o ácido fólico, com uso recomendado desde o período pré-concepcional e durante o primeiro trimestre de gestação, e informa que as farinhas de trigo e de milho vendidas no Brasil são enriquecidas com ferro e ácido fólico. A Caderneta 2026 diz que a equipe orienta o uso de vitaminas, ferro e outros medicamentos quando necessário. Não existe número que valha para todas: a dose e o tempo são prescritos pela equipe.

Remédios. Qualquer medicamento de uso contínuo deve ser comunicado já na primeira consulta, e a equipe avalia se ele pode ser mantido. Não interrompa nenhum remédio por conta própria, e não comece nenhum sem orientação.

Alimentação, enjoo e água#

A Caderneta 2026 desfaz a ideia de que é preciso comer "perfeito" ou seguir dietas difíceis: o importante é fazer escolhas melhores dentro da sua realidade. A orientação é dar preferência a alimentos frescos e minimamente processados, como frutas inteiras, verduras e legumes, arroz, feijão, milho, mandioca, carnes frescas, ovos, leite e comida feita em casa, e evitar os ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo e embutidos. A lista completa, com porções por dia e o que evitar, está no texto sobre alimentação na gravidez.

Mulher sentada no sofá com uma tigela de aveia, iogurte, frutas vermelhas e amêndoas
Comida simples e fresca, em porções pequenas e frequentes, costuma ser mais bem aceita quando o enjoo pega no começo da gestação. · Foto: Unsplash

Os cuidados de segurança dos alimentos pesam mais na gravidez: beber água potável ou filtrada, lavar as mãos antes de preparar e comer, higienizar frutas e verduras com hipoclorito de sódio (água sanitária própria, diluída conforme o rótulo) e enxaguar com água potável, e evitar alimentos crus ou malcozidos. O Caderno nº 32 orienta ainda evitar as bebidas alcoólicas e o fumo na gestação.

Enjoo. O Caderno nº 32 diz que náuseas, vômitos e tontura são comuns no começo e orienta seis refeições leves ao dia, evitar frituras e cheiros fortes e comer algo sólido, como bolacha de água e sal, antes de se levantar. Vômitos frequentes que não melhoram com essas medidas pedem consulta, porque podem levar a desidratação, perda de peso e desmaio. O texto sobre enjoo na gravidez e hiperêmese detalha o que alivia e quando procurar atendimento.

Água. Para a quantidade de água, veja a calculadora de ingestão de água, que mostra a referência para gestantes de 19 anos ou mais, e o texto sobre quanto beber de água por dia.

Atividade física e sexo#

A Caderneta 2026 recomenda que gestantes sem contraindicação se mantenham ativas, com 30 a 60 minutos de atividade física por dia, em intensidade leve a moderada. O teste prático é o da conversa: se não consegue conversar durante o exercício, reduza o ritmo. Caminhada, alongamento, exercícios de respiração e atividades na água estão entre as opções, e o fortalecimento deve ter orientação profissional. Evite se exercitar ao ar livre entre 11h e 14h, nos horários de maior calor, e não faça atividade física em caso de sangramento vaginal sem orientação da equipe. Procure orientação antes de começar qualquer atividade nova.

Sobre a vida sexual, o texto da Caderneta é tranquilizador: em geral, a prática sexual na gestação é segura e saudável quando não há contraindicação da equipe, e é comum o desejo mudar ao longo dos meses. Recomenda-se o uso de preservativo durante todo o pré-natal para prevenir infecções sexualmente transmissíveis. Procure o serviço de saúde se houver dor durante a relação, sangramento ou desconforto intenso.

Sinais de alerta no primeiro trimestre#

Algumas situações do começo da gestação não esperam a próxima consulta. A Caderneta 2026 orienta procurar a unidade de saúde, a maternidade de referência ou um serviço de urgência, ou acionar o Samu pelo 192, quando houver:

  • sangramento vaginal;
  • dor abdominal forte ou persistente;
  • febre a partir de 37,8 °C;
  • dor de cabeça intensa ou que não melhora;
  • alterações na visão, como visão turva, flashes ou pontos cegos;
  • dor ou ardência ao urinar;
  • inchaço repentino no rosto, nas mãos ou nas pernas;
  • falta de ar, dor forte no peito, convulsão ou desmaio;
  • mal-estar intenso ou sensação de que algo não está bem.

Dois quadros do início da gravidez justificam a pressa. Na gravidez ectópica, em que o embrião se fixa fora do útero, o Caderno nº 32 descreve atraso menstrual, teste positivo, sangramento e dor pélvica que começa intermitente e evolui para contínua e intensa, e o encaminhamento é a um hospital de referência para ultrassom e tratamento. Na ameaça de abortamento, há sangramento leve a moderado, às vezes com cólica, e o quadro pode evoluir para uma gestação normal ou para a perda. Em casa, não há como distinguir os dois: a regra é avaliar.

Quando procurar atendimento#

Além dos sinais de alerta acima, procure a unidade de saúde se:

  1. você ainda não começou o pré-natal e já passou da 12ª semana;
  2. os vômitos forem frequentes e você não conseguir comer ou beber;
  3. o corrimento mudar de cor, tiver cheiro forte ou vier com coceira;
  4. você tem pressão alta, diabetes, doença de tireoide, do coração ou dos rins, ou usa remédio contínuo, e não avisou a equipe;
  5. você está ansiosa, triste ou sem apoio: o pré-natal inclui acolher dúvidas, medos e preocupações, e a equipe pode orientar sobre onde buscar ajuda.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. O acompanhamento, a data da gestação e os exames são definidos pela equipe de saúde que cuida de você. Se um próximo passo for entender o que vem depois, o guia de pré-natal no SUS mostra as consultas e os exames do segundo e do terceiro trimestres, o texto sobre o segundo trimestre de gravidez explica o que muda da 14ª à 27ª semana, e o texto sobre diabetes gestacional explica o exame feito entre a 24ª e a 28ª semana.

Perguntas frequentes

Até quantas semanas vai o primeiro trimestre da gravidez?

Na Caderneta Brasileira da Gestante de 2026, o primeiro trimestre vai de 0 a 13 semanas, o que corresponde aos três primeiros meses: o 1º mês da 1ª à 4ª semana, o 2º da 5ª à 8ª e o 3º da 9ª à 13ª. O segundo trimestre começa na 14ª semana. Edições anteriores de materiais do Ministério usaram limites um pouco diferentes para os trimestres seguintes, por isso a conta pode variar entre fontes.

Quando devo começar o pré-natal?

O quanto antes. O Ministério da Saúde orienta que as consultas comecem logo que a mulher descobrir ou desconfiar da gravidez, de preferência até a 12ª semana, na unidade básica de saúde mais próxima, e sigam regularmente até o nascimento do bebê. No SUS o pré-natal é gratuito e inclui consultas, exames e vacinas.

Quais exames são pedidos no primeiro trimestre?

A lista de rotina da Caderneta 2026 inclui teste rápido de gravidez, hemograma, tipagem sanguínea e fator Rh (com Coombs indireto se o Rh for negativo), eletroforese de hemoglobina, glicemia em jejum, testes para sífilis, HIV, hepatite B e hepatite C, sorologia para toxoplasmose, teste para HTLV, exame de urina com urocultura e ultrassonografia obstétrica. Chagas e malária entram quando há suspeita ou residência em região endêmica.

Qual é a melhor época para o primeiro ultrassom?

Os documentos do Ministério não coincidem. A Caderneta 2026 indica a ultrassonografia obstétrica idealmente entre 7 e 12 semanas, e o Caderno de Atenção Básica nº 32, de 2013, fala em 10 a 13 semanas, usando o comprimento cabeça-nádega para calcular a idade gestacional. Em ambos, o exame no início da gestação serve para acertar a data, e a equipe de saúde decide o melhor momento para o seu caso.

Posso tomar vitaminas e ácido fólico por conta própria?

O mais seguro é combinar com a equipe do pré-natal. A Caderneta 2026 prevê que a equipe oriente sobre o uso de vitaminas, ferro e outros medicamentos quando necessário, e o Caderno nº 32 recomenda o ácido fólico desde o período pré-concepcional e durante o primeiro trimestre. A dose e o tempo de uso são prescritos pelo profissional, e não definidos por texto de internet.

Posso fazer atividade física e ter relações sexuais no começo da gravidez?

Em geral, sim. A Caderneta 2026 afirma que a prática sexual na gestação costuma ser segura e saudável quando não há contraindicação da equipe, e recomenda de 30 a 60 minutos de atividade física por dia, em intensidade leve a moderada, para gestantes sem contraindicação. Pare e procure a equipe se houver sangramento, dor, desconforto intenso ou perda de líquido.

Quais sinais exigem atendimento imediato no primeiro trimestre?

Sangramento vaginal, dor abdominal forte ou persistente, febre a partir de 37,8 °C, dor de cabeça intensa, alterações na visão, dor ou ardência ao urinar, inchaço repentino, falta de ar, desmaio ou convulsão. Vômitos intensos que impedem de comer e beber também pedem avaliação, porque podem causar desidratação.

Fontes consultadas

  1. 1.Caderneta Brasileira da Gestante (2026): trimestres, pré-natal, exames, vacinas, alimentação, atividade física e sinais de alerta — Ministério da Saúde
  2. 2.Atenção ao pré-natal de baixo risco (Caderno de Atenção Básica nº 32): roteiro da primeira consulta, exames e classificação de risco — Ministério da Saúde
  3. 3.Pré-natal — Ministério da Saúde