Pular para o conteúdo
Blog com Saúde
Sexo

Saúde Ginecológica: Exames e Cuidados Que Toda Mulher Precisa Conhecer

O rastreamento do câncer do colo do útero mudou em 2025: o teste de HPV substitui o Papanicolau e o intervalo vai a cinco anos. Veja o que o Ministério da Saúde e o INCA recomendam hoje, por idade, e quais sintomas nunca devem esperar.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

Equipe editorial

Publicado em ·Atualizado em ·6 min de leitura

Tamanho do texto
Profissional de saúde paramentado em centro cirúrgico
Profissional de saúde paramentado em centro cirúrgico

Se você acha que precisa fazer Papanicolau todo ano e mamografia anual a partir dos 40, sua informação está desatualizada — e não por pouco. As duas regras mudaram, e a mais recente é de 2025.

Isso importa mais do que parece. Exame demais não é sinônimo de cuidado: gera resultado falso-positivo, biópsia desnecessária e tratamento de lesão que nunca viraria problema. E exame de menos, no intervalo errado, deixa passar o que dá para pegar cedo. A recomendação oficial existe justamente para encontrar esse equilíbrio.

Colo do útero: o que mudou em agosto de 2025#

Esta é a mudança mais importante da saúde da mulher no Brasil em anos, e boa parte das pessoas ainda não ouviu falar.

Em 18 de agosto de 2025, o Ministério da Saúde publicou no Diário Oficial as novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero. O teste molecular que detecta o DNA do HPV oncogênico passou a ser o exame primário de rastreamento no país, substituindo gradualmente o Papanicolau na Atenção Primária.

O que vale hoje, segundo o INCA:

Quem faz. "Mulheres ou qualquer pessoa com colo do útero, na faixa etária de 25 a 64 anos e que já tiveram atividade sexual."

Com que intervalo. Com o teste de DNA-HPV negativo, a repetição é a cada cinco anos. Onde o teste molecular ainda não está disponível, o Papanicolau continua valendo, com o intervalo antigo: a cada três anos, depois de dois exames normais consecutivos com um ano de diferença.

Quando parar. Após os 60 anos, com teste de DNA-HPV negativo, o INCA registra que "não há mais necessidade de repetir o teste periodicamente".

Se detectar HPV. O exame identifica o tipo do vírus. Quando aparecem os tipos 16 ou 18 — responsáveis por cerca de 70% das lesões pré-cancerosas —, o encaminhamento é direto para colposcopia, sem etapa intermediária.

O ganho não é burocrático. O teste molecular tem sensibilidade maior que a citologia para lesões precursoras, permite separar as pacientes por tipo de vírus e, segundo o INCA, reduz incidência e mortalidade pelo câncer do colo do útero.

Vale notar o que isso não muda: a vacina contra o HPV continua sendo a prevenção primária, e quem se vacinou faz o rastreamento no mesmo calendário de quem não se vacinou.

Mama: bienal, e a faixa etária aumentou#

Aqui o erro mais comum é o oposto — muita gente faz mamografia anual desde os 40, achando que quanto mais, melhor.

A recomendação oficial brasileira é de mamografia a cada dois anos, e desde setembro de 2025 a faixa etária de rotina passou de 50–69 para 50 a 74 anos.

O intervalo de dois anos incomoda quem acha pouco, e o INCA é transparente sobre o porquê. Nessa faixa e nessa periodicidade, os benefícios do rastreamento superam os riscos — mas os riscos existem: resultado falso-positivo, falso-negativo e, principalmente, o sobrediagnóstico, isto é, a identificação de tumores de comportamento indolente que nunca ameaçariam a vida daquela mulher e acabam sendo tratados assim mesmo.

Por isso a orientação é que a mulher conheça riscos e benefícios e decida junto com o médico, em vez de seguir número no automático.

Fora do rastreamento padrão. Quem tem predisposição hereditária conhecida, como mutação em BRCA1 ou BRCA2, ou histórico familiar importante, não entra na regra populacional: o caso pede acompanhamento clínico individualizado, com idade de início e método definidos pelo médico.

Sobre o autoexame. O INCA não recomenda mais o autoexame com técnica e data marcada. A abordagem atual é o conhecimento do próprio corpo: observar e apalpar as mamas sempre que se sentir confortável, sem ritual. A maioria dos tumores palpáveis é descoberta de forma casual, e o que conta é perceber quando algo mudou.

Sinais que pedem avaliação, em qualquer idade. Nódulo endurecido e fixo, saída de secreção sanguinolenta por um dos mamilos, lesão de pele que não cicatriza com tratamento, gânglio aumentado na axila e mudança no formato do mamilo. Nenhum deles é para esperar a próxima mamografia.

Os outros exames, e quando eles fazem sentido#

Fora dos dois rastreamentos organizados, a lógica muda: os demais exames respondem a uma queixa, não a um calendário.

Ultrassom transvaginal avalia útero e ovários e é o exame que investiga sangramento anormal, dor pélvica, suspeita de mioma, cisto ou endometriose. Não é exame de rotina para quem não tem sintoma — pedido por hábito, encontra achados sem importância que geram uma cascata de novos exames.

Ultrassom mamário complementa a mamografia em mamas densas, quando indicado. Complementa, não substitui.

Colposcopia entra quando o rastreamento aponta alteração. É a etapa seguinte, não uma opção de triagem.

Dosagens hormonais — TSH, FSH, estradiol, prolactina — dependem inteiramente do quadro. Ciclo irregular, dificuldade para engravidar e sintomas de menopausa pedem painéis diferentes.

Exames de infecções sexualmente transmissíveis seguem a vida sexual, não a idade: testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C está disponível no SUS e é recomendada periodicamente para quem tem vida sexual ativa, com mais frequência a cada novo parceiro. Nosso texto sobre saúde sexual trata dessa parte da conversa que costuma ficar de fora do consultório.

O que não deve esperar consulta de rotina#

Boa parte do atraso diagnóstico em saúde da mulher não vem de falta de exame. Vem de sintoma normalizado — pela paciente, pela família e às vezes pelo próprio serviço de saúde.

Cólica que impede a rotina. Dor menstrual que faz faltar ao trabalho ou à aula, que não cede com analgésico comum, não é "cólica forte". A endometriose leva anos para ser diagnosticada justamente porque a dor foi tratada como parte do pacote de ser mulher.

Sangramento fora de hora. Entre menstruações, depois da relação sexual ou depois da menopausa. O último é o mais importante: qualquer sangramento após a menopausa exige investigação.

Ciclo que virou imprevisível, com acne, ganho de peso e aumento de pelos — o conjunto que pode indicar síndrome dos ovários policísticos.

Dor durante a relação sexual, corrimento com odor forte ou coceira persistente. São queixas que muita gente adia por constrangimento, e todas têm causa identificável e tratamento.

Um ano tentando engravidar sem sucesso — seis meses, se você tem mais de 35. É o marco para investigar fertilidade, e o relógio conta.

A consulta que continua valendo#

A consulta ginecológica anual não caiu com a mudança dos rastreamentos, e é fácil confundir as duas coisas. O que mudou foi o intervalo de dois exames específicos, não a periodicidade do acompanhamento.

Na consulta entram o exame clínico, a conversa sobre ciclo, sobre método contraceptivo, sobre dor, sobre desejo — o desejo sexual muda com anticoncepcional, com tireoide e com fase da vida, e é queixa legítima de consultório. E entram as vacinas, o rastreamento das outras doenças que valem para todo mundo e o que mais tiver aparecido no ano.

Se quiser a visão completa por faixa etária, incluindo o que não é ginecológico, nosso guia de exames preventivos por idade organiza tudo em um calendário só.

A frase que resume: rastreamento é para quem não tem sintoma, e segue calendário. Sintoma não espera calendário nenhum.

Perguntas frequentes

O Papanicolau acabou?

Não, mas deixou de ser o exame principal. Desde agosto de 2025, o teste molecular que detecta o DNA do HPV oncogênico é o exame primário de rastreamento no SUS, e vai substituindo o Papanicolau de forma gradual na Atenção Primária. Onde o teste molecular ainda não chegou, o Papanicolau continua valendo — com o intervalo antigo, de três anos após dois exames normais consecutivos.

Com que idade começo o rastreamento do colo do útero?

Aos 25 anos, para quem já teve atividade sexual. A recomendação do INCA vale para mulheres ou qualquer pessoa com colo do útero, na faixa de 25 a 64 anos. Antes dos 25 o rastreamento não é indicado: a infecção por HPV é comum nessa idade e costuma ser eliminada sozinha, então rastrear cedo gera mais exame e mais ansiedade do que benefício.

Se o teste de HPV der negativo, espero mesmo cinco anos?

Sim, e esse é o ponto do novo protocolo. O teste molecular é mais sensível que o Papanicolau para lesões precursoras, então um resultado negativo dá uma garantia maior e por mais tempo. Depois dos 60 anos, com teste de DNA-HPV negativo, o INCA registra que não há mais necessidade de repetir o exame periodicamente.

Mamografia é anual ou a cada dois anos?

A cada dois anos. A recomendação oficial no Brasil é mamografia bienal, e desde setembro de 2025 a faixa etária de rotina passou de 50 a 69 para 50 a 74 anos. Quem tem histórico familiar importante ou mutação conhecida em BRCA1/2 sai do rastreamento padrão e entra em acompanhamento clínico individualizado, definido pelo médico.

Preciso fazer autoexame das mamas todo mês?

O INCA não recomenda mais o autoexame com técnica e data marcada. A orientação atual é de conhecimento do próprio corpo: observar e apalpar as mamas sempre que se sentir confortável, sem ritual. Boa parte dos tumores palpáveis é descoberta assim, por acaso, e o que importa é reconhecer quando algo mudou.

Toda mulher precisa de ultrassom transvaginal todo ano?

Não. Ultrassom transvaginal é exame de investigação, não de rastreamento populacional: entra quando há sintoma ou achado no exame clínico — sangramento anormal, dor pélvica, suspeita de mioma, cisto ou endometriose. Pedir por rotina, sem queixa, costuma encontrar achados sem importância clínica que geram exames em cascata.

Vacina de HPV dispensa o rastreamento?

Não. A vacina protege contra os tipos de HPV responsáveis pela maior parte das lesões, mas não contra todos, e quem se vacinou depois do início da vida sexual pode já ter sido exposto. Vacinada ou não, o rastreamento segue o mesmo calendário.

Fontes consultadas

  1. 1.Detecção precoce do câncer do colo do útero — população-alvo, exame e intervaloINCA — Instituto Nacional de Câncer / Ministério da Saúde
  2. 2.Aprovadas as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero (agosto de 2025)INCA — Instituto Nacional de Câncer
  3. 3.Detecção precoce do câncer de mama — recomendações e sinais de alertaINCA — Instituto Nacional de Câncer / Ministério da Saúde
  4. 4.Rastreamento do Câncer do Colo do Útero — Diretriz BrasileiraMinistério da Saúde