Menopausa: Sintomas, Tratamentos e Como Passar Bem Por Essa Fase
No Brasil a menopausa chega em média aos 48 anos, e 17 milhões de mulheres estão no climatério. Veja os sintomas, o que a FEBRASGO diz sobre a janela de oportunidade da terapia hormonal e as alternativas para quem não pode ou não quer usar hormônio.
Publicado em ·Atualizado em ·6 min de leitura

Se você procurar a idade da menopausa na internet, vai ler que é aos 51 anos. Esse número vem de estatística internacional, e não é o do Brasil.
A FEBRASGO — a federação que reúne os ginecologistas brasileiros — registra que aqui a menopausa ocorre em média aos 48 anos. Três anos de diferença mudam bastante a expectativa de quem começa a sentir sintomas aos 45 e é informada de que "ainda é cedo".
Outro número que dimensiona o assunto: cerca de 17 milhões de brasileiras estão no climatério, entre 40 e 65 anos, e aproximadamente 9,2 milhões estão na menopausa, entre 50 e 65 anos. Não é um assunto de nicho. É a metade da população feminina adulta.
Menopausa e climatério não são a mesma coisa#
A confusão entre os dois termos atrapalha até a conversa no consultório.
Menopausa é uma data — a da última menstruação, e ela "marca o final da idade reprodutiva". Só se confirma doze meses depois, olhando para trás. Não dá para saber no dia.
Climatério é a travessia — a fase de transição, que pode durar vários anos antes da menopausa e se estender pelos primeiros anos depois, com sintomas mais intensos.
Ou seja: quando alguém diz que "está na menopausa" e descreve fogacho e insônia, está falando do climatério. É lá que estão os sintomas, e é lá que existe tratamento.
O que se sente, e por quanto tempo#
A lista da FEBRASGO é mais longa do que a que costuma aparecer: ondas de calor — os fogachos —, suor, palpitações, insônia, cansaço, ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais, incontinência urinária, dores articulares, falhas de memória, alterações de humor, tristeza, irritabilidade e ansiedade.
Vale ler essa lista com atenção porque metade dela não é o que as pessoas associam à menopausa. Dor no joelho, esquecimento e ansiedade raramente são ligados à queda hormonal — e muita mulher acaba investigando cada sintoma isoladamente, com um especialista para cada, sem ninguém juntar as peças.
A incontinência urinária é outro exemplo de queixa que se cala por vergonha e que tem tratamento. O mesmo vale para a dor durante a relação: ela é consequência do ressecamento, não sinal de que "acabou" — e o desejo sexual nessa fase depende muito mais do conforto físico do que se imagina.
Terapia hormonal: o que decide é o momento de começar#
Este é o ponto mais importante do texto, e o mais mal explicado por aí.
Em outubro de 2024, a FEBRASGO apresentou, junto com a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a SOBRAC, as Diretrizes Brasileiras sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa. A conclusão central é sobre tempo.
A janela de oportunidade. A terapia hormonal deve ser iniciada nos primeiros dez anos após a menopausa, ou antes dos 60 anos. Nesse intervalo, e em mulheres saudáveis, o efeito do ponto de vista cardiovascular é bastante favorável.
Fora da janela. Iniciar a terapia em mulheres com 60 anos ou mais e com mais de dez anos de menopausa pode aumentar o risco absoluto de doença cardiovascular, tromboembolismo venoso e AVC. Nessa situação, como regra geral, não é recomendada.
O mesmo tratamento, portanto, protege ou prejudica dependendo de quando entra. Isso explica a confusão que domina o assunto há duas décadas — estudos que assustaram uma geração inteira de mulheres avaliaram, em boa parte, mulheres que começaram tarde.
E explica também por que adiar a conversa tem custo. Quem passa dez anos evitando o tema por medo pode chegar ao consultório justamente quando a opção deixou de estar disponível.
Quem faz. Segundo a FEBRASGO, apenas 20% das mulheres climatéricas fazem terapia hormonal. Quatro em cada cinco não fazem — por contraindicação real, por escolha ou por nunca ter tido a conversa.
A decisão é individual. A orientação da federação é que o tratamento seja individualizado, com avaliação médica especializada, pesando benefícios e riscos de cada mulher. Não existe resposta que sirva para todas, e desconfie de quem der uma.
O que existe além do hormônio#
Para quem não pode ou não quer usar terapia hormonal — a maioria —, a FEBRASGO indica que o tratamento do climatério se baseia em orientação alimentar, atividade física, apoio psicológico quando necessário e medicações não hormonais para controle dos sintomas.
Vale desmembrar isso, porque "dieta e exercício" soa a conselho vazio e aqui não é.

Atividade física, principalmente força. A perda de massa óssea acelera após a menopausa, e o treino de resistência é uma das poucas intervenções que agem sobre osso e músculo ao mesmo tempo. Nosso texto sobre musculação para mulheres trata dos mitos que ainda afastam muita gente da sala de musculação justamente na fase em que ela mais serve.
Alimentação com atenção a proteína e cálcio. A massa muscular cai com a idade, e proteína adequada é o que segura essa perda.
Sono. Fogacho noturno e insônia se alimentam mutuamente, e noite ruim piora humor, memória e apetite no dia seguinte — o guia de qualidade do sono vale mais nessa fase do que em qualquer outra.
Saúde mental. Tristeza, irritabilidade e ansiedade estão na lista oficial de sintomas: não é fraqueza nem "coisa da cabeça", é parte do quadro. Se estiver pesado, o texto sobre ansiedade ajuda a distinguir o que é travessia do que pede ajuda profissional.
Tratamento local para o ressecamento. Existem opções aplicadas diretamente na região, com absorção sistêmica mínima, muitas vezes possíveis mesmo quando a terapia hormonal geral está contraindicada. É uma das perguntas que mais vale levar pronta ao consultório.
O que não muda de calendário#
Uma confusão comum: menopausa não interrompe o acompanhamento preventivo, e em alguns pontos ele fica mais importante.
O rastreamento do câncer de mama e do colo do útero segue as regras oficiais por idade — e as duas mudaram em 2025, com a mamografia bienal indo até os 74 anos e o teste de HPV substituindo o Papanicolau. Está tudo detalhado no nosso texto sobre exames ginecológicos.
Entram também a avaliação de saúde óssea e o acompanhamento cardiovascular — pressão, colesterol e glicemia passam a merecer mais atenção depois da menopausa, e é por isso que as diretrizes da FEBRASGO foram escritas junto com a Sociedade Brasileira de Cardiologia. O check-up por faixa etária organiza o que entra em cada fase.
E uma informação prática que surpreende muita gente: enquanto os doze meses sem menstruar não se completam, a gravidez ainda é possível. A contracepção continua valendo durante a transição — o guia de métodos contraceptivos traz o que muda nessa fase.
Quando procurar o ginecologista#
Se os sintomas atrapalham sono, trabalho ou relacionamento. Se houver qualquer sangramento depois de doze meses sem menstruar — esse é o sinal que nunca deve esperar. Se a menstruação parou antes dos 40 anos. Se você está há mais de cinco anos de menopausa e nunca conversou sobre terapia hormonal, porque a janela tem prazo. E se alguém já lhe disse para "aguentar, é da idade".
A menopausa não é doença — é uma transição fisiológica. Mas transição fisiológica com sintoma que atrapalha a vida tem tratamento, e a decisão de tratar ou não deveria ser sua, tomada com informação, e não por falta dela.
Perguntas frequentes
Com que idade chega a menopausa no Brasil?
Em média aos 48 anos, segundo a FEBRASGO. É um número mais baixo do que o que costuma circular por aí, copiado de estatística internacional. E é média: chegar aos 45 ou aos 53 está dentro do esperado. Antes dos 40, o quadro é considerado insuficiência ovariana prematura e precisa de investigação.
Qual a diferença entre menopausa e climatério?
Menopausa é uma data: a da última menstruação, confirmada apenas 12 meses depois, olhando para trás. Climatério é a fase de transição em volta dela, que pode durar vários anos antes e se estender pelos primeiros anos depois. Quando alguém diz que está sentindo os sintomas da menopausa, quase sempre está falando do climatério.
Terapia hormonal faz mal?
A pergunta certa não é se faz mal, é quando começa. A FEBRASGO indica iniciar nos primeiros dez anos após a menopausa ou antes dos 60 anos: nessa janela, e em mulheres saudáveis, o efeito cardiovascular é bastante favorável. Começar depois dos 60 e com mais de dez anos de menopausa pode aumentar o risco absoluto de doença cardiovascular, tromboembolismo venoso e AVC — e, nessa situação, como regra geral não é recomendada.
Quantas mulheres fazem terapia hormonal?
Cerca de 20% das mulheres no climatério, segundo a FEBRASGO. Ou seja, quatro em cada cinco não fazem — por contraindicação, por escolha ou, muitas vezes, por nunca ter tido a conversa. Não fazer é uma decisão legítima, desde que informada.
Existe tratamento para quem não pode usar hormônio?
Existe, e é a situação da maioria. A FEBRASGO cita medicações não hormonais para controle dos sintomas, além de orientação alimentar, atividade física e apoio psicológico quando necessário. Para o ressecamento vaginal há tratamentos locais, cuja absorção pelo corpo é mínima e que muitas vezes são possíveis mesmo quando a terapia sistêmica está contraindicada.
Preciso fazer exame de sangue para confirmar a menopausa?
Em geral, não. Na faixa etária esperada, o diagnóstico é clínico: doze meses sem menstruar. Dosagens hormonais entram quando o quadro foge do padrão — menopausa antes dos 40, cirurgia prévia, uso de método contraceptivo que suprime a menstruação ou sintomas que não batem com a história.
Ganhar peso na menopausa é inevitável?
Não é inevitável, mas fica mais fácil ganhar. A queda hormonal muda a distribuição de gordura, que se concentra mais no abdome, e a massa muscular diminui com a idade — o que reduz o gasto de energia em repouso. É por isso que treino de força e proteína adequada passam a pesar mais nessa fase do que contagem de calorias.
Fontes consultadas
- 1.Menopausa: cerca de 17 milhões de mulheres no Brasil estão no climatério — FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
- 2.FEBRASGO apresenta novas diretrizes para a terapia de reposição hormonal durante climatério e menopausa — FEBRASGO, em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a SOBRAC
- 3.Terapia hormonal é uma opção para aliviar os sintomas da menopausa — FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia


