Menopausa: Sintomas, Tratamentos e Como Passar Bem Por Essa Fase
No Brasil a menopausa chega em média aos 48 anos, e 17 milhões de mulheres estão no climatério. Veja os sintomas, o que a FEBRASGO diz sobre a janela de oportunidade da terapia hormonal e as alternativas para quem não pode ou não quer usar hormônio.
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A FEBRASGO, a federação que reúne os ginecologistas brasileiros, registra que no Brasil a menopausa ocorre em média aos 48 anos, em geral entre os 40 e os 55. Isso muda a expectativa de quem começa a sentir sintomas aos 45 e ouve que "ainda é cedo".
Outro número que dimensiona o assunto: com dados do IBGE, a federação estima que cerca de 17 milhões de brasileiras estão no climatério, entre 40 e 65 anos, e aproximadamente 9,2 milhões na menopausa, entre 50 e 65 anos. Não é um assunto de nicho.
Menopausa e climatério não são a mesma coisa#
A confusão entre os dois termos atrapalha até a conversa no consultório.
Menopausa é uma data — a da última menstruação, e ela "marca o final da idade reprodutiva". Só se confirma doze meses depois, olhando para trás. Não dá para saber no dia.
Climatério é a travessia — a fase de transição, que pode durar vários anos antes da menopausa e se estender pelos primeiros anos depois, com sintomas mais intensos.
Ou seja: quando alguém diz que "está na menopausa" e descreve fogacho e insônia, está falando do climatério. É lá que estão os sintomas, e é lá que existe tratamento.
O que se sente, e por quanto tempo#
A lista da FEBRASGO é mais longa do que a que costuma aparecer: ondas de calor — os fogachos —, suor, palpitações, insônia, cansaço, ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais, incontinência urinária, dores articulares, falhas de memória, alterações de humor, tristeza, irritabilidade e ansiedade.
Vale ler essa lista com atenção porque metade dela não é o que as pessoas associam à menopausa. Dor no joelho, esquecimento e ansiedade raramente são ligados à queda hormonal — e muita mulher acaba investigando cada sintoma isoladamente, com um especialista para cada, sem ninguém juntar as peças.
A incontinência urinária é outro exemplo de queixa que se cala por vergonha e que tem tratamento. O mesmo vale para a dor durante a relação: ela é consequência do ressecamento, não sinal de que "acabou" — e o desejo sexual nessa fase depende muito mais do conforto físico do que se imagina.
Terapia hormonal: o que decide é o momento de começar#
Este é o ponto mais importante do texto, e o mais mal explicado por aí.
Em outubro de 2024, a FEBRASGO apresentou, junto com a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a SOBRAC, as Diretrizes Brasileiras sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa. A conclusão central é sobre tempo.
A janela de oportunidade. A terapia hormonal deve ser iniciada nos primeiros dez anos após a menopausa, ou antes dos 60 anos. Nesse intervalo, e em mulheres saudáveis, o efeito do ponto de vista cardiovascular é bastante favorável.
Fora da janela. Iniciar a terapia em mulheres com 60 anos ou mais e com mais de dez anos de menopausa pode aumentar o risco absoluto de doença cardiovascular, tromboembolismo venoso e AVC. Nessa situação, como regra geral, não é recomendada.
O mesmo tratamento, portanto, tem balanço diferente entre benefício e risco dependendo de quando entra.
E explica também por que adiar a conversa tem custo. Quem passa dez anos evitando o tema por medo pode chegar ao consultório justamente quando a opção deixou de estar disponível.
Quem faz. Segundo a FEBRASGO, apenas 20% das mulheres climatéricas fazem terapia hormonal. Quatro em cada cinco não fazem — por contraindicação real, por escolha ou por nunca ter tido a conversa.
A decisão é individual. A orientação da federação é que o tratamento seja individualizado, pesando benefícios e riscos de cada mulher e a melhor forma de uso (via oral, gel ou adesivo). Mulheres que tiveram câncer de mama, AVC ou infarto, por exemplo, não podem fazer reposição hormonal, segundo a FEBRASGO. Não existe resposta que sirva para todas, e desconfie de quem der uma.
O que existe além do hormônio#
Para quem não pode ou não quer usar terapia hormonal — a maioria —, a FEBRASGO indica que o tratamento do climatério se baseia em orientação alimentar, atividade física, apoio psicológico quando necessário e medicações não hormonais para controle dos sintomas.
Vale desmembrar isso, porque "dieta e exercício" soa a conselho vazio e aqui não é.

Atividade física. Está na base do tratamento do climatério descrito pela FEBRASGO. Nosso texto sobre musculação para mulheres trata dos mitos que ainda afastam muita gente da sala de musculação.
Alimentação e peso. A FEBRASGO recomenda uma dieta pobre em açúcar e gordura, com frutas, verduras, legumes, laticínios e carnes magras, importante também para prevenir a osteoporose, comum nessa fase. E lembra que evitar o ganho de peso e tratar a obesidade é fundamental, porque ambos podem piorar os sintomas.
Sono. Fogacho noturno e insônia se alimentam mutuamente, e noite ruim piora humor, memória e apetite no dia seguinte — cuidar do sono rende mais nessa fase do que em qualquer outra.
Saúde mental. Tristeza, irritabilidade e ansiedade estão na lista de sintomas da FEBRASGO: não é fraqueza nem "coisa da cabeça", é parte do quadro. Se estiver pesado, é assunto de consulta: a linha entre travessia e quadro que pede tratamento não se decide sozinha.
Tratamento local para o ressecamento. Existem opções aplicadas diretamente na região, como o estrogênio local, que a FEBRASGO cita entre as terapias para a atrofia vaginal. Se elas servem no seu caso, inclusive quando a terapia hormonal geral não é indicada, é uma das perguntas que mais vale levar pronta ao consultório.
O que não muda de calendário#
Uma confusão comum: menopausa não interrompe o acompanhamento preventivo, e em alguns pontos ele fica mais importante.
O rastreamento do câncer de mama e do colo do útero segue as regras oficiais por idade — e as duas mudaram em 2025, com a mamografia bienal indo até os 74 anos e o teste de HPV substituindo o Papanicolau. Está tudo detalhado no nosso texto sobre exames ginecológicos.
Entram também a avaliação de saúde óssea e o acompanhamento cardiovascular — pressão, colesterol e glicemia passam a merecer mais atenção depois da menopausa, e é por isso que as diretrizes da FEBRASGO foram escritas junto com a Sociedade Brasileira de Cardiologia.
E uma informação prática que surpreende muita gente: enquanto os doze meses sem menstruar não se completam, a gravidez ainda é possível. A contracepção continua valendo durante a transição — vale confirmar com quem acompanha qual método segue adequado nessa fase.
Quando procurar o ginecologista#
Se os sintomas atrapalham sono, trabalho ou relacionamento. Se houver qualquer sangramento depois de doze meses sem menstruar — esse é o sinal que nunca deve esperar. Se a menstruação parou antes dos 40 anos. Se você está há mais de cinco anos de menopausa e nunca conversou sobre terapia hormonal, porque a janela tem prazo. E se alguém já lhe disse para "aguentar, é da idade".
Se a tristeza vier com desesperança ou pensamentos de morte, não espere a consulta: o Ministério da Saúde indica o Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188 (gratuito, 24 horas), os CAPS e as unidades básicas de saúde e, numa emergência, o SAMU 192.
A menopausa não é doença — é uma transição fisiológica. Mas transição fisiológica com sintoma que atrapalha a vida tem tratamento, e a decisão de tratar ou não deveria ser sua, tomada com informação, e não por falta dela.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. A indicação de terapia hormonal ou de qualquer remédio, e a dose, são decisão do profissional de saúde.
Perguntas frequentes
Com que idade chega a menopausa no Brasil?
Em média aos 48 anos, segundo a FEBRASGO, que descreve a menopausa se manifestando em geral entre os 40 e os 55 anos. Quando a menstruação para de vez antes dos 40, o quadro é chamado de insuficiência ovariana prematura, ou menopausa precoce, e precisa de avaliação médica.
Qual a diferença entre menopausa e climatério?
Menopausa é uma data: a da última menstruação, confirmada apenas 12 meses depois, olhando para trás. Climatério é a fase de transição em volta dela, que pode durar vários anos antes e se estender pelos primeiros anos depois. Quando alguém diz que está sentindo os sintomas da menopausa, quase sempre está falando do climatério.
Terapia hormonal faz mal?
A pergunta certa não é se faz mal, é quando começa. A FEBRASGO indica iniciar nos primeiros dez anos após a menopausa ou antes dos 60 anos: nessa janela, e em mulheres saudáveis, o efeito cardiovascular é bastante favorável. Começar depois dos 60 e com mais de dez anos de menopausa pode aumentar o risco absoluto de doença cardiovascular, tromboembolismo venoso e AVC — e, nessa situação, como regra geral não é recomendada.
Quantas mulheres fazem terapia hormonal?
Cerca de 20% das mulheres no climatério, segundo a FEBRASGO. Ou seja, quatro em cada cinco não fazem — por contraindicação, por escolha ou, muitas vezes, por nunca ter tido a conversa. Não fazer é uma decisão legítima, desde que informada.
Existe tratamento para quem não pode usar hormônio?
Existe, e é a situação da maioria. A FEBRASGO cita medicações não hormonais para controle dos sintomas, além de orientação alimentar, atividade física e apoio psicológico quando necessário. A federação lembra que mulheres que tiveram câncer de mama, AVC ou infarto, por exemplo, não podem fazer reposição hormonal. Para o ressecamento vaginal há tratamentos locais; pergunte ao ginecologista se são uma opção no seu caso.
Preciso fazer exame de sangue para confirmar a menopausa?
A FEBRASGO define a menopausa pela data da última menstruação: só se pode dizer que ela chegou depois de 12 meses sem menstruar. Se a menstruação parou antes dos 40 anos ou o quadro foge do esperado, é o ginecologista quem decide se algum exame é necessário.
Ganhar peso na menopausa é inevitável?
Não é inevitável, e vale prevenir. A FEBRASGO afirma que evitar o ganho de peso e tratar a obesidade é fundamental, porque ambos podem piorar os sintomas do climatério antes e depois da menopausa. A federação recomenda uma dieta pobre em açúcar e gordura, com frutas, verduras, legumes, laticínios e carnes magras, também importante para prevenir a osteoporose, comum nessa fase.
Fontes consultadas
- 1.Menopausa: cerca de 17 milhões de mulheres no Brasil estão no climatério — FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
- 2.FEBRASGO apresenta novas diretrizes para a terapia de reposição hormonal durante climatério e menopausa — FEBRASGO, em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a SOBRAC
- 3.Terapia hormonal é uma opção para aliviar os sintomas da menopausa — FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
- 4.Prevenção do suicídio: onde buscar ajuda (CVV 188, CAPS, SAMU 192) — Ministério da Saúde


