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Libido Baixa: Causas, Fatores e Como Recuperar o Desejo

A redução do desejo foi o problema sexual mais comum em estudo com brasileiras de meia-idade citado pela FEBRASGO, em cerca de 60% delas. Veja as causas hormonais, psicológicas e de relacionamento e por que a testosterona virou alvo de alerta médico no fim de 2025.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·Atualizado em ·7 min de leitura

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Mulher alongando-se sobre um tapete de yoga, vista de cima
Mulher alongando-se sobre um tapete de yoga, vista de cima

Falta de vontade não é frescura, não é falha de caráter e, na maioria das vezes, não é "coisa da cabeça" no sentido pejorativo que a expressão carrega. É queixa médica com nome, causa investigável e tratamento — só raramente tratada como tal.

Números variam conforme o estudo e a forma de perguntar. A FEBRASGO cita um estudo populacional com mulheres brasileiras de meia-idade em que a redução do desejo foi o problema sexual mais frequente, identificado em cerca de 60% delas, e mais comum com o aumento da idade. Quando se exige sofrimento para fechar o diagnóstico de disfunção sexual, a federação cita prevalência de 17,6% entre as brasileiras. Em qualquer recorte, é queixa comum, não exceção.

Quando vira transtorno, e quando é só fase#

Existe um nome clínico: Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, ou TDSH. A definição não é "sentir menos vontade que antes" — é a deficiência ou ausência de fantasias sexuais e de desejo por atividade sexual que causa sofrimento acentuado ou dificuldade interpessoal.

Essa distinção importa mais do que parece. Nem toda oscilação de desejo é problema: semana estressante, período de sono ruim, uma fase específica da vida — tudo isso reduz a vontade sem configurar transtorno. O que separa uma coisa da outra é a persistência e, principalmente, o sofrimento que aquilo causa. Se a queda no desejo incomoda, gera culpa, tensiona o relacionamento ou afeta a autoestima, vale investigar — independentemente de "quanto" é considerado normal para outra pessoa.

As causas se misturam — raramente é uma coisa só#

A FEBRASGO descreve a sexualidade feminina como "muito caprichosa e multifacetada", com componentes fisiológicos, psicológicos e interpessoais atuando ao mesmo tempo. Na prática, isso significa que raramente existe uma causa única e isolada.

Hormonais#

Estrogênio, andrógenos (incluindo a testosterona), progesterona e uma cadeia de neurotransmissores — serotonina, dopamina, ocitocina, entre outros — participam da resposta sexual. A queda de estrogênio, mais acentuada na menopausa, causa atrofia e ressecamento vaginal, o que torna a relação dolorosa e, segundo a FEBRASGO, pode afetar todos os domínios da função sexual, inclusive o desejo.

E a testosterona? A nota conjunta de 2025 das sociedades médicas esclarece que ela não tem queda abrupta na menopausa, e sim redução gradual ao longo da vida adulta, que não existem valores de referência validados para definir "deficiência" na mulher e que essa suposta deficiência não é causa reconhecida de baixa libido.

Sistêmicas#

Sono insuficiente, sintomas vasomotores (os fogachos do climatério), alterações de humor, doenças crônicas e os medicamentos usados para tratá-las entram nessa categoria. Vale destacar um ponto que costuma passar despercebido: a nota conjunta de 2025 cita os efeitos de medicamentos, especialmente antidepressivos, entre as causas frequentes de queda da libido. Antes de pensar em hormônio, vale revisar com o médico se algo na farmácia de casa está contribuindo — sem suspender nada por conta própria.

Psicológicas e de relacionamento#

A qualidade do vínculo, o suporte emocional, a intimidade e a ausência ou presença de disfunção sexual no parceiro — como disfunção erétil não tratada — influenciam diretamente o desejo. Às vezes mais do que qualquer hormônio.

Bem-estar emocional, suporte social e depressão também entram aqui: a FEBRASGO cita evidências de que esses fatores psicossociais influenciam a função sexual.

O tratamento não começa por hormônio#

A nota conjunta de 2025 é clara sobre a ordem: antes de qualquer hormônio, devem ser avaliadas e tratadas as causas frequentes de queda da libido, como falta de estrogênio, síndrome urogenital da menopausa, depressão e outros transtornos psiquiátricos, efeitos de medicamentos, obesidade e fatores psicossociais ou do relacionamento. A FEBRASGO considera a abordagem multiprofissional a mais adequada.

Quando o problema central é ressecamento e dor, comuns no climatério, existem tratamentos locais com estrogênio, que a FEBRASGO cita entre as terapias prescritas para a atrofia vaginal. Quando o componente de relacionamento pesa mais que o físico, a conversa pode envolver psicólogo. E, quando o remédio em uso é o gatilho, a revisão é feita por quem prescreve.

Vale insistir neste ponto: a maior parte dos casos de queda de desejo não precisa de hormônio nenhum. Trata-se a causa, e o desejo costuma voltar.

O alerta de dezembro de 2025 sobre testosterona#

Este é o ponto mais importante para quem já ouviu falar de testosterona como solução rápida para libido baixa.

Em 10 de dezembro de 2025, três sociedades médicas brasileiras — a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a FEBRASGO e a Sociedade Brasileira de Cardiologia — publicaram nota conjunta sobre o uso de testosterona em mulheres. O texto é incomum pela urgência do tom.

A única indicação reconhecida é o tratamento do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo em mulheres na pós-menopausa, depois de um diagnóstico criterioso que exclua outras causas — hipoestrogenismo, depressão, fatores psicossociais. Não é indicação para mulher fora da menopausa, e não é primeira linha de tratamento.

O que a nota desaconselha ou veda: dosar testosterona para investigar "deficiência" — não existem valores de referência validados que justifiquem isso —, usar implantes subcutâneos manipulados, cuja farmacocinética é imprevisível, e usar o hormônio para fins estéticos, composição corporal ou como suposto antienvelhecimento, uso que, segundo o texto, é vedado pelo Conselho Federal de Medicina. A nota registra ainda que não existe no Brasil formulação de testosterona aprovada pela Anvisa para uso em mulheres.

Os riscos documentados do uso indiscriminado incluem virilização, toxicidade hepática, alterações psiquiátricas, infertilidade e repercussões cardiovasculares — hipertensão, arritmias, trombose, infarto e AVC.

O posicionamento das três sociedades é direto: a prescrição de testosterona deve se restringir estritamente à indicação formalmente reconhecida, e seu uso fora dela é potencialmente danoso.

Isso não invalida a terapia androgênica quando bem indicada. Em 2018, a FEBRASGO já reunia revisões segundo as quais a testosterona transdérmica é eficaz para a queda do desejo em mulheres na pós-menopausa, com a ressalva de que não havia respaldo para uso por mais de seis meses e de que a prescrição exige vigilância. O que a nota de 2025 combate é a banalização: aplicar em quem não tem o diagnóstico, sem exclusão de outras causas e sem acompanhamento dos riscos.

O que fazer antes de procurar hormônio#

Observar padrão: a queda é constante ou surgiu junto com algum evento — início de medicação, mudança na relação, período de mais estresse ou menos sono? Essa observação já direciona metade da investigação.

Conversar com quem prescreve os medicamentos em uso, sem suspender nada sozinho. Cuidar do que sustenta desejo de forma indireta — sono, atividade física, saúde mental — que também pesam sobre o desejo. E, se houver parceiro, trazer a conversa para dentro da relação, porque o desejo raramente é assunto de uma pessoa só.

Quando procurar ajuda profissional#

Se a queda de desejo causa sofrimento, culpa ou tensão na relação. Se coincide com início de novo medicamento. Se vem acompanhada de dor na relação sexual — sinal de possível causa física, não só de desejo. Se está na transição menopausal e os sintomas se acumulam. Ou, simplesmente, se você quer entender o que está acontecendo e não sabe por onde começar.

Ginecologista é a porta de entrada mais direta; dependendo do quadro, a investigação pode envolver também endocrinologista ou psicólogo especializado em sexualidade. O ponto central deste texto é este: existe tratamento, ele raramente é hormônio de primeira linha, e a decisão sobre qual caminho seguir pertence a quem tem diagnóstico na mão — não a quem promete solução rápida sem examinar a causa.

Se a falta de desejo vier junto com tristeza persistente, desesperança ou pensamentos de morte, procure ajuda no mesmo dia: o Ministério da Saúde indica o Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188 (gratuito, 24 horas), os CAPS e as unidades básicas de saúde e, numa emergência, o SAMU 192.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e a escolha do tratamento, inclusive de qualquer hormônio ou remédio, cabem ao profissional de saúde.

Perguntas frequentes

Falta de vontade de vez em quando já é transtorno?

Não. Variação de desejo é normal e esperada — estresse de uma semana ruim, cansaço, uma fase da vida. O Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo é definido como deficiência ou ausência persistente de fantasias e desejo por atividade sexual que causa sofrimento acentuado ou dificuldade no relacionamento. O critério que separa uma coisa da outra é o sofrimento e a persistência, não a frequência em si.

Testosterona resolve a falta de desejo?

Em um cenário específico, pode ajudar. A nota conjunta de dezembro de 2025 de três sociedades médicas brasileiras reconhece uma única indicação científica: Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo em mulheres na pós-menopausa, depois de descartadas outras causas como hipoestrogenismo, depressão e fatores psicossociais. Fora desse cenário específico, com diagnóstico e prescrição médica, a terapia é considerada uso indevido.

Por que existe alerta contra o uso de testosterona agora?

Porque o hormônio vem sendo usado fora da única indicação reconhecida, para estética, composição corporal ou como suposto antienvelhecimento, e às vezes em implantes subcutâneos manipulados, de farmacocinética imprevisível. A nota das sociedades médicas documenta riscos do uso indiscriminado: virilização, toxicidade hepática, alterações psiquiátricas, infertilidade e repercussões cardiovasculares como hipertensão, arritmias, trombose, infarto e AVC.

A menopausa é a principal causa de queda de desejo?

É um marco importante, mas não a única causa. A FEBRASGO descreve que a queda de estrogênio nessa fase causa atrofia e ressecamento vaginal, o que torna a relação dolorosa e pode afetar o desejo. Já a testosterona não cai de forma abrupta na menopausa, e a nota conjunta de 2025 de três sociedades médicas afirma que a 'deficiência de testosterona' não é causa reconhecida de baixa libido na mulher. Fatores sistêmicos (sono, doença crônica, medicação) e de relacionamento pesam em qualquer idade.

Antidepressivo pode ser a causa?

Pode. A nota conjunta de dezembro de 2025 da SBEM, da FEBRASGO e da Sociedade Brasileira de Cardiologia cita os efeitos de medicamentos, especialmente antidepressivos, entre as causas frequentes de diminuição da libido que devem ser avaliadas e tratadas antes de qualquer hormônio. Vale revisar com o médico se algum remédio em uso pode estar contribuindo, sem suspender por conta própria.

Problema no relacionamento pode causar queda de libido mesmo sem nada hormonal?

Sim, e com bastante peso. A FEBRASGO descreve a sexualidade feminina como multifacetada, com componente fisiológico, psicológico e interpessoal. Qualidade do vínculo, intimidade emocional, disfunção sexual do parceiro e ausência de suporte afetivo influenciam diretamente o desejo — às vezes mais do que qualquer hormônio.

Fontes consultadas

  1. 1.Nota Conjunta SBEM, FEBRASGO e SBC sobre o Uso de Testosterona na Mulher — Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, FEBRASGO e Sociedade Brasileira de Cardiologia
  2. 2.Terapia androgênica para o tratamento da disfunção sexual feminina — FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
  3. 3.Disfunções sexuais no climatério têm tratamento — FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
  4. 4.Prevenção do suicídio: onde buscar ajuda (CVV 188, CAPS, SAMU 192) — Ministério da Saúde
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