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Libido Baixa: Causas, Fatores e Como Recuperar o Desejo

A falta de desejo sexual atinge até 43% das mulheres em algumas faixas etárias, segundo estudos citados pela FEBRASGO. Veja as causas hormonais, psicológicas e de relacionamento — e por que a testosterona virou alvo de alerta médico no fim de 2025.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

Equipe editorial

Publicado em ·Atualizado em ·6 min de leitura

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Mulher alongando-se sobre um tapete de yoga, vista de cima
Mulher alongando-se sobre um tapete de yoga, vista de cima

Falta de vontade não é frescura, não é falha de caráter e, na maioria das vezes, não é "coisa da cabeça" no sentido pejorativo que a expressão carrega. É queixa médica com nome, causa investigável e tratamento — só raramente tratada como tal.

Números variam conforme o estudo e a faixa etária: levantamentos citados pela FEBRASGO em mulheres de 40 a 80 anos, em 29 países, encontraram entre 26% e 43% relatando o problema. Em outra referência sobre mulheres brasileiras de meia-idade, o número chega a 60%. A variação é grande porque depende de como e quem foi perguntado — mas em qualquer recorte, é queixa comum, não exceção.

Quando vira transtorno, e quando é só fase#

Existe um nome clínico: Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, ou TDSH. A definição não é "sentir menos vontade que antes" — é a deficiência ou ausência de fantasias sexuais e de desejo por atividade sexual que causa sofrimento acentuado ou dificuldade interpessoal.

Essa distinção importa mais do que parece. Nem toda oscilação de desejo é problema: semana estressante, período de sono ruim, uma fase específica da vida — tudo isso reduz a vontade sem configurar transtorno. O que separa uma coisa da outra é a persistência e, principalmente, o sofrimento que aquilo causa. Se a queda no desejo incomoda, gera culpa, tensiona o relacionamento ou afeta a autoestima, vale investigar — independentemente de "quanto" é considerado normal para outra pessoa.

As causas se misturam — raramente é uma coisa só#

A FEBRASGO descreve a sexualidade feminina como "muito caprichosa e multifacetada", com componentes fisiológicos, psicológicos e interpessoais atuando ao mesmo tempo. Na prática, isso significa que raramente existe uma causa única e isolada.

Hormonais#

Estrogênio, andrógenos (incluindo a testosterona), progesterona e uma cadeia de neurotransmissores — serotonina, dopamina, ocitocina, entre outros — participam da resposta sexual. A queda de estrogênio, mais acentuada na menopausa, causa atrofia e ressecamento vaginal, o que torna a relação dolorosa e reduz o desejo por associação — dói, então o corpo passa a evitar. O declínio de testosterona, que também cai gradualmente com a idade, afeta diretamente desejo e excitação.

Sistêmicas#

Sono insuficiente, sintomas vasomotores (os fogachos do climatério), alterações de humor, doenças crônicas e os medicamentos usados para tratá-las entram nessa categoria. Vale destacar um ponto que costuma passar despercebido: antidepressivos, anti-hipertensivos e alguns anticoncepcionais têm impacto reconhecido sobre o desejo sexual. Antes de investigar causa hormonal complexa, vale revisar com o médico se algo na farmácia de casa está contribuindo — sem suspender nada por conta própria.

Psicológicas e de relacionamento#

A qualidade do vínculo, o suporte emocional, a intimidade e a ausência ou presença de disfunção sexual no parceiro — como disfunção erétil não tratada — influenciam diretamente o desejo. Às vezes mais do que qualquer hormônio.

Ansiedade, sobrecarga mental e estresse crônico também entram aqui: o corpo em estado de alerta constante não prioriza desejo sexual, que biologicamente compete com sobrevivência e segurança por atenção do sistema nervoso.

O tratamento não começa por hormônio#

A FEBRASGO lista, entre as opções: identificar e tratar condições médicas ou psiquiátricas coexistentes, revisar medicações que possam estar interferindo, mudanças no estilo de vida, terapia sexual ou de casal, e — em casos específicos — terapia hormonal.

Terapia local com estrogênio ajuda quando o problema central é ressecamento e dor, comum no climatério. Terapia de casal entra quando o componente de relacionamento pesa mais que o físico. E mudança de medicação, quando o remédio em uso é o gatilho, costuma ser resolvida com simples ajuste de dose ou troca de classe, sob orientação médica.

Vale insistir neste ponto: a maior parte dos casos de queda de desejo não precisa de hormônio nenhum. Trata-se a causa, e o desejo costuma voltar.

O alerta de dezembro de 2025 sobre testosterona#

Este é o ponto mais importante para quem já ouviu falar de testosterona como solução rápida para libido baixa.

Em 10 de dezembro de 2025, três sociedades médicas brasileiras — a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a FEBRASGO e a Sociedade Brasileira de Cardiologia — publicaram nota conjunta sobre o uso de testosterona em mulheres. O texto é incomum pela urgência do tom.

A única indicação reconhecida é o tratamento do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo em mulheres na pós-menopausa, depois de um diagnóstico criterioso que exclua outras causas — hipoestrogenismo, depressão, fatores psicossociais. Não é indicação para mulher fora da menopausa, e não é primeira linha de tratamento.

O que a nota proíbe explicitamente: dosar testosterona para investigar "deficiência" sem indicação formal — não existe faixa de referência validada que justifique isso —, usar implantes subcutâneos manipulados, cuja farmacocinética é imprevisível, e usar o hormônio para fins estéticos, composição corporal ou como suposto antienvelhecimento.

Os riscos documentados do uso indiscriminado incluem virilização, toxicidade hepática, alterações psiquiátricas, infertilidade e repercussões cardiovasculares — hipertensão, arritmias, trombose, infarto e AVC.

A nota existe porque o uso fora da indicação reconhecida cresceu, puxado por clínicas de estética e por promessa de "mais energia e mais libido" sem o diagnóstico que sustentaria a prescrição. O posicionamento das três sociedades é direto: a prescrição de testosterona deve se restringir estritamente à indicação formalmente reconhecida, e seu uso fora dela é potencialmente danoso.

Isso não invalida a terapia androgênica quando bem indicada — para a mulher pós-menopausa certa, com diagnóstico correto e acompanhamento, ela tem respaldo científico documentado desde 2018 pela própria FEBRASGO, incluindo redução de dor na relação e aumento da disponibilidade para o sexo. O que a nota de 2025 combate é a banalização: aplicar em quem não tem o diagnóstico, sem exclusão de outras causas, e sem acompanhamento dos riscos.

O que fazer antes de procurar hormônio#

Observar padrão: a queda é constante ou surgiu junto com algum evento — início de medicação, mudança na relação, período de mais estresse ou menos sono? Essa observação já direciona metade da investigação.

Conversar com quem prescreve os medicamentos em uso, sem suspender nada sozinho. Cuidar do que sustenta desejo de forma indireta — sono, atividade física, saúde mental — que impactam mais a libido do que costuma-se supor. E, se houver parceiro, trazer a conversa para dentro da relação, porque o desejo raramente é assunto de uma pessoa só.

Quando procurar ajuda profissional#

Se a queda de desejo causa sofrimento, culpa ou tensão na relação. Se coincide com início de novo medicamento. Se vem acompanhada de dor na relação sexual — sinal de possível causa física, não só de desejo. Se está na transição menopausal e os sintomas se acumulam. Ou, simplesmente, se você quer entender o que está acontecendo e não sabe por onde começar.

Ginecologista é a porta de entrada mais direta; dependendo do quadro, a investigação pode envolver também endocrinologista ou psicólogo especializado em sexualidade. O ponto central deste texto é este: existe tratamento, ele raramente é hormônio de primeira linha, e a decisão sobre qual caminho seguir pertence a quem tem diagnóstico na mão — não a quem promete solução rápida sem examinar a causa.

Perguntas frequentes

Falta de vontade de vez em quando já é transtorno?

Não. Variação de desejo é normal e esperada — estresse de uma semana ruim, cansaço, uma fase da vida. O Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo é definido como deficiência ou ausência persistente de fantasias e desejo por atividade sexual que causa sofrimento acentuado ou dificuldade no relacionamento. O critério que separa uma coisa da outra é o sofrimento e a persistência, não a frequência em si.

Testosterona resolve a falta de desejo?

Em um cenário específico, pode ajudar. A nota conjunta de dezembro de 2025 de três sociedades médicas brasileiras reconhece uma única indicação científica: Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo em mulheres na pós-menopausa, depois de descartadas outras causas como hipoestrogenismo, depressão e fatores psicossociais. Fora desse cenário específico, com diagnóstico e prescrição médica, a terapia é considerada uso indevido.

Por que existe alerta contra o uso de testosterona agora?

Porque cresceu o uso fora da indicação reconhecida — para estética, composição corporal ou como suposto antienvelhecimento, muitas vezes com implantes subcutâneos manipulados, de farmacocinética imprevisível. A nota das sociedades médicas documenta riscos do uso indiscriminado: virilização, toxicidade hepática, alterações psiquiátricas, infertilidade e repercussões cardiovasculares como hipertensão, arritmias, trombose, infarto e AVC.

A menopausa é a principal causa de queda de desejo?

É um marco importante, mas não a única causa. A FEBRASGO descreve que a queda de estrogênio nessa fase causa atrofia e ressecamento vaginal, o que torna a relação dolorosa e reduz o desejo por associação — e o declínio de testosterona, que também cai com a idade, afeta desejo e excitação. Mas fatores sistêmicos (sono, doença crônica, medicação) e de relacionamento pesam em qualquer idade, não só no climatério.

Antidepressivo pode ser a causa?

Pode, e é uma das causas mais subestimadas. Vários medicamentos de uso comum — antidepressivos, anti-hipertensivos, alguns anticoncepcionais — têm impacto reconhecido sobre o desejo sexual. Antes de investigar hipótese hormonal complexa, vale revisar com o médico se algum medicamento em uso pode estar contribuindo, sem suspender por conta própria.

Problema no relacionamento pode causar queda de libido mesmo sem nada hormonal?

Sim, e com bastante peso. A FEBRASGO descreve a sexualidade feminina como multifacetada, com componente fisiológico, psicológico e interpessoal. Qualidade do vínculo, intimidade emocional, disfunção sexual do parceiro e ausência de suporte afetivo influenciam diretamente o desejo — às vezes mais do que qualquer hormônio.

Fontes consultadas

  1. 1.Nota Conjunta SBEM, FEBRASGO e SBC sobre o Uso de Testosterona na MulherSociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, FEBRASGO e Sociedade Brasileira de Cardiologia
  2. 2.Terapia androgênica para o tratamento da disfunção sexual femininaFEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
  3. 3.Disfunções sexuais no climatério têm tratamentoFEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia