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Disfunção Erétil: Por Que Ela é um Alerta Cardiovascular

A prevalência se aproxima de 50% depois dos 40 anos no Brasil, cerca de 16 milhões de homens, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia. E a artéria do pênis entope antes da do coração — por isso o sintoma costuma vir primeiro.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

Equipe editorial

Publicado em ·Atualizado em ·5 min de leitura

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Homem sentado de costas diante de um vale
Homem sentado de costas diante de um vale

Há uma informação sobre disfunção erétil que muda a conversa inteira, e ela é anatômica: a artéria do pênis tem cerca de um terço do calibre da artéria coronária. Como é mais estreita, ela obstrui primeiro.

Isso significa que o mesmo processo que um dia pode causar um infarto costuma dar sinal na cama antes de dar sinal no peito. A disfunção erétil não é apenas um problema sexual — em muitos casos é o primeiro sintoma perceptível de uma doença vascular em curso.

É a razão pela qual este texto trata o assunto como questão cardiovascular, e não como tema de intimidade.

O tamanho do problema#

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, no Brasil "a prevalência se aproxima de 50% após os 40 anos, algo em torno de 16 milhões de homens".

Uma pesquisa da própria entidade, feita em outubro de 2014 com 1.506 entrevistados de 40 a 69 anos das classes ABC de todas as regiões do país, encontrou que:

  • 59% já tiveram problema de ereção
  • 12% convivem com a dificuldade de forma recorrente

O primeiro número mostra que a experiência ocasional é quase universal. O segundo é o que define o problema clínico.

O que é, exatamente#

A definição da SBU: "a incapacidade de o homem conseguir obter e manter uma ereção do pênis suficiente que possibilite uma atividade sexual satisfatória".

E a ressalva que evita alarme desnecessário: "nem sempre o fato de não conseguir ter uma ereção adequada se traduz em disfunção erétil, porém se isso ocorrer de forma frequente, o ideal é consultar um médico urologista".

Cansaço, álcool, ansiedade e uma noite ruim explicam episódios isolados. O que caracteriza a condição é a repetição.

As causas#

A SBU organiza as causas em seis grupos:

Circulatórias — a mais frequente. Doenças cardiovasculares, diabetes, colesterol elevado e tabagismo comprometem o fluxo de sangue de que a ereção depende diretamente.

Neurológicas — cerca de 20% dos casos, segundo a entidade.

Anatômicas ou estruturais.

Hormonais — distúrbios que afetam testosterona e outros eixos.

Induzida por medicamentos ou drogas.

Psicológicas — ansiedade de desempenho, depressão, estresse. É a causa que predomina em homens jovens, e a que mais se beneficia de abordagem psicológica.

Uma observação prática sobre a última: nem sempre a causa é uma só. Uma alteração circulatória inicial produz uma falha, a falha produz ansiedade, e a ansiedade passa a produzir as falhas seguintes por conta própria. É por isso que tratar apenas o componente psicológico, sem investigar o resto, resolve menos do que parece — e o contrário também vale.

Os números que ligam ao resto do corpo#

Segundo a SBU:

  • Aproximadamente 50% dos pacientes com diabetes têm algum grau de disfunção erétil
  • Aproximadamente 38% dos pacientes com doenças cardiovasculares também

Somados à explicação do calibre arterial, esses números fecham o raciocínio: disfunção erétil e doença cardiovascular são frequentemente a mesma doença, vista em dois momentos.

Um homem de 45 anos que procura o consultório por causa de ereção e sai com diagnóstico de hipertensão, diabetes ou dislipidemia não teve azar. Teve sorte de ter procurado.

O tratamento — e o alerta que veio junto#

A SBU afirma que a disfunção erétil "é sempre tratável", mas que o tratamento "deve ser individualizado para cada paciente". As frentes são três: não farmacológica (aconselhamento psicológico), farmacológica e, em casos selecionados, cirúrgica, com próteses penianas.

O ponto que mudou recentemente é o cuidado com a via farmacológica.

Em 5 de setembro de 2025, a Anvisa emitiu alerta sobre o uso indiscriminado de sildenafila, tadalafila, vardenafila, udenafila e lodenafila. Os riscos listados não são efeitos colaterais menores:

"infarto, acidente vascular cerebral (AVC), hipotensão (pressão baixa), perda de visão ou audição, além de dependência psicológica"

A agência também alerta para a "comercialização irregular de produtos contendo essas substâncias, como gomas e suplementos", e reforça que essas formulações "não têm aprovação para uso em atividades físicas, ganho de massa muscular ou aumento de desempenho sexual".

As orientações da Anvisa à população são diretas: não usar preparações manipuladas sem prescrição, não usar produtos não regularizados pela agência, e nunca usar produtos de empresas não autorizadas e licenciadas.

Há uma ironia amarga nesse ponto. O medicamento que trata um sintoma de doença vascular pode, usado sem avaliação, precipitar exatamente o evento vascular que o sintoma anunciava. É por isso que a Anvisa insiste na avaliação clínica antes da prescrição e no monitoramento de interações medicamentosas — e por que comprar por fora é a pior forma de tratar essa condição específica.

Prevenção#

A lista da SBU é curta e não tem novidade: "ter atividade física regular, evitar consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas, alimentar-se de forma regrada e saudável são as chaves para prevenção". A entidade acrescenta manter o peso na faixa normal, dormir bem e controlar diabetes e hipertensão.

Cada item dessa lista é, ao mesmo tempo, prevenção de doença cardiovascular. Não é coincidência — é o mesmo alvo.

O obstáculo real#

O maior problema dessa condição não é a falta de tratamento. É o tempo que se leva até procurar.

Duas crenças atrasam a busca: a de que "é coisa da idade e não tem jeito" e a de que falar sobre isso é admitir alguma falha pessoal. A primeira é falsa — a SBU diz que a condição é sempre tratável. A segunda custa caro, porque transforma um sinal de alerta cardiovascular em segredo.

Se a dificuldade se repete, o encaminhamento é o urologista. E vale ir com a pergunta certa na cabeça: não é só "como resolver isso", é "o que isso está me dizendo sobre a minha circulação".

Para o contexto mais amplo do desejo e da resposta sexual, veja libido baixa: causas e como recuperar o desejo.

Perguntas frequentes

Falhar uma vez é disfunção erétil?

Não. A Sociedade Brasileira de Urologia é explícita: "nem sempre o fato de não conseguir ter uma ereção adequada se traduz em disfunção erétil, porém se isso ocorrer de forma frequente, o ideal é consultar um médico urologista". A definição é a incapacidade de obter e manter ereção suficiente para atividade sexual satisfatória — e a palavra que pesa é frequência, não episódio.

Quantos homens têm?

Segundo a SBU, no Brasil "a prevalência se aproxima de 50% após os 40 anos, algo em torno de 16 milhões de homens". Uma pesquisa da própria entidade, feita em 2014 com 1.506 entrevistados de 40 a 69 anos, encontrou que 59% já tiveram problema de ereção, e que 12% convivem com a dificuldade de forma recorrente.

Por que dizem que é sinal de problema no coração?

Por uma razão anatômica. A artéria do pênis tem calibre bem menor que a coronária — cerca de um terço —, então a mesma placa de gordura que ainda não obstrui o vaso do coração já compromete o do pênis. O sintoma sexual aparece primeiro. É por isso que a SBU trata a disfunção erétil como marcador de doença coronariana, e não como assunto isolado.

Posso comprar o remédio sem receita?

Não, e a Anvisa emitiu alerta específico sobre isso em setembro de 2025. O uso indiscriminado de sildenafila, tadalafila, vardenafila, udenafila e lodenafila é associado a "infarto, acidente vascular cerebral (AVC), hipotensão (pressão baixa), perda de visão ou audição, além de dependência psicológica". A agência orienta não usar preparações manipuladas sem prescrição nem produtos não regularizados.

Aquelas balas e suplementos de farmácia funcionam?

A Anvisa alerta justamente para a "comercialização irregular de produtos contendo essas substâncias, como gomas e suplementos", e reforça que tais formulações "não têm aprovação para uso em atividades físicas, ganho de massa muscular ou aumento de desempenho sexual". Produto que promete efeito de medicamento sem ser medicamento é problema regulatório e risco à saúde.

Tem cura?

A SBU afirma que a disfunção erétil é sempre tratável, com tratamento individualizado. As opções vão do aconselhamento psicológico ao tratamento farmacológico e, em casos selecionados, cirúrgico, com próteses penianas. Mas o passo que mais muda o desfecho não é escolher o tratamento: é investigar a causa, porque em boa parte dos casos ela é circulatória e diz respeito à saúde do corpo inteiro.

Fontes consultadas

  1. 1.Disfunção erétil: conheça causas, sintomas, prevenção e tratamentosPortal da Urologia — Sociedade Brasileira de Urologia
  2. 2.59% dos homens afirmam ter tido dificuldade de ereçãoPortal da Urologia — Sociedade Brasileira de Urologia
  3. 3.Anvisa emite alerta sobre uso indiscriminado de medicamentos para disfunção erétilAnvisa — Agência Nacional de Vigilância Sanitária