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Disfunção Erétil: Por Que Ela é um Alerta Cardiovascular

A prevalência se aproxima de 50% depois dos 40 anos no Brasil, cerca de 16 milhões de homens, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia. E a entidade trata a disfunção erétil como possível primeiro sinal de doença do sistema circulatório.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·Atualizado em ·7 min de leitura

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Homem sentado de costas diante de um vale
Homem sentado de costas diante de um vale

Há uma informação sobre disfunção erétil que muda a conversa inteira: a ereção depende diretamente do fluxo de sangue para o pênis. Por isso, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a dificuldade de ereção "pode ser o primeiro sinal para outras doenças do sistema circulatório".

Isso significa que diabetes, hipertensão e colesterol alto podem dar sinal na cama antes de dar sinal em outro lugar. A disfunção erétil não é apenas um problema sexual: a SBU registra que ela passou a ser considerada um indicador de doenças cardiovasculares.

É a razão pela qual este texto trata o assunto como questão cardiovascular, e não como tema de intimidade.

O tamanho do problema#

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, no Brasil "a prevalência se aproxima de 50% após os 40 anos, algo em torno de 16 milhões de homens".

Uma pesquisa da própria entidade, feita em outubro de 2014 com 1.506 entrevistados de 40 a 69 anos das classes ABC de todas as regiões do país, encontrou que:

  • 59% dos homens já tiveram problema de ereção
  • desses, 12% convivem com a dificuldade de forma recorrente

O primeiro número mostra que a experiência ocasional é quase universal. O segundo é o que define o problema clínico.

O que é, exatamente#

A definição da SBU: "a incapacidade de o homem conseguir obter e manter uma ereção do pênis suficiente que possibilite uma atividade sexual satisfatória".

E a ressalva que evita alarme desnecessário: "nem sempre o fato de não conseguir ter uma ereção adequada se traduz em disfunção erétil, porém se isso ocorrer de forma frequente, o ideal é consultar um médico urologista".

Cansaço, álcool, ansiedade e uma noite ruim explicam episódios isolados. O que caracteriza a condição é a repetição.

As causas#

A SBU organiza as causas em seis grupos:

Circulatórias — a mais frequente. Doenças cardiovasculares, diabetes, colesterol elevado e tabagismo comprometem o fluxo de sangue de que a ereção depende diretamente.

Neurológicas — até 20% dos casos, segundo a entidade, como esclerose múltipla, doença de Parkinson, AVC e traumatismos.

Anatômicas ou estruturais.

Hormonais — distúrbios que afetam testosterona e outros eixos.

Induzida por medicamentos ou drogas.

Psicológicas — ansiedade, depressão, estresse. Segundo a SBU, afetam mais os adultos jovens; para esses casos, a entidade recomenda psicoterapia, associada ou não a medicação, com psicólogo ou psiquiatra.

Uma observação prática sobre a última: nem sempre a causa é uma só. Uma alteração circulatória inicial produz uma falha, a falha produz ansiedade, e a ansiedade passa a produzir as falhas seguintes por conta própria. É por isso que tratar apenas o componente psicológico, sem investigar o resto, resolve menos do que parece — e o contrário também vale.

O que liga a ereção ao resto do corpo#

A SBU lista entre as causas circulatórias as doenças cardiovasculares (hipertensão, doença arterial coronariana), o diabetes, o colesterol elevado e o tabagismo, além de cirurgia ou radioterapia prévias na pelve. Na avaliação, a entidade recomenda exame físico completo, com medida da pressão, e exames como glicemia, testosterona total e perfil lipídico, conforme a queixa.

Um homem de 45 anos que procura o consultório por causa de ereção e sai com diagnóstico de hipertensão, diabetes ou dislipidemia não teve azar. Teve sorte de ter procurado.

O tratamento — e o alerta que veio junto#

A SBU afirma que o tratamento depende das causas e que mudanças no estilo de vida são imprescindíveis a todos os homens. As frentes são três: não farmacológica (aconselhamento psicológico ou psiquiátrico), farmacológica e cirúrgica, com próteses penianas em casos específicos ou que não respondem aos remédios. A entidade lembra que os medicamentos devem ser usados somente sob supervisão médica.

Há uma combinação contraindicada. Quem usa remédio com nitrato para o coração, como nitroglicerina ou dinitrato de isossorbida, ou inala nitrito de amila (o "poppers"), não pode tomar sildenafila nem tadalafila, segundo as bulas desses medicamentos: os dois juntos aumentam o efeito de baixar a pressão e podem derrubá-la de forma perigosa. Conte ao médico todos os remédios e substâncias que você usa antes de receber a receita.

O ponto que mudou recentemente é o cuidado com a via farmacológica.

Em 5 de setembro de 2025, a Anvisa emitiu alerta sobre o uso indiscriminado de sildenafila, tadalafila, vardenafila, udenafila e lodenafila. Os riscos listados não são efeitos colaterais menores:

"infarto, acidente vascular cerebral (AVC), hipotensão (pressão baixa), perda de visão ou audição, além de dependência psicológica"

A agência também alerta para a "comercialização irregular de produtos contendo essas substâncias, como gomas e suplementos", e reforça que essas formulações "não têm aprovação para uso em atividades físicas, ganho de massa muscular ou aumento de desempenho sexual".

As orientações da Anvisa à população são diretas: não usar preparações manipuladas sem prescrição, não usar produtos não regularizados pela agência, e nunca usar produtos de empresas não autorizadas e licenciadas.

Há uma ironia amarga nesse ponto. O medicamento que trata um sintoma de doença vascular pode, usado sem avaliação, precipitar exatamente o evento vascular que o sintoma anunciava. É por isso que a Anvisa insiste na avaliação clínica antes da prescrição e no monitoramento de interações medicamentosas — e por que comprar por fora é a pior forma de tratar essa condição específica.

Prevenção#

A lista da SBU é curta e não tem novidade: "ter atividade física regular, evitar consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas, alimentar-se de forma regrada e saudável são as chaves para prevenção". A entidade acrescenta manter o peso na faixa normal, dormir bem e controlar diabetes e hipertensão.

Cada item dessa lista é, ao mesmo tempo, prevenção de doença cardiovascular. Não é coincidência — é o mesmo alvo. O tabaco, em particular, tem tratamento gratuito no SUS: veja como parar de fumar com os métodos mais eficazes.

O obstáculo real#

O maior problema dessa condição não é a falta de tratamento. É o tempo que se leva até procurar.

Duas crenças atrasam a busca: a de que "é coisa da idade e não tem jeito" e a de que falar sobre isso é admitir alguma falha pessoal. A primeira é falsa: a SBU diz que, na maioria das vezes, as doenças associadas à disfunção erétil podem ser controladas e tratadas. A segunda custa caro, porque transforma um sinal de alerta cardiovascular em segredo.

Se a dificuldade se repete, o encaminhamento é o urologista. E vale ir com a pergunta certa na cabeça: não é só "como resolver isso", é "o que isso está me dizendo sobre a minha circulação".

Quando procurar atendimento?#

  • Dificuldade de ereção que se repete: a SBU orienta consultar um urologista quando a falha é frequente, e não um episódio isolado. A unidade básica de saúde também é porta de entrada.
  • Ereção difícil junto com diabetes, pressão alta, colesterol alto ou tabagismo: é a combinação que a SBU liga às doenças do sistema circulatório, e vale avaliação clínica completa.
  • Ereção que dura quatro horas ou mais: é urgência. As bulas da sildenafila e da tadalafila orientam procurar atendimento médico imediato, porque, sem tratamento rápido, pode haver lesão no tecido do pênis e perda permanente da ereção.
  • Efeito grave depois de usar remédio para ereção: a Anvisa lista infarto, AVC, queda de pressão e perda de visão ou audição entre os efeitos graves do uso sem prescrição. Dor no peito, fraqueza ou fala enrolada de repente, desmaio ou perda súbita de visão ou audição são urgência: ligue para o SAMU 192.

Para o contexto mais amplo do desejo e da resposta sexual, veja libido baixa: causas e como recuperar o desejo. E sobre o outro exame que gera dúvida nessa faixa etária — o PSA, e por que ele não é rotina automática —, veja exames preventivos: quais fazer em cada fase da vida.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico da causa e a escolha do tratamento, inclusive de qualquer remédio e da dose, são do profissional de saúde.

Perguntas frequentes

Falhar uma vez é disfunção erétil?

Não. A Sociedade Brasileira de Urologia é explícita: "nem sempre o fato de não conseguir ter uma ereção adequada se traduz em disfunção erétil, porém se isso ocorrer de forma frequente, o ideal é consultar um médico urologista". A definição é a incapacidade de obter e manter ereção suficiente para atividade sexual satisfatória — e a palavra que pesa é frequência, não episódio.

Quantos homens têm?

Segundo a SBU, no Brasil "a prevalência se aproxima de 50% após os 40 anos, algo em torno de 16 milhões de homens". Uma pesquisa da própria entidade, feita em 2014 com 1.506 entrevistados de 40 a 69 anos, encontrou que 59% dos homens já tiveram problema de ereção e, desses, 12% convivem com a dificuldade de forma recorrente.

Por que dizem que é sinal de problema no coração?

Porque a ereção depende diretamente do fluxo de sangue para o pênis. A Sociedade Brasileira de Urologia explica que, se o sistema circulatório é afetado por diabetes, hipertensão ou colesterol alto, isso pode gerar o problema de ereção, e que a disfunção erétil pode ser o primeiro sinal de outras doenças do sistema circulatório. Por isso ela passou a ser considerada um indicador de doenças cardiovasculares, e não um assunto isolado.

Posso comprar o remédio sem receita?

Não, e a Anvisa emitiu alerta específico sobre isso em setembro de 2025. O uso indiscriminado de sildenafila, tadalafila, vardenafila, udenafila e lodenafila é associado a "infarto, acidente vascular cerebral (AVC), hipotensão (pressão baixa), perda de visão ou audição, além de dependência psicológica". A agência orienta não usar preparações manipuladas sem prescrição nem produtos não regularizados.

Aquelas balas e suplementos de farmácia funcionam?

A Anvisa alerta justamente para a "comercialização irregular de produtos contendo essas substâncias, como gomas e suplementos", e reforça que tais formulações "não têm aprovação para uso em atividades físicas, ganho de massa muscular ou aumento de desempenho sexual". Produto que promete efeito de medicamento sem ser medicamento é problema regulatório e risco à saúde.

Tem cura?

Tem tratamento. A SBU afirma que, na maioria das vezes, as doenças associadas à disfunção erétil podem ser controladas e tratadas, e que o tratamento depende da causa. As opções vão do aconselhamento psicológico aos medicamentos e, em casos específicos, à cirurgia com prótese peniana. O passo que mais muda o desfecho é investigar a causa, porque muitas vezes ela é circulatória e diz respeito à saúde do corpo inteiro.

Fontes consultadas

  1. 1.Disfunção erétil: conheça causas, sintomas, prevenção e tratamentos — Portal da Urologia — Sociedade Brasileira de Urologia
  2. 2.59% dos homens afirmam ter tido dificuldade de ereção — Portal da Urologia — Sociedade Brasileira de Urologia
  3. 3.Anvisa emite alerta sobre uso indiscriminado de medicamentos para disfunção erétil — Anvisa — Agência Nacional de Vigilância Sanitária
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