Pular para o conteúdo
Blog com Saúde
Gravidez

Alimentação na gravidez: o que comer e o que evitar

O Ministério da Saúde não pede dieta perfeita na gestação: pede comida de verdade, arroz com feijão, ferro junto com vitamina C, nenhum álcool e nada cru ou malpassado. Veja as porções diárias do Caderno nº 32, o ferro e o ácido fólico que o SUS oferece e o que evitar, com o porquê.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

Texto produzido com inteligência artificial

Revisão técnica

Sem revisão profissional

Como este texto foi produzido

Publicado em ·10 min de leitura

Tamanho do texto
Tigela de madeira vista de cima com arroz branco, frango grelhado fatiado, feijão vermelho, milho, vinagrete de tomate e abacate
Tigela de madeira vista de cima com arroz branco, frango grelhado fatiado, feijão vermelho, milho, vinagrete de tomate e abacate

Grávida ouve muito palpite sobre comida: coma por dois, corte o café, tome tal vitamina, não coma isso ou aquilo. O Ministério da Saúde responde com menos regras do que se imagina. A Caderneta da Gestante 2026 diz que alimentação saudável na gravidez "não significa comer 'perfeito', nem seguir dietas difíceis", e sim "fazer escolhas melhores dentro do que é possível na sua realidade". Abaixo, o que comer, quanto, o que o SUS oferece e o que evitar, com o motivo de cada proibição.

O que o Ministério da Saúde orienta comer na gravidez?#

A base é a mesma do Guia Alimentar para a População Brasileira, que tem uma "regra de ouro": preferir sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados. Na prática, comida feita em casa vale mais do que produto pronto para aquecer.

A Caderneta 2026 traduz isso para a gestante. Prefira:

  • frutas inteiras, em vez de suco;
  • verduras e legumes, frescos, congelados ou da época, crus em salada (bem higienizados) ou cozidos, refogados e assados;
  • arroz, feijão, milho, mandioca, inhame, batata-doce e outros grãos e tubérculos da sua região;
  • carnes frescas, frango, peixe, ovos, leite e derivados simples;
  • comida preparada em casa, sempre que der.

E evite os ultraprocessados: refrigerantes e bebidas adoçadas, salgadinhos de pacote, biscoito recheado, macarrão instantâneo, embutidos como salsicha, presunto e peito de peru, e comidas, temperos e molhos prontos. Pequenas trocas já contam, segundo a Caderneta: água no lugar de refrigerante, arroz com feijão todos os dias e temperos naturais, como alho, cebola e cheiro-verde.

Quanto comer de cada grupo por dia?#

O Caderno de Atenção Básica nº 32 traz uma adaptação dos "Dez Passos para uma Alimentação Saudável para Gestantes". O primeiro é sobre ritmo: pelo menos três refeições e dois lanches por dia, sem ficar mais de três horas sem comer, e água entre as refeições, pelo menos 2 litros (6 a 8 copos). A calculadora de ingestão de água mostra a referência para gestantes. Estômago vazio por muito tempo favorece náusea e fraqueza, diz o Caderno; para o enjoo, veja o texto sobre enjoo na gravidez.

As porções sugeridas pelo Caderno nº 32 são estas:

GrupoPorções por diaExemplo de uma porção
Cereais, raízes e tubérculos64 colheres de sopa de arroz ou 1 pão francês
Verduras e legumes315 folhas de alface ou 4 fatias de tomate
Frutas31 banana-prata ou 1 laranja-pera
Feijões11 concha de feijão cozido
Leite e derivados31 copo (de requeijão) de leite ou 1 fatia grande de queijo minas
Carnes, peixes e ovos11 filé de frango grelhado ou 1 omelete simples
Óleos e gordurasno máximo 11 colher de sopa de óleo ou azeite
Açúcares e docesno máximo 11 colher de sopa de açúcar

Dois detalhes ajudam a montar o prato. O Caderno recomenda arroz com feijão todos os dias ou pelo menos cinco vezes na semana, na proporção de uma parte de feijão para duas de arroz. As porções são referência: gestantes adolescentes, com baixo peso ou com excesso de peso precisam de orientação individual.

Ferro, ácido fólico e cálcio: o que vem do prato e o que vem do SUS?#

Ferro. A anemia, causada principalmente pela falta de ferro, está associada na gestação a maior risco de morte para a mãe e o bebê, parto prematuro e baixo peso ao nascer, segundo o Caderno nº 32. O manual do Programa Nacional de Suplementação de Ferro explica que há dois tipos de ferro: o das carnes, vísceras, aves e peixes, mais bem absorvido, e o dos vegetais, como feijão, lentilha e folhas verde-escuras, que é absorvido com mais dificuldade. Para aproveitar melhor o ferro vegetal, o truque é comer na mesma refeição uma fruta rica em vitamina C, como laranja, acerola, limão ou caju.

Fruteira de madeira cheia de tangerinas e laranjas, com duas bananas por cima
Laranja, acerola, limão ou caju na mesma refeição ajudam o corpo a aproveitar o ferro do feijão e das folhas verde-escuras. · Foto: Unsplash

Suplementos que o SUS oferece. O Programa Nacional de Suplementação de Ferro prevê ferro para todas as gestantes desde o início do pré-natal, em qualquer idade gestacional, até o terceiro mês depois do parto, e ácido fólico durante a gestação. Os dois devem estar disponíveis de graça nas farmácias das unidades básicas de saúde. O ácido fólico, segundo o manual, deve começar pelo menos 30 dias antes da data em que se planeja engravidar, para prevenir defeitos do tubo neural, e seguir até o fim da gravidez. A OMS também recomenda ferro e ácido fólico diários no pré-natal. Uma ressalva: o Caderno nº 32, da mesma época, fala em ferro a partir da 20ª semana. Por isso, quem decide quando começar, a dose e o tempo de uso é a equipe que acompanha você.

O manual avisa que o ferro pode causar vômito, diarreia, prisão de ventre, fezes escuras e cólica, e pede que a gestante seja orientada a manter o esquema até o fim. Se o efeito incomodar, fale com a equipe antes de parar. Quem já tem anemia recebe tratamento prescrito pelo profissional, e não a dose de prevenção. O guia de pré-natal no SUS mostra em que momento o hemograma é pedido.

Cálcio e iodo. Leite e derivados são as principais fontes de cálcio, diz o Caderno nº 32, que sugere não misturar café ou achocolatado ao leite, porque eles reduzem o aproveitamento do mineral. O texto sobre alimentos ricos em cálcio mostra outras fontes. Para o iodo, a orientação é usar só sal iodado e nunca sal destinado a animais, que não tem iodo.

O que evitar na gravidez e por quê?#

Álcool: nenhuma dose#

O Manual de Gestação de Alto Risco, de 2022, é direto: "até o momento não se identificou a dose segura do consumo de álcool na gestação". O álcool atravessa rapidamente a placenta, e o feto o elimina a uma taxa de apenas 3% a 4% da taxa da mãe, o que prolonga a exposição. O manual descreve efeitos em todos os trimestres, de malformações no início a prejuízo ao crescimento no fim, e lembra que o álcool passa para o leite materno. A conta segura é zero.

Carnes cruas, embutidos crus e leite não pasteurizado#

O motivo principal é a toxoplasmose, que costuma não dar sintoma na mãe e pode atingir o bebê. A lista de prevenção do Caderno nº 32 vale para todas as gestantes:

  • não comer carnes cruas, malcozidas ou malpassadas, incluindo embutidos como salame e copa;
  • não consumir leite e derivados crus, não pasteurizados, de vaca ou de cabra;
  • lavar as mãos e as superfícies depois de mexer em carne crua;
  • evitar contato com terra de jardim (ou usar luvas) e com fezes de gato, e pedir que outra pessoa limpe a caixa de areia.

Café, chá preto e mate#

A OMS recomenda que gestantes com consumo alto de cafeína, acima de 300 mg por dia, reduzam a quantidade, para diminuir o risco de perda da gestação e de baixo peso ao nascer. O Caderno nº 32 vai além: café, chá preto e mate não substituem a água, dificultam o aproveitamento de alguns nutrientes e devem ser evitados.

Peixe: sim, com atenção à origem#

O Caderno nº 32 estimula peixe fresco pelo menos duas vezes por semana, de água doce ou salgada, sempre bem cozido. A ressalva vem da página do Ministério da Saúde sobre mercúrio: o metilmercúrio se acumula nos peixes, sobretudo nos predadores, o garimpo ilegal contamina rios da Amazônia, e gestantes que comem peixe com frequência estão entre as pessoas mais vulneráveis. Quem vive em região de garimpo deve conversar com a equipe sobre a origem do peixe.

Doces, adoçantes, sal e ultraprocessados#

O Caderno nº 32 liga o consumo frequente de doces a excesso de peso, diabetes gestacional e pressão alta, e sugere no máximo uma porção de açúcar ou doce por dia, de preferência trocada por fruta. Adoçante, segundo o mesmo documento, fica reservado a quem precisa controlar o ganho de peso e a quem tem diabetes, com orientação profissional.

Para o sal, o limite do Caderno é de no máximo uma colher de chá rasa (5 g) por pessoa por dia. O motivo é sério: o excesso de sódio aumenta o risco de pressão alta e piora o inchaço, e o documento lembra que a maioria das mortes maternas no Brasil ocorre por complicações da pressão alta na gravidez. O texto sobre sal e sódio ensina a achar o sódio no rótulo.

Como higienizar os alimentos na gravidez?#

A Caderneta 2026 dá quatro cuidados: beber água potável ou filtrada, lavar as mãos com água e sabão antes de preparar e de comer, higienizar frutas e verduras com hipoclorito de sódio (substância presente na água sanitária), diluído conforme o rótulo ou a equipe de saúde, e enxaguar com água potável. O passo a passo está no texto sobre como higienizar frutas, verduras e legumes.

Gestantes estão entre os grupos com mais chance de quadro grave nas doenças transmitidas por alimentos, como mostra o texto sobre intoxicação alimentar.

É preciso comer por dois?#

Nenhum dos documentos oficiais usa a ideia de comer em dobro. O que eles pedem é regularidade: o Caderno nº 32 orienta não pular refeições, não "beliscar" entre elas e não exagerar, porque o excesso causa desconforto, sobretudo no fim da gestação. A OMS recomenda orientar todas as gestantes sobre alimentação saudável e atividade física para evitar ganho de peso excessivo.

A Caderneta 2026 explica por que o peso é acompanhado em todas as consultas: o ganho adequado ajuda a reduzir riscos como pressão alta, diabetes na gestação e complicações no parto. A faixa de ganho depende do IMC de antes da gravidez, e a tabela completa está no texto sobre o segundo trimestre de gravidez.

Um ponto pouco conhecido: quem já passou da faixa não deve tentar emagrecer na gestação. A Caderneta indica, nesses casos, um ganho semanal mínimo, conforme o IMC pré-gestacional: 242 g por semana para baixo peso, 200 g para peso adequado, 175 g para sobrepeso e 125 g para obesidade. Adolescentes e gestações de gêmeos recebem orientação individual.

E se faltar comida em casa?#

A Caderneta 2026 trata disso de frente: o acesso à alimentação é um direito, e o SUS, junto com o Sistema Único de Assistência Social, pode oferecer apoio. A orientação é procurar o Cras do seu território para saber de benefícios e contar à equipe de saúde se estiver passando por dificuldade.

Quando procurar atendimento#

A Caderneta 2026 orienta procurar a unidade de saúde, a maternidade de referência ou um serviço de urgência, ou ligar para o SAMU 192, diante dos sinais de alerta da gestação, entre eles:

  • febre a partir de 37,8 °C;
  • dor abdominal forte ou persistente;
  • pressão mais alta que o habitual ou acima de 140 por 90;
  • dor de cabeça intensa, visão turva ou inchaço repentino no rosto, nas mãos ou nas pernas;
  • sangramento vaginal;
  • bebê sem se mexer por mais de 4 horas depois das 20 semanas;
  • mal-estar intenso ou sensação de que algo não está bem.

Procure também a equipe do pré-natal se:

  1. os vômitos não deixam você comer ou beber;
  2. o suplemento de ferro causa efeitos que atrapalham o uso;
  3. você não consegue parar de beber álcool ou de usar outras substâncias: a OMS recomenda que a equipe pergunte sobre isso em todas as consultas, então dá para falar sem medo;
  4. está faltando comida em casa;
  5. o ganho de peso parece muito rápido ou muito lento, ou você começou a gestação com baixo peso ou excesso de peso, casos em que o Caderno nº 32 pede orientação individual.

Depois do parto, o que muda na alimentação de quem amamenta está no texto sobre alimentação da mãe e medicamentos na amamentação.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Suplementos, dieta individual e qualquer remédio são definidos pela equipe que acompanha a sua gestação.

Perguntas frequentes

O que uma grávida deve comer todos os dias?

O Caderno de Atenção Básica nº 32, do Ministério da Saúde, sugere por dia seis porções de cereais, raízes e tubérculos, três de verduras e legumes, três de frutas, uma de feijão, três de leite e derivados e uma de carnes, peixes ou ovos, com no máximo uma porção de óleo e uma de doces. A Caderneta da Gestante 2026 resume a ideia: preferir alimentos frescos e comida feita em casa e evitar ultraprocessados.

Grávida pode beber um pouco de álcool?

Não. O Manual de Gestação de Alto Risco, do Ministério da Saúde, afirma que até o momento não se identificou dose segura de álcool na gestação. O álcool atravessa rapidamente a placenta e o feto o elimina a apenas 3% a 4% da velocidade da mãe. Ele pode causar efeitos em todas as fases da gravidez e também passa para o leite materno.

Grávida pode tomar café?

A Organização Mundial da Saúde recomenda que gestantes com consumo alto de cafeína, acima de 300 mg por dia, reduzam a quantidade, para diminuir o risco de perda da gestação e de baixo peso ao nascer. O Caderno de Atenção Básica nº 32 lembra que café, chá preto e mate não substituem a água e que café misturado ao leite reduz o aproveitamento do cálcio.

Quando começar o ácido fólico e o ferro?

O manual do Programa Nacional de Suplementação de Ferro, do Ministério da Saúde, orienta começar o ácido fólico pelo menos 30 dias antes de engravidar e manter até o fim da gestação, e prevê ferro para todas as gestantes desde o início do pré-natal. Os dois são gratuitos nas farmácias das unidades básicas de saúde. A dose e o tempo de uso são definidos pela equipe do pré-natal.

Grávida pode comer peixe?

Sim. O Caderno de Atenção Básica nº 32 estimula o consumo de peixe fresco pelo menos duas vezes por semana, de água doce ou salgada, sempre bem cozido. O Ministério da Saúde alerta que o mercúrio se acumula nos peixes, sobretudo em áreas de garimpo na Amazônia, e que gestantes que comem peixe com frequência estão entre os grupos mais vulneráveis. Quem mora nessas regiões deve conversar com a equipe sobre a origem do peixe.

Quais alimentos crus a grávida deve evitar?

Para prevenir a toxoplasmose, o Caderno de Atenção Básica nº 32 orienta não comer carnes cruas, malcozidas ou malpassadas, incluindo embutidos como salame e copa, e não consumir leite e derivados crus, não pasteurizados, de vaca ou de cabra. Frutas, verduras e legumes devem ser bem lavados e higienizados, e as mãos lavadas depois de mexer em carne crua.

Grávida pode usar adoçante?

Segundo o Caderno de Atenção Básica nº 32, o uso de adoçantes na gestação deve ser reservado às mulheres que precisam controlar o ganho de peso e às que têm diabetes, com orientação do profissional de saúde. Para quem tem diabetes gestacional, o mesmo documento admite aspartame, sacarina, acessulfame-K e neotame com moderação.

Grávida precisa comer por dois?

Os documentos do Ministério da Saúde não falam em comer em dobro. O Caderno nº 32 orienta três refeições e dois lanches por dia, sem pular refeições nem beliscar, e a Caderneta 2026 explica que o ganho de peso adequado reduz riscos como pressão alta e diabetes na gestação. A Organização Mundial da Saúde recomenda orientação sobre alimentação saudável para evitar ganho de peso excessivo.

Fontes consultadas

  1. 1.Caderneta Brasileira da Gestante (2026): alimentação adequada e saudável, água, higiene e segurança dos alimentos, avaliação do ganho de peso e sinais de alerta — Ministério da Saúde
  2. 2.Atenção ao pré-natal de baixo risco (Caderno de Atenção Básica nº 32): orientação alimentar para a gestante e prevenção da toxoplasmose — Ministério da Saúde
  3. 3.Programa Nacional de Suplementação de Ferro: manual de condutas gerais — Ministério da Saúde
  4. 4.Guia Alimentar para a População Brasileira (2ª edição): quatro recomendações e a regra de ouro — Ministério da Saúde
  5. 5.Manual de Gestação de Alto Risco (2022): uso de álcool na gestação — Ministério da Saúde
  6. 6.2016 WHO Recommendations: Antenatal Care for a Positive Pregnancy Experience (intervenções nutricionais) — Organização Mundial da Saúde
Assuntosalimentação na gravidezo que comer na gravidezo que evitar na gravidezferro e ácido fólicoálcool na gravideztoxoplasmose

Leia também