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Amamentação

Amamentação: alimentação da mãe e uso de medicamentos

Quem amamenta não precisa evitar alimentos, e nenhuma comida comprovadamente aumenta o leite. A maioria dos remédios é compatível com a amamentação, mas só com orientação profissional. O que o manual do Ministério da Saúde de 2025, o Guia Alimentar e a SBP dizem sobre água, café, álcool, cigarro, chás, vacinas e medicamentos.

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Redação Blog com Saúde

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Mãos de uma mulher de blusa preta segurando uma tigela de louça com estampa azul de ondas, com mingau de grãos, rodelas de banana, amêndoas e frutas vermelhas, e levando uma colherada à boca
Mãos de uma mulher de blusa preta segurando uma tigela de louça com estampa azul de ondas, com mingau de grãos, rodelas de banana, amêndoas e frutas vermelhas, e levando uma colherada à boca

"Posso comer de tudo?", "e o café?", "tomei antibiótico, preciso parar de amamentar?". Muitas vezes a resposta que a mãe ouve é mais restritiva do que a ciência. O manual Amamentação e uso de medicamentos e outras substâncias, do Ministério da Saúde, revisado em 2025, abre assim: "A maioria é compatível com a amamentação; poucos são os fármacos formalmente contraindicados". E admite que profissionais de saúde ainda recomendam interromper a amamentação, muitas vezes por desconhecerem a segurança dos remédios.

Este texto reúne o que o Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Anvisa dizem sobre o prato, as bebidas, o cigarro, os chás, as vacinas e os remédios de quem amamenta. Ele completa os textos sobre pega correta e primeiros dias e sobre problemas comuns da amamentação.

A mãe que amamenta precisa de dieta especial?#

Não. O Caderno de Atenção Básica nº 23, do Ministério da Saúde, explica que produzir leite aumenta o apetite e a sede e estima que cerca de 500 calorias a mais por dia bastem, porque a maioria das mulheres guarda de 2 kg a 4 kg na gravidez para a lactação. E ressalva: as mulheres "produzem leite de boa qualidade mesmo consumindo dietas subótimas". As recomendações do Caderno:

  • dieta variada, com cereais, frutas, legumes, verduras, derivados do leite e carnes;
  • três ou mais porções de derivados do leite por dia;
  • água suficiente para matar a sede;
  • nada de dietas ou remédios para emagrecer rápido (mais de 500 g por semana);
  • café e produtos com cafeína com moderação.

O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, de 2019, repete a lógica da alimentação na gravidez: comida de verdade na base, pouco sal, açúcar e óleo, ultraprocessados evitados, e a família dividindo com a mãe as compras e o preparo. E traz a frase que derruba metade dos conselhos de família: "Não existe comprovação de que alguma comida ou bebida aumente ou reduza a produção de leite materno". Quem regula a produção é a mamada.

Mães vegetarianas. O Caderno nº 23 alerta para o risco de falta de vitamina B12 no bebê, porque ela não está nos vegetais, e o manual de 2025 diz que a dieta de mães vegetarianas restritas ou veganas deve ser complementada com B12. A prescrição e a dose são do profissional.

Quanta água a mãe deve beber?#

O suficiente para matar a sede. O Guia Alimentar orienta beber água com frequência, ficar atenta à sede e evitar refrigerantes, sucos industrializados e bebidas açucaradas ou "energéticas". O Caderno nº 23 faz o alerta contrário ao senso comum: líquidos em excesso "não aumentam a produção de leite, podendo até diminuí-la". Para uma referência diária, veja quanta água beber.

Existem alimentos proibidos? E a cólica do bebê?#

Como regra geral, não. O Caderno nº 23 diz que as mulheres que amamentam "não necessitam evitar determinados alimentos". A SBP, no Guia Prático de Aleitamento Materno de 2024, recomenda dieta sem restrições quando o bebê não tem sinais de alergia e lembra que dietas muito restritivas "podem causar mais danos do que benefícios".

Sobre a cólica, o Guia Alimentar explica que ela costuma começar por volta das 6 semanas de vida e passar sozinha entre 3 e 6 meses, e não recomenda excluir alimentos da mãe como prática geral.

O que se ouveO que dizem as fontes
"Tem comida que dá cólica"Não se corta alimento como regra; se a cólica piora quando a mãe come algo específico, procure um profissional (Guia Alimentar)
"Corte o leite de vaca"Só quando a cólica faz parte de alergia, confirmada com reintrodução após duas semanas (SBP)
"Tem comida que aumenta o leite"Não há comprovação; o que aumenta o leite é mamar mais (Guia Alimentar)
"Chocolate faz mal ao bebê"Provavelmente compatível; só acima de 450 g por dia pode irritar o bebê (manual de 2025)

Se houver suspeita de alergia, o caminho é o médico. Segundo o Guia, o leite de vaca é o alimento da mãe que mais causa alergia no bebê; confirmada a alergia, tira-se o alimento da dieta da mãe, sem parar de amamentar.

Café e chimarrão: pode?#

Com moderação. O Guia Alimentar orienta limitar café, chá, chimarrão e tereré, e o manual de 2025 classifica a cafeína como provavelmente compatível, com possibilidade de efeitos adversos no bebê. As fontes consultadas não fixam um limite em xícaras.

Álcool na amamentação: existe dose segura?#

O Ministério da Saúde recomenda não beber. O manual de 2025 classifica o álcool como de uso "possivelmente perigoso" e é explícito: "recomenda-se não ingerir nenhuma quantidade de bebida alcoólica" na lactação, porque há redução do volume de leite mesmo com pouca bebida. O Guia Alimentar explica que o álcool passa rapidamente para o leite e fica nele enquanto houver álcool no sangue.

Se a mãe beber, o manual orienta evitar amamentar por cerca de duas horas após cada dose (340 mL de cerveja, 140 mL de vinho ou 40 mL de destilado). O Guia sugere retirar o leite antes e oferecê-lo no copo nesse intervalo.

Para quem usa álcool ou outras drogas com regularidade, o Guia é claro: não amamentar enquanto estiver usando, e receber todo o apoio para parar. O manual contraindica cocaína, crack, heroína, LSD e inalantes e alerta para não dividir a cama com o bebê depois de usar qualquer substância psicoativa.

Cigarro e vape: preciso parar de amamentar?#

Não. O Guia Alimentar recomenda "fortemente" não fumar, porque as substâncias do tabaco passam para o leite, aumentam a chance de doenças respiratórias alérgicas no bebê e podem reduzir a produção. Mas afirma que o risco de fumar e amamentar é menor que o de desmamar por causa do cigarro. Quem não consegue parar deve, segundo o Guia e o Caderno nº 23:

  1. fumar o menor número possível de cigarros;
  2. de preferência, depois das mamadas;
  3. nunca no ambiente onde está o bebê;
  4. procurar o tratamento do tabagismo oferecido pelo SUS.

Adesivo e goma de nicotina podem ser usados na amamentação, diz o Guia; o texto sobre como parar de fumar mostra o caminho. Para o cigarro eletrônico, as fontes oficiais consultadas não trazem orientação específica na amamentação; os riscos gerais estão no texto sobre vape.

Posso tomar remédio amamentando?#

Na maioria das vezes, sim, mas não por conta própria. Segundo o manual de 2025, a maioria dos fármacos passa para o leite "em pequenas quantidades" e, mesmo no leite, pode não ser absorvida pelo bebê. O Guia Alimentar afirma que "a maioria dos remédios, inclusive os antibióticos, pode ser consumida pela mulher que amamenta".

A outra metade da regra está no mesmo manual: "Lactantes devem utilizar medicamentos somente sob orientação médica". Alguns remédios, chás e ervas passam para o leite e podem afetar a criança, e muitas vezes há substitutos de menor risco, diz o Guia. A prescrição e a dose são do profissional.

O manual classifica cada substância em cinco níveis:

NívelO que significa
1Compatível: usado por muitas lactantes sem aumento de efeitos no bebê
2Dados limitados, provavelmente compatível
3Poucos ou nenhum dado; provavelmente compatível, com possível efeito adverso
4Possivelmente perigoso: pode ser aceitável após avaliar riscos e benefícios
5Contraindicado: exige interromper a amamentação

A classificação vale para a dose terapêutica e pode mudar conforme a via, a idade e a saúde do bebê. E o manual avisa: "na maioria das vezes, as bulas de medicamentos não são fontes confiáveis" para a amamentação.

Mulher de cabelo castanho comprido e blusa rosa abraça junto ao peito um bebê de camisa branca de botões e olha para ele sorrindo, diante de uma parede bege
Quando a mãe usa um medicamento, o manual do Ministério da Saúde orienta a família a observar o bebê: mudanças na alimentação, no sono, agitação, moleza ou alterações no intestino devem ser contadas à equipe. · Foto: Unsplash

Durante o tratamento, a família deve observar no bebê mudanças na alimentação e no sono, agitação, alteração do tônus muscular e problemas intestinais. Se for preciso suspender a amamentação por um tempo, o manual orienta retirar e congelar o leite antes e manter retiradas frequentes para não perder a produção.

O que é contraindicado na amamentação?#

São poucos casos, e a lista muda com novos estudos; por isso o Caderno nº 23 pede que o profissional consulte o manual antes de prescrever. Na edição de 2025, aparecem como contraindicados, entre outros:

  • quimioterápicos para câncer;
  • alguns compostos radioativos de exames e tratamentos, como o iodo radioativo, que exigem interrupção definida pela equipe;
  • isotretinoína oral e acitretina, remédios para a pele;
  • amiodarona, para arritmia;
  • bromocriptina e cabergolina, que reduzem a produção de leite;
  • plantas como confrei, kava-kava, kombucha, borragem e cohosh azul.

Nos anticoncepcionais, o manual orienta preferir os só com progestagênio, porque os com estrogênio podem reduzir o leite; veja métodos contraceptivos. Fora dos remédios, o Caderno nº 23 e o Guia contraindicam a amamentação para mães com HIV ou HTLV.

Chás e plantas medicinais: natural é seguro?#

Não necessariamente. A cartilha da Anvisa sobre fitoterápicos e plantas medicinais, de 2022, diz que a crença de que "um produto natural, se bem não fizer, mal não vai fazer" não é verdadeira, e pede cuidados especiais com mulheres amamentando.

O manual de 2025 reconhece que não há dados suficientes para garantir a segurança da maioria desses produtos. Além das plantas contraindicadas acima, classifica sálvia, valeriana e cohosh preto como possivelmente perigosas. Até funcho e feno-grego, populares para "aumentar o leite", aparecem só como provavelmente compatíveis, com possível efeito adverso.

Quem amamenta pode tomar vacina?#

Pode. O Calendário Nacional de Vacinação 2026 lembra que, depois do parto, a proteção da mãe chega ao bebê pelo leite. Se não foi possível vacinar na gravidez, o calendário orienta aplicar até 45 dias após o parto as vacinas de hepatite B, dTpa (difteria, tétano e coqueluche) e influenza. O manual de 2025 classifica como compatíveis as vacinas da gripe, do tétano, da DTP e a meningocócica C.

A exceção é a febre amarela. A página do Ministério da Saúde sobre a doença diz que "mulheres amamentando crianças menores de 6 meses de idade" não devem se vacinar, e o manual a contraindica nos primeiros 6 meses do bebê. O calendário da criança está em vacinação do bebê.

Onde tirar dúvidas?#

  • Quem prescreve: diga sempre que está amamentando, também ao dentista e no pronto-socorro.
  • A Unidade Básica de Saúde e o farmacêutico, antes de qualquer remédio ou fitoterápico sem receita.
  • O banco de leite humano, que tem profissionais para auxiliar as mães, segundo o Ministério da Saúde; veja como funciona o banco de leite.
  • O Disque Saúde, 136, indicado na página do Ministério da Saúde sobre doação de leite.

Quem quer doar leite pode fazê-lo usando remédios compatíveis, diz o manual. A SBP lista entre os critérios não usar álcool ou drogas e não fumar mais de 10 cigarros por dia.

Quando procurar atendimento#

Procure a equipe de saúde ou a Unidade Básica se:

  1. depois que você começou um remédio, o bebê mudar o jeito de mamar ou de dormir, ficar agitado, molinho ou com alterações no intestino (manual de 2025);
  2. a cólica aparecer ou piorar nos dias em que você come um alimento específico (Guia Alimentar);
  3. o bebê tiver sangue nas fezes, refluxo ou irritabilidade, sinais de alergia que o Guia manda levar ao médico;
  4. você precisar de tratamento contínuo, de exame com substância radioativa ou da vacina da febre amarela: converse antes com a equipe;
  5. você não conseguir parar de beber, fumar ou usar outras drogas;
  6. houver dor, febre ou mama vermelha: veja os problemas na amamentação; para parar de amamentar, o texto sobre desmame.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Nenhum medicamento, chá ou suplemento deve ser iniciado ou suspenso por conta própria durante a amamentação: a prescrição e a dose são do profissional que acompanha você e o seu filho.

Perguntas frequentes

Quem amamenta precisa fazer dieta especial?

Não. O Caderno de Atenção Básica nº 23, do Ministério da Saúde, diz que, como regra geral, a mulher que amamenta não precisa evitar determinados alimentos e que produz leite de boa qualidade mesmo com uma dieta longe da ideal. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos recomenda comida de verdade, com alimentos in natura ou minimamente processados na base, e afirma que não há comprovação de que alguma comida ou bebida aumente ou reduza a produção de leite.

A comida da mãe causa cólica no bebê?

Como prática geral, o Guia Alimentar do Ministério da Saúde não recomenda excluir alimentos da mãe por causa da cólica, que costuma começar por volta de 6 semanas de vida e passar sozinha entre 3 e 6 meses. Se a cólica aparecer ou piorar nos dias em que a mãe come um alimento específico, o Guia orienta procurar um profissional. A Sociedade Brasileira de Pediatria diz que tirar o leite de vaca da dieta materna só se justifica quando há alergia, confirmada com reintrodução.

Posso tomar café amamentando?

Com moderação. O Caderno de Atenção Básica nº 23 recomenda consumir com moderação café e outros produtos com cafeína, e o Guia Alimentar do Ministério da Saúde orienta limitar café, chá, chimarrão e tereré para quem costuma consumi-los. O manual Amamentação e uso de medicamentos e outras substâncias (2025) classifica a cafeína como de uso provavelmente compatível com a amamentação, com possibilidade de efeitos adversos no bebê.

Posso beber álcool amamentando?

O Ministério da Saúde recomenda não beber. O manual Amamentação e uso de medicamentos e outras substâncias, de 2025, orienta não ingerir nenhuma quantidade de bebida alcoólica durante a lactação e cita redução do volume de leite mesmo com pouca bebida. Se a mãe beber, o manual orienta evitar amamentar por cerca de duas horas após cada dose. O Guia Alimentar diz que o álcool passa rapidamente para o leite e que o melhor mesmo é não beber.

Mãe fumante pode amamentar?

Sim. O Guia Alimentar do Ministério da Saúde recomenda fortemente não fumar, porque as substâncias do tabaco passam para o leite, mas diz que o risco de fumar e amamentar é menor que o de desmamar por causa do cigarro. Quem não consegue parar deve fumar o menor número possível de cigarros e nunca perto do bebê. Adesivos e gomas de nicotina podem ser usados na amamentação, e o SUS oferece tratamento para parar de fumar.

Posso tomar remédio amamentando?

A maioria dos medicamentos é compatível com a amamentação e poucos são formalmente contraindicados, segundo o manual Amamentação e uso de medicamentos e outras substâncias (Ministério da Saúde, 2025). O mesmo manual diz que lactantes devem usar medicamentos somente sob orientação médica, e o Guia Alimentar orienta consultar um profissional antes de qualquer remédio. Avise sempre que está amamentando: a prescrição e a dose são do profissional.

Chá é seguro para quem amamenta?

Nem sempre. A Anvisa afirma que a crença de que um produto natural, se não fizer bem, não faz mal não é verdadeira, e pede cuidados especiais com mulheres que amamentam. O Guia Alimentar do Ministério da Saúde diz que alguns fitoterápicos, chás e ervas não devem ser usados na amamentação. O manual do Ministério de 2025 contraindica plantas como confrei, kava-kava e kombucha. Pergunte antes a um profissional.

Quais vacinas a mãe pode tomar amamentando?

O Calendário Nacional de Vacinação 2026 orienta aplicar no pós-parto, até 45 dias, as vacinas de hepatite B, dTpa e influenza que não puderam ser dadas na gestação. O manual do Ministério da Saúde classifica como compatíveis com a amamentação vacinas como as da gripe e do tétano. A exceção é a febre amarela: o Ministério da Saúde diz que mulheres amamentando bebês com menos de 6 meses não devem receber essa vacina.

Fontes consultadas

  1. 1.Amamentação e uso de medicamentos e outras substâncias, 3ª edição revisada (2025): apresentação, categorias de risco, princípios de prescrição, vacinas, substâncias psicoativas, alimentos e fitoterápicos — Ministério da Saúde
  2. 2.Saúde da Criança: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar (Caderno de Atenção Básica nº 23, 2ª ed.): alimentação da nutriz e situações em que há restrições ao aleitamento materno — Ministério da Saúde
  3. 3.Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos (2019): práticas que facilitam e que prejudicam a amamentação e perguntas frequentes — Ministério da Saúde
  4. 4.Guia Prático de Aleitamento Materno, atualizado (nº 165, 2024): cólica do lactente, dietas restritivas e doação de leite humano — Sociedade Brasileira de Pediatria
  5. 5.Calendário Nacional de Vacinação 2026: gestante (pré-natal e puerpério) — Ministério da Saúde
  6. 6.Cartilha de orientações sobre o uso de fitoterápicos e plantas medicinais (2022) — Anvisa
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