Pular para o conteúdo
Blog com Saúde
Alimentação Geral

Como higienizar frutas, verduras e legumes com água sanitária

Uma colher de sopa de água sanitária própria para alimentos em 1 litro de água, 10 minutos de molho e enxágue. Veja o passo a passo da Anvisa e do Ministério da Saúde e por que o rótulo do produto decide a dose.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

Texto produzido com inteligência artificial

Revisão técnica

Sem revisão profissional

Como este texto foi produzido

Publicado em ·Atualizado em ·9 min de leitura

Tamanho do texto
Pimentões laranja, vermelho e verde sendo lavados sob água corrente da torneira dentro de uma bacia na pia
Pimentões laranja, vermelho e verde sendo lavados sob água corrente da torneira dentro de uma bacia na pia

Lavar a alface na torneira tira a terra que se vê, mas os micróbios não aparecem a olho nu. A cartilha de boas práticas da Anvisa dá a dimensão: uma colher de chá de terra pode conter até 1 milhão de bactérias. Por isso o Ministério da Saúde e a Anvisa pedem duas etapas para o que se come cru. Primeiro vem a limpeza em água corrente, depois a desinfecção com solução clorada.

O ponto que quase ninguém conta: as orientações oficiais citam a colher de sopa como medida, mas o que manda é o rótulo do produto. A Anvisa só aceita que uma água sanitária seja indicada para alimentos se o fabricante comprovar que ela funciona na diluição e no tempo escritos no rótulo.

Resposta rápida. Para frutas, verduras e legumes que serão comidos crus, a cartilha de boas práticas da Anvisa orienta: tirar as partes estragadas, lavar em água corrente (as folhas uma a uma), deixar 10 minutos de molho em água com 1 colher de sopa de água sanitária própria para alimentos por litro e enxaguar de novo em água corrente. Use só produto cujo rótulo traga instrução para alimentos e, se o rótulo indicar outra diluição ou outro tempo, siga o rótulo. Não misture com vinagre nem com outros produtos.

Por que higienizar o que se come cru?#

A cartilha da Anvisa explica que frutas, legumes e hortaliças devem ser higienizados porque podem ser consumidos crus, e que a higienização correta "elimina os micróbios patogênicos e os parasitas". O Ministério da Saúde, na página sobre doenças de transmissão hídrica e alimentar (DTHA), inclui o consumo de frutas e hortaliças sem higienização adequada entre os fatores de risco para diarreia. Segundo o Ministério da Saúde, existem mais de 250 tipos dessas doenças no mundo, causadas por bactérias e suas toxinas, vírus, parasitas intestinais ou substâncias químicas. No quadro de "mitos e verdades" da mesma página, marca como verdade que frutas e verduras mal lavadas e mal desinfetadas podem causar doença.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai na mesma linha. Uma das suas "Cinco Chaves para uma Alimentação mais Segura" é usar água e matérias-primas seguras, o que inclui lavar frutas e vegetais, especialmente se forem comidos crus. Os sintomas, o que fazer e quando ir ao pronto-socorro estão no texto sobre intoxicação alimentar.

Como higienizar frutas, verduras e legumes: passo a passo da Anvisa#

A cartilha da Anvisa, adaptada do Guia Alimentar do Ministério da Saúde, traz seis passos para hortaliças, frutas e legumes:

  1. Selecionar, retirando as folhas, partes e unidades estragadas.
  2. Lavar em água corrente as folhas (alface, escarola, rúcula, agrião) folha a folha, e as frutas e legumes um a um.
  3. Deixar de molho por 10 minutos em água clorada, com produto adequado para esse fim (leia o rótulo da embalagem), na diluição de 200 ppm, que corresponde a 1 colher de sopa para 1 litro.
  4. Enxaguar em água corrente as folhas, uma a uma, e as frutas e legumes, um a um.
  5. Cortar com mãos e utensílios bem lavados.
  6. Manter na geladeira até a hora de servir.

Quanto de água sanitária por litro e quanto tempo de molho?#

A cartilha da Anvisa fala em 1 colher de sopa por litro (200 ppm) e 10 minutos de molho. A página do Ministério da Saúde sobre DTHA descreve o mesmo processo com outras palavras. Primeiro, higienizar com ênfase na esfregação mecânica em água corrente. Depois, desinfetar imergindo os alimentos em solução de 10 mL (aproximadamente 1 colher de sopa) de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água tratada.

Pimentões laranja, vermelho e verde de molho em uma bacia cinza com água dentro da pia, ao lado de um escorredor verde com morangos
O molho vem depois da lavagem em água corrente. A cartilha da Anvisa orienta 10 minutos em água clorada, com produto próprio para alimentos, e um novo enxágue antes de cortar. · Foto: Unsplash

Qual água sanitária usar e o que conferir no rótulo?#

Aqui entra a regra que a maioria das receitas da internet ignora. A RDC nº 110/2016 da Anvisa, que regula a água sanitária, estabelece que:

  • água sanitária é uma solução de hipoclorito de sódio ou de cálcio com cloro ativo entre 2,0% e 2,5%;
  • é proibido adicionar corantes, fragrâncias, sequestrantes, tensoativos ou qualquer outra substância;
  • quando o produto é indicado para desinfecção de hortifrutícolas e de água para beber, o fabricante precisa comprovar eficácia contra as bactérias Escherichia coli e Enterococcus faecium no tempo de contato e na diluição propostos no rótulo.

Na prática, isso leva a três conferências antes de comprar:

O que olhar no rótuloPor quê
Instrução de uso para alimentos (frutas, verduras e legumes)A cartilha da Anvisa pede "produto adequado para este fim". A eficácia para alimentos só é comprovada para a diluição do rótulo
A palavra "Água Sanitária" e o teor de cloro ativo entre 2,0% e 2,5%É o que a RDC 110 define como água sanitária
Ausência de perfume, cor ou outros componentesA RDC 110 proíbe esses aditivos na água sanitária. Alvejantes "com cheiro" são outra categoria e não servem para alimentos

Se a diluição ou o tempo do rótulo forem diferentes de "1 colher de sopa por litro, 10 minutos", siga o rótulo. É a combinação que o fabricante testou e registrou na Anvisa.

Água sanitária pode misturar com vinagre? Cuidados de segurança#

A mesma RDC obriga o rótulo a trazer avisos que valem também na cozinha:

  • "Não misture com outros produtos." A mistura com ácidos ou com produtos à base de amônia produz gases tóxicos. O vinagre é um ácido, então não o misture à solução.
  • Não ingerir e evitar inalar ou encostar nos olhos e na pele. Em contato com olhos ou pele, lavar com água em abundância.
  • Lavar a colher ou o copo usado como medida antes de reutilizá-los.
  • Não usar em recipientes e objetos metálicos.
  • Manter na embalagem original, longe do sol, do calor, das crianças e dos animais, e não reutilizar a embalagem.

Se alguém engolir água sanitária, o rótulo obrigatório diz para não provocar vômito e procurar imediatamente o Centro de Intoxicações ou um médico, levando a embalagem. A RDC cita o Disque-Intoxicação, 0800 722 6001. Em caso de mal-estar grave, acione o Samu pelo 192.

E a água usada para lavar?#

A OMS lista a água potável como necessária para lavar frutos e legumes, preparar bebidas, fazer gelo e lavar as mãos. Para quem não tem água tratada, o Ministério da Saúde orienta duas formas de tratar em casa:

  • filtrar e ferver por 5 minutos, contados a partir da fervura; ou
  • filtrar e colocar 2 gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% por litro, aguardando 30 minutos antes de usar.

Água de rio, cacimba ou poço sem tratamento não deve ser usada para beber, segundo a página do Ministério da Saúde sobre diarreia. E a OMS inclui a lavagem de frutas e legumes entre os usos que pedem água potável. O texto sobre quanto beber de água por dia trata da hidratação no dia a dia.

A higienização faz parte de um conjunto#

Desinfetar a alface não adianta se a tábua em que ela é cortada acabou de receber carne crua. A página do Ministério da Saúde e o manual da OMS listam outros cuidados que andam junto:

  • lavar as mãos com água e sabão antes de preparar ou comer, depois de ir ao banheiro, depois de mexer em carne crua ou terra e ao voltar da rua;
  • separar crus de cozidos. O Ministério da Saúde marca como mito a ideia de que utensílios usados em carne crua podem ir direto para alimentos consumidos crus;
  • lavar e desinfetar superfícies, utensílios e equipamentos usados no preparo;
  • guardar o que foi higienizado na geladeira até a hora de servir, como orienta a cartilha da Anvisa. A página do Ministério da Saúde diz que alimentos perecíveis devem ficar fora da geladeira só pelo tempo mínimo do preparo e ser armazenados entre 2 °C e 8 °C;
  • escolher alimentos frescos e dentro da validade. A OMS orienta não usar alimentos com o prazo vencido, e o Ministério da Saúde lembra que bom aspecto e cheiro normal não garantem segurança depois da data;
  • proteger os alimentos de insetos e animais, em recipientes fechados.

Para quem prepara comida de bebê, os cuidados com frutas e legumes da papinha entram nessa mesma rotina. O texto sobre introdução alimentar mostra como começar.

O que os documentos oficiais não dizem#

Vale registrar o que ficou de fora. A cartilha da Anvisa, a página do Ministério da Saúde e o manual da OMS consultados não recomendam vinagre, bicarbonato, detergente ou sal como desinfetantes de frutas e verduras. As duas orientações brasileiras citam solução clorada. Elas diferem em um ponto: a cartilha fala em 10 minutos de molho, e a página do Ministério da Saúde não informa o tempo. Por isso o rótulo do produto, que a Anvisa exige que tenha sido testado, serve de árbitro.

Quando procurar atendimento#

Procure a unidade de saúde se, depois de uma refeição, você ou alguém da casa tiver:

  • diarreia com sangue nas fezes;
  • vômitos repetidos, que impedem de beber líquidos;
  • muita sede, pouca urina ou recusa de alimentos, que são sinais de desidratação;
  • diarreia que não melhora ou que piora, situação em que o Ministério da Saúde orienta voltar imediatamente ao serviço de saúde;
  • duas ou mais pessoas com os mesmos sintomas depois da mesma refeição. O Ministério da Saúde chama isso de surto e pede que a população procure o serviço de saúde para que ele seja investigado.

Crianças e idosos com diarreia correm risco de desidratação grave, e o Ministério da Saúde orienta procurar o serviço de saúde com urgência. Em caso de ingestão de água sanitária, siga a orientação do rótulo e ligue para o Disque-Intoxicação ou para o Samu (192).

Este texto é informativo e não substitui a consulta nem as orientações da vigilância sanitária do seu município.

Perguntas frequentes

Qual a proporção de água sanitária para lavar verduras?

A Cartilha sobre Boas Práticas para Serviços de Alimentação, da Anvisa, orienta 1 colher de sopa para 1 litro de água, o equivalente a 200 ppm, usando produto adequado para alimentos e lendo o rótulo da embalagem. A página do Ministério da Saúde sobre doenças de transmissão hídrica e alimentar fala em 10 mL, aproximadamente 1 colher de sopa, de hipoclorito de sódio a 2,5% por litro de água tratada. Se o rótulo do seu produto indicar outra diluição, siga o rótulo.

Quanto tempo deixar as verduras de molho na água sanitária?

A cartilha de boas práticas da Anvisa orienta 10 minutos de molho na água clorada, seguidos de enxágue em água corrente, folha a folha ou fruta a fruta. A RDC nº 110/2016 exige que a água sanitária indicada para hortifrutícolas comprove eficácia no tempo de contato e na diluição informados no rótulo, por isso o tempo do rótulo também é uma referência segura.

Qualquer água sanitária serve para higienizar alimentos?

Não. Use só o produto cujo rótulo traga instruções para desinfecção de alimentos, como pede a cartilha da Anvisa. Pela RDC nº 110/2016, água sanitária tem cloro ativo entre 2,0% e 2,5% e não pode ter corante, fragrância, tensoativo ou qualquer outra substância. Alvejantes perfumados ou com outros componentes não entram nessa categoria e não devem ser usados em alimentos.

Precisa enxaguar depois do molho?

Sim. Tanto a cartilha de boas práticas da Anvisa quanto a página do Ministério da Saúde descrevem o enxágue em água corrente depois do molho. A cartilha orienta enxaguar os vegetais folhosos folha a folha e as frutas e legumes um a um.

Precisa higienizar fruta que vai ser descascada?

A cartilha da Anvisa diz que frutas, legumes e hortaliças devem ser higienizados porque podem ser consumidos crus, e a Organização Mundial da Saúde orienta lavar frutas e vegetais, especialmente se forem comidos crus. A página do Ministério da Saúde sobre doenças de transmissão hídrica e alimentar orienta higienizar as hortaliças, com esfregação em água corrente, antes de consumi-las ou prepará-las.

Posso misturar água sanitária com vinagre ou detergente?

Não. A RDC nº 110/2016 obriga o rótulo da água sanitária a trazer o aviso: não misture com outros produtos, porque a mistura com ácidos ou produtos à base de amônia produz gases tóxicos. O vinagre é um ácido. Para higienizar alimentos, use só a água sanitária própria diluída em água, como manda o rótulo.

O que fazer se alguém engolir água sanitária?

A RDC nº 110/2016 manda o rótulo informar: em caso de ingestão, não provoque vômito e consulte imediatamente o Centro de Intoxicações ou o médico, levando a embalagem ou o rótulo. O número do Disque-Intoxicação, da Anvisa, é 0800 722 6001. Em caso de mal-estar grave, acione o Samu pelo 192.

Fontes consultadas

  1. 1.Cartilha sobre Boas Práticas para Serviços de Alimentação (RDC nº 216/2004), capítulo sobre higienização de hortaliças, frutas e legumes — Anvisa
  2. 2.Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA): prevenção e desinfecção de hortaliças — Ministério da Saúde
  3. 3.Resolução RDC nº 110, de 6 de setembro de 2016: regulamento técnico da água sanitária — Anvisa / Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde
  4. 4.Cinco Chaves para uma Alimentação mais Segura: manual — Organização Mundial da Saúde
  5. 5.Doenças diarreicas agudas (DDA): prevenção, sinais de perigo e quando procurar o serviço de saúde — Ministério da Saúde
Assuntoshigienização de alimentoságua sanitáriahipoclorito de sódiofrutas e verdurassegurança dos alimentos