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Nutrientes

Sal e Sódio: Quanto Consumir Por Dia e Como Ler o Rótulo com a Lupa

A OMS recomenda menos de 5 g de sal por dia, e o adulto brasileiro consome 9,3 g, segundo o Ministério da Saúde. Veja a diferença entre sal e sódio, onde ele se esconde e como usar a lupa "ALTO EM SÓDIO" e a tabela nutricional da Anvisa.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·Atualizado em ·8 min de leitura

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Saleiro de vidro com tampa metálica furada, cheio de sal, sobre fundo claro em preto e branco
Saleiro de vidro com tampa metálica furada, cheio de sal, sobre fundo claro em preto e branco

Pergunte a alguém se come sal demais e a resposta provável é "não". O Ministério da Saúde mostra o tamanho do engano: só 14,2% dos brasileiros percebem o próprio consumo de sal como excessivo, mas o adulto consome em média 9,3 g de sal por dia, quase o dobro do que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, e apenas 2,4% da população fica abaixo do limite. Os dados estão no documento do Ministério sobre redução de sódio nos alimentos, de 2022.

O problema é que boa parte desse sal não passa pelo saleiro. Este texto explica quanto consumir, onde o sódio se esconde e como a lupa e a tabela do rótulo ajudam a encontrá-lo.

Sal e sódio são a mesma coisa?#

Não exatamente. O sal de cozinha é formado principalmente por sódio e cloreto. O que faz mal em excesso é o sódio, e é ele que aparece no rótulo, em miligramas. A OMS dá a conversão:

SalSódio
1 g400 mg
2,5 g1.000 mg
5 g (limite da OMS)2.000 mg
9,3 g (média do adulto no Brasil)cerca de 3.720 mg

Para transformar o sódio do rótulo em sal, divida por 400. Um produto com 800 mg de sódio por porção traz o equivalente a 2 g de sal.

A OMS lembra que o sódio também aparece de outras formas, como o glutamato monossódico, usado como ingrediente e aditivo, e que existe naturalmente em leite, carnes e frutos do mar.

Quanto sódio consumir por dia?#

Para adultos, a OMS recomenda menos de 2.000 mg de sódio por dia, o equivalente a menos de 5 g de sal, "ou aproximadamente uma colher de chá". Para crianças de 2 a 15 anos, o limite deve ser reduzido de acordo com a necessidade de energia da idade. A OMS também orienta que todo sal consumido seja iodado, porque o iodo é essencial para o desenvolvimento do cérebro do feto e da criança.

O motivo principal é a pressão arterial. Segundo a OMS, o excesso de sódio eleva a pressão, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares, e também está associado a câncer de estômago, obesidade, osteoporose e doença renal. A OMS estima 1,7 milhão de mortes por ano associadas ao consumo excessivo de sódio, com dados de 2023. No Brasil, o Ministério da Saúde atribui ao excesso de sal mais de 46 mil mortes anuais por doenças cardiovasculares, e a página do Ministério sobre hipertensão inclui o "elevado consumo de sal" entre os fatores que influenciam a pressão, ao lado de fumo, álcool, obesidade, estresse e sedentarismo.

A deficiência de sódio, por outro lado, é "extremamente improvável" em pessoas saudáveis, nas palavras da OMS. Não há risco em reduzir.

Onde o sódio se esconde?#

No Brasil, o saleiro ainda é o maior vilão, mas está perdendo espaço. Segundo o Ministério da Saúde, com dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018:

  • 55% do sódio da dieta vem do sal de cozinha e dos temperos à base de sal;
  • 39% já vem de alimentos processados e ultraprocessados, uma fatia que vem crescendo.

A OMS diz que o sódio costuma aparecer em grande quantidade em pães, carnes processadas e salgadinhos, e em condimentos como molho de soja (shoyu) e molho de peixe. Na lista de cuidados, a organização inclui ainda molhos e temperos prontos e produtos instantâneos. O pão é o exemplo clássico de sódio escondido: não parece salgado, mas entra na mesa todo dia.

Salsinha picada e uma faca sobre tábua de madeira, com endro, alho, cebolas e alecrim ao redor
Ervas frescas, alho e cebola dão sabor com menos sal. A OMS e o Ministério da Saúde recomendam usar ervas e outros temperos para dar sabor no lugar do sal. · Foto: Unsplash

Como ler o rótulo com a lupa?#

Em outubro de 2022 entrou em vigor a Resolução RDC nº 429/2020 da Anvisa, com novas regras de rotulagem para alimentos embalados. Os produtos que já estavam no mercado ganharam um prazo extra de adequação, de 12 meses na maioria dos casos. Há duas ferramentas para achar o sódio.

1. A lupa na frente da embalagem. É a rotulagem nutricional frontal. Pela RDC nº 429, ela é obrigatória quando o alimento passa dos limites de sódio, açúcar adicionado ou gordura saturada, e deve ficar na metade superior do painel principal, impressa em preto sobre fundo branco. Os limites estão na Instrução Normativa nº 75/2020:

NutrienteSólidos e semissólidosLíquidos
Sódio600 mg ou mais por 100 g300 mg ou mais por 100 ml
Açúcares adicionados15 g ou mais por 100 g7,5 g ou mais por 100 ml
Gorduras saturadas6 g ou mais por 100 g3 g ou mais por 100 ml

Um detalhe útil: pelos critérios da Instrução Normativa nº 75, um produto só pode se dizer "reduzido em sódio" (com pelo menos 25% menos sódio que a versão de referência) ou "baixo em sódio" se estiver abaixo do limite da lupa. Ou seja, a frase de marketing e o aviso "ALTO EM SÓDIO" não aparecem juntos. E o produto "sem adição de sal" que ainda tem sódio natural dos ingredientes precisa avisar: "contém sódio próprio dos ingredientes".

2. A tabela nutricional. A RDC nº 429 obriga a tabela a informar o sódio por 100 g ou 100 ml e por porção, com o percentual do valor diário (%VD). Para o sódio, a Instrução Normativa nº 75 usa como referência 2.000 mg, o mesmo número da OMS. Então, se a porção tem 600 mg de sódio, ela sozinha consome 30% do limite do dia. A coluna por 100 g é a melhor para comparar duas marcas, porque as porções variam.

O que a lupa não mostra. A Instrução Normativa nº 75 proíbe a lupa em alguns alimentos, mesmo que sejam salgados, entre eles queijos e carnes embaladas sem ingredientes adicionados, leites e o próprio sal de cozinha. Ausência de lupa não quer dizer pouco sódio. Nesses casos, a tabela é o caminho.

Por que a lupa existe. A OMS inclui a rotulagem na frente da embalagem entre as quatro medidas de redução de sódio que considera mais custo-efetivas, ao lado da reformulação dos alimentos, de opções com menos sódio em escolas, hospitais e locais de trabalho, e de campanhas de comunicação. Segundo a organização, cada dólar investido nessas ações retorna pelo menos 12. No Brasil, a redução do sódio nos industrializados foi feita por metas voluntárias pactuadas com a indústria. O documento do Ministério da Saúde de 2022 cita estudos de modelagem segundo os quais limites obrigatórios, nos níveis mais baixos já adotados no mundo, reduziriam o consumo de sal em 0,8 g por dia, contra 0,25 g das metas voluntárias, e evitariam cerca de quatro vezes mais mortes em dez anos.

Como reduzir o sal sem perder o sabor?#

A OMS e o Ministério da Saúde convergem nas mesmas medidas:

  • cozinhar com pouco sal e usar ervas, especiarias e outros temperos para dar sabor;
  • tirar o saleiro da mesa;
  • limitar molhos e temperos prontos e produtos instantâneos;
  • limitar alimentos processados e salgadinhos;
  • comparar rótulos e escolher a versão com menos sódio;
  • basear a alimentação em alimentos frescos ou minimamente processados.

A OMS lembra que o excesso de sódio costuma vir junto com o excesso de açúcares e gorduras e com pouco consumo de cereais integrais, leguminosas, frutas e hortaliças. Os dois lados dessa conta estão nos textos sobre quanto açúcar um adulto pode consumir e sobre prisão de ventre e alimentos ricos em fibras.

E o sal light, com potássio?#

Em 2025, a OMS publicou uma diretriz sobre substitutos do sal com menos sódio, em que parte do cloreto de sódio é trocada por cloreto de potássio. A recomendação é condicional: se for usar sal de mesa, a OMS sugere trocar o comum pelo substituto com potássio. Mas ela vale para adultos da população geral e não se aplica a gestantes nem a crianças. Também exclui pessoas com problemas nos rins ou com condições que dificultam a eliminação do potássio, como quem usa diuréticos poupadores de potássio ou suplementos de potássio. Todos os estudos que embasaram a diretriz excluíram esses grupos.

Se você tem doença renal, pressão alta tratada com remédio ou outra doença crônica, converse com o médico antes da troca. E o substituto não resolve o sódio que vem pronto nos alimentos industrializados.

Quando procurar atendimento#

A pressão alta é a principal consequência do excesso de sódio e costuma ser silenciosa. O Ministério da Saúde explica que medir a pressão regularmente é a única maneira de diagnosticar a hipertensão: quem tem mais de 20 anos deve medir ao menos uma vez por ano, e quem tem casos de pressão alta na família, no mínimo duas vezes por ano. Isso pode ser feito na unidade básica de saúde, e o check-up de rotina é uma boa oportunidade.

Procure atendimento se aparecerem os sintomas que, segundo o Ministério, costumam surgir quando a pressão sobe muito: dor no peito, dor de cabeça, tontura, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal. Dor no peito é motivo para buscar um serviço de urgência ou ligar para o Samu (192).

Quem já tem hipertensão ou doença nos rins precisa de orientação individual sobre sal e potássio. O SUS oferece remédios para pressão gratuitamente nas unidades básicas e pelo programa Farmácia Popular, com receita.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. A meta de sódio e o tratamento da pressão alta são definidos pelo profissional de saúde que acompanha você.

Perguntas frequentes

Quanto sal posso comer por dia?

Para adultos, a OMS recomenda menos de 5 g de sal por dia, o que equivale a menos de 2.000 mg de sódio, ou cerca de uma colher de chá. Para crianças de 2 a 15 anos, a OMS orienta reduzir esse limite de acordo com a necessidade de energia da idade. O sal consumido deve ser iodado.

Qual a diferença entre sal e sódio?

O sal de cozinha é formado principalmente por sódio e cloreto. Segundo a OMS, 1 g de sal corresponde a 400 mg de sódio, e 5 g de sal correspondem a 2.000 mg de sódio. O rótulo informa o sódio, em miligramas; para saber quanto sal isso representa, divida o valor por 400.

Quais alimentos têm mais sódio?

A OMS cita pães, carnes processadas, salgadinhos e condimentos como molho de soja e molho de peixe, além do glutamato monossódico, e lembra que o sódio também existe naturalmente em leite, carnes e frutos do mar. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, o sal de cozinha e os temperos à base de sal ainda são a principal fonte (55% do sódio), mas os processados e ultraprocessados já respondem por 39%.

O que significa a lupa "ALTO EM SÓDIO" no rótulo?

É a rotulagem nutricional frontal da Anvisa, cuja norma está em vigor desde outubro de 2022. Pela Instrução Normativa nº 75/2020, ela aparece quando o alimento tem 600 mg ou mais de sódio por 100 g (sólidos) ou 300 mg ou mais por 100 ml (líquidos). Ela fica na metade superior da frente da embalagem, em preto sobre fundo branco.

Se o produto não tem lupa, ele tem pouco sódio?

Não necessariamente. A lupa só indica que o produto passou do limite. Além disso, a Instrução Normativa nº 75/2020 proíbe a lupa em alguns alimentos, como queijos e carnes embaladas sem ingredientes adicionados e o próprio sal de cozinha. Para comparar, use a tabela nutricional, que traz o sódio por 100 g ou 100 ml e o percentual do valor diário.

Sal light ou sal com potássio é mais saudável?

A OMS sugere, desde 2025, trocar o sal comum por substitutos com menos sódio e com potássio, para adultos da população geral. A recomendação não vale para gestantes, crianças, pessoas com problema nos rins ou que usam diuréticos poupadores de potássio ou suplementos de potássio. Quem tem doença crônica deve conversar com o médico antes da troca.

Quais os sintomas de pressão alta?

Na maioria das vezes não há sintomas. O Ministério da Saúde explica que eles costumam aparecer só quando a pressão sobe muito: dor no peito, dor de cabeça, tontura, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal. Por isso a única forma de diagnosticar é medir a pressão regularmente, ao menos uma vez por ano a partir dos 20 anos.

Fontes consultadas

  1. 1.Sodium reduction: fact sheet — OMS — Organização Mundial da Saúde
  2. 2.Use of lower-sodium salt substitutes: WHO guideline summary (2025) — OMS — Organização Mundial da Saúde
  3. 3.Policy brief: Redução do sódio em alimentos processados e ultraprocessados no Brasil (2022) — Ministério da Saúde
  4. 4.Hipertensão (pressão alta): sintomas, diagnóstico e prevenção — Ministério da Saúde
  5. 5.Resolução RDC nº 429, de 8 de outubro de 2020: rotulagem nutricional dos alimentos embalados — Anvisa — Diário Oficial da União
  6. 6.Instrução Normativa IN nº 75, de 8 de outubro de 2020: limites da rotulagem frontal e valores diários de referência — Anvisa — Diário Oficial da União
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