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Nutrientes

Açúcar: Quanto um Adulto Pode Consumir Por Dia e Como Achar no Rótulo

A OMS recomenda que os açúcares livres fiquem abaixo de 10% das calorias do dia, cerca de 50 g numa dieta de 2.000 kcal. O açúcar da fruta inteira não entra na conta; o do suco, sim. Veja como achar o açúcar adicionado na tabela e na lupa da Anvisa.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·8 min de leitura

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Pilha de cubos de açúcar branco vistos de perto, com os cristais brilhando na luz
Pilha de cubos de açúcar branco vistos de perto, com os cristais brilhando na luz

"Quanto açúcar posso comer por dia?" tem uma resposta da Organização Mundial da Saúde (OMS), e ela é mais generosa e mais exigente do que parece. Generosa porque a fruta inteira fica fora da conta. Exigente porque o limite inclui o açúcar de lugares que pouca gente lembra, como o suco natural e o mel.

Este texto trata de adultos. Para bebês e crianças a regra é outra, começando por nenhum açúcar nos dois primeiros anos, e está explicada no texto sobre açúcar na infância.

Quanto açúcar um adulto pode consumir por dia?#

A diretriz da OMS sobre açúcares, de 2015, tem três recomendações:

  1. reduzir o consumo de açúcares livres ao longo de toda a vida (recomendação forte);
  2. em adultos e crianças, manter os açúcares livres abaixo de 10% das calorias do dia (recomendação forte);
  3. reduzir ainda mais, para menos de 5% (recomendação condicional).

Na prática, a OMS traduz o limite de 10% em 50 g de açúcar, cerca de 12 colheres de chá rasas, para uma pessoa de peso saudável que consome em torno de 2.000 calorias por dia. A meta de 5% é a metade disso, cerca de 25 g.

Consumo diário de calorias10% em açúcares livres5% em açúcares livres
2.000 kcal50 g25 g
1.600 kcal40 g20 g
2.400 kcal60 g30 g

A conta é simples: cada grama de açúcar tem 4 calorias, o fator de energia dos carboidratos usado na diretriz. Dez por cento de 2.000 calorias são 200 calorias, ou 50 g.

O que sustenta esses números. A diretriz é transparente sobre a qualidade da evidência. O limite de 10% se apoia em evidência de qualidade moderada sobre cáries, e a OMS registra que aumentar ou diminuir o açúcar livre muda o peso corporal na mesma direção, pelo excesso de calorias. A meta de 5% se baseia em evidência de qualidade muito baixa, de estudos populacionais sobre cárie. A OMS a mantém porque o dano da cárie se acumula da infância à vida adulta e porque não encontrou nenhum prejuízo em reduzir para menos de 5%. Uma ressalva: as recomendações não se aplicam a quem precisa de dieta terapêutica.

Por que o limite importa?#

O Guia Alimentar para a População Brasileira resume: o consumo excessivo de açúcar aumenta o risco de cárie, de obesidade e de várias outras doenças crônicas. A OMS acrescenta que o açúcar livre fornece muitas calorias sem nutrientes específicos e, por isso, piora a qualidade da dieta como um todo.

Sobre os dentes, a diretriz faz uma observação que vale para adultos: o flúor reduz a cárie e atrasa o aparecimento das cavidades, mas não a previne por completo, e a cárie continua progredindo em populações expostas ao flúor. Ou seja, o flúor ajuda, mas não dispensa a redução do açúcar. A OMS também diz que o açúcar livre não é uma estratégia adequada para aumentar as calorias de quem come pouco, quando há outras opções.

Açúcar livre ou açúcar da fruta: qual a diferença?#

A OMS separa os açúcares em três tipos:

  • Açúcares intrínsecos: os que estão dentro da estrutura da fruta inteira e das hortaliças.
  • Açúcares do leite: lactose e galactose.
  • Açúcares livres: os adicionados a alimentos e bebidas pelo fabricante, por quem cozinha ou por quem consome, mais os naturalmente presentes no mel, nos xaropes, nos sucos de fruta e nos sucos concentrados.

Só o terceiro grupo entra no limite. A diretriz explica o motivo: não há evidência de efeito adverso dos açúcares da fruta inteira e do leite. O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, vai no mesmo sentido ao chamar as frutas de "excelentes fontes de fibras, de vitaminas e minerais".

Laranjas inteiras e cortadas em gomos ao lado de um copo de suco de laranja sobre uma bandeja escura
A laranja inteira e o copo de suco não contam igual: para a OMS, o açúcar do suco, mesmo natural e sem adição, é açúcar livre e entra no limite do dia. · Foto: Unsplash

O suco é a pegadinha. A OMS afirma que a maioria dos sucos de fruta, inclusive os sem açúcar adicionado, tem quantidade significativa de açúcares livres, cujo consumo deve ser limitado. O Guia Alimentar acrescenta que, no preparo do suco, fibras e muitos nutrientes podem se perder e que o poder de saciedade é sempre menor que o da fruta inteira. Frutas cristalizadas e em calda são outra coisa: o Guia as classifica como alimentos processados, em que o processamento aumenta "excessivamente" o açúcar.

O Guia também dá a medida do contraste: o açúcar tem de 5 a 10 vezes mais calorias por grama do que a maioria das frutas. E lembra um efeito das bebidas adoçadas, como refrigerantes e refrescos: o organismo tem menor capacidade de "registrar" as calorias que vêm delas, o que aumenta o risco de obesidade.

Como identificar o açúcar no rótulo?#

A Resolução RDC nº 429/2020 da Anvisa, em vigor desde outubro de 2022, mudou a tabela nutricional. Hoje ela é obrigada a trazer duas linhas de açúcar:

  • Açúcares totais: todo açúcar do produto que o corpo digere e absorve, inclusive o natural da fruta e do leite.
  • Açúcares adicionados: os que entraram durante a fabricação.

Os valores aparecem por 100 g ou 100 ml e por porção. A coluna por 100 g é a melhor para comparar marcas. Na linha de açúcares adicionados há também o %VD, calculado sobre 50 g, o valor diário de referência da Instrução Normativa nº 75/2020, que coincide com o limite de 10% da OMS numa dieta de 2.000 calorias.

A lupa. Se o produto tem 15 g ou mais de açúcares adicionados por 100 g (sólidos) ou 7,5 g ou mais por 100 ml (líquidos), a frente da embalagem precisa trazer a lupa "ALTO EM AÇÚCAR ADICIONADO", segundo a Instrução Normativa nº 75.

Os nomes do açúcar na lista de ingredientes. A RDC nº 429 define como açúcar adicionado não só o açúcar de cana, mas também mel, melaço, melado, rapadura, caldo de cana, extrato de malte, sacarose, glicose, frutose, lactose, dextrose, açúcar invertido, xaropes e maltodextrinas, entre outros. Se a lista de ingredientes traz vários desses nomes, o produto tem açúcar de várias fontes. O Guia Alimentar acrescenta que muitos ingredientes, sobretudo com nomes pouco familiares como xarope de frutose, indicam um ultraprocessado.

A diferença que confunde. Pela RDC nº 429, os açúcares naturalmente presentes em frutas, inclusive em sucos integrais, reconstituídos e concentrados, não contam como açúcar adicionado. Um suco integral pode mostrar zero na linha de adicionados e, ainda assim, para a OMS, todo o açúcar dele é açúcar livre. Olhe também a linha de açúcares totais.

As alegações. Pela Instrução Normativa nº 75, um produto só pode se dizer "baixo" ou "reduzido" em açúcares se estiver abaixo do limite da lupa. E o "sem adição de açúcares" não pode usar ingrediente naturalmente doce, como um suco concentrado, para substituir o açúcar; se o produto tiver açúcar dos próprios ingredientes, precisa avisar: "contém açúcares próprios dos ingredientes".

E o adoçante, resolve?#

A OMS orienta que a redução de açúcares livres seja feita sem o uso de adoçantes não calóricos, e cita acessulfame K, aspartame, advantame, ciclamatos, neotame, sacarina, sucralose, estévia e derivados. Ou seja, a troca do açúcar pelo adoçante não é o caminho que a OMS propõe para cumprir a meta.

Como reduzir o açúcar no dia a dia?#

As recomendações do Guia Alimentar ajudam mais do que contar gramas:

  • Prefira água, leite e frutas no lugar de refrigerantes, bebidas lácteas e biscoitos recheados.
  • Café e chá sem açúcar, ou com o mínimo possível.
  • Use o açúcar em pequenas quantidades nas preparações caseiras.
  • Coma a fruta inteira em vez do suco.
  • Leia o rótulo dos processados e escolha os com menos açúcar.
  • Evite os ultraprocessados, que, segundo o Guia, costumam ser ricos em gorduras ou açúcares, muitas vezes nos dois, e com frequência em sódio.

Os mesmos produtos ricos em açúcar costumam ter muito sódio e pouca fibra: veja quanto sal consumir no texto sobre sal e sódio e quais alimentos ajudam o intestino no texto sobre prisão de ventre e fibras. Para quem quer perder peso, o texto sobre como emagrecer com saúde mostra a meta realista e o tratamento disponível no SUS. E a água pura, lembra o Guia, é a melhor opção para a ingestão de líquidos, como explica o texto sobre quanta água beber.

Quando procurar atendimento#

A diretriz da OMS associa o excesso de açúcares livres ao ganho de peso, pelo excesso de calorias, e o Ministério da Saúde lista o sobrepeso e os hábitos alimentares inadequados entre as causas ligadas ao diabetes tipo 2. Procure um serviço de saúde se aparecerem os sintomas que o Ministério associa ao diabetes:

  • sede constante e fome frequente;
  • vontade de urinar várias vezes ao dia;
  • perda de peso sem explicação, fraqueza e cansaço;
  • visão embaçada, formigamento nos pés e nas mãos;
  • infecções frequentes e feridas que demoram a cicatrizar.

O Ministério reforça que, com qualquer sintoma, é fundamental procurar o serviço de saúde para iniciar o tratamento. Quem já tem diabetes, pré-diabetes ou outra condição com dieta prescrita deve seguir o plano da equipe, porque a diretriz da OMS sobre açúcares não se aplica a dietas terapêuticas.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. A meta de açúcar adequada para você é definida pelo profissional de saúde que acompanha sua alimentação.

Perguntas frequentes

Quantos gramas de açúcar um adulto pode consumir por dia?

A OMS recomenda limitar os açúcares livres a menos de 10% das calorias do dia, o que equivale a 50 g, cerca de 12 colheres de chá rasas, para quem consome em torno de 2.000 calorias. A organização sugere ainda reduzir para menos de 5%, a metade disso, porque pode trazer benefício adicional. A meta vale para o total de açúcares livres, não só para o açúcar do açucareiro.

O que são açúcares livres?

Pela definição da OMS, açúcares livres são os açúcares adicionados aos alimentos e bebidas pelo fabricante, por quem cozinha ou por quem consome, mais os açúcares naturalmente presentes no mel, nos xaropes, nos sucos de fruta e nos sucos concentrados. O açúcar contido na estrutura da fruta inteira e das hortaliças, e o açúcar do leite, não são considerados livres.

O açúcar da fruta faz mal?

A OMS informa que não há evidência de efeito adverso do consumo dos açúcares presentes na fruta inteira e no leite, e por isso eles ficam fora do limite. O Guia Alimentar para a População Brasileira chama as frutas de excelentes fontes de fibras, vitaminas e minerais. A ressalva é o suco: a OMS diz que mesmo os sucos sem açúcar adicionado têm quantidade significativa de açúcares livres.

Como saber quanto açúcar tem um produto?

Pela Resolução RDC nº 429/2020 da Anvisa, a tabela nutricional deve trazer duas linhas: açúcares totais e açúcares adicionados, por 100 g ou 100 ml e por porção. A linha de açúcares adicionados mostra também o percentual do valor diário, calculado sobre 50 g. Se o produto tem 15 g ou mais de açúcar adicionado por 100 g, ou 7,5 g ou mais por 100 ml, ganha a lupa "ALTO EM AÇÚCAR ADICIONADO".

Suco de fruta integral tem açúcar adicionado?

Pela regra da Anvisa, os açúcares naturalmente presentes em sucos integrais, reconstituídos e concentrados não são contados como açúcares adicionados, então a linha pode vir zerada. Para a OMS, porém, o açúcar de qualquer suco de fruta é açúcar livre e entra no limite diário. Por isso o Guia Alimentar recomenda preferir a fruta inteira.

Trocar açúcar por adoçante é a solução?

A OMS orienta que a redução de açúcares livres seja feita sem recorrer a adoçantes não calóricos, como acessulfame K, aspartame, ciclamato, sacarina, sucralose e estévia. Quem tem diabetes ou dieta prescrita deve seguir a orientação da equipe que o acompanha.

Quem tem diabetes segue a mesma regra?

A diretriz da OMS sobre açúcares afirma que suas recomendações não se aplicam a pessoas que precisam de dietas terapêuticas. Quem tem diabetes ou outra condição que exige dieta específica deve seguir o plano definido pelo médico e pelo nutricionista. O Ministério da Saúde orienta procurar um serviço de saúde ao aparecer qualquer sintoma de diabetes, como sede constante e vontade de urinar várias vezes ao dia.

Fontes consultadas

  1. 1.Guideline: Sugars intake for adults and children (2015) — OMS — Organização Mundial da Saúde
  2. 2.Healthy diet: açúcares livres, sucos de fruta e adoçantes — OMS — Organização Mundial da Saúde
  3. 3.Guia Alimentar para a População Brasileira (2ª edição): óleos, gorduras, sal e açúcar; frutas; bebidas — Ministério da Saúde
  4. 4.Resolução RDC nº 429, de 8 de outubro de 2020: definição de açúcares adicionados e tabela nutricional — Anvisa — Diário Oficial da União
  5. 5.Instrução Normativa IN nº 75, de 8 de outubro de 2020: valores diários, lupa frontal e alegações sobre açúcares — Anvisa — Diário Oficial da União
  6. 6.Diabetes (diabetes mellitus): sintomas e quando procurar o serviço de saúde — Ministério da Saúde
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