Gripe, Resfriado ou Covid: Como Diferenciar os Sintomas e Quando Procurar Atendimento
Resfriado costuma ser mais leve e durar de dois a quatro dias; gripe começa de repente, com febre e dor no corpo; covid pode imitar os dois. O Ministério da Saúde afirma que gripe e covid não se diferenciam só pelos sintomas. Veja a comparação, o teste e os sinais de gravidade.
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Nariz escorrendo, garganta arranhando, corpo moído. Quase todo mundo chama isso de "gripe", mas pode ser um resfriado, uma gripe de verdade (causada pelo vírus influenza) ou covid. Saber a diferença ajuda a decidir se dá para se cuidar em casa, se é caso de teste e, principalmente, quando procurar atendimento.
O ponto que mais surpreende é o que o próprio Ministério da Saúde escreve no Guia de Manejo e Tratamento de Influenza 2023: "Não há como diferenciar influenza e covid-19 apenas pelo quadro clínico". Ou seja, a lista de sintomas ajuda a suspeitar, mas não fecha o diagnóstico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz o mesmo de outro jeito: vários vírus respiratórios provocam um quadro parecido com o da gripe, e a confirmação depende de exame laboratorial.
Qual é a diferença entre gripe, resfriado e covid?#
São infecções respiratórias causadas por vírus diferentes:
- Resfriado: segundo o Ministério da Saúde, os vírus mais comuns são os rinovírus, os parainfluenza e o vírus sincicial respiratório (VSR).
- Gripe: causada pelo vírus influenza. Os tipos A e B provocam as epidemias sazonais; o tipo A é o responsável pelas grandes pandemias.
- Covid-19: causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, de elevada transmissibilidade, segundo o Ministério da Saúde.
A tabela abaixo resume o que as fontes oficiais descrevem para cada uma.
| Resfriado | Gripe | Covid-19 | |
|---|---|---|---|
| Começo | Sintomas mais leves | Aparecimento súbito | De sem sintomas a grave |
| Febre | Menos comum e, quando aparece, baixa | Comum, a partir de 37,8 °C | Febre ou calafrios estão entre os sintomas mais comuns |
| Sintomas típicos | Tosse, nariz entupido, coriza, dor no corpo, dor de garganta leve | Febre, dor de garganta, tosse, dor no corpo, dor de cabeça, calafrios, prostração | Febre, calafrios, dor de garganta, tosse, cansaço; pode haver perda do olfato ou do paladar |
| Tempo até os sintomas | Não informado na fonte | 1 a 4 dias, cerca de 2 dias em média (OMS) | 1 a 10 dias, média de 3 a 4 dias (Ministério da Saúde) |
| Duração | Dois a quatro dias | Cerca de sete dias; tosse e cansaço podem durar 1 a 2 semanas | Até 10 dias, às vezes mais (OMS) |
| Como confirmar | A fonte não cita exame específico | Exame laboratorial | Teste rápido de antígeno ou RT-PCR |
A rinite alérgica também entra na confusão. O Ministério da Saúde lembra que ela causa espirros, coriza, nariz entupido e irritação na garganta, mas não é transmissível: é uma condição crônica provocada por poeira, pelos de animais, poluição, mofo e outros alérgenos.
Como é a gripe, passo a passo?#
O Guia de Manejo e Tratamento de Influenza descreve uma evolução bem característica. A febre (temperatura a partir de 37,8 °C) costuma ser o primeiro sinal, junto com calafrios, mal-estar, dor de cabeça e dor muscular, tudo de aparecimento súbito. A febre começa a cair depois de dois ou três dias e normaliza por volta do sexto dia.
As queixas respiratórias seguem o caminho inverso: ficam mais evidentes com o passar dos dias e se mantêm, em geral, por três a quatro dias depois que a febre vai embora. Tosse, cansaço e mal-estar podem continuar por uma a duas semanas e, raramente, por mais de seis semanas. A OMS acrescenta que a tosse da gripe costuma ser seca e pode durar duas semanas ou mais.
O quadro muda conforme a idade, segundo o Ministério da Saúde:
- Crianças: a febre pode ser mais alta, são comuns os gânglios aumentados no pescoço, e podem aparecer bronquite, bronquiolite e sintomas gastrointestinais.
- Idosos: quase sempre têm febre, às vezes sem outros sintomas, mas em geral ela não sobe tanto.
A maioria das pessoas melhora sozinha em cerca de uma semana. A complicação mais comum, segundo o Ministério da Saúde, é a pneumonia, responsável por grande número de internações no país. Sinusite, otite, desidratação e piora de doenças crônicas também aparecem na lista.
E a covid, como se apresenta hoje?#
O Ministério da Saúde lista como sinais mais comuns da covid febre ou calafrios, tosse, cansaço, falta de apetite, falta de ar, dor muscular e dor de cabeça, além de dor de garganta, nariz entupido e coriza. Nos casos leves, podem aparecer náusea, vômito, diarreia e perda do olfato ou do paladar. A OMS, na atualização sobre as variantes em circulação, aponta febre, calafrios e dor de garganta como os sintomas mais frequentes.
O Ministério da Saúde classifica a covid por gravidade:
- Leve: sintomas como os acima, sem falta de ar.
- Moderada: os mesmos sintomas, com saturação de oxigênio de 94% ou mais, que deve ser verificada na unidade de saúde.
- Grave: falta de ar, pressão persistente no peito, saturação de 94% ou menos ou lábios e rosto azulados.
- Crítica: síndrome do desconforto respiratório, sepse, choque, trombose ou falência de órgãos.
A OMS estima que cerca de 6% das pessoas desenvolvem a condição pós-covid, a chamada covid longa, com cansaço, dores, falta de ar e dificuldade de concentração que persistem depois da fase de transmissão.
Preciso fazer teste?#
O teste é o que separa covid de gripe. O Ministério da Saúde menciona a confirmação por teste rápido de antígeno ou por exame de biologia molecular (o RT-PCR). Isso tem consequência prática: os remédios antivirais são diferentes para cada doença, e a decisão de usar um deles depende do diagnóstico e do grupo de risco.
- Gripe: o Ministério da Saúde indica o antiviral oseltamivir para todos os casos de síndrome respiratória aguda grave e para a síndrome gripal em pessoas com fatores de risco, de preferência nas primeiras 48 horas. O Guia ressalta que o oseltamivir não é indicado para covid.
- Covid: o SUS oferece a associação nirmatrelvir e ritonavir para pessoas com 65 anos ou mais e imunocomprometidos a partir de 18 anos, com diagnóstico confirmado, sintomas leves ou moderados e início do tratamento em até cinco dias.
Nos dois casos, quem prescreve é o médico, e a dose é definida por ele.

Quem precisa de mais atenção?#
Para a gripe, o Ministério da Saúde define condições e fatores de risco para complicações:
- gestantes em qualquer fase da gravidez e puérperas até duas semanas após o parto;
- adultos com 60 anos ou mais;
- crianças menores de 5 anos, com risco maior de internação abaixo de 2 anos e, sobretudo, abaixo de 6 meses;
- população indígena aldeada ou com dificuldade de acesso;
- pessoas com doença pulmonar (incluindo asma), doença do coração (exceto pressão alta isolada), dos rins, do fígado ou do sangue, diabetes, doenças neurológicas, imunossupressão ou obesidade com IMC de 40 ou mais;
- menores de 19 anos em uso prolongado de ácido acetilsalicílico, pelo risco de síndrome de Reye.
Para a covid, a lista do Ministério da Saúde inclui idade acima de 60 anos, doenças como diabetes, hipertensão, doenças do coração, dos pulmões e dos rins, obesidade e câncer, gestação, tabagismo e quem não se vacinou. Quem está nesses grupos não deve esperar a piora para procurar a unidade de saúde.
Em bebês e crianças pequenas, febre é o sintoma que mais assusta os pais. O texto sobre febre em criança e bebê explica como medir e quando ela é emergência.
O que fazer em casa e como evitar passar adiante?#
Para quem tem sintomas leves e não está em grupo de risco, a OMS orienta ficar em casa, descansar, beber bastante líquido, tratar a febre e procurar atendimento se os sintomas piorarem. A hidratação faz diferença, e o texto sobre quanto beber de água por dia dá a referência.
Sobre o afastamento, o Ministério da Saúde orienta que quem tem sintomas de gripe evite sair de casa no período de transmissão, que pode chegar a sete dias após o início dos sintomas, e fique afastado do trabalho ou da escola até 24 horas depois de a febre passar sem antitérmico. Para covid, o Ministério recomenda máscara para quem tem sintomas gripais.
As medidas de prevenção valem para as três infecções:
- lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel;
- cobrir nariz e boca com o antebraço ou um lenço ao tossir e espirrar;
- manter os ambientes ventilados e evitar aglomeração em locais fechados;
- não compartilhar copos, talheres e garrafas;
- evitar contato próximo com quem está doente.
A vacina continua sendo a principal proteção contra as formas graves. O Ministério da Saúde afirma que a vacinação anual contra a gripe é a forma mais eficaz de prevenção, porque o vírus muda e a vacina é reformulada todo ano; a do SUS protege contra os três subtipos que mais circularam no último ano no Hemisfério Sul. Para a covid, a vacinação é, segundo o Ministério, a principal forma de evitar casos graves, óbitos e sequelas. Hábitos que sustentam a defesa do corpo estão no guia de como fortalecer a imunidade.
Quando procurar atendimento#
O Guia de Manejo e Tratamento de Influenza 2023 define a síndrome gripal como febre de início súbito, mesmo que só relatada, com tosse ou dor de garganta e pelo menos dor de cabeça, dor muscular ou dor nas articulações. Quando a pessoa com síndrome gripal tem falta de ar ou sinais de gravidade, o quadro passa a ser síndrome respiratória aguda grave (SRAG), e o Ministério da Saúde indica internação.
Procure atendimento imediato, ou ligue para o Samu no 192, se houver:
- falta de ar, respiração acelerada ou dificuldade para falar frases inteiras;
- saturação de oxigênio de 94% ou menos, medida no oxímetro;
- lábios ou rosto azulados, pele fria, úmida ou pálida;
- dor ou pressão persistente no peito;
- confusão mental, sonolência excessiva ou perda de consciência;
- febre que dura mais de três dias ou volta depois de 48 horas sem febre;
- urina muito escassa, sinais de desidratação ou pressão baixa;
- piora de doença que a pessoa já tinha, como asma, doença pulmonar ou do coração.
Em crianças, o Guia acrescenta: respiração rápida com esforço (asas do nariz batendo, costelas marcando ao respirar), gemido ao expirar, chiado, ruído ao inspirar, palidez, lábios arroxeados, desidratação, recusa alimentar e mudança de comportamento, como irritabilidade ou apatia. Em gestantes, falta de ar com sintomas gripais deve ser valorizada mesmo que pareça coisa da gravidez.
Febre alta com dor no corpo também pode ser dengue, que tem outros sinais de alarme; veja o texto sobre dengue e seus sinais de alarme se você mora em área com casos.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico de gripe, resfriado ou covid e a indicação de qualquer remédio cabem ao profissional de saúde que avaliar você.
Perguntas frequentes
Como saber se é gripe ou resfriado?
Pelo Ministério da Saúde, o resfriado é causado por vírus diferentes dos da gripe, como rinovírus, parainfluenza e vírus sincicial respiratório, e tem sintomas mais leves que duram de dois a quatro dias: tosse, nariz entupido, coriza, dor no corpo e dor de garganta leve, com febre menos comum e baixa. A gripe começa de repente, com febre, dor de garganta, tosse, dor no corpo e dor de cabeça.
Dá para diferenciar gripe de covid pelos sintomas?
Não com segurança. O Guia de Manejo e Tratamento de Influenza 2023, do Ministério da Saúde, afirma que não há como diferenciar influenza e covid-19 apenas pelo quadro clínico e que por isso é importante passar por avaliação médica. A covid é confirmada por teste rápido de antígeno ou por exame de biologia molecular, como o RT-PCR.
Quanto tempo dura a gripe?
O Guia de Manejo e Tratamento de Influenza 2023 diz que a gripe costuma se resolver sozinha em cerca de sete dias. A febre em geral começa a cair depois de dois ou três dias e normaliza por volta do sexto dia. Tosse, cansaço e mal-estar podem continuar por uma a duas semanas e, raramente, por mais de seis semanas.
Quais são os sinais de que a gripe ou a covid está piorando?
O Ministério da Saúde lista falta de ar ou respiração acelerada, saturação de oxigênio de 94% ou menos, febre que dura mais de três dias ou volta depois de 48 horas sem febre, confusão mental ou sonolência, pressão baixa, pouca urina, desidratação e piora de doença crônica. Em crianças, observe também esforço para respirar, gemido, lábios arroxeados, recusa alimentar e irritabilidade ou apatia.
Quem tem mais risco de complicação pela gripe?
Segundo o Ministério da Saúde, gestantes em qualquer fase, puérperas até duas semanas após o parto, adultos com 60 anos ou mais, crianças menores de 5 anos, povos indígenas aldeados, pessoas com doenças crônicas do pulmão (incluindo asma), do coração, dos rins, do fígado, do sangue, diabetes, doenças neurológicas, imunossupressão e obesidade com IMC de 40 ou mais. Esses grupos devem procurar atendimento logo no início.
Existe remédio para gripe e para covid no SUS?
Existe para grupos específicos. O Ministério da Saúde indica o antiviral oseltamivir para todos os casos de síndrome respiratória aguda grave e para síndrome gripal em pessoas com fator de risco, de preferência nas primeiras 48 horas, e lembra que ele não serve para covid. Para covid, o SUS oferece nirmatrelvir com ritonavir a pessoas com 65 anos ou mais e imunocomprometidos a partir de 18 anos, em até cinco dias do início dos sintomas. A prescrição é sempre do médico.
Quanto tempo devo ficar em casa com gripe?
O Ministério da Saúde orienta que quem tem sintomas de gripe evite sair de casa no período de transmissão, que pode chegar a sete dias após o início dos sintomas, e que o afastamento do trabalho ou da escola dure até 24 horas depois de a febre passar sem uso de antitérmico. Para covid, a Organização Mundial da Saúde recomenda que quem tem sintomas ou teste positivo fique em casa e longe de outras pessoas.
Fontes consultadas
- 1.Guia de Manejo e Tratamento de Influenza 2023: definições de síndrome gripal e SRAG, sinais de agravamento e grupos de risco — Ministério da Saúde
- 2.Gripe (influenza): sintomas, complicações, tratamento e prevenção — Ministério da Saúde
- 3.Covid-19: transmissão, sinais e sintomas, grupos de risco e tratamento — Ministério da Saúde
- 4.Como se difere resfriado de gripe? — Ministério da Saúde
- 5.Influenza (seasonal): fact sheet — Organização Mundial da Saúde
- 6.Coronavirus disease (COVID-19): fact sheet — Organização Mundial da Saúde


