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Febre em Criança e Bebê: A Partir de Quantos Graus É Febre e Quando É Emergência

No Brasil, febre é temperatura axilar acima de 37,3 °C, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Bebê com menos de 2 meses com 37,5 °C ou mais precisa de atendimento com urgência, e bebê com menos de 3 meses com mais de 38 °C deve ser avaliado sem demora. Veja como medir, o que fazer, o que evitar e os sinais de alerta.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·Atualizado em ·10 min de leitura

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Termômetro digital branco com ponta amarela deitado sobre uma superfície cinza clara
Termômetro digital branco com ponta amarela deitado sobre uma superfície cinza clara

Poucas coisas assustam tanto quanto pôr a mão na testa do filho e sentir que ela está quente. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) dá nome a esse medo: febrefobia. E dá também um número que ajuda a dimensionar o problema: de 20% a 30% das consultas pediátricas têm a febre como queixa principal, proporção que chega a 65% nos serviços de emergência, segundo o texto da entidade para famílias.

A boa notícia é que a maior parte das febres vem de infecções virais que passam sozinhas. A notícia que exige atenção é que, em algumas situações, a febre é o primeiro sinal de algo sério, e essas situações têm cara conhecida. Este texto reúne o que a SBP e o Ministério da Saúde orientam: a partir de quantos graus é febre, como medir, o que fazer em casa, o que evitar e quando não dá para esperar.

A partir de quantos graus é febre?#

Não existe um valor único, porque a temperatura muda conforme o lugar do corpo onde é medida. O documento científico Manejo da Febre Aguda, da SBP, traz as faixas aceitas:

Onde se medeÉ febre quando passa de
Axila37,2 a 37,3 °C
Boca37,5 a 37,8 °C
Ouvido37,8 a 38 °C
Reto38 a 38,3 °C

O mesmo documento afirma que, no Brasil e em muitos países, a febre é definida quando a temperatura axilar ultrapassa 37,3 °C. Há uma variação entre as próprias fontes que vale conhecer: o texto da SBP para famílias diz que, acima de 37,8 °C, a criança pode ser considerada febril, "o que não quer dizer que temos que medicar". E a Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, usa 37,5 °C como sinal de perigo para bebês com menos de 2 meses. Na dúvida, o número mais baixo vale para o bebê pequeno.

Dois detalhes evitam sustos. Primeiro, a temperatura do corpo oscila ao longo do dia: segundo a SBP, é mais baixa de madrugada e mais alta no fim da tarde, e nos bebês essa oscilação pode chegar a 1 °C. Segundo, excesso de roupa e ambiente quente esquentam o corpo sem que haja febre. A SBP chama isso de hipertermia e ensina a diferença: na febre, as mãos e os pés ficam frios, a criança sente frio e pode tremer; na hipertermia, as extremidades estão quentes e há muito suor. Antes de concluir que é febre, tire o excesso de roupa e meça de novo.

Marcou 36,9, 37 ou 37,5 °C: é febre?#

Pelo critério do documento científico da SBP, a temperatura axilar só é febre quando passa de 37,3 °C. Então 36,9 °C e 37 °C, medidos na axila com termômetro digital, estão abaixo do limite. A conta muda para os bebês pequenos, e a tabela mostra por quê:

IdadeQuando a temperatura, sozinha, pede atendimentoFonte
Menos de 2 meses (inclui o bebê de 1 mês)37,5 °C ou mais, ou 35,5 °C ou menos: atendimento com urgênciaCaderneta da Criança e Caderno de Atenção Básica 33, Ministério da Saúde
Menos de 3 mesesAcima de 38 °C ou abaixo de 35,5 °C: avaliação médica sem demoraSBP
3 meses ou maisNão há número que indique gravidade: pesam o estado geral e os sinais de perigoSBP

Na prática, o bebê de 1 mês com 37,5 °C já está na faixa de atendimento, enquanto uma criança maior com 37,5 °C e bom estado geral não tem nenhum sinal de gravidade só por causa do número. Nos dois casos, meça de novo depois de tirar o excesso de roupa, como explicado abaixo.

Como medir a temperatura do jeito certo#

A diretriz resumida pela SBP no Manejo da Febre Aguda é direta:

  • Use termômetro digital na axila. É a medida recomendada para pais e cuidadores, em qualquer idade.
  • Não use termômetro de mercúrio, pelo risco de quebrar e pela toxicidade do metal.
  • Termômetro de ouvido (infravermelho) só depois de 1 mês de vida.
  • Medida no reto não é rotina em crianças com menos de 5 anos, por ser desconfortável e invasiva, e a medida na boca também deve ser evitada.

Anote o valor e o horário. Essa informação ajuda o pediatra mais do que "estava muito quente".

Menina de touca de lã vermelha bebendo água em um copo de vidro, com luz do sol entrando pela janela
Oferecer água e líquidos à vontade é a primeira medida que a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta para a criança com febre. · Foto: Unsplash

O número no termômetro diz se é grave?#

Não, e esse é o achado que muda a conversa em casa. O Manejo da Febre Aguda afirma que não existem evidências de que a altura da febre tenha valor para indicar gravidade ou para distinguir infecção viral de bacteriana. A exceção são os bebês com menos de 3 meses, em que a febre alta, junto com exames alterados, pode indicar infecção bacteriana grave.

O que mostra a gravidade é o estado geral. A SBP descreve na prática: se a criança está com 38,5 °C, brincando e animada, pode-se esperar; se está com 37,8 °C e "caidinha", desanimada, vale tratar e observar com mais cuidado. O documento científico resume a conclusão: a ação mais importante não é combater a febre, mas avaliar o conjunto de sinais e sintomas, dar boa hidratação e, se necessário, o antitérmico para aliviar o mal-estar.

A febre, segundo a SBP, é uma resposta de defesa. Ela acelera a atividade das células de defesa e a produção de anticorpos, e na grande maioria das vezes acompanha infecções por vírus, que não precisam de antibiótico. O documento ainda faz uma observação útil para quem acompanha exames: durante infecções, a hemoglobina pode cair de forma passageira e voltar ao normal em 2 a 4 semanas, o que às vezes é confundido com anemia em crianças. A decisão sobre suplementar ferro nesse momento é do pediatra.

O que fazer em casa#

Para a criança acima de 3 meses, bem disposta e sem sinais de alerta, as orientações da SBP são:

  1. Tire o excesso de roupa e deixe o ambiente arejado.
  2. Ofereça líquidos à vontade: leite materno, água e soro oral. Para o bebê em aleitamento exclusivo, ofereça o peito mais vezes. O texto sobre quanto beber de água por dia mostra as referências por idade.
  3. Meça de novo depois de 30 minutos. Segundo a SBP, muitas febres cedem só com essas medidas.
  4. Observe: tosse, coriza, diarreia, vômitos, manchas na pele e, principalmente, o comportamento da criança.

E o antitérmico?#

A SBP recomenda o antitérmico quando a febre causa desconforto evidente (choro intenso, irritabilidade, menos atividade, falta de apetite, sono ruim), e não a partir de um número fixo. No Brasil, a entidade lista paracetamol, dipirona e ibuprofeno como opções, todos eficazes e seguros quando usados na dose certa e de forma isolada.

A dose é do pediatra. Ela é calculada pelo peso da criança, muda de um remédio para outro e depende até do frasco: a SBP relata que os gotejadores das diversas apresentações entregam quantidades diferentes por gota. Em um estudo brasileiro citado no documento, com 575 cuidadores, 43,3% das crianças haviam recebido dose abaixo da indicada e 8% acima. O mesmo documento alerta que o costume de dar "uma gota por quilo" de dipirona leva a dose acima da preconizada. Em bebês com menos de 1 mês, o único antitérmico recomendado pela SBP é o paracetamol, com dose ajustada pela idade gestacional, e sempre com prescrição.

A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, resume a regra de ouro: nunca dê à criança remédio que não tenha sido receitado pelo médico, e confira a validade do que tem em casa.

O que não fazer#

  • Banho frio, gelo e compressa de álcool. A SBP não recomenda métodos físicos para baixar a febre, a não ser na hipertermia, definida no documento como temperatura central a partir de 40 °C com alteração neurológica. Uma revisão Cochrane citada pela entidade mostra que esses métodos agem rápido, mas por pouco tempo, e aumentam o desconforto, com calafrios e irritação. O álcool tem um risco a mais: ele é absorvido pela pele. Um trabalho publicado em 1986 e indexado no PubMed relata a internação de uma criança com nível quase letal de álcool isopropílico depois de banho com álcool para febre, e os testes em animais que se seguiram confirmaram que a absorção pela pele é relevante.
  • Alternar antitérmicos. "Nunca, repito, nunca, intercale antitérmico", diz o texto da SBP para famílias. Todos agem pelo mesmo mecanismo, a alternância não tem benefício comprovado e aumenta o risco de intoxicação. Se a febre voltar antes da hora da próxima dose, hidrate e refresque a criança com pouca roupa.
  • Ácido acetilsalicílico (AAS). Não é recomendado para febre em crianças, pelo risco de síndrome de Reye, segundo a SBP.
  • Antibiótico por conta própria. Antibiótico não baixa febre e só serve para infecção bacteriana, uma minoria dos casos.
  • Antitérmico "preventivo". Não previne convulsão febril: uma metanálise com 540 crianças citada pela SBP não encontrou diferença em relação ao placebo. E dar antitérmico de rotina na hora da vacina também não é recomendado, porque um estudo reduziu a resposta de anticorpos. As reações esperadas de cada vacina estão no guia de vacinação do bebê.

Convulsão febril: o que saber#

A SBP descreve a convulsão febril como um evento que costuma ocorrer entre os 6 meses e os 6 anos, é benigno, não deixa sequelas e não precisa de remédio preventivo. Depende mais da predisposição, sobretudo quando há casos na família, do que da altura da febre, e pode acontecer com 37,5 °C ou com 39 °C. Mesmo assim, uma primeira convulsão sempre exige avaliação médica, e a Caderneta da Criança a lista entre os sinais de perigo.

Quando procurar atendimento#

Bebê com menos de 3 meses. Leve para avaliação médica sem demora se a temperatura passar de 38 °C ou ficar abaixo de 35,5 °C, como orienta a SBP. Para os menores de 2 meses, o Ministério da Saúde é ainda mais rigoroso: febre a partir de 37,5 °C ou temperatura igual ou menor que 35,5 °C é motivo para procurar o serviço de saúde com urgência, assim como:

  • bebê muito molinho, que se mexe menos que o normal, ou muito sonolento, difícil de acordar;
  • dificuldade para respirar, cansaço ou respiração muito rápida;
  • não conseguir mamar;
  • convulsão ou perda da consciência;
  • pele com pouca elasticidade, manchas avermelhadas ou arroxeadas, urina escura ou fezes com sangue;
  • pus saindo do ouvido.

Criança com mais de 2 meses. A Caderneta lista como sinais de perigo: dificuldade para respirar ou respiração rápida; não conseguir mamar ou tomar líquidos; vomitar tudo o que come e bebe; ficar muito sonolenta, com dificuldade para acordar; convulsão ou perda da consciência; manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele; pele com pouca elasticidade.

A SBP acrescenta, para qualquer idade: criança que continua irritada, com choro persistente ou muito "largadinha" mesmo depois que a temperatura baixa; febre com dor de cabeça forte, dificuldade de dobrar o pescoço, vômitos que não param, confusão ou sonolência; e queda importante do estado geral.

Se algum desses sinais aparecer e houver dificuldade para chegar ao serviço de urgência, ligue 192 (Samu). A ligação é gratuita.

Febre com manchinhas na boca, nas mãos e nos pés é um quadro comum em creches; o texto sobre doença mão-pé-boca explica quanto dura e quando preocupa. E, para o que costuma pegar na volta às aulas, veja também o guia sobre piolho.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. A avaliação da criança com febre, a escolha do antitérmico e a dose são definidas pelo pediatra ou pela equipe de saúde.

Perguntas frequentes

A partir de quantos graus é febre em criança?

Segundo o documento científico Manejo da Febre Aguda, da Sociedade Brasileira de Pediatria, no Brasil se define febre quando a temperatura axilar ultrapassa 37,3 °C. O valor muda conforme o local da medida: na boca, acima de 37,5 a 37,8 °C; no ouvido, acima de 37,8 a 38 °C; no reto, acima de 38 a 38,3 °C. O texto da SBP para famílias usa 37,8 °C como o ponto em que a criança pode ser considerada febril.

37 graus ou 36,9 é febre em bebê e em criança?

Não. Pelo documento científico Manejo da Febre Aguda, da Sociedade Brasileira de Pediatria, a febre na axila começa acima de 37,3 °C, então 36,9 °C e 37 °C estão abaixo do limite. A exceção é o bebê com menos de 2 meses: a Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, considera sinal de perigo a temperatura igual ou maior que 37,5 °C, e nessa idade o pediatra deve ser procurado. Se a criança estiver muito agasalhada, meça de novo depois de tirar o excesso de roupa.

Bebê com menos de 3 meses com febre é emergência?

Sim, trate como urgência. O Caderno de Atenção Básica 33, do Ministério da Saúde, lembra que o bebê com menos de 2 meses pode adoecer gravemente em pouco tempo por infecção bacteriana e manda levá-lo com urgência ao serviço de saúde se a temperatura chegar a 37,5 °C ou ficar abaixo de 35,5 °C. Para os bebês com menos de 3 meses, a Sociedade Brasileira de Pediatria coloca entre as situações de alerta a temperatura acima de 38 °C ou abaixo de 35,5 °C. Não espere a febre passar nem dê antitérmico para ver se melhora: leve o bebê para ser examinado.

Qual o melhor termômetro para medir febre em bebê?

O termômetro digital na axila. O documento Manejo da Febre Aguda, da SBP, recomenda essa medida em todas as idades para quem mede em casa, desaconselha o termômetro de mercúrio pelo risco de quebra e toxicidade, e diz que o termômetro de ouvido (infravermelho) só é indicado para bebês com mais de 1 mês. A medida retal não deve ser rotina em menores de 5 anos.

Banho frio ou compressa de álcool ajudam a baixar a febre?

Não são recomendados. A Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que os métodos físicos só se justificam na hipertermia grave, e cita uma revisão Cochrane segundo a qual eles têm efeito curto e aumentam o desconforto, com calafrios e irritabilidade. O álcool, além disso, é absorvido pela pele: um estudo indexado no PubMed relata uma criança internada com nível quase letal de álcool isopropílico depois de banho com álcool para febre.

Posso alternar dois antitérmicos quando a febre volta?

A Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda. Todos os antitérmicos disponíveis agem pelo mesmo mecanismo, alternar não traz benefício comprovado e aumenta o risco de erro de dose e de intoxicação. Se a febre voltar antes do horário, a orientação da SBP para famílias é hidratar e deixar a criança com pouca roupa. A escolha do remédio e a dose, que é calculada pelo peso, são do pediatra.

Febre alta pode causar convulsão?

A convulsão febril acontece em geral entre 6 meses e 6 anos, é benigna e não deixa sequelas, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Ela depende mais da predisposição da criança do que do número no termômetro, e pode ocorrer com 37,5 °C ou com 39 °C. Dar antitérmico de forma preventiva não evita a convulsão: uma metanálise com 540 crianças citada pela SBP não encontrou diferença.

Quando levar a criança com febre ao pronto-socorro?

Sem esperar, se ela tiver dificuldade para respirar, ficar muito sonolenta ou difícil de acordar, tiver convulsão, não conseguir mamar ou beber, vomitar tudo, apresentar manchas roxas ou avermelhadas na pele ou rigidez no pescoço. São sinais de perigo da Caderneta da Criança e da SBP. Se houver dificuldade para chegar ao serviço, ligue 192 (Samu), ligação gratuita.

Fontes consultadas

  1. 1.Manejo da Febre Aguda: documento científico dos Departamentos de Pediatria Ambulatorial e de Infectologia (2021) — Sociedade Brasileira de Pediatria
  2. 2.Febre: cuidado com a febrefobia (Pediatria para Famílias, 2023) — Sociedade Brasileira de Pediatria
  3. 3.Caderneta da Criança, 6ª edição (2023): sinais de perigo e prevenção de intoxicação — Ministério da Saúde
  4. 4.A comparison of the absorption and metabolism of isopropyl alcohol by oral, dermal and inhalation routes (Vet Hum Toxicol, 1986) — PubMed
  5. 5.Cadernos de Atenção Básica nº 33: Saúde da Criança, crescimento e desenvolvimento (2012), sinais de perigo no menor de 2 meses — Ministério da Saúde
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