Doença Mão-Pé-Boca: Sintomas, Quanto Tempo Dura, Contágio e Cuidados em Casa
A doença mão-pé-boca dura de 7 a 10 dias e passa sozinha na maioria das crianças, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, mas o vírus pode sair nas fezes por até 4 semanas. Não há antiviral: aciclovir não funciona. Veja cuidados e sinais de alerta.
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Ela costuma chegar pela creche: primeiro um bilhete avisando de casos na turma, depois a febre, a recusa em comer e as bolinhas na boca, nas mãos e nos pés. A doença mão-pé-boca assusta pela aparência, mas, na grande maioria das crianças, passa sozinha. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um documento científico sobre ela em 2019 e uma nota de alerta sobre o tratamento em 2025, e o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) têm orientações próprias. Este texto junta o que essas fontes dizem sobre sintomas, contágio, duração, cuidados em casa e sinais de alerta.
O que é a doença mão-pé-boca#
É uma infecção causada por vírus do grupo dos enterovírus, principalmente o Coxsackie. A Nota de Alerta da SBP de 2025 cita como principais agentes o Coxsackie A6 e o enterovírus A71, este último ligado às formas mais graves. Segundo a SBP, a doença é mais comum antes dos 5 anos, embora possa atingir adultos.
O documento científico de 2019 lembra que ela foi descrita pela primeira vez em 1957 e que, desde 1997, há grandes epidemias na Ásia associadas ao enterovírus A71. Na China, em 2009, foram notificados 1.115.525 casos, com 1,2% de formas graves e 353 mortes. O mesmo documento ressalta que, na grande maioria das crianças, a doença é benigna e autolimitada.
Quais são os sintomas?#
Segundo a SBP, o quadro típico combina:
- febre, que a nota de 2025 descreve como baixa a moderada;
- dor de garganta e recusa alimentar;
- aftas na língua e na parte interna da boca, que começam como bolhinhas e viram feridas doloridas;
- bolhinhas e manchas vermelhas nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, que a SBP compara a "grão de arroz", às vezes também em volta da boca.
Nem todo caso tem tudo. A SBP observa que as aftas podem faltar, e a nota de 2025 diz que, sobretudo em menores de 2 anos, as lesões podem aparecer nas nádegas, nos joelhos e nos cotovelos. O Ministério da Saúde acrescenta mal-estar, vômitos, diarreia e muita salivação pela dificuldade de engolir, e lembra que os casos leves podem ser confundidos com resfriado.
A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul, em nota técnica de 2024, descreve a ordem mais comum: primeiro dor de garganta e febre, que normalmente se resolve em 48 horas; um a dois dias depois, as lesões na boca; em seguida, as da pele, que em geral não coçam, mas podem doer.
Em crianças com dermatite atópica, segundo a SBP, as lesões podem se concentrar nas áreas de eczema, que também pioram durante a infecção.
Quanto tempo dura?#
| Fonte | Duração descrita |
|---|---|
| SBP, Nota de Alerta (2025) | Sintomas de 7 a 10 dias, com resolução espontânea |
| SBP, documento científico (2019) | Cerca de uma semana |
| Ministério da Saúde e Secretaria da Saúde do RS | Melhora entre 5 e 7 dias |
Há um efeito tardio que costuma assustar os pais. Segundo o documento científico da SBP, de 3 a 8 semanas depois da infecção, algumas crianças têm descolamento das unhas a partir da base (onicomadese) nas mãos ou nos pés, e outras têm descamação da pele das mãos e dos pés. As unhas se recuperam por completo em cerca de 2 meses, sem tratamento. Mais sobre o crescimento e as alterações das unhas está no guia de unhas.
Outro ponto: a imunidade não dura. A SBP registra que reinfecções foram documentadas, até pela mesma cepa, ou seja, ter tido a doença não protege de ter de novo.
Como pega, e por quanto tempo transmite#
A transmissão é de pessoa para pessoa. Segundo a SBP, o vírus sai nas fezes e nas secreções respiratórias, e o Ministério da Saúde inclui saliva, alimentos e objetos contaminados; a nota técnica do Rio Grande do Sul acrescenta o líquido das lesões de pele. Os números que importam para a família:
- Incubação: de 3 a 6 dias na maioria dos casos, segundo a SBP (o Ministério da Saúde fala em 1 a 7 dias).
- Começo do contágio: alguns dias antes de aparecerem os sintomas.
- Pico de contágio: a primeira semana de doença.
- Eliminação pelas fezes: por semanas. A nota da SBP de 2025 fala em até 4 semanas depois da resolução completa das lesões.
Por isso, a higiene não termina quando a criança melhora. A SBP pede rotina reforçada de lavagem das mãos, especialmente depois da troca de fraldas, durante todo esse período. Adultos raramente adoecem, segundo a SBP, e quando acontece é depois de contato prolongado com crianças doentes.
Tratamento: o que funciona e o que não funciona#
Não existe remédio que mate o vírus. A Nota de Alerta de 2025 da SBP é direta: não há terapia antiviral específica, e o tratamento é de suporte, com remédios para os sintomas e hidratação adequada. A nota também afirma que não há indicação de antibióticos, antivirais ou antifúngicos para as aftas ou para as lesões de pele.
A nota dedica uma seção inteira a um remédio que muitas famílias recebem para esse quadro: o aciclovir. A SBP explica que esse remédio age apenas sobre vírus da família do herpes e que os enterovírus não têm o alvo de que ele precisa, o que o torna "farmacologicamente ineficaz nesta infecção". Para uma doença que se cura sozinha, alerta a entidade, usar remédio fora da indicação expõe a criança a riscos sem benefício. O único antiviral estudado contra enterovírus, o pleconaril, segue em pesquisa e não está disponível no Brasil.
Febre e dor podem ser tratadas com antitérmico e analgésico. A OMS, no guia de manejo clínico, cita o paracetamol e a ingestão adequada de líquidos para os casos sem complicação. O remédio e a dose são indicados pelo pediatra, pelo peso da criança. O que vale e o que não vale para baixar a febre está no texto sobre febre em criança e bebê.
Cuidados em casa#
A OMS considera que a criança com a forma sem complicação, só com lesões na pele e na boca, pode ser cuidada em casa, desde que a família saiba reconhecer os sinais de alerta e volte imediatamente ao serviço de saúde se eles aparecerem.
Hidratação em primeiro lugar. A complicação mais comum, segundo a SBP e a OMS, é a desidratação, porque as aftas doem tanto que algumas crianças deixam de beber e até de engolir a saliva. Ofereça líquidos várias vezes ao dia, em pequenos goles. As referências por idade estão no texto sobre quanto beber de água por dia.
Comida que não machuca. O Ministério da Saúde sugere alimentos pastosos, como purês e mingaus, além de gelatina e sorvete, e bebidas geladas, como água, sucos naturais e chás. Alimento frio e macio dói menos.

Higiene para não passar adiante. As medidas do Ministério da Saúde e da nota técnica do Rio Grande do Sul incluem:
- lavar as mãos antes e depois de cuidar da criança e de levá-la ao banheiro ou trocar a fralda;
- não compartilhar mamadeiras, talheres e copos;
- evitar, na medida do possível, beijos, abraços e outros contatos muito próximos com a criança doente;
- cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;
- lavar com água e sabão e depois desinfetar, com água sanitária diluída, superfícies, objetos e brinquedos que tiveram contato com secreções e fezes (a SBP cita também o álcool 70% para superfícies);
- trocar e lavar diariamente, em separado, as roupas e as roupas de cama da criança;
- descartar fraldas e lenços em lixo fechado.
Escola e creche. A SBP orienta afastar a criança das atividades escolares e sociais até a resolução completa das lesões e o fim da febre. O Ministério da Saúde estima que isso leva de 5 a 7 dias. Segundo a SBP, casos isolados não são de notificação compulsória, mas dois ou mais casos relacionados devem ser notificados como surto.
Gestantes da casa. A nota técnica do Rio Grande do Sul lembra que, em gestantes, a doença, como qualquer quadro com febre, pode levar a abortamento. Gestante com febre deve avisar a equipe do pré-natal.
O Ministério da Saúde informa que não há vacina contra a doença. A SBP registra que a China aprovou, em 2015, uma vacina contra o enterovírus A71, sem experiência relatada fora daquele país.
Quando procurar atendimento#
Procure o pediatra ou o pronto-atendimento se a criança:
- não consegue beber ou mostra sinais de desidratação, que a Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, lista assim: olhos fundos, muita sede, choro sem lágrimas, pouca saliva, pouca urina e pele com pouca elasticidade;
- tem febre de 39 °C ou mais, ou febre que dura mais de 48 horas, sinal de alerta do guia da OMS;
- tem vômitos repetidos;
- fica muito sonolenta, molinha ou difícil de acordar, ou ao contrário muito agitada e irritada;
- apresenta tremores, sustos ou abalos repetidos (a OMS descreve que eles aparecem muitas vezes no início do sono), desequilíbrio para andar ou sentar, fraqueza nos braços ou nas pernas ou olhos que se mexem sem fixar;
- tem respiração rápida ou difícil;
- fica com a pele fria, suada e manchada, coração muito acelerado, que a SBP descreve como sinais de comprometimento do sistema nervoso autônomo e que exigem internação;
- tem lesões muito extensas, muitas feridas na boca que impedem a alimentação, ou sinais de infecção nas feridas, situação em que a SBP prevê o uso de antibiótico.
Se houver dificuldade para chegar ao serviço de saúde, ligue 192 (Samu). Para outras situações comuns na idade escolar, veja também o texto sobre piolho.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico, o tratamento dos sintomas e a liberação para a escola são definidos pelo pediatra.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura a doença mão-pé-boca?
Na Nota de Alerta de 2025 da Sociedade Brasileira de Pediatria, os sintomas duram de 7 a 10 dias, com resolução espontânea e sem complicações na maioria das crianças. O Ministério da Saúde e a Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul falam em melhora entre 5 e 7 dias. Semanas depois, algumas crianças têm descamação nas mãos e nos pés ou descolamento de unhas, que se recuperam sozinhos.
Como a doença mão-pé-boca é transmitida?
Pelo contato com saliva, secreções do nariz e da garganta, líquido das bolhas e fezes, diretamente ou por objetos, brinquedos e alimentos contaminados. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a primeira semana de sintomas é o período de maior contágio, mas o vírus pode continuar saindo nas fezes por até quatro semanas depois que as lesões somem, por isso a higiene das mãos e na troca de fraldas precisa continuar.
Quando a criança pode voltar para a escola?
A Nota de Alerta de 2025 da Sociedade Brasileira de Pediatria orienta afastar a criança das atividades escolares e sociais até a completa resolução das lesões e a ausência de febre. O Ministério da Saúde diz que isso costuma acontecer de 5 a 7 dias depois do início dos sintomas. Quem libera a volta, no caso concreto, é o pediatra.
Aciclovir ou antibiótico tratam a doença mão-pé-boca?
Não. A Sociedade Brasileira de Pediatria afirma, na Nota de Alerta de 2025, que o aciclovir é farmacologicamente ineficaz contra os enterovírus que causam a doença, porque age só sobre vírus da família do herpes. Também não há indicação de antibiótico, antiviral ou antifúngico para as aftas e as lesões de pele. O tratamento é de suporte: aliviar a dor e a febre e manter a hidratação.
O que dar para a criança comer com aftas da mão-pé-boca?
Alimentos pastosos e frios, que doem menos para engolir. O Ministério da Saúde cita purês, mingaus, gelatina e sorvete, e bebidas geladas, como água, sucos naturais e chás, oferecidas em pequenos goles. O ponto principal é garantir líquidos, porque a desidratação, causada pela dor ao engolir, é a complicação mais comum, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Mundial da Saúde.
Adulto pega doença mão-pé-boca?
Pode pegar, mas é raro. A Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que adultos raramente são contaminados e que isso costuma ocorrer depois de contato prolongado com crianças doentes. A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul acrescenta que a maioria dos adultos infectados não tem sintomas. Gestantes com febre devem avisar a equipe do pré-natal.
Quais sinais indicam que a mão-pé-boca está grave?
Febre de 39 °C ou mais, ou que dura mais de 48 horas, vômitos repetidos, sonolência ou moleza fora do normal, irritação intensa, tremores ou sustos repetidos durante o sono, fraqueza nas pernas ou nos braços, desequilíbrio, respiração rápida ou difícil e pele fria e manchada. São sinais de alerta descritos pela Organização Mundial da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria, e pedem avaliação médica imediata.
Fontes consultadas
- 1.Tratamento da doença mão-pé-boca em crianças: Nota de Alerta nº 219 (2025) — Sociedade Brasileira de Pediatria
- 2.Síndrome Mão-Pé-Boca: documento científico dos Departamentos de Dermatologia e Infectologia (2019) — Sociedade Brasileira de Pediatria
- 3.Doença mão-pé-boca (Dicas em Saúde) — Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde
- 4.Nota Técnica nº 05/2024: orientações de vigilância sobre a Síndrome Mão-Pé-Boca — Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul
- 5.Caderneta da Criança, 6ª edição (2023): sinais de desidratação e sinais de perigo — Ministério da Saúde
- 6.A guide to clinical management and public health response for hand, foot and mouth disease (HFMD), 2011 — Organização Mundial da Saúde


