Catapora (Varicela): Sintomas, Quanto Tempo Transmite, Cuidados em Casa e Vacina
A catapora transmite de 1 a 2 dias antes das bolhas até todas virarem crosta, e a criança fica fora da escola por cerca de 7 dias. O SUS vacina aos 15 meses e aos 4 anos, e o AAS é contraindicado. Veja os cuidados em casa e os sinais de alerta.
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Ela costuma chegar no fim do inverno e no começo da primavera, e quase sempre pela escola: um colega com bolinhas, depois outro, depois o bilhete na agenda. A catapora, que os médicos chamam de varicela, é uma das viroses mais contagiosas da infância. Na maioria das crianças ela é leve e passa sozinha, mas tem complicações que valem a atenção da família e um erro comum, dar AAS para a febre, que pode ser grave. Este texto reúne o que dizem o Ministério da Saúde, o Guia de Vigilância em Saúde, o Calendário Nacional de Vacinação de 2026 e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
O que é a catapora e por que ela pode voltar como cobreiro#
A catapora é causada pelo vírus varicela-zóster, da família dos herpesvírus. É a mesma família do vírus do herpes labial, mas são vírus diferentes, com doenças diferentes. O Ministério da Saúde a descreve como uma doença "altamente contagiosa, mas geralmente benigna", mais frequente em crianças e com mais casos no fim do inverno e no início da primavera.
Quem tem catapora uma vez fica, na prática, protegido contra ela. O Guia de Vigilância em Saúde diz que a infecção confere imunidade permanente, embora um segundo episódio possa ocorrer raramente. O vírus, no entanto, não vai embora: ele fica em repouso nos gânglios nervosos pelo resto da vida e pode ser reativado na idade adulta, causando o herpes-zóster, conhecido como cobreiro. O contrário também acontece: uma pessoa com cobreiro pode transmitir o vírus e provocar catapora em quem nunca teve.
O Guia estima que o Brasil tenha em torno de 3 milhões de casos por ano. Só os casos graves internados e os óbitos entram na notificação obrigatória.
Quais são os sintomas da catapora?#
Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas começam, em geral, entre 10 e 21 dias depois do contágio, que é o período de incubação registrado no Guia de Vigilância. Os principais são:
- manchas vermelhas e bolhas no corpo;
- mal-estar e cansaço;
- dor de cabeça;
- perda de apetite;
- febre baixa.
Nos adultos, o Guia descreve uma fase inicial de febre baixa, dor de cabeça, falta de apetite e vômito, que pode durar de horas a três dias. Nas crianças, essa fase costuma não acontecer, e as manchas são o primeiro sinal. A febre, quando vem, é moderada e dura de dois a três dias.
As lesões começam no rosto, no couro cabeludo ou no tronco e se espalham. Cada uma passa por etapas: mancha vermelha, carocinho, bolha de líquido claro, bolha com pus e, por fim, crosta. Como elas surgem em levas, é comum ver, na mesma região do corpo, lesões em fases diferentes. Os médicos chamam isso de polimorfismo, e é a marca da catapora. As bolhas podem aparecer também na boca, no couro cabeludo e na região genital, e causam muita coceira.
Nos adultos a doença é menos frequente (em torno de 3% dos casos, segundo o Guia), mas costuma ser mais forte: febre mais alta e mais longa, mais lesões e mais complicações.
Quanto tempo a catapora transmite?#
O vírus passa pelo contato direto e pelas secreções respiratórias: tosse, espirro e saliva. O Guia de Vigilância acrescenta a transmissão por partículas no ar e por objetos contaminados com o líquido das bolhas.
| Etapa | O que dizem as fontes |
|---|---|
| Incubação (do contágio aos sintomas) | De 10 a 21 dias (Guia de Vigilância em Saúde) |
| Começa a transmitir | De 1 a 2 dias antes das lesões na pele |
| Para de transmitir | Quando todas as lesões estão em crosta |
| Afastamento da escola | 7 dias a partir das primeiras manchas, com volta só quando tudo estiver em crosta (Ministério da Saúde); em média 7 dias, podendo chegar a 14 (SBP) |
| Restrição de locais públicos | Até as lesões cicatrizarem, o que leva em média duas semanas (Ministério da Saúde) |
O Guia de Vigilância lista entre as doenças que podem ser confundidas com catapora as infecções por coxsackievírus, o grupo de vírus da doença mão-pé-boca, além de impetigo e outras infecções de pele. Quem diferencia é o profissional que examina a criança.
O detalhe que mais pega a família de surpresa é o começo: a criança já transmite antes de aparecer a primeira bolha. Por isso, quando surge um caso em casa, irmãos que nunca tiveram catapora e não foram vacinados provavelmente já foram expostos.
Para a escola, o informativo da SBP diz que, em creches, o primeiro caso já é considerado surto, e que a escola deve avisar a Unidade Básica de Saúde de referência para a vacinação de bloqueio nas crianças suscetíveis. O Calendário de Vacinação de 2026 dá o prazo: a vacina de bloqueio deve ser aplicada em até 120 horas (5 dias) depois da exposição.
Como cuidar da catapora em casa#
Para quem não tem risco de complicação, o tratamento é dos sintomas. O que as fontes oficiais orientam:
- Febre e dor: o Ministério da Saúde cita analgésicos e antitérmicos, e o Guia de Vigilância especifica "analgésico não salicilato", ou seja, que não seja da família da aspirina. Qual remédio e qual dose é decisão do profissional de saúde.
- Coceira: compressas de água fria ajudam, e o Ministério cita antialérgicos (anti-histamínicos), também com orientação profissional.
- Higiene: banho apenas com água e sabão. Mãos, roupas e roupa de cama precisam de limpeza rigorosa.
- Unhas curtas: as bolhas não devem ser coçadas e as crostas não devem ser arrancadas. A coceira pode levar bactérias das unhas para as lesões e infeccioná-las.
- Nada de pomadas caseiras: o informativo da SBP para escolas orienta evitar pomadas, cremes, pasta d'água e banho de permanganato, que podem piorar as lesões e a coceira e favorecer infecção.
Para a febre, o texto sobre febre em criança e bebê explica como medir a temperatura e quando ela vira emergência.
AAS é proibido na catapora. O Ministério da Saúde explica que a varicela está associada à síndrome de Reye em crianças e adolescentes que usam ácido acetilsalicílico na fase aguda. A síndrome compromete o fígado e depois o cérebro e começa com vômitos, irritabilidade, inquietação e diminuição progressiva da consciência. Por isso, diz o Ministério, "está contraindicado o uso de AAS por pacientes com Catapora". Confira a composição de qualquer remédio para dor ou febre antes de dar à criança.
Antiviral e antibiótico não são rotina. O Guia de Vigilância reserva o antiviral aciclovir para pessoas com risco de agravamento, por indicação médica. Antibiótico entra só se houver infecção bacteriana das lesões.

Vacina contra catapora no calendário do SUS#
A Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação de 2026, do Ministério da Saúde, define o esquema:
- 1ª dose aos 15 meses, recomendada junto com a 2ª dose da tríplice viral, em locais diferentes do corpo;
- 2ª dose aos 4 anos;
- quem perdeu o prazo pode atualizar até 6 anos, 11 meses e 29 dias, desde que não tenha tido a doença ou haja dúvida;
- se faltar a vacina monovalente, a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) pode ser usada, e duas doses dela completam o esquema.
Por que duas doses? O documento afirma que os níveis de proteção são "significantemente mais elevados com 2 doses". Ele cita dados de pessoas com mais de 13 anos: com uma dose, a taxa de resposta à vacina variou de 72% a 94%; com a segunda, subiu para 94% a 99%.
Quem não pode tomar: gestantes, crianças menores de 9 meses, pessoas com imunidade muito baixa (fora das situações previstas pelos centros de referência) e quem teve reação alérgica grave a dose anterior. Depois da vacina, a Instrução Normativa pede 45 dias sem medicamentos com AAS e orienta mulheres em idade fértil a evitar a gravidez por pelo menos 1 mês.
O calendário completo do primeiro ano, com as reações esperadas de cada vacina, está no texto sobre a vacinação do bebê.
Quem corre mais risco de complicação#
Na criança saudável, a catapora costuma ser benigna. O cuidado maior é com quem convive com ela. O Ministério da Saúde orienta que pessoas com catapora não tenham contato com recém-nascidos, grávidas e pessoas com imunidade baixa, como quem tem aids ou faz quimioterapia, porque nesses grupos a doença pode ser mais grave.
Bebês pequenos. O Guia de Vigilância diz que a mãe que já teve catapora passa anticorpos ao bebê, o que, na maioria das vezes, o protege até os 4 a 6 meses. Como a vacina não pode ser dada antes dos 9 meses, o Calendário de 2026 indica, para contatos menores de 9 meses, a imunoglobulina humana antivaricela-zóster (IGHVZ) em até 96 horas (4 dias) depois do contato. Crianças de 9 a 11 meses expostas recebem uma "dose zero" da vacina.
Gestantes. A infecção nas primeiras 16 semanas pode causar a síndrome da varicela congênita, com baixo peso ao nascer, cicatrizes na pele, alterações nos olhos, nos membros e no cérebro, segundo a Instrução Normativa. E a catapora que começa entre cinco dias antes e dois dias depois do parto pode causar varicela grave no recém-nascido. Gestante que nunca teve catapora e teve contato com um caso, ou com alguém com cobreiro, deve procurar a unidade de saúde logo: a IGHVZ é recomendada de preferência nas primeiras 24 a 48 horas. O acompanhamento da gestação está no guia de pré-natal no SUS.
Adolescentes e adultos. Como descrito acima, a doença tende a ser mais forte, e o Ministério cita a pneumonia como principal causa de morte nesse grupo.
Quais são as complicações da catapora?#
O Ministério da Saúde lista como principais complicações, nos casos graves ou tratados de forma inadequada, a encefalite (inflamação do cérebro), a pneumonia e as infecções na pele e no ouvido. O Guia de Vigilância acrescenta:
- infecção bacteriana das lesões, como impetigo, abscesso, celulite e erisipela, que pode se espalhar para o sangue;
- ataxia cerebelar aguda, que se manifesta como desequilíbrio e dificuldade para andar;
- queda das plaquetas e, em pessoas com imunidade comprometida, formas disseminadas ou hemorrágicas;
- síndrome de Reye, ligada ao uso de AAS.
Quando procurar atendimento#
O Ministério da Saúde orienta procurar um serviço de saúde aos primeiros sintomas, para que um profissional confirme o diagnóstico, oriente o tratamento e avalie a gravidade. Volte ou vá direto ao pronto-atendimento se a criança com catapora tiver:
- lesões com pus, vermelhidão que se espalha ao redor, inchaço ou dor forte na pele, sinais de infecção bacteriana;
- dificuldade para respirar, respiração rápida ou tosse persistente, que podem indicar pneumonia;
- vômitos repetidos, sonolência, irritação intensa, confusão ou convulsão, que podem indicar encefalite ou síndrome de Reye;
- desequilíbrio ao andar ou ao ficar em pé;
- manchas roxas na pele ou sangramentos;
- dor de ouvido ou secreção saindo do ouvido.
Para qualquer criança doente, a Caderneta da Criança lista sinais de perigo que pedem atendimento imediato: dificuldade para respirar ou respiração rápida, não conseguir mamar ou tomar líquidos, vomitar tudo, sonolência excessiva com dificuldade para acordar, convulsão e manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele. Se houver dificuldade para chegar ao serviço de urgência, ligue para o Samu, no 192.
Procure também a unidade de saúde, mesmo sem sintomas, quando um bebê com menos de 9 meses, uma gestante sem histórico de catapora ou alguém com imunidade baixa tiver tido contato com o doente: a proteção com imunoglobulina tem prazo.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico, o tratamento e a decisão sobre a volta à escola cabem ao profissional de saúde que acompanha a criança.
Perguntas frequentes
Quanto tempo a catapora transmite?
Segundo o Ministério da Saúde e o Guia de Vigilância em Saúde, a catapora passa de uma pessoa para outra a partir de 1 a 2 dias antes do aparecimento das lesões na pele e continua transmitindo até que todas as lesões estejam na fase de crosta. Por isso a criança pode contaminar irmãos e colegas antes mesmo de alguém perceber as primeiras bolhas.
Quantos dias a criança com catapora fica sem ir à escola?
O Ministério da Saúde orienta afastar a criança da creche ou da escola por 7 dias a partir do aparecimento das manchas vermelhas, e diz que a volta só deve acontecer quando todas as lesões tiverem virado crosta. O informativo da Sociedade Brasileira de Pediatria para escolas fala em média de 7 dias, podendo chegar a 14. Crianças com imunidade baixa ou com quadro prolongado ficam afastadas até o fim da erupção.
Posso dar AAS (aspirina) para criança com catapora?
Não. O Ministério da Saúde afirma que o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) é contraindicado na catapora porque está associado à síndrome de Reye, que compromete o fígado e o cérebro e causa vômitos, irritabilidade e queda progressiva do nível de consciência. A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que o AAS é fortemente contraindicado em crianças e adolescentes com viroses. O remédio para febre e dor deve ser orientado pelo profissional de saúde.
Pode passar pomada ou pasta d'água na catapora?
O informativo da Sociedade Brasileira de Pediatria para escolas orienta evitar pomadas, cremes, pasta d'água e banho de permanganato, porque essas substâncias podem piorar as lesões e a coceira e favorecer a infecção por bactérias. O Ministério da Saúde recomenda higiene apenas com água e sabão, compressas de água fria para a coceira e unhas bem cortadas para a criança não arrancar as crostas.
Quais são as doses da vacina contra catapora no SUS?
Pela Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação de 2026, são duas doses da vacina varicela: uma aos 15 meses e outra aos 4 anos. Criança que perdeu o prazo pode atualizar a vacinação até 6 anos, 11 meses e 29 dias, se não teve a doença ou na dúvida. Quando falta a vacina monovalente, a tetraviral pode ser usada no lugar.
Quem já teve catapora pode pegar de novo?
É raro. O Guia de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, diz que a infecção confere imunidade permanente, embora raramente possa ocorrer um segundo episódio. O vírus, porém, fica guardado no sistema nervoso e pode ser reativado anos depois como herpes-zóster, o cobreiro. Uma pessoa com cobreiro pode transmitir o vírus e causar catapora em quem nunca teve a doença.
Catapora na gravidez é perigosa?
Pode ser. Segundo a Instrução Normativa do Calendário de Vacinação de 2026, a infecção nas primeiras 16 semanas de gestação pode causar a síndrome da varicela congênita, com baixo peso, cicatrizes na pele e alterações nos olhos e nos membros do bebê. Gestante que nunca teve catapora e teve contato com um caso deve procurar o serviço de saúde logo, porque a imunoglobulina específica tem prazo de até 96 horas após o contato.
Fontes consultadas
- 1.Catapora (Varicela): transmissão, sintomas, complicações, tratamento e prevenção — Ministério da Saúde
- 2.Guia de Vigilância em Saúde, volume 1, 6ª edição revisada (2024): capítulo Varicela/herpes-zóster — Ministério da Saúde
- 3.Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026: vacina varicela monovalente (atenuada) — Ministério da Saúde
- 4.Varicela (Catapora): Informativo para as Escolas nº 42 (2023) — Sociedade Brasileira de Pediatria
- 5.Caderneta da Criança, 6ª edição (2023): sinais de perigo — Ministério da Saúde


