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Herpes Labial: Sintomas, Como Pega, o Que Fazer na Crise e Como Evitar Novas Crises

A OMS estima que 64% das pessoas com menos de 50 anos têm o vírus HSV-1, a principal causa do herpes labial. Veja os sintomas, como ele passa de uma pessoa para outra, por que o tratamento funciona melhor nas primeiras 48 horas e o que ajuda a espaçar as crises.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·8 min de leitura

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Mãos ensaboadas sendo lavadas sob a torneira de uma pia de inox, com um frasco de sabonete ao fundo
Mãos ensaboadas sendo lavadas sob a torneira de uma pia de inox, com um frasco de sabonete ao fundo

Primeiro vem um formigamento ou uma ardência no canto da boca. Horas depois, aparecem bolhinhas agrupadas. Quem já teve herpes labial reconhece o roteiro, e quase sempre com a mesma dúvida: por que ele volta? A resposta está no próprio vírus. E é ela que explica tanto o que fazer na crise quanto o que ajuda a espaçar as próximas.

Este texto usa o que dizem a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, o manual Dermatologia na Atenção Básica, também do Ministério da Saúde, e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O que é herpes labial?#

O herpes labial é uma infecção pelo vírus herpes simples. Existem dois tipos. O tipo 1 (HSV-1) é, segundo a OMS, a principal causa do herpes oral, nos lábios e em volta da boca; o tipo 2 (HSV-2) é a principal causa do herpes genital. O manual do Ministério da Saúde lembra que os dois podem infectar qualquer área da pele ou das mucosas.

O vírus é muito comum. A OMS estima que, em 2020, 3,8 bilhões de pessoas com menos de 50 anos, ou 64% da população mundial nessa faixa, tinham o HSV-1. A maioria pegou na infância, e a maior parte das infecções não dá sintoma ou passa despercebida.

O detalhe que explica tudo: depois da primeira infecção, o vírus não vai embora. A Biblioteca Virtual em Saúde descreve que ele atravessa a pele, percorre um nervo e se instala no organismo de forma inativa, até ser reativado. O manual de Dermatologia na Atenção Básica completa: quando reativado, o vírus desce pelo nervo, volta à pele e produz uma nova crise, em geral no mesmo lugar. Por isso a OMS diz que o herpes tem tratamento, mas não tem cura.

Herpes labial não é cobreiro. A SBD explica que o cobreiro (herpes-zóster) é causado por outro vírus, o varicela-zóster, o mesmo da catapora.

Quais são os sintomas?#

A Biblioteca Virtual em Saúde descreve a crise em etapas:

  1. Aviso. Coceira e ardência no local onde as lesões vão aparecer. O manual do Ministério da Saúde diz que esse aviso pode vir horas ou dias antes.
  2. Bolhas. Pequenas bolhas agrupadas "como num buquê", sobre uma área vermelha e inchada.
  3. Ferida. As bolhas se rompem e liberam um líquido rico em vírus. É a fase de maior risco de transmissão.
  4. Crosta. A ferida seca, forma casca e começa a cicatrizar.

A duração é de cerca de 5 a 10 dias, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde; a SBD fala em 7 a 14 dias nas pessoas com imunidade normal.

A primeira vez costuma ser diferente. A OMS explica que a primeira infecção pode vir com febre, dor no corpo, dor de garganta e ínguas, e que as crises seguintes costumam ser mais curtas e leves. Em crianças, o manual do Ministério da Saúde descreve a gengivoestomatite herpética: feridas espalhadas pela boca e gengiva, que dificultam a alimentação, podendo haver febre alta. O quadro dura de 2 a 6 semanas e tende a curar sem sequelas.

Nem toda ferida na boca é herpes. O mesmo manual cita afta, impetigo e candidíase entre os diagnósticos a diferenciar. Em crianças com feridas na boca e febre, outra causa comum é a doença mão-pé-boca.

Como o herpes labial pega?#

Segundo a OMS, o HSV-1 passa principalmente pelo contato com o vírus nas feridas, na saliva ou na pele em volta da boca. Na prática, o beijo é a via mais comum. A SBD alerta ainda que um simples contato das mãos com as bolhas pode levar o vírus para outras partes do próprio corpo, inclusive os olhos.

Quatro pontos que costumam gerar confusão:

  • Dá para transmitir sem ferida? Dá. A OMS afirma que o vírus pode passar de pele que parece normal, embora o maior risco seja quando há feridas ativas.
  • E pelo copo ou talher? O manual do Ministério da Saúde explica que o vírus é inativado rapidamente em temperatura ambiente e depois de secar, por isso a transmissão por objetos é rara. Mesmo assim, a OMS recomenda não dividir objetos que tocaram a saliva durante a crise. É um cuidado barato.
  • O herpes da boca pode ir para a região genital? Pode. A OMS explica que o HSV-1 também é transmitido para a região genital pelo contato oral-genital, e estima que cerca de 10% das infecções por HSV-1 (376 milhões de pessoas de 15 a 49 anos) sejam genitais. Por isso, quem está com herpes labial deve evitar contato oral com outras pessoas, incluindo o sexo oral, enquanto houver sintomas. A SBD acrescenta não beijar a boca de quem está com lesões e não usar objetos íntimos de outras pessoas.
  • Quanto tempo depois do contato aparece? O período de incubação vai de 1 a 26 dias, com média de 8, e a fase de transmissão se estende de 4 a 12 dias após os primeiros sintomas, segundo o mesmo manual.
Duas xícaras brancas de café com leite sobre pires, em uma mesa clara de mármore
Durante a crise, a OMS orienta não dividir copos, xícaras e outros objetos que tocaram a saliva. · Foto: Unsplash

O que fazer na crise?#

A regra de ouro, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde, é começar o tratamento assim que surgem os primeiros sintomas: assim a crise tende a ser menor e mais curta. A OMS dá o prazo: o tratamento das recorrências é mais eficaz quando começa em até 48 horas do início dos sintomas.

Enquanto isso, as orientações do Ministério da Saúde e da OMS são:

  • não fure as bolhas nem arranque a casca;
  • lave bem as mãos depois de tocar a ferida, porque o vírus pode ir para os olhos, a boca e os genitais;
  • evite beijar e falar muito perto de outras pessoas, principalmente de crianças;
  • não divida copos, talheres, toalhas e batom;
  • para aliviar a dor, a OMS cita bebidas geladas e picolé.

Remédio é com receita. A OMS cita o aciclovir, o fanciclovir e o valaciclovir como os antivirais mais usados. Eles reduzem a duração e a intensidade da crise, mas não eliminam o vírus. A Biblioteca Virtual em Saúde explica que, conforme a intensidade, o tratamento pode ser local (cremes ou soluções) ou por via oral (comprimidos). A SBD é clara: o tratamento é individualizado e só o médico pode indicar o melhor para cada caso. A dose é do profissional, e não de bula copiada da internet.

Como evitar novas crises?#

Não existe forma de eliminar o vírus, mas dá para reduzir os gatilhos que o acordam. As fontes citam:

GatilhoQuem cita
Sol intenso, sem proteçãoMinistério da Saúde, SBD, OMS
Febre e outras infecções, como as respiratóriasMinistério da Saúde, SBD, OMS
Estresse emocional, cansaço físico e mentalMinistério da Saúde, OMS
MenstruaçãoSBD, Ministério da Saúde, OMS
Traumas ou lesões no localMinistério da Saúde, OMS

Proteja os lábios do sol. A OMS afirma que, para quem tem crises puxadas pela luz solar, evitar a exposição e usar protetor pode reduzir as recorrências. O Consenso Brasileiro de Fotoproteção, da SBD, inclui o herpes simples entre as doenças favorecidas pela radiação ultravioleta e recomenda protetor labial em bastão com FPS alto na exposição intencional ao sol, como praia e trabalho ao ar livre. O texto sobre protetor solar explica como escolher e reaplicar.

Cuide do resto. A Biblioteca Virtual em Saúde orienta evitar os fatores desencadeantes e levar uma vida o mais saudável possível. Sono, alimentação e controle do estresse entram aqui; o texto sobre hábitos que fortalecem a imunidade reúne o que tem evidência.

Crises frequentes têm conduta própria. A OMS explica que tomar o antiviral todos os dias, em dose mais baixa (a chamada terapia supressiva), pode diminuir a frequência das crises e costuma ser indicado para quem tem episódios muito dolorosos ou frequentes. O manual do Ministério da Saúde fala em considerar a prevenção para quem tem mais de 4 crises por ano. A decisão, o remédio e a duração são do médico.

Quando procurar atendimento#

Procure a unidade básica de saúde ou um médico, de preferência logo no início da crise, como orienta a SBD. E não espere se:

  1. a lesão estiver perto do olho, ou houver olho vermelho, dor ou visão embaçada: o manual do Ministério da Saúde descreve que o herpes no olho pode causar úlceras profundas e, eventualmente, cegueira;
  2. a pessoa for recém-nascida ou bebê, ou a gestante tiver herpes;
  3. a pessoa tiver a imunidade baixa (transplante, tratamento de câncer, HIV, uso de imunossupressores), em quem a OMS diz que as crises podem ser mais graves e frequentes;
  4. as lesões estiverem espalhadas pelo rosto ou pelo corpo;
  5. uma criança tiver muitas feridas na boca, febre alta e não conseguir comer ou beber; veja também o texto sobre febre em criança;
  6. a crise passar de duas semanas, além do prazo que a SBD descreve, ou as crises se repetirem várias vezes ao ano;
  7. houver convulsão ou piora súbita do estado geral: a OMS cita a encefalite (infecção no cérebro) como complicação rara do HSV-1, e o Ministério da Saúde inclui as crises convulsivas entre os motivos para ligar para o SAMU 192.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e o tratamento do herpes labial são definidos pelo profissional de saúde que atende você.

Perguntas frequentes

Herpes labial tem cura?

Não. A Organização Mundial da Saúde explica que o herpes simples tem tratamento, mas não tem cura: o vírus fica em estado latente dentro de células nervosas e pode se reativar. Os antivirais reduzem a duração e a intensidade das crises, e o uso contínuo, quando indicado pelo médico, pode diminuir a frequência delas.

Como se pega herpes labial?

Principalmente por contato direto com o vírus nas feridas, na saliva ou na pele em volta da boca, como no beijo, segundo a OMS. O risco é maior quando há bolhas, mas a transmissão pode ocorrer mesmo sem lesão visível. O manual Dermatologia na Atenção Básica, do Ministério da Saúde, explica que o vírus é inativado rapidamente fora do corpo e depois de secar, por isso a transmissão por objetos é rara; ainda assim, a OMS orienta não dividir objetos que tocaram a saliva durante a crise.

Quanto tempo dura uma crise de herpes labial?

A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde fala em cerca de 5 a 10 dias, e a Sociedade Brasileira de Dermatologia em 7 a 14 dias nas pessoas com imunidade normal. A crise passa por fases: coceira e ardência, bolhas agrupadas, ferida e crosta. As recorrências costumam ser mais curtas e leves que a primeira infecção, segundo a OMS.

Por que o herpes labial volta?

Porque o vírus não sai do corpo: depois da primeira infecção, ele fica inativo num nervo e pode se reativar. O Ministério da Saúde cita como gatilhos sol intenso, cansaço físico e mental, estresse emocional, febre e outras infecções, e o manual de Dermatologia na Atenção Básica acrescenta traumas no local e menstruação.

Protetor labial com FPS ajuda a evitar herpes?

Pode ajudar quem tem crises puxadas pelo sol. A OMS afirma que, para essas pessoas, evitar a exposição solar e usar protetor solar pode reduzir as recorrências. O Consenso Brasileiro de Fotoproteção, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, lista o herpes simples entre as doenças favorecidas pela radiação ultravioleta e recomenda protetor labial em bastão com FPS alto na exposição intencional ao sol.

Posso tomar aciclovir por conta própria?

Não. A Sociedade Brasileira de Dermatologia afirma que o tratamento é individualizado e que só o médico pode indicar o melhor para cada caso. A OMS cita aciclovir, fanciclovir e valaciclovir como os antivirais mais usados e diz que funcionam melhor se começarem até 48 horas depois dos primeiros sintomas, mas o remédio, a forma (creme ou comprimido) e a dose são decisão do profissional.

Herpes labial é perigoso para bebês?

Recém-nascidos merecem cuidado especial. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde orienta evitar beijar e falar muito perto de outras pessoas, principalmente de crianças, quando a lesão é nos lábios. A OMS descreve o herpes neonatal como raro, mas grave. Durante a crise, não beije o bebê e lave bem as mãos antes de cuidar dele.

Herpes labial e cobreiro são a mesma coisa?

Não. A Sociedade Brasileira de Dermatologia explica que o herpes simples é causado pelos herpesvírus tipo 1 e tipo 2, enquanto o cobreiro (herpes-zóster) é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. São doenças diferentes, com evolução e tratamento diferentes.

Fontes consultadas

  1. 1.Herpes: o que é, sintomas, tratamento e prevenção — Sociedade Brasileira de Dermatologia
  2. 2.Herpes simples (Dicas em Saúde) — Ministério da Saúde (Biblioteca Virtual em Saúde)
  3. 3.Dermatologia na Atenção Básica de Saúde (Cadernos de Atenção Básica nº 9), capítulo Herpes simples — Ministério da Saúde
  4. 4.Herpes simplex virus (fact sheet) — Organização Mundial da Saúde
  5. 5.Brazilian consensus on photoprotection (An Bras Dermatol, 2014): fotodermatoses e proteção dos lábios — Anais Brasileiros de Dermatologia (PubMed Central)
Assuntosherpes labialherpes simplesHSV-1feridas na bocacontágio