Urticária: O Que É, Causas, Diferença Entre Aguda e Crônica e Quando É Emergência
Uma em cada cinco pessoas terá pelo menos um episódio de urticária na vida, segundo a SBD, e na maioria das crises não é alergia, segundo o Ministério da Saúde. Veja causas, a diferença entre aguda e crônica, o tratamento e os sinais de angioedema e anafilaxia que pedem o SAMU 192.
Publicado em ·Atualizado em ·8 min de leitura

Placas vermelhas que coçam muito surgem no braço, somem em poucas horas e reaparecem na barriga. Quem passa por isso costuma ir atrás do "culpado": o camarão do almoço, o sabão novo, o remédio da semana. Às vezes ele existe. Mas o Ministério da Saúde faz uma afirmação que surpreende: na maioria dos casos, urticária não é alergia. Entender isso muda a forma de procurar a causa, e saber reconhecer os poucos sinais de gravidade pode salvar uma vida.
Este texto usa o que dizem a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a Biblioteca Virtual em Saúde e o manual Dermatologia na Atenção Básica, do Ministério da Saúde, e o consenso da SBD sobre urticária crônica, publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia.
O que é urticária?#
A SBD descreve a urticária como uma irritação da pele com lesões avermelhadas e levemente inchadas, como vergões, que coçam muito. Elas podem surgir em qualquer parte do corpo, ser pequenas e isoladas ou se juntar em grandes placas de formatos variados. Aparecem em surtos, a qualquer hora do dia ou da noite, e somem sem deixar marcas. O consenso da SBD detalha: cada lesão dura de 1 a 24 horas, e a pele volta ao normal.
É muito comum. Segundo a SBD, uma em cada cinco pessoas terá pelo menos um episódio de urticária ao longo da vida. A urticária crônica é mais comum em adultos jovens, entre 20 e 40 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade.
Além da coceira, que costuma ser intensa a ponto de atrapalhar o trabalho e o sono, as lesões podem arder ou queimar. E a urticária não é contagiosa: o manual do Ministério da Saúde registra que ela não tem modo de transmissão.
Por que acontece?#
O mecanismo central é a liberação de histamina, uma substância que age nos vasos sanguíneos e na pele e causa o inchaço e a vermelhidão. A Biblioteca Virtual em Saúde afirma que o conhecimento atual mostra que a maioria das crises acontece por mecanismos não alérgicos. O manual Dermatologia na Atenção Básica resume: a urticária pode vir de reação imunológica ou não imunológica.
As fontes citam como possíveis desencadeantes:
- Medicamentos: AAS, diclofenaco, penicilina e alguns remédios para pressão, segundo o Ministério da Saúde. O consenso da SBD inclui anti-inflamatórios e um grupo de remédios para pressão (os inibidores da ECA) entre as perguntas que o médico deve fazer.
- Alimentos: frutos do mar, ovos, nozes, leite, chocolate e conservas.
- Picadas de inseto.
- Infecções.
- Estímulos físicos: frio, calor, sol, água, pressão e atrito na pele, além de exercício físico.
Há também fatores que pioram a crise sem necessariamente causá-la: a SBD cita calor, bebidas alcoólicas e estresse, e o Ministério da Saúde lembra que o estresse não é a primeira causa, mas pode piorar os sintomas.
Qual a diferença entre urticária aguda e crônica?#
A classificação usa dois critérios: o tempo de duração e a existência de uma causa.
| Classificação | Definição (SBD) | O que significa na prática |
|---|---|---|
| Aguda | Sinais e sintomas desaparecem em menos de seis semanas | Quando há um gatilho claro, a SBD orienta afastá-lo sempre que possível |
| Crônica | Sintomas duram seis semanas ou mais | Pede acompanhamento médico e tratamento contínuo |
| Induzida | Há um fator identificado: remédio, alimento, infecção ou estímulo físico | O consenso da SBD lista tipos como urticária ao frio, ao calor, à pressão, solar, à água, a colinérgica e o dermografismo sintomático |
| Espontânea | Nenhuma causa é identificada (também chamada de idiopática) | É comum na forma crônica; o consenso da SBD diz que exames extensos raramente são necessários |
O manual do Ministério da Saúde acrescenta um alerta: a urticária nem sempre é um diagnóstico, podendo ser sinal de uma doença em outro órgão. Por isso, quando as crises persistem, o médico investiga com a história detalhada e, se necessário, exames de sangue, urina ou fezes. A biópsia fica para os casos de difícil controle ou para diferenciar de outras doenças.
Como é o tratamento?#
A SBD define a meta sem meias palavras: o tratamento é eficaz quando a pessoa fica completamente livre dos sinais e sintomas. O caminho depende do tipo.
Urticária aguda. Quando é possível identificar a causa, o Ministério da Saúde diz que a primeira medida é suspender o contato com o agente desencadeador. Para aliviar os sintomas, cita os anti-histamínicos (antialérgicos) por via oral. E faz uma observação útil: pomadas e cremes não costumam ter resultado no controle da urticária.
Urticária crônica. Não tem cura, segundo o Ministério da Saúde, mas as crises podem ser controladas. O consenso da SBD sobre a forma crônica espontânea descreve uma escada:
- Anti-histamínicos de segunda geração, os que dão menos sono, como base do tratamento contínuo.
- Ajuste de dose quando a dose habitual não controla, feito pelo especialista, já que o consenso registra que doses acima da bula não são aprovadas no Brasil.
- Omalizumabe, um medicamento biológico injetável, para os casos que não respondem.
- Corticoide por via oral só por poucos dias, nas pioras importantes, e com supervisão do especialista, para evitar efeitos colaterais.
A SBD informa que 25% a 33% das pessoas com urticária crônica espontânea não respondem aos antialérgicos, mesmo em doses aumentadas, e que há opções mais modernas disponíveis no Brasil para elas. O consenso também alerta que os antialérgicos mais antigos dão sono e atrapalham tarefas como dirigir.
Todas essas decisões, inclusive o remédio e a dose, são do médico. O Ministério da Saúde e a SBD repetem a mesma frase: a automedicação pode prejudicar o controle da doença.
E a boa notícia: a SBD afirma que, mesmo sem descobrir a causa, a urticária pode ser controlada em mais da metade dos casos entre seis meses e um ano.
O que ajuda no dia a dia?#
As recomendações do Ministério da Saúde e da SBD:
- Afaste-se do gatilho, se você já sabe qual é. É a forma mais segura de prevenir crises.
- Evite coçar, principalmente onde há lesões.
- Use compressas frias sobre as placas para aliviar a coceira.
- Evite calor, álcool e estresse, que pioram a irritação.
- Dieta, só com orientação. A SBD cita que uma dieta sem corantes, conservantes, embutidos, enlatados, peixes e frutos do mar, chocolate, ovo, refrigerantes e sucos artificiais costuma ajudar durante o tratamento. O consenso da SBD pondera, porém, que a única prova de que algo causa a urticária é ela sumir ao retirar o fator e voltar ao reintroduzi-lo, e que a melhora pode ser coincidência. Cortar alimentos por conta própria pode empobrecer a dieta sem resolver nada.
A coceira noturna costuma roubar o descanso; o guia de qualidade do sono traz o que ajuda a dormir melhor nesse período. Se a pele também resseca e coça fora das crises, vale conhecer a dermatite atópica, que é outra condição.
Quando a urticária é emergência?#
Na maioria das vezes, a urticária incomoda muito, mas não é grave. Há duas exceções que exigem ação imediata.
Angioedema. É um inchaço rápido, intenso e localizado, que atinge principalmente pálpebras, lábios, língua e garganta. A SBD explica que, algumas vezes, ele dificulta a respiração e se torna risco de vida. O consenso descreve que o angioedema costuma doer mais do que coçar e leva mais tempo para sumir, cerca de 72 horas.
Anafilaxia. É quando a reação envolve o corpo todo, com náuseas, vômitos, queda da pressão arterial e inchaço na garganta, com dificuldade para respirar. A SBD e o Ministério da Saúde dizem que esses casos são graves e precisam de atendimento de emergência. O manual Dermatologia na Atenção Básica cita a adrenalina entre os tratamentos usados no serviço de saúde nos casos de angioedema.

O Ministério da Saúde informa que o SAMU 192 é gratuito, funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, e que o atendimento começa na própria ligação, com orientações de um médico regulador sobre as primeiras ações. Problemas respiratórios e situações com risco de morte estão entre os motivos para chamar.
Quando procurar atendimento#
Ligue 192 ou vá imediatamente a um pronto-socorro se, junto com a urticária, houver:
- dificuldade para respirar, falar ou engolir, orientação literal do Ministério da Saúde;
- inchaço na língua, nos lábios ou na garganta;
- sinais de queda da pressão arterial, que a SBD descreve como parte da anafilaxia;
- náuseas e vômitos junto com as placas, sinal de que a reação pode estar envolvendo o corpo todo.
Procure a unidade básica de saúde ou o dermatologista se:
- as crises durarem mais de seis semanas ou voltarem com frequência;
- a coceira atrapalhar o sono ou o trabalho;
- você suspeitar que um remédio de uso contínuo esteja provocando as crises (não o suspenda por conta própria; leve a dúvida ao médico);
- houver febre, dor nas articulações ou outros sintomas junto com as placas, já que a urticária pode ser sinal de outra doença.
Para manter o acompanhamento em dia, veja o texto sobre check-up de saúde.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e o tratamento da urticária são definidos pelo médico que acompanha você.
Perguntas frequentes
Urticária é alergia?
Nem sempre, e na maioria das vezes não. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde afirma que a maioria das crises acontece por mecanismos não alérgicos: o que ocorre é a liberação de histamina, que age nos vasos e na pele e causa inchaço e vermelhidão. A urticária pode ter gatilhos alérgicos, como certos alimentos, remédios e picadas de inseto, mas também físicos, infecções ou nenhuma causa identificada.
Qual a diferença entre urticária aguda e crônica?
O tempo. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a urticária é aguda quando os sinais e sintomas desaparecem em menos de seis semanas e crônica quando duram seis semanas ou mais. A crônica pode ser induzida, quando há um fator identificado, como frio, calor, pressão ou sol, ou espontânea, quando não se encontra a causa.
Urticária passa sozinha?
Muitas vezes, sim. Cada placa dura de 1 a 24 horas e some sem deixar marca, segundo o consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia sobre urticária crônica. A SBD informa que, mesmo sem descobrir a causa, a urticária pode ser controlada em mais da metade dos casos entre seis meses e um ano. Se as crises se repetem ou duram semanas, o acompanhamento médico é necessário.
Urticária pega?
Não. O manual Dermatologia na Atenção Básica, do Ministério da Saúde, registra que a urticária não tem modo de transmissão nem período de transmissibilidade: é uma reação da própria pele, e não uma infecção que passa de uma pessoa para outra.
Qual remédio é usado para urticária?
O Ministério da Saúde cita os anti-histamínicos (antialérgicos) por via oral para aliviar a urticária aguda e afirma que pomadas e cremes não costumam controlar a doença. Na urticária crônica espontânea, o consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia descreve uma escada de tratamento com anti-histamínicos de segunda geração, ajustes feitos pelo especialista e, nos casos que não respondem, o omalizumabe. A escolha e a dose são sempre do médico, e o Ministério da Saúde reforça: não se automedique.
Quando a urticária é emergência?
Quando aparece inchaço rápido nos lábios, na língua, nas pálpebras ou na garganta (angioedema) com dificuldade para respirar, falar ou engolir, ou quando a reação envolve o corpo todo, com náuseas, vômitos e queda de pressão (anafilaxia). A Sociedade Brasileira de Dermatologia e o Ministério da Saúde dizem que esses casos são graves e precisam de atendimento imediato. Ligue para o SAMU 192, gratuito e 24 horas.
Precisa fazer dieta para urticária?
Só com orientação médica. A Sociedade Brasileira de Dermatologia cita que uma dieta sem corantes, conservantes, embutidos, enlatados, frutos do mar, chocolate, ovo e refrigerantes costuma ajudar durante o tratamento. O consenso da SBD sobre urticária crônica lembra, porém, que a melhora depois de retirar um alimento pode ser coincidência, porque a doença também melhora sozinha. Cortar alimentos por conta própria pode empobrecer a dieta sem resolver a causa.
Fontes consultadas
- 1.Urticária: o que é, tipos, sintomas, tratamento e prevenção — Sociedade Brasileira de Dermatologia
- 2.Urticária (Dicas em Saúde) — Ministério da Saúde (Biblioteca Virtual em Saúde)
- 3.Consensus on the diagnostic and therapeutic management of chronic spontaneous urticaria in adults – Brazilian Society of Dermatology (An Bras Dermatol, 2019) — Anais Brasileiros de Dermatologia (PubMed Central)
- 4.Dermatologia na Atenção Básica de Saúde (Cadernos de Atenção Básica nº 9), capítulo Urticária — Ministério da Saúde
- 5.SAMU 192: quando chamar — Ministério da Saúde


