Psoríase: O Que É, Sintomas, Tipos e Como Tratar Pelo SUS
A psoríase atinge cerca de 2% da população mundial, não é contagiosa e não tem cura, mas tem controle. Veja sintomas, tipos, o que piora as crises e a escada de tratamento do protocolo do Ministério da Saúde, do creme ao medicamento biológico gratuito no SUS.
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Placas vermelhas que descamam nos cotovelos, nos joelhos ou no couro cabeludo costumam vir acompanhadas de uma pergunta que magoa quem tem a doença: "isso pega?". Não pega. A psoríase é uma doença inflamatória crônica, ligada ao sistema de defesa do corpo, e o estigma pesa tanto que a Organização Mundial da Saúde aprovou em 2014 uma resolução pedindo aos países que combatam a discriminação contra quem convive com ela. Este texto explica o que é a psoríase, como reconhecer os tipos, o que dispara as crises e, com base no protocolo do Ministério da Saúde, o que o SUS oferece em cada fase do tratamento.
O que é psoríase?#
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) define a psoríase como uma doença de pele relativamente comum, crônica, não contagiosa e cíclica, com sintomas que desaparecem e reaparecem. Ela é autoinflamatória: por predisposição genética, somada a fatores do ambiente e do comportamento, células de defesa liberam substâncias inflamatórias na pele, que reage acelerando a renovação das células. O resultado é a placa avermelhada que descama.
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Psoríase, do Ministério da Saúde, aprovado pela Portaria Conjunta nº 18, de 2021, acrescenta que a doença é sistêmica: não fica só na pele. Ela se associa a obesidade, diabetes, hipertensão, depressão e alcoolismo, entre outras condições, e pode atingir as articulações.
Alguns números do protocolo:
- atinge cerca de 2% da população mundial;
- no Brasil, o Censo Dermatológico da SBD encontrou psoríase em 2,5% das 54.519 pessoas atendidas por dermatologistas, e um estudo por telefone, em 3.002 residências, estimou 1,31%;
- pode começar em qualquer idade, em geral entre os 20 e os 40 anos, com picos descritos até os 20 e depois dos 50;
- atinge homens e mulheres na mesma proporção.
Psoríase é contagiosa?#
Não. A SBD é taxativa: "a doença não é contagiosa e o contato com pacientes não precisa ser evitado". O protocolo do Ministério da Saúde e a resolução WHA67.9 da OMS também a classificam como doença não transmissível. A mesma resolução reconhece que muitas pessoas com psoríase sofrem estigma e discriminação no trabalho e na vida social, e incentiva os países a promover ações de conscientização sobre a doença todo dia 29 de outubro.
Quais são os sintomas?#
Segundo a SBD, variam de pessoa para pessoa, mas podem incluir:
- manchas vermelhas com escamas secas, esbranquiçadas ou prateadas;
- pele ressecada e rachada, às vezes com sangramento;
- coceira, queimação e dor;
- unhas grossas, descoladas, amareladas, com sulcos e pequenas depressões;
- inchaço e rigidez nas articulações;
- manchas claras ou escuras que ficam depois que a placa melhora.
O protocolo descreve a placa típica: bordas bem delimitadas, escamas branco-prateadas, secas e aderidas, que deixam pontinhos de sangue quando são removidas. As placas costumam ser simétricas e aparecem mais nos joelhos, cotovelos, couro cabeludo e região lombar. O diagnóstico é clínico, feito pelo exame da pele, e a biópsia fica para casos atípicos. O mesmo documento lista doenças que podem ser confundidas com psoríase, entre elas os eczemas e as micoses, o que reforça a importância da consulta. Se a dúvida é entre psoríase e fungo, o texto sobre micose de pele mostra as diferenças; se é com eczema, veja o guia de dermatite atópica.
Quais são os tipos de psoríase?#
| Tipo | Como aparece, segundo a SBD |
|---|---|
| Em placas (vulgar) | A mais comum (75% a 90% dos casos, pelo protocolo). Placas secas, vermelhas, com escamas prateadas, em joelhos, cotovelos, couro cabeludo, lombar e umbigo |
| Ungueal | Unha cresce de forma anormal, engrossa, muda de cor e pode descolar |
| Do couro cabeludo | Áreas vermelhas com escamas grossas, que soltam flocos no cabelo e nos ombros. Lembra caspa |
| Gutata | Pequenas lesões em forma de gota no tronco, braços e pernas, em geral após infecção de garganta. Mais comum em crianças e jovens, pode melhorar sozinha |
| Invertida | Nas dobras (axilas, virilha, embaixo dos seios), vermelha e sem a descamação grossa |
| Pustulosa | Bolhas com aspecto de pus sobre pele muito vermelha. A forma generalizada causa febre e calafrios e pode trazer risco de morte sem tratamento |
| Eritrodérmica | A menos comum. Vermelhidão em todo o corpo, com febre e calafrios. Muitas vezes exige internação |
| Artropática (artrite psoríaca) | Dor e rigidez nas articulações, inclusive na coluna, que podem deixar deformidades |
As unhas merecem atenção: unha grossa e descolada também pode ser fungo. O guia de unhas explica o que observar antes da consulta.
Por que a psoríase aparece e o que piora as crises?#
A genética pesa. O protocolo do Ministério da Saúde informa que o risco de desenvolver a doença é de 20% quando um dos pais tem psoríase e de 75% quando os dois têm. A SBD acrescenta que 30% a 40% dos pacientes sabem ter um parente de primeiro grau com a doença.
Mas é preciso um gatilho. O protocolo e a SBD citam:
- clima frio, que resseca a pele (a exposição ao sol, orientada pelo dermatologista, tende a melhorar);
- infecções, como a de garganta por estreptococo;
- estresse agudo ou crônico, como a perda de um familiar;
- obesidade;
- álcool e cigarro, que tendem a piorar as lesões (o texto sobre como parar de fumar mostra o apoio que o SUS oferece);
- medicamentos, entre eles betabloqueadores como o propranolol, antimaláricos como a cloroquina, lítio, inibidores da enzima conversora de angiotensina, interferon, anti-inflamatórios e a retirada brusca de corticoide.
Sobre os remédios: não suspenda nada por conta própria. O protocolo orienta discutir cada caso para trocar de classe quando possível.
Como é o tratamento?#
O protocolo do Ministério da Saúde é claro sobre a expectativa: a psoríase "é uma doença crônica e incurável", e o objetivo do tratamento é obter períodos prolongados de remissão. A SBD completa que, com as opções atuais, já é possível viver com a pele sem ou quase sem lesões. O tratamento é escolhido pela gravidade. O protocolo considera moderada a grave a psoríase com mais de 10% da pele atingida, escore de gravidade (PASI) acima de 10, grande impacto na qualidade de vida, comprometimento de duas ou mais unhas, ou lesões em palmas, plantas, rosto, genitais, couro cabeludo e dobras que não respondem a três meses de tratamento tópico.
Psoríase leve a moderada. Começa com hidratação da pele e corticoide em creme: dexametasona nas áreas de pele fina e clobetasol nas demais. Com boa resposta, o corticoide é reduzido (por exemplo, só nos fins de semana) e a manutenção é feita com hidratantes, pomada de alcatrão ou de ácido salicílico. Sem melhora, entra o calcipotriol, um derivado da vitamina D. O protocolo limita o corticoide a períodos de 15 a 60 dias e manda poupar rosto e dobras, pelo risco de afinar a pele, de efeito rebote e de estrias.
Psoríase grave. Se houver acesso, começa pela fototerapia com ultravioleta B de faixa estreita ou PUVA, duas a três vezes por semana, em serviço especializado. A SBD alerta que cabine de bronzeamento artificial não é fototerapia e pode trazer mais riscos que benefícios. Sem resposta, vêm os comprimidos ou injeções: metotrexato em primeira linha, acitretina em segunda (primeira nas formas pustulosa e eritrodérmica) e ciclosporina em terceira.
Biológicos. Quando esses falham, não são tolerados ou são contraindicados, o protocolo indica o adalimumabe. Se ele também falhar, as opções são secuquinumabe, ustequinumabe ou risanquizumabe. Para crianças e adolescentes de 6 a 18 anos, o biológico indicado após a terapia padrão é o etanercepte. Antes de qualquer biológico, o protocolo exige investigar tuberculose, porque esses remédios reduzem a defesa contra infecções.
Perder peso também conta. O protocolo registra que a perda de peso sem cirurgia está associada à redução da gravidade da psoríase em pessoas com sobrepeso ou obesidade, embora não exista dieta ou meta definida. O texto sobre como emagrecer de forma saudável é um bom ponto de partida.
As doses e a escolha de cada remédio são do profissional. E a SBD lembra: interromper o tratamento sem autorização médica pode piorar a psoríase.
O que o SUS oferece?#

Todos os tratamentos citados acima estão no protocolo, e a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename 2024) mostra onde cada um é financiado:
| Onde | Medicamentos (Rename 2024) |
|---|---|
| Componente básico, dispensado na atenção primária | Ácido salicílico 5% em pomada, alcatrão mineral 1% em pomada, dexametasona 0,1% em creme |
| Componente especializado, para doenças crônicas com protocolo do Ministério da Saúde, dispensado pelas secretarias estaduais de saúde | Clobetasol em creme e solução capilar, calcipotriol em pomada, acitretina, metotrexato, ciclosporina, adalimumabe, etanercepte, ustequinumabe, secuquinumabe e risanquizumabe |
O caminho começa na unidade básica de saúde. O protocolo diz que a identificação precoce e o encaminhamento ágil pela atenção básica são essenciais para o resultado, e que a psoríase grave deve ser atendida em serviço especializado, responsável pelo diagnóstico, pela inclusão no protocolo e pelo acompanhamento. A prescrição dos biológicos depende da disponibilidade na assistência farmacêutica do SUS.
Psoríase e gravidez#
O protocolo traz cuidados específicos. A fototerapia com UVB de faixa estreita é o tratamento de primeira linha para gestantes com psoríase grave ou gutata que precisam de tratamento sistêmico, e não mostrou efeito sobre a formação do bebê (o documento avisa que pode surgir melasma). Já o metotrexato e a acitretina são contraindicados na gestação, na amamentação e para quem planeja engravidar, e no caso do metotrexato a regra vale também para homens. Com biológicos, o protocolo pede contracepção eficaz durante o uso. Quem pensa em engravidar deve conversar com o médico antes.
Psoríase e saúde emocional#
O protocolo do Ministério da Saúde afirma que a psoríase tem impacto na qualidade de vida comparável ou maior que o de outras doenças crônicas, como câncer, diabetes e depressão, que se associa a mais ansiedade, depressão e ideação suicida, e que o impacto na vida sexual pode chegar a 71% dos casos. O tratamento da depressão pode ajudar no controle da pele, e a psicoterapia é considerada relevante.
Se a doença está pesando, fale disso na consulta. Em sofrimento intenso, o Ministério da Saúde orienta procurar o CAPS ou a unidade básica de saúde, e o CVV atende pelo 188, com ligação gratuita, 24 horas, de qualquer telefone. Em risco imediato, ligue para o SAMU 192 ou vá a uma UPA ou pronto-socorro.
Quando procurar atendimento#
Procure a unidade de saúde ou um dermatologista se:
- aparecerem placas vermelhas que descamam e não melhoram, ou unhas que engrossam e descolam: a SBD orienta procurar o dermatologista assim que surgirem os sintomas, porque o diagnóstico precoce facilita o tratamento;
- surgirem dor, inchaço ou rigidez nas articulações, sinais possíveis de artrite psoríaca;
- o tratamento atual não estiver funcionando, para avaliar a próxima etapa do protocolo;
- a doença estiver afetando seu humor, seu sono ou suas relações.
Vá a um serviço de urgência se houver vermelhidão no corpo todo, bolhas com aspecto de pus espalhadas, febre ou calafrios: a SBD descreve a psoríase pustulosa generalizada e a eritrodérmica como formas graves, que podem exigir internação.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e o tratamento da psoríase são definidos por um profissional de saúde.
Perguntas frequentes
Psoríase pega?
Não. A Sociedade Brasileira de Dermatologia afirma que a psoríase não é contagiosa e que o contato com quem tem a doença não precisa ser evitado. O Protocolo Clínico do Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde também a descrevem como doença não transmissível. Abraçar, dividir piscina ou toalha com quem tem psoríase não passa a doença.
Psoríase tem cura?
Não, mas tem controle. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Psoríase, do Ministério da Saúde, descreve a doença como crônica e incurável e define como objetivo do tratamento longos períodos de remissão. A SBD diz que, com as opções atuais, já é possível viver com a pele sem ou quase sem lesões, qualquer que seja a gravidade.
O SUS oferece remédio para psoríase?
Sim. O protocolo do Ministério da Saúde inclui pomadas e cremes (ácido salicílico, alcatrão, dexametasona, clobetasol e calcipotriol), fototerapia, metotrexato, acitretina, ciclosporina e os biológicos adalimumabe, etanercepte, ustequinumabe, secuquinumabe e risanquizumabe. Pela Rename 2024, ácido salicílico, alcatrão e dexametasona ficam no componente básico, da atenção primária, e os demais no componente especializado, voltado a doenças crônicas com protocolo do Ministério da Saúde e dispensado pelas secretarias estaduais.
Psoríase é hereditária?
Há forte componente genético. O protocolo do Ministério da Saúde informa que o risco é de cerca de 20% quando um dos pais tem psoríase e de 75% quando os dois têm, e a SBD diz que 30% a 40% dos pacientes sabem ter um parente de primeiro grau com a doença. Mas genética não é destino: fatores como estresse, infecções e alguns remédios ajudam a disparar as crises.
O que piora a psoríase?
O protocolo do Ministério da Saúde e a SBD citam clima frio, infecções (como a de garganta por estreptococo), estresse, obesidade, álcool, cigarro e alguns medicamentos, entre eles betabloqueadores, antimaláricos, lítio, inibidores da ECA e anti-inflamatórios. Não suspenda remédio por conta própria: leve a lista ao médico.
Psoríase pode atacar as articulações?
Pode. É a artrite psoríaca. O protocolo do Ministério da Saúde estima que 20% a 30% das pessoas com psoríase vão desenvolvê-la, e a resolução da OMS fala em até 42%. Em cerca de 84% dos casos, as lesões de pele aparecem em média 12 anos antes da artrite. Dor, inchaço e rigidez nas juntas devem ser levados ao médico.
Grávida com psoríase pode se tratar?
Pode, com escolhas específicas. O protocolo do Ministério da Saúde diz que a fototerapia com UVB de faixa estreita é o tratamento de primeira linha para gestantes com psoríase grave que precisam de tratamento sistêmico, e lista gestação, amamentação e planejamento de gravidez como contraindicação ao metotrexato e à acitretina. Quem planeja engravidar deve avisar o médico antes.
Fontes consultadas
- 1.Psoríase: o que é, sintomas, tipos e tratamento — Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
- 2.Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Psoríase (Portaria Conjunta nº 18, de 14/10/2021) — Ministério da Saúde / Conitec
- 3.Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename 2024) — Ministério da Saúde
- 4.Resolução WHA67.9: Psoriasis (2014) — Organização Mundial da Saúde (OMS)
- 5.Suicídio: prevenção e onde buscar ajuda (CVV 188, CAPS, UBS, SAMU 192) — Ministério da Saúde


