Queimadura de Sol: O Que Fazer, O Que Não Fazer e Quando Procurar Atendimento
A queimadura de sol leve, sem bolhas, descama em 4 a 6 dias, segundo o Ministério da Saúde. Veja como resfriar a pele, por que gelo, manteiga e pasta de dente pioram e quais sinais pedem atendimento.
Publicado em ·8 min de leitura

Pele vermelha, quente e ardendo no fim do dia de praia, do jogo de futebol ou de um trabalho ao ar livre: a queimadura de sol é tão comum que muita gente trata em casa com o que tem na geladeira. É aí que mora o problema. Gelo, manteiga e pasta de dente estão entre as coisas que os órgãos de saúde pedem para não usar. Este texto reúne o que o Ministério da Saúde, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) orientam sobre o que fazer, o que evitar e quando a queimadura deixa de ser caso para cuidar em casa.
A queimadura de sol é uma queimadura de verdade?#
É. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde classifica o excesso de exposição ao sol entre as causas de queimaduras térmicas, ao lado do fogo e dos líquidos ferventes. A SBD inclui a radiação solar no grupo das queimaduras por radiação. Na prática, o raciocínio é o mesmo: interromper a fonte de calor, resfriar a pele e avaliar a profundidade.
A Cartilha para tratamento de emergência das queimaduras, do Ministério da Saúde, usa o próprio sol como exemplo. Ela descreve a queimadura de primeiro grau, que chama de "eritema solar", assim:
- atinge só a epiderme, a camada mais superficial da pele;
- não forma bolhas;
- causa vermelhidão, dor e inchaço;
- descama em 4 a 6 dias.
A de segundo grau já atinge parte da derme e forma bolhas. A Cartilha diz que a recuperação leva de 7 a 21 dias. A Biblioteca Virtual em Saúde acrescenta que, nas formas mais profundas de segundo grau, a cicatrização pode passar de três semanas e costuma deixar marcas. A SBD lembra que a exposição prolongada ao sol, sem proteção, pode causar lesões de primeiro e de segundo grau.
O que fazer logo depois de se queimar?#
- Saia do sol. A primeira medida da Cartilha é interromper o processo de queimadura, e a SBD fala em afastar aquilo que queimou.
- Resfrie a pele com água. A Biblioteca Virtual em Saúde orienta deixar a área sob água corrente fria, com jato suave, por cerca de dez minutos, ou usar compressas úmidas e frias. A SBD detalha: água da torneira ou do chuveiro em temperatura ambiente, nem gelada nem quente, por cerca de 20 minutos.
- Tire anéis, relógio e acessórios da área queimada antes que ela inche. A Cartilha inclui a retirada de roupas, joias, anéis e piercings no atendimento imediato.
- Cubra, se precisar. Se houver poeira ou insetos, a Biblioteca Virtual em Saúde sugere cobrir a área com um pano limpo e úmido.
- Beba água. O Ministério da Saúde lembra que o calor favorece a desidratação e orienta beber água com regularidade, mesmo sem sede, e evitar bebidas alcoólicas. Para calcular a sua necessidade, use a calculadora de ingestão de água ou leia o texto sobre quanto beber de água por dia.
- Fique longe do sol até a pele se recuperar. Voltar a se expor sobre uma pele já queimada é somar dano ao dano.

O que não fazer na queimadura de sol?#
As receitas caseiras são o principal erro. A tabela resume o que as fontes oficiais dizem:
| Em vez de... | Faça... | Fonte |
|---|---|---|
| Gelo direto na pele | Água corrente em temperatura ambiente ou compressa fria | SBD |
| Manteiga, pó de café ou pasta de dente | Só água; produto na pele, apenas com orientação | Ministério da Saúde (BVS) e SBD |
| Arrancar a pele que solta ou tecidos grudados | Deixar a pele como está e procurar avaliação se houver bolhas | Ministério da Saúde (BVS) |
| Continuar exposto ao sol | Interromper a exposição: sombra, roupa e chapéu | Cartilha do Ministério da Saúde e SBD |
A Biblioteca Virtual em Saúde é taxativa: nunca coloque manteiga, pó de café, creme dental ou qualquer outra substância sobre a queimadura, porque somente o médico sabe o que deve ser aplicado no local. Também orienta nunca tentar descolar tecidos grudados na pele queimada. A SBD reforça que não se deve seguir tutoriais ou recomendações populares sem embasamento científico.
O mesmo vale para remédios. Pomada, creme ou analgésico para dor devem ser escolhidos com orientação de um profissional de saúde, que avalia a profundidade e a extensão da queimadura.
Por que a queimadura de sol preocupa a longo prazo?#
Porque ela não termina quando a pele para de arder. A Estimativa 2026 do INCA inclui o histórico de queimaduras solares intensas entre os fatores relacionados ao melanoma, o tipo mais grave de câncer de pele, e afirma que a radiação ultravioleta é o principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele.
A infância pesa mais. Em material sobre o Dia das Crianças, a SBD alerta que as queimaduras solares na infância, as que deixam a pele vermelha, quente, com febre ou até bolhas, podem alterar o DNA das células e aumentar as chances de câncer de pele no futuro, e que mais da metade da radiação ultravioleta acumulada ao longo da vida acontece na infância e na adolescência. Os sinais que pedem avaliação de uma pinta estão no texto sobre câncer de pele e a regra do ABCDE.
Quem precisa de mais cuidado com o sol e o calor?#
Qualquer pessoa pode se queimar, mas o risco não é igual para todos. O INCA explica que o dano causado pela radiação ultravioleta varia conforme o tipo de pele, sendo maior em pessoas de pele clara, e depende da intensidade e do padrão de exposição ao sol. Quem trabalha ao ar livre, na construção civil ou na lavoura, por exemplo, se expõe por muitas horas seguidas.
No calor intenso, o Ministério da Saúde aponta como mais vulneráveis os idosos, as crianças, as gestantes, as pessoas com problemas renais, cardíacos, respiratórios ou de circulação, os diabéticos e a população em situação de rua. Para esses grupos, a orientação é oferecer líquidos com frequência e manter ambientes frescos, além da proteção contra o sol.
E as crianças e os bebês?#
A SBD orienta que bebês com menos de seis meses não usem protetor solar químico, porque a pele nessa fase é muito fina e permeável. A proteção deve ser mecânica: roupas, chapéu, boné e guarda-sol. A partir dos seis meses, os filtros solares infantis passam a ser indicados em exposições prolongadas, como praia, piscina e parque. A mesma orientação da SBD pede, mesmo com protetor, que a criança evite o sol entre 9h e 15h.
Criança pequena com queimadura merece atenção extra: a Cartilha do Ministério da Saúde inclui a idade abaixo de 3 anos entre os critérios de queimadura grave, e a Biblioteca Virtual em Saúde diz que uma queimadura que atinja 10% do corpo de uma criança já representa sério risco. Se a criança tiver febre, veja também quando ela vira emergência no texto sobre febre em criança e bebê.
Como evitar a próxima queimadura?#
A prevenção é a mesma da proteção contra o câncer de pele: sombra nos horários de sol mais forte, roupas que cubram o corpo, chapéu de aba larga, óculos escuros com proteção UV e protetor solar aplicado antes de sair e reaplicado ao longo do dia. Quanto produto usar, que FPS escolher e de quanto em quanto tempo reaplicar estão no texto sobre protetor solar.
Quando procurar atendimento#
Procure uma unidade de saúde se a queimadura de sol tiver:
- bolhas, sinal de queimadura de segundo grau;
- área extensa. Para estimar, a Cartilha do Ministério da Saúde explica que a palma da mão da pessoa, com os dedos, equivale a cerca de 1% do corpo. A Biblioteca Virtual em Saúde considera de sério risco a queimadura que atinge 10% do corpo de uma criança ou mais de 15% do corpo de um adulto;
- localização sensível: rosto, olhos, orelhas, pescoço, mãos, pés, genitais ou grandes articulações, que a Cartilha chama de áreas nobres;
- idade de risco: a Cartilha classifica como grave a queimadura em quem tem menos de 3 ou mais de 65 anos;
- sinais de infecção nos dias seguintes, como mudança de cor, inchaço nas bordas, cheiro ruim, aumento da dor ou vermelhidão que se espalha ao redor, segundo a Cartilha;
- sinais de que o calor afetou o corpo todo: transpiração excessiva, fraqueza, tontura, náuseas, dor de cabeça, cãibras ou diarreia. O Ministério da Saúde orienta, nesses casos, procurar a unidade de saúde mais próxima.
Chame o SAMU pelo 192 (ligação gratuita, 24 horas) ou vá a um pronto-socorro se houver confusão mental, convulsão ou perda de consciência. O Ministério da Saúde descreve esses sinais como golpe de calor, uma emergência médica que pode ser fatal se não for tratada rapidamente.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. A avaliação da profundidade e da extensão de uma queimadura, e a escolha de qualquer pomada ou remédio, cabem ao profissional de saúde.
Perguntas frequentes
O que fazer logo depois de uma queimadura de sol?
Sair do sol e resfriar a pele. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde orienta colocar a área sob água corrente fria, com jato suave, por cerca de dez minutos, ou usar compressas úmidas e frias. A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda água da torneira ou do chuveiro em temperatura ambiente, nem gelada nem quente, por cerca de 20 minutos. Beber água também ajuda, porque o calor favorece a desidratação.
Pode passar gelo na queimadura de sol?
Não. A Sociedade Brasileira de Dermatologia diz que não é recomendado usar gelo, manteiga, pasta de dente ou pó de café em queimaduras. O resfriamento deve ser feito com água em temperatura ambiente, que não seja gelada.
Pasta de dente ou manteiga ajudam na queimadura?
Não. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde orienta nunca colocar manteiga, pó de café, creme dental ou qualquer outra substância sobre a queimadura e diz que somente o médico sabe o que deve ser aplicado no local. A SBD faz o mesmo alerta e pede que se evitem receitas populares sem base científica.
Quanto tempo dura uma queimadura de sol?
Depende da profundidade. A Cartilha de queimaduras do Ministério da Saúde descreve a queimadura de primeiro grau, que chama de eritema solar, como vermelhidão, dor e inchaço sem bolhas, que descama em 4 a 6 dias. Na de segundo grau, com bolhas, a recuperação leva de 7 a 21 dias.
Queimadura de sol com bolha é grave?
Bolha indica queimadura de segundo grau, que atinge camadas mais profundas da pele, segundo o Ministério da Saúde. Ela merece avaliação de um profissional, principalmente se for extensa, se estiver no rosto, nas mãos, nos pés ou nos genitais, ou se a pessoa for criança pequena ou idosa. A Biblioteca Virtual em Saúde orienta nunca tentar descolar a pele ou os tecidos grudados na área queimada.
Queimadura de sol aumenta o risco de câncer de pele?
Sim. A Estimativa 2026 do INCA inclui o histórico de queimaduras solares intensas entre os fatores relacionados ao melanoma. A SBD alerta que as queimaduras na infância, as que deixam a pele vermelha, quente, com febre ou bolhas, podem alterar o DNA das células e aumentar as chances de câncer de pele na vida adulta.
Bebê pode usar protetor solar?
A SBD orienta que bebês com menos de seis meses não usem protetor solar químico, porque a pele é muito fina e permeável. Nessa fase, a proteção deve ser mecânica, com roupas, chapéu e guarda-sol. A partir dos seis meses, os filtros infantis passam a ser indicados em exposições prolongadas, como praia, piscina e parque.
Fontes consultadas
- 1.Cartilha para tratamento de emergência das queimaduras (2012): profundidade, gravidade e sinais de infecção — Ministério da Saúde
- 2.Queimaduras: classificação, primeiros socorros e o que nunca fazer (Dicas em Saúde) — Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde
- 3.Dermatologistas esclarecem os cuidados necessários para evitar queimaduras em casa — Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
- 4.Dia das Crianças: Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta para os riscos da exposição solar precoce — Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
- 5.Estimativa 2026: síntese de resultados e comentários (câncer de pele e fatores de risco) — Instituto Nacional de Câncer (INCA)
- 6.Calor e ondas de calor: sinais de alerta, golpe de calor e cuidados — Ministério da Saúde


