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Câncer de Pele: Sinais de Alerta, Regra do ABCDE e Como Prevenir

O INCA estima 263.280 casos de câncer de pele não melanoma e 9.360 de melanoma por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Veja os tipos, como usar a regra do ABCDE para observar pintas e o que funciona na prevenção.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·9 min de leitura

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Homem idoso de perfil usando chapéu de aba larga bege e camisa clara de manga, à beira do mar
Homem idoso de perfil usando chapéu de aba larga bege e camisa clara de manga, à beira do mar

O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil, e também um dos que mais dependem de quem tem a doença para ser descoberto cedo. A lesão está à vista, mas costuma ser confundida com uma pinta qualquer, uma "ferida que não fecha" ou uma mancha de sol. Este texto explica, com base no Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Ministério da Saúde e na Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), quais são os tipos, como usar a regra do ABCDE e o que realmente previne.

Quão comum é o câncer de pele no Brasil?#

Muito. Segundo a Estimativa 2026 do INCA, o Brasil deve ter 263.280 casos novos de câncer de pele não melanoma por ano entre 2026 e 2028, sendo 136.180 em homens e 127.100 em mulheres. É o câncer mais incidente em todas as regiões, nos dois sexos, com exceção da região Norte, onde ocupa o segundo lugar.

O melanoma é bem menos frequente: 9.360 casos novos por ano no mesmo período (4.930 em homens e 4.430 em mulheres). A região Sul tem as taxas mais altas. Em mortes, o INCA registrou em 2023 2.047 óbitos por melanoma e 3.541 por câncer de pele não melanoma.

O INCA resume a proporção assim: o câncer de pele corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, e o melanoma representa apenas 4% das neoplasias malignas da pele.

Quais são os tipos de câncer de pele?#

TipoComo costuma aparecerGravidade
Carcinoma basocelularSegundo a SBD, o tipo mais encontrado é uma lesão elevada, vermelha e brilhante, com uma crosta no centro, que pode sangrar com facilidade. Surge mais em rosto, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas.O mais comum e o menos agressivo (INCA).
Carcinoma epidermoide (espinocelular ou escamoso)Machucado ou ferida espessa e descamativa, avermelhada, que não cicatriza e sangra às vezes; pode parecer uma verruga (SBD). Também pode surgir sobre cicatriz, sobretudo de queimadura (Ministério da Saúde).Pode dar metástase. A SBD diz que é duas vezes mais frequente em homens.
MelanomaPinta escura de bordas irregulares, com coceira e descamação, ou uma pinta antiga que cresce e muda de cor e forma (INCA).O mais grave, pela alta possibilidade de se espalhar para outros órgãos.

Os dois carcinomas formam o grupo não melanoma. O INCA explica que ele é mais comum depois dos 40 anos e raro em crianças e em pessoas negras, exceto em quem já tem doenças de pele, e acrescenta um dado importante: com a exposição constante dos jovens ao sol, a média de idade dos pacientes vem diminuindo.

O melanoma nasce nos melanócitos, as células que produzem o pigmento da pele. É mais frequente em adultos brancos, pode aparecer em qualquer parte do corpo, inclusive em mucosas, e, em pessoas de pele negra, é mais comum nas áreas claras, como palmas das mãos e plantas dos pés. A SBD acrescenta que ele aparece mais nas pernas, nas mulheres, no tronco, nos homens, e no pescoço e no rosto em ambos os sexos.

Como usar a regra do ABCDE?#

O INCA descreve o ABCDE como uma regra adotada internacionalmente para reconhecer sinais sugestivos de melanoma:

  • A, de assimetria: uma metade da pinta é diferente da outra.
  • B, de bordas irregulares: contorno mal definido.
  • C, de cor variável: várias cores na mesma lesão, como preta, castanha, branca, avermelhada ou azul.
  • D, de diâmetro: maior que 6 milímetros.
  • E, de evolução: mudanças no tamanho, na forma ou na cor.

A SBD apresenta a mesma regra em forma de comparação. A pinta simétrica, de borda regular, de um tom só, menor que 6 mm e que não cresce nem muda de cor é provavelmente benigna. A assimétrica, de borda irregular, com dois tons ou mais, maior que 6 mm e que cresce e muda de cor merece avaliação.

Duas ressalvas que fazem diferença. A primeira, do INCA: na maior parte das vezes, alterações como essas não são câncer, mas devem ser investigadas por um médico. A segunda, da SBD: nenhum exame caseiro substitui a consulta, e uma lesão que parece normal para um leigo pode ser suspeita para o especialista. O ABCDE serve para decidir quando marcar consulta, e não para dar diagnóstico em casa.

Para os carcinomas, os sinais são outros. O INCA e o Ministério da Saúde citam manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram e feridas que não cicatrizam em até quatro semanas, principalmente no rosto, no pescoço e nas orelhas. Para diferenciar essas lesões de outras alterações comuns, como melasma e sardas, veja o texto sobre manchas na pele.

Médica de jaleco e estetoscópio conversando com um homem idoso de óculos sentado à mesa do consultório
O diagnóstico do câncer de pele é feito pelo médico no exame clínico, às vezes com dermatoscopia e biópsia, segundo o INCA. · Foto: Unsplash

Quem tem mais risco?#

O INCA lista como fatores de risco para o melanoma:

  • exposição prolongada e repetida ao sol, principalmente na infância e na adolescência;
  • uso de câmaras de bronzeamento artificial;
  • pele e olhos claros, cabelos ruivos ou loiros, ou albinismo;
  • história familiar ou pessoal de câncer de pele;
  • trabalho ao ar livre, como agricultores, trabalhadores da construção civil, pescadores e garis, e também bombeiros, pela exposição a substâncias tóxicas.

A Estimativa 2026 do INCA acrescenta, para o melanoma, a presença de pintas atípicas (nevos displásicos) ou em grande número e o histórico de queimaduras solares intensas. Para o não melanoma, o Ministério da Saúde cita ainda doenças de pele prévias e tratamento com imunossupressores. Os cuidados depois de uma queimadura, e por que ela pesa no risco, estão no texto sobre queimadura de sol.

O bronzeamento artificial merece uma nota à parte. A SBD lembra que uma resolução da Anvisa de dezembro de 2009 proibiu o procedimento por motivação estética no Brasil.

Como prevenir o câncer de pele?#

O INCA afirma que a exposição solar excessiva é o principal fator de risco. As medidas que o INCA, o Ministério da Saúde e a SBD repetem são:

  1. Evitar o sol entre 10h e 16h, quando os raios são mais intensos, e procurar sombra também fora desse horário.
  2. Usar barreiras físicas: roupas que cubram o corpo, chapéu de aba larga ou boné, óculos escuros com proteção UV, sombrinha e barraca. A SBD observa que barracas de algodão ou lona absorvem 50% da radiação ultravioleta, enquanto as de náilon deixam passar 95%.
  3. Usar protetor solar todos os dias. O INCA e o Ministério da Saúde falam em FPS 15 no mínimo; a SBD recomenda FPS 30 no mínimo, com proteção UVA e UVB, e protetor próprio para os lábios.
  4. Reaplicar. O Ministério da Saúde orienta reaplicar a cada duas horas durante a exposição, depois de mergulho ou de suar muito, mesmo com filtros "à prova d'água".
  5. Não descuidar em dia nublado, porque a radiação atravessa as nuvens.
  6. Proteger as crianças. O Ministério da Saúde diz que a infância é a fase mais suscetível aos danos da radiação UV, que aparecem na vida adulta. A SBD orienta filtro solar a partir dos 6 meses.

Quanto produto usar, como escolher o FPS e o que significa o PPD do rótulo estão explicados no texto sobre protetor solar.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?#

O diagnóstico normalmente é feito pelo dermatologista no exame clínico. Em algumas situações ele usa a dermatoscopia, um aparelho que permite ver camadas da pele invisíveis a olho nu, e alguns casos exigem biópsia, que confirma o tipo de câncer, segundo o INCA e o Ministério da Saúde.

A cirurgia é o tratamento mais indicado tanto para o carcinoma basocelular quanto para o epidermoide e para o melanoma. Dependendo do caso, entram radioterapia, quimioterapia, terapia fotodinâmica, criocirurgia e, no melanoma avançado, medicamentos mais novos, como a imunoterapia. O Ministério da Saúde informa que o tratamento do câncer de pele é oferecido de forma integral e gratuita pelo SUS.

O ponto central é o tempo. O INCA diz que o não melanoma tem altos percentuais de cura se detectado e tratado cedo, mas, se não for tratado adequadamente, pode deixar mutilações expressivas. A SBD afirma que as chances de cura do melanoma passam de 90% quando a detecção é precoce.

Preciso de exame de pele todo ano?#

Aqui as fontes oficiais olham para coisas diferentes. O INCA informa que não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de pele, isto é, examinar sistematicamente pessoas sem nenhum sinal, traga mais benefícios do que riscos, e por isso ele não é recomendado como programa populacional. A SBD, por sua vez, orienta observar a própria pele com regularidade e consultar um dermatologista ao menos uma vez por ano.

Na prática, as duas coisas convivem: conhecer as próprias pintas e procurar avaliação diante de qualquer mudança é o que o INCA chama de diagnóstico precoce, e é ele que melhora o resultado do tratamento. O Ministério da Saúde lembra ainda que tatuagens podem esconder lesões e merecem atenção. Os exames indicados para cada idade estão no guia de exames preventivos por faixa etária.

Quando procurar atendimento#

Procure uma unidade de saúde ou um dermatologista o quanto antes se notar:

  • uma pinta nova ou antiga que cresce, muda de cor ou de forma, ou que preenche os critérios do ABCDE;
  • uma pinta escura de bordas irregulares com coceira e descamação;
  • uma ferida que não cicatriza em até quatro semanas;
  • uma mancha que coça, arde, descama ou sangra, principalmente no rosto, no pescoço ou nas orelhas;
  • uma lesão elevada, brilhante, translúcida ou avermelhada, com crosta central, que sangra com facilidade, sinal citado pela SBD.

Quem já teve câncer de pele deve manter o acompanhamento nas datas marcadas: o INCA explica que pacientes com melanoma têm predisposição a novos tumores e que a cura depende da precocidade do diagnóstico.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Só o exame feito por um médico, e às vezes a biópsia, confirma se uma lesão na pele é ou não câncer.

Perguntas frequentes

O que é a regra do ABCDE?

É um roteiro para observar pintas, adotado internacionalmente, segundo o INCA. A letra A é assimetria (uma metade diferente da outra); B, bordas irregulares; C, cor variável (preta, castanha, branca, avermelhada ou azul na mesma lesão); D, diâmetro maior que 6 milímetros; e E, evolução, ou seja, mudança de tamanho, forma ou cor. Pinta com esses sinais deve ser avaliada por um médico.

Toda pinta que muda é câncer?

Não. O INCA afirma que, na maior parte das vezes, alterações como essas não são causadas por câncer, mas é importante que sejam investigadas por um médico. Só o exame clínico, muitas vezes com dermatoscopia e, quando necessário, biópsia, confirma o diagnóstico.

Quais são os tipos de câncer de pele?

O INCA divide em não melanoma e melanoma. O não melanoma é o mais frequente e inclui o carcinoma basocelular, o mais comum e menos agressivo, e o carcinoma epidermoide, também chamado espinocelular ou escamoso. O melanoma nasce nos melanócitos, as células que produzem o pigmento da pele, e é o tipo mais grave pela alta possibilidade de se espalhar para outros órgãos.

Câncer de pele tem cura?

Na maioria dos casos, sim, quando descoberto cedo. O INCA diz que o câncer de pele não melanoma tem altos percentuais de cura se detectado e tratado precocemente. A Sociedade Brasileira de Dermatologia afirma que as chances de cura do melanoma passam de 90% quando há detecção precoce.

Pessoa negra pode ter câncer de pele?

Pode, embora seja menos comum. O INCA explica que, em pessoas de pele negra, o melanoma é mais comum nas áreas claras, como as palmas das mãos e as plantas dos pés. A SBD lembra que a doença pode se manifestar em pessoas de fototipos mais altos, ainda que mais raramente.

Qual protetor solar usar para prevenir câncer de pele?

A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda produto com proteção contra UVA e UVB e fator de proteção solar 30, no mínimo, todos os dias, reaplicado a cada duas horas ou menos no lazer ao ar livre. O INCA e o Ministério da Saúde citam FPS 15 como o mínimo. Os três lembram que o filtro precisa vir junto com sombra, roupas, chapéu de aba larga e óculos com proteção UV.

Preciso fazer exame de pele todo ano?

O INCA informa que não há evidência de que o rastreamento do câncer de pele em pessoas sem sintomas traga mais benefícios do que riscos, por isso ele não é recomendado como programa populacional. A SBD orienta consultar um dermatologista ao menos uma vez por ano e observar a própria pele. Na prática, quem tem fatores de risco ou nota uma lesão suspeita deve procurar avaliação.

Fontes consultadas

  1. 1.Câncer de pele melanoma: introdução e versão para a população (fatores de risco, sinais, regra do ABCDE, detecção precoce) — Instituto Nacional de Câncer (INCA)
  2. 2.Câncer de pele não melanoma: introdução e versão para a população — Instituto Nacional de Câncer (INCA)
  3. 3.Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil, síntese de resultados e comentários (câncer de pele) — Instituto Nacional de Câncer (INCA)
  4. 4.Câncer da pele: tipos, sintomas, regra do ABCDE, tratamento e prevenção — Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
  5. 5.Câncer de pele: sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção — Ministério da Saúde
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