Unhas: O Guia Completo — Cuidados, Unha de Gel Sob Nova Regra e Quando é Fungo
A Anvisa proibiu duas substâncias usadas em unha de gel por risco de câncer e infertilidade, e mandou recolher mais de 500 produtos. O que muda na manicure, o que fortalece unha fraca de verdade e como reconhecer o fungo que demora um ano para curar.
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Este guia substitui seis textos curtos que o site publicava sobre unhas — esmaltação em gel, manicure em casa, nail art, unhas de gel/acrílico/fibra, unhas saudáveis e fungo nas unhas. Eles chegam juntos porque o assunto tem uma notícia recente que muda a conversa: a Anvisa proibiu, por risco de câncer e infertilidade, duas substâncias comuns em unha de gel — e o alerta da dermatologia brasileira sobre isso é a parte mais importante do que existe hoje sobre cuidado com unhas.
A mudança que veio da Anvisa, não do salão#
Em outubro de 2025, a Anvisa proibiu duas substâncias usadas em produtos de unha de gel: TPO [óxido de difenil (2,4,6-trimetilbenzol) fosfina] e DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina). As duas costumam aparecer em géis e esmaltes que precisam de lâmpada UV ou LED para curar — exatamente a técnica que deu à unha de gel sua durabilidade.
O motivo da proibição, resumido pela própria agência: estudos em animais confirmaram que DMPT é classificado como substância que pode causar câncer em humanos, e TPO como tóxico para a reprodução, podendo prejudicar a fertilidade. Em outubro de 2025 saiu a Resolução (RDC) 995/2025 proibindo fabricação, importação e novo registro; a partir dela, empresas tiveram 90 dias para tirar os produtos do mercado. O desfecho veio em março de 2026: a Resolução 1.146, publicada no Diário Oficial da União em 24 de março de 2026, formalizou o cancelamento do registro de mais de 500 produtos que ainda continham essas substâncias.
Há uma distinção importante que a própria Anvisa faz, e que evita alarme desproporcional: o risco maior é de exposição repetida e prolongada — o caso da manicure que aplica unha de gel todo dia, várias vezes, não o de quem faz uma vez por mês. Nas palavras da diretora responsável, "os eventos adversos dessas substâncias estão, em geral, associados a exposições repetidas e prolongadas, de modo que contatos ocasionais ou pouco frequentes representam risco significativamente menor". Ainda assim, é o tipo de risco que se evita por completo quando dá, e se reduz quando não dá.
Diante disso, a SBD reforçou um conjunto de recomendações depois da proibição:
- Verificar se os produtos utilizados estão regularizados pela Anvisa.
- Evitar unha de gel ou similares quando possível.
- Fazer pausas entre uma esmaltação e outra — não é procedimento para repetir toda semana, ano após ano.
- Procurar sempre profissionais qualificados e locais adequados.
- Usar EPI é orientação para quem trabalha aplicando, não para quem faz as unhas ocasionalmente — mas reforça o tamanho do risco ocupacional.
A entidade também chama atenção para outro problema, independente da proibição: resinas acrílicas causam alergia com frequência. Vermelhidão, descamação ou mudança na textura da unha depois do procedimento não é "reação normal que passa" — é sinal para procurar um dermatologista, não para repetir o produto na sessão seguinte.
O básico que sustenta qualquer unha#
Fora da química de salão, o que mais fragiliza unha no dia a dia é banal e evitável:
- Água e produto de limpeza em excesso. É a mesma exposição que causa a paroníquia — a inflamação ao redor da unha — descrita pela SBD como ligada à "umidade constante da mão, principalmente em pessoas que manipulam muito a água e produtos de limpeza". Luva de borracha para lavar louça e limpar casa é o cuidado mais subestimado da lista.
- Lixar em serra, indo e voltando, em vez de um sentido só — enfraquece a estrutura da unha camada por camada.
- Remover cutícula à força ou cortar fundo demais: a cutícula é barreira contra infecção, não só estética.
- Acetona pura, com frequência, resseca a lâmina da unha e a pele ao redor.
Manicure em casa bem-feita é, na prática, evitar esses quatro erros — não comprar um produto "fortalecedor" novo.
Unhas de gel, acrílico e fibra: a diferença que importa#
As três técnicas de alongamento/reforço trabalham de formas diferentes, mas compartilham o ponto de atenção que a proibição da Anvisa trouxe à tona: quanto mais frequente e mais agressiva a técnica, maior a exposição. Gel cura sob luz UV/LED e é, hoje, a categoria diretamente afetada pela proibição de TPO e DMPT. Acrílico e fibra de vidro não dependem de lâmpada, mas envolvem colas e resinas com seu próprio potencial alergênico — a mesma classe de reação que a SBD associa às resinas acrílicas.
Não existe "a técnica boa" — existe a técnica com manutenção respeitada (remoção correta, sem forçar o descolamento) e pausa entre ciclos, que é justamente o que a SBD recomenda para o gel e vale, por extensão, para as demais.
Nail art: risco baixo, mesma regra de higiene#
Desenho e decoração na unha não trazem risco químico próprio além do esmalte e da cola usados — o ponto de atenção aqui é outro: instrumento compartilhado e mal higienizado. Lixa, espátula e pincel usados em várias clientes sem esterilização são via de transmissão de fungo e de infecção bacteriana. Ao escolher onde fazer nail art, a pergunta que vale fazer é a mesma de qualquer procedimento de unha: os instrumentos são individuais ou esterilizados entre um cliente e outro?
Quando é fungo: a onicomicose#
Unha fraca por hábito é uma coisa. Unha mudando de cor, espessura e forma é outra — e pode ser onicomicose, a infecção fúngica da unha.
A SBD descreve os sinais com precisão: a unha descola da ponta com aspecto "amarelado ou esbranquiçado", fica mais espessa e dura ("espessamento"), surgem manchas brancas na superfície, a unha fica "frágil e quebradiça" e pode haver deformidade, além de dor e vermelhidão ao redor em casos inflamados. Unhas dos pés são as mais atingidas, porque enfrentam "ambientes úmidos, escuros e quentes com maior frequência do que as mãos" — o cenário clássico é tênis fechado o dia inteiro, suor, pouca ventilação.
O tratamento depende da extensão: tópico — cremes, soluções ou esmaltes antifúngicos — para casos mais leves; oral quando o comprometimento passa de 30% de uma unha ou atinge várias unhas ao mesmo tempo. E o detalhe que costuma frustrar quem trata: a duração é, em média, de 6 meses, podendo chegar a 1 ano. O motivo é biológico, não burocrático — o fungo mora na queratina da própria unha, e só some de vez quando a unha inteira, da raiz à ponta, cresce livre da infecção. Unha do pé, que cresce mais devagar que a da mão, é a que mais testa a paciência do tratamento.
Nunca se automedique com esmalte de farmácia sem diagnóstico. Descamação, mancha e unha quebradiça têm várias causas possíveis — incluindo psoríase ungueal e trauma —, e tratar o fungo errado, ou tratar algo que não é fungo, só adia a cura de verdade.
O plano prático#
- Reduza exposição a água e produto de limpeza — luva de borracha é o item que mais previne fragilidade.
- Se fizer unha de gel, confirme que o produto é regularizado e espace as sessões — é a orientação direta da SBD.
- Qualquer vermelhidão, descamação ou dor depois de um procedimento de unha: procure avaliação, não repita o produto.
- Mudança de cor, espessura ou formato da unha, principalmente no pé: suspeite de fungo e procure dermatologista — quanto antes o diagnóstico, mais curto o tratamento relativo.
- Instrumento de manicure: individual ou visivelmente esterilizado, sempre.
A rotina de pele e a de cabelo seguem a mesma lógica de fundo: menos agressão diária, mais constância, procedimento com origem confiável. Veja também o guia completo de cuidados com o cabelo e a rotina de skincare do zero.
Este texto substitui e reúne os antigos artigos do site sobre esmaltação em gel, manicure em casa, nail art, unhas de gel/acrílico/fibra e fungo nas unhas. Tem caráter informativo e não substitui consulta com dermatologista.
Perguntas frequentes
Por que a Anvisa proibiu substâncias da unha de gel?
Porque duas delas — TPO [óxido de difenil (2,4,6-trimetilbenzol) fosfina] e DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina) — mostraram risco real em estudos com animais: DMPT é classificado como substância que pode causar câncer em humanos, e TPO como tóxico para a reprodução, podendo prejudicar a fertilidade. A Resolução (RDC) 995/2025 proibiu o uso, e a Resolução 1.146, publicada no Diário Oficial em 24 de março de 2026, formalizou o cancelamento do registro de mais de 500 produtos que ainda as continham.
Quem corre mais risco: quem faz unha de gel ou quem aplica?
A profissional que aplica está mais exposta. Segundo a Anvisa, os eventos adversos dessas substâncias 'estão, em geral, associados a exposições repetidas e prolongadas, de modo que contatos ocasionais ou pouco frequentes representam risco significativamente menor'. Isso não anula o risco de quem faz unha de gel com frequência — apenas explica por que manicures profissionais, com exposição diária, são o grupo prioritário da medida.
Ainda posso fazer unha de gel?
A orientação da SBD, depois da proibição, é de cautela, não de proibição total ao público: verificar se os produtos utilizados estão regularizados pela Anvisa, evitar unha de gel ou similares quando possível, fazer pausas entre uma esmaltação e outra, e procurar sempre profissionais qualificados e locais adequados para o procedimento. A entidade também alerta que resinas acrílicas causam alergia com frequência — vermelhidão, descamação ou alteração na textura da unha depois do procedimento é sinal para procurar avaliação dermatológica, não para repetir o produto.
O que causa unha fraca e quebradiça?
Na maioria das vezes, exposição repetida a água e produtos de limpeza — o que a SBD associa também à paroníquia, a inflamação ao redor da unha, ligada à 'umidade constante da mão, principalmente em pessoas que manipulam muito a água e produtos de limpeza'. Lixar em serra (vai e volta) em vez de um sentido só, remover cutícula à força, e usar acetona pura com frequência também fragilizam a lâmina da unha. O primeiro cuidado real é reduzir esses agressores — luva de borracha para lavar louça e limpar casa é o item mais subestimado da lista.
Como saber se é fungo na unha (onicomicose)?
Os sinais que a SBD descreve: a unha descola da ponta com aspecto amarelado ou esbranquiçado, fica mais espessa e dura, aparecem manchas brancas na superfície, a unha vira frágil e quebradiça, com deformidade, e pode haver dor e vermelhidão ao redor. Unhas dos pés são mais afetadas, porque enfrentam ambientes úmidos, escuros e quentes com mais frequência que as mãos — o tênis fechado o dia todo é o cenário clássico. Diagnóstico e tratamento são sempre com dermatologista; esmalte de farmácia sem diagnóstico correto só atrasa a cura.
Por que o tratamento da micose de unha demora tanto?
Porque o fungo se aloja na queratina da própria unha, e o único jeito de eliminá-lo de vez é a unha crescer inteira livre de infecção — não dá para 'limpar por dentro'. O tratamento tópico, com cremes, soluções ou esmaltes antifúngicos, serve para casos mais leves; quando o comprometimento passa de 30% de uma unha, ou atinge várias unhas, entra o antifúngico oral. Em qualquer caso, a duração é, em média, de 6 meses, podendo chegar a 1 ano — unha do pé demora mais que unha da mão porque cresce mais devagar.
Fontes consultadas
- 1.Anvisa proíbe duas substâncias utilizadas em produtos para unhas — Anvisa
- 2.Anvisa cancela registro de cosméticos com substâncias banidas — Anvisa
- 3.Sociedade Brasileira de Dermatologia reforça alerta sobre esmaltação em gel após proibição de substâncias pela Anvisa — Sociedade Brasileira de Dermatologia
- 4.Onicomicose — Sociedade Brasileira de Dermatologia


