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Unhas: O Guia Completo — Cuidados, Unha de Gel Sob Nova Regra e Quando é Fungo

A Anvisa proibiu duas substâncias usadas em unha de gel por risco de câncer e infertilidade, e mandou recolher mais de 500 produtos. O que muda na manicure, o que fortalece unha fraca de verdade e como reconhecer o fungo que demora um ano para curar.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

Equipe editorial

Publicado em ·7 min de leitura

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Mãos entrelaçadas mostrando unhas naturais bem cuidadas com esmalte rosa claro
Mãos entrelaçadas mostrando unhas naturais bem cuidadas com esmalte rosa claro

Este guia substitui seis textos curtos que o site publicava sobre unhas — esmaltação em gel, manicure em casa, nail art, unhas de gel/acrílico/fibra, unhas saudáveis e fungo nas unhas. Eles chegam juntos porque o assunto tem uma notícia recente que muda a conversa: a Anvisa proibiu, por risco de câncer e infertilidade, duas substâncias comuns em unha de gel — e o alerta da dermatologia brasileira sobre isso é a parte mais importante do que existe hoje sobre cuidado com unhas.

A mudança que veio da Anvisa, não do salão#

Em outubro de 2025, a Anvisa proibiu duas substâncias usadas em produtos de unha de gel: TPO [óxido de difenil (2,4,6-trimetilbenzol) fosfina] e DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina). As duas costumam aparecer em géis e esmaltes que precisam de lâmpada UV ou LED para curar — exatamente a técnica que deu à unha de gel sua durabilidade.

O motivo da proibição, resumido pela própria agência: estudos em animais confirmaram que DMPT é classificado como substância que pode causar câncer em humanos, e TPO como tóxico para a reprodução, podendo prejudicar a fertilidade. Em outubro de 2025 saiu a Resolução (RDC) 995/2025 proibindo fabricação, importação e novo registro; a partir dela, empresas tiveram 90 dias para tirar os produtos do mercado. O desfecho veio em março de 2026: a Resolução 1.146, publicada no Diário Oficial da União em 24 de março de 2026, formalizou o cancelamento do registro de mais de 500 produtos que ainda continham essas substâncias.

Há uma distinção importante que a própria Anvisa faz, e que evita alarme desproporcional: o risco maior é de exposição repetida e prolongada — o caso da manicure que aplica unha de gel todo dia, várias vezes, não o de quem faz uma vez por mês. Nas palavras da diretora responsável, "os eventos adversos dessas substâncias estão, em geral, associados a exposições repetidas e prolongadas, de modo que contatos ocasionais ou pouco frequentes representam risco significativamente menor". Ainda assim, é o tipo de risco que se evita por completo quando dá, e se reduz quando não dá.

Diante disso, a SBD reforçou um conjunto de recomendações depois da proibição:

  • Verificar se os produtos utilizados estão regularizados pela Anvisa.
  • Evitar unha de gel ou similares quando possível.
  • Fazer pausas entre uma esmaltação e outra — não é procedimento para repetir toda semana, ano após ano.
  • Procurar sempre profissionais qualificados e locais adequados.
  • Usar EPI é orientação para quem trabalha aplicando, não para quem faz as unhas ocasionalmente — mas reforça o tamanho do risco ocupacional.

A entidade também chama atenção para outro problema, independente da proibição: resinas acrílicas causam alergia com frequência. Vermelhidão, descamação ou mudança na textura da unha depois do procedimento não é "reação normal que passa" — é sinal para procurar um dermatologista, não para repetir o produto na sessão seguinte.

O básico que sustenta qualquer unha#

Fora da química de salão, o que mais fragiliza unha no dia a dia é banal e evitável:

  • Água e produto de limpeza em excesso. É a mesma exposição que causa a paroníquia — a inflamação ao redor da unha — descrita pela SBD como ligada à "umidade constante da mão, principalmente em pessoas que manipulam muito a água e produtos de limpeza". Luva de borracha para lavar louça e limpar casa é o cuidado mais subestimado da lista.
  • Lixar em serra, indo e voltando, em vez de um sentido só — enfraquece a estrutura da unha camada por camada.
  • Remover cutícula à força ou cortar fundo demais: a cutícula é barreira contra infecção, não só estética.
  • Acetona pura, com frequência, resseca a lâmina da unha e a pele ao redor.

Manicure em casa bem-feita é, na prática, evitar esses quatro erros — não comprar um produto "fortalecedor" novo.

Unhas de gel, acrílico e fibra: a diferença que importa#

As três técnicas de alongamento/reforço trabalham de formas diferentes, mas compartilham o ponto de atenção que a proibição da Anvisa trouxe à tona: quanto mais frequente e mais agressiva a técnica, maior a exposição. Gel cura sob luz UV/LED e é, hoje, a categoria diretamente afetada pela proibição de TPO e DMPT. Acrílico e fibra de vidro não dependem de lâmpada, mas envolvem colas e resinas com seu próprio potencial alergênico — a mesma classe de reação que a SBD associa às resinas acrílicas.

Não existe "a técnica boa" — existe a técnica com manutenção respeitada (remoção correta, sem forçar o descolamento) e pausa entre ciclos, que é justamente o que a SBD recomenda para o gel e vale, por extensão, para as demais.

Nail art: risco baixo, mesma regra de higiene#

Desenho e decoração na unha não trazem risco químico próprio além do esmalte e da cola usados — o ponto de atenção aqui é outro: instrumento compartilhado e mal higienizado. Lixa, espátula e pincel usados em várias clientes sem esterilização são via de transmissão de fungo e de infecção bacteriana. Ao escolher onde fazer nail art, a pergunta que vale fazer é a mesma de qualquer procedimento de unha: os instrumentos são individuais ou esterilizados entre um cliente e outro?

Quando é fungo: a onicomicose#

Unha fraca por hábito é uma coisa. Unha mudando de cor, espessura e forma é outra — e pode ser onicomicose, a infecção fúngica da unha.

A SBD descreve os sinais com precisão: a unha descola da ponta com aspecto "amarelado ou esbranquiçado", fica mais espessa e dura ("espessamento"), surgem manchas brancas na superfície, a unha fica "frágil e quebradiça" e pode haver deformidade, além de dor e vermelhidão ao redor em casos inflamados. Unhas dos pés são as mais atingidas, porque enfrentam "ambientes úmidos, escuros e quentes com maior frequência do que as mãos" — o cenário clássico é tênis fechado o dia inteiro, suor, pouca ventilação.

O tratamento depende da extensão: tópico — cremes, soluções ou esmaltes antifúngicos — para casos mais leves; oral quando o comprometimento passa de 30% de uma unha ou atinge várias unhas ao mesmo tempo. E o detalhe que costuma frustrar quem trata: a duração é, em média, de 6 meses, podendo chegar a 1 ano. O motivo é biológico, não burocrático — o fungo mora na queratina da própria unha, e só some de vez quando a unha inteira, da raiz à ponta, cresce livre da infecção. Unha do pé, que cresce mais devagar que a da mão, é a que mais testa a paciência do tratamento.

Nunca se automedique com esmalte de farmácia sem diagnóstico. Descamação, mancha e unha quebradiça têm várias causas possíveis — incluindo psoríase ungueal e trauma —, e tratar o fungo errado, ou tratar algo que não é fungo, só adia a cura de verdade.

O plano prático#

  1. Reduza exposição a água e produto de limpeza — luva de borracha é o item que mais previne fragilidade.
  2. Se fizer unha de gel, confirme que o produto é regularizado e espace as sessões — é a orientação direta da SBD.
  3. Qualquer vermelhidão, descamação ou dor depois de um procedimento de unha: procure avaliação, não repita o produto.
  4. Mudança de cor, espessura ou formato da unha, principalmente no pé: suspeite de fungo e procure dermatologista — quanto antes o diagnóstico, mais curto o tratamento relativo.
  5. Instrumento de manicure: individual ou visivelmente esterilizado, sempre.

A rotina de pele e a de cabelo seguem a mesma lógica de fundo: menos agressão diária, mais constância, procedimento com origem confiável. Veja também o guia completo de cuidados com o cabelo e a rotina de skincare do zero.


Este texto substitui e reúne os antigos artigos do site sobre esmaltação em gel, manicure em casa, nail art, unhas de gel/acrílico/fibra e fungo nas unhas. Tem caráter informativo e não substitui consulta com dermatologista.

Perguntas frequentes

Por que a Anvisa proibiu substâncias da unha de gel?

Porque duas delas — TPO [óxido de difenil (2,4,6-trimetilbenzol) fosfina] e DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina) — mostraram risco real em estudos com animais: DMPT é classificado como substância que pode causar câncer em humanos, e TPO como tóxico para a reprodução, podendo prejudicar a fertilidade. A Resolução (RDC) 995/2025 proibiu o uso, e a Resolução 1.146, publicada no Diário Oficial em 24 de março de 2026, formalizou o cancelamento do registro de mais de 500 produtos que ainda as continham.

Quem corre mais risco: quem faz unha de gel ou quem aplica?

A profissional que aplica está mais exposta. Segundo a Anvisa, os eventos adversos dessas substâncias 'estão, em geral, associados a exposições repetidas e prolongadas, de modo que contatos ocasionais ou pouco frequentes representam risco significativamente menor'. Isso não anula o risco de quem faz unha de gel com frequência — apenas explica por que manicures profissionais, com exposição diária, são o grupo prioritário da medida.

Ainda posso fazer unha de gel?

A orientação da SBD, depois da proibição, é de cautela, não de proibição total ao público: verificar se os produtos utilizados estão regularizados pela Anvisa, evitar unha de gel ou similares quando possível, fazer pausas entre uma esmaltação e outra, e procurar sempre profissionais qualificados e locais adequados para o procedimento. A entidade também alerta que resinas acrílicas causam alergia com frequência — vermelhidão, descamação ou alteração na textura da unha depois do procedimento é sinal para procurar avaliação dermatológica, não para repetir o produto.

O que causa unha fraca e quebradiça?

Na maioria das vezes, exposição repetida a água e produtos de limpeza — o que a SBD associa também à paroníquia, a inflamação ao redor da unha, ligada à 'umidade constante da mão, principalmente em pessoas que manipulam muito a água e produtos de limpeza'. Lixar em serra (vai e volta) em vez de um sentido só, remover cutícula à força, e usar acetona pura com frequência também fragilizam a lâmina da unha. O primeiro cuidado real é reduzir esses agressores — luva de borracha para lavar louça e limpar casa é o item mais subestimado da lista.

Como saber se é fungo na unha (onicomicose)?

Os sinais que a SBD descreve: a unha descola da ponta com aspecto amarelado ou esbranquiçado, fica mais espessa e dura, aparecem manchas brancas na superfície, a unha vira frágil e quebradiça, com deformidade, e pode haver dor e vermelhidão ao redor. Unhas dos pés são mais afetadas, porque enfrentam ambientes úmidos, escuros e quentes com mais frequência que as mãos — o tênis fechado o dia todo é o cenário clássico. Diagnóstico e tratamento são sempre com dermatologista; esmalte de farmácia sem diagnóstico correto só atrasa a cura.

Por que o tratamento da micose de unha demora tanto?

Porque o fungo se aloja na queratina da própria unha, e o único jeito de eliminá-lo de vez é a unha crescer inteira livre de infecção — não dá para 'limpar por dentro'. O tratamento tópico, com cremes, soluções ou esmaltes antifúngicos, serve para casos mais leves; quando o comprometimento passa de 30% de uma unha, ou atinge várias unhas, entra o antifúngico oral. Em qualquer caso, a duração é, em média, de 6 meses, podendo chegar a 1 ano — unha do pé demora mais que unha da mão porque cresce mais devagar.

Fontes consultadas

  1. 1.Anvisa proíbe duas substâncias utilizadas em produtos para unhasAnvisa
  2. 2.Anvisa cancela registro de cosméticos com substâncias banidasAnvisa
  3. 3.Sociedade Brasileira de Dermatologia reforça alerta sobre esmaltação em gel após proibição de substâncias pela AnvisaSociedade Brasileira de Dermatologia
  4. 4.OnicomicoseSociedade Brasileira de Dermatologia