Rotina de Skincare: Como Montar do Zero Para Qualquer Tipo de Pele
Três etapas resolvem o essencial — limpar, hidratar e proteger. Veja o que a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda em cada uma, quanto protetor solar é uma dose de verdade e por que pele oleosa também precisa de hidratante.
Publicado em ·Atualizado em ·6 min de leitura

A indústria vende skincare como uma prateleira. A Sociedade Brasileira de Dermatologia descreve como uma rotina de três etapas. A diferença entre as duas coisas é o que este texto tenta explicar.
Limpar, hidratar, proteger do sol. Se você só fizer isso, todos os dias, pelos próximos seis meses, terá feito mais pela sua pele do que a maioria das rotinas de dez passos que duram três semanas.
Passo zero: saber com qual pele você está lidando#
A SBD separa em quatro tipos, e a escolha de cada produto depende disso:
- Normal — textura aveludada, gordura em quantidade adequada, sem excesso de brilho nem ressecamento, poros pequenos e pouco visíveis.
- Seca — perda excessiva de água, poros pouco visíveis, pouca luminosidade, mais propensa a descamação e vermelhidão, com tendência a linhas finas e fissuras. Pode vir de genética, de fatores hormonais (menopausa, tireoide) ou do ambiente: frio, vento, radiação ultravioleta. Banho demorado e quente contribui.
- Oleosa — aspecto brilhante e espesso, produção de sebo maior que o normal, poros dilatados, maior tendência a cravos e espinhas.
- Mista — o tipo mais frequente. Oleosa e com poros dilatados na zona T (testa, nariz e queixo), seca nas bochechas e extremidades.
Vale saber o seu antes de comprar qualquer coisa, porque é ele que decide o veículo do produto — e é aí que a maioria dos erros acontece.
Etapa 1 — Limpeza#
Duas vezes ao dia, de manhã e à noite. A SBD justifica: é para evitar o acúmulo de oleosidade, resíduos de maquiagem e de outros produtos, poluentes e poeira. O acúmulo leva à oclusão dos poros, favorece cravos e espinhas e contribui para o envelhecimento precoce.
O sabonete deve ser adequado ao tipo de pele e, de preferência, líquido:
- oleosa e mista — sabonetes à base de ingredientes adstringentes, que favorecem a remoção das impurezas e a desobstrução dos poros;
- seca e normal — sabonetes líquidos com pH neutro, complementados com loção ou leite de limpeza.
E aqui vai a parte que contraria o instinto: mais limpeza não é melhor limpeza. Ao tratar da acne, a própria SBD adverte que a limpeza excessiva "é prejudicial à pele como um todo (causando irritação) e pode piorar as lesões". Quem esfrega o rosto quatro vezes por dia para "secar" a oleosidade normalmente sai do banheiro com a pele mais irritada.
O tônico é opcional e tem função específica: remover os traços de óleo, sujeira e maquiagem que o sabonete pode ter deixado. Não é uma etapa obrigatória — é um reforço da primeira.
Etapa 2 — Hidratação#
A SBD lista o que uma boa hidratação faz: mantém o viço, preserva a integridade da camada de proteção cutânea e evita descamação, ressecamento, envelhecimento precoce, irritações e infecções.
Diariamente, com produto adequado ao tipo de pele e específico para rosto e para corpo — não são o mesmo produto.
E o ponto que mais gera dúvida: "é bom lembrar que as peles oleosas também precisam de hidratação". Nesse caso, a recomendação é produto oil free, à base de água, que não aumente a oleosidade. A mesma regra vale no cuidado com poros dilatados.
Etapa 3 — Fotoproteção (a que não é negociável)#
Se você tiver que escolher uma única etapa, é esta. Ao tratar do envelhecimento cutâneo, a SBD escreve, sem meio-termo: "O ingrediente mais importante de todos na prevenção, principalmente do fotoenvelhecimento, é sem dúvida o filtro solar."
O que a entidade orienta:
- FPS 30 ou maior. Na escala que ela apresenta, FPS 2–15 é baixa proteção UVB, 15–30 é média, 30–50 é alta e acima de 50, altíssima.
- Amplo espectro. O fotoprotetor ideal absorve bem UVA e UVB, não é irritante, tem certa resistência à água e não mancha a roupa. UVB é o que queima, mais intenso entre 10h e 16h; UVA penetra mais fundo, varia pouco ao longo do dia e é o principal responsável pelo fotoenvelhecimento e pelo câncer da pele.
- Todos os dias, inclusive frio e nublado — "a radiação UV atravessa as nuvens".
- Aplicado ainda em casa, e reaplicado a cada duas horas se houver muita transpiração ou exposição prolongada.
- Na quantidade certa: uma colher de chá rasa para o rosto e três colheres de sopa para o corpo, uniformemente, sem deixar área desprotegida.
Essa última linha é a que mais muda resultado na prática. Protetor aplicado em quantidade insuficiente entrega uma fração da proteção que o rótulo promete — e o rótulo continua o mesmo.
O veículo importa por conforto e por adesão: quem tem tendência a acne deve optar por produtos livres de óleo ou gel creme; quem faz muita atividade física e transpira deve evitar géis, que saem com facilidade. O produto que você aplica todo dia vence o produto tecnicamente superior que fica na gaveta.
E filtro não é a proteção inteira. A SBD lembra que "usar apenas filtro solar não basta": sombra entre 10h e 16h, camisa de manga comprida, calça, chapéu de abas largas e óculos escuros compõem o resto. O detalhamento está em por que o protetor solar é o produto mais importante da rotina.
O que entra depois — e como#
Com as três etapas rodando, ativos específicos passam a fazer sentido. Três regras que evitam a maior parte dos problemas:
- Um ativo novo de cada vez. Se dois entram juntos e a pele irrita, não há como saber qual foi.
- Paciência antes de julgar. Ativo não responde em uma semana, e trocar de produto cedo recomeça a contagem do zero.
- Entrada gradual nos irritantes. Os retinoides são o caso clássico: eficazes e, ao mesmo tempo, o que mais provoca irritação quando entra rápido demais — o motivo está em como o retinol age.
Se a sua pele reage a produtos com frequência, vale antes entender quais substâncias realmente reagem na pele brasileira: o culpado costuma não ser o que o rótulo destaca.
A niacinamida é uma exceção à regra de entrada gradual: uma revisão publicada em 2024 na revista Antioxidants registra testes clínicos sem irritação em concentrações de até 5%, e ela costuma entrar na rotina sem o mesmo cuidado escalonado dos retinoides. Veja para que ela serve e como combinar com o resto da rotina.
O que a rotina não faz#
Ela não substitui tratamento. Acne inflamatória, rosácea, melasma e dermatite são doenças com conduta médica própria, e nenhuma delas se resolve trocando de sérum.
E ela não reverte o relógio. Sobre os cremes antienvelhecimento, a SBD é honesta: eles "conseguem melhorar e atenuar os sinais do envelhecimento cutâneo, mas com a incapacidade de conseguirem reverter todos os sinais, simultaneamente". O que a rotina faz — e faz bem — é impedir que o dano se acumule. É por isso que a etapa mais chata é também a mais importante.
Quando procurar atendimento?#
A SBD recomenda consultar um dermatologista regularmente para avaliar a pele e indicar os produtos mais adequados. Antecipe a consulta se aparecer acne inflamada, com nódulos ou cistos, vermelhidão que não passa, coceira e descamação persistentes, ou mancha ou pinta que cresce, muda de cor ou formato, sangra ou não cicatriza — os sinais de alerta estão em câncer de pele: sinais ABCDE.
Quando a rotina básica não resolve uma mancha simétrica no rosto que volta todo verão, o assunto é outro — e tem texto próprio: melasma: o que é, por que volta e o que trata.
Este texto tem caráter informativo e não substitui consulta com dermatologista.
Perguntas frequentes
Quantas etapas uma rotina precisa ter?
Três dão conta do essencial: limpar, hidratar e proteger do sol. É o que a SBD descreve nos cuidados diários com a pele. Tônico, sérum e ativos específicos entram depois, quando há um objetivo definido — e um de cada vez, para dar para saber qual funcionou.
Quantas vezes por dia devo lavar o rosto?
Duas — de manhã e à noite, segundo a SBD, para evitar o acúmulo de oleosidade, resíduos de maquiagem, poluentes e poeira. Mais do que isso costuma piorar: a entidade adverte, ao tratar da acne, que a limpeza excessiva é prejudicial à pele e pode piorar as lesões.
Pele oleosa precisa de hidratante?
Precisa. A SBD é explícita: "as peles oleosas também precisam de hidratação". A recomendação é usar produto oil free, à base de água, que não aumente a oleosidade.
Quanto protetor solar é a quantidade certa?
A SBD dá a medida em colheres: uma colher de chá rasa para o rosto e três colheres de sopa para o corpo, aplicadas uniformemente para não deixar área desprotegida. É bem mais do que a maioria usa — e aplicar menos reduz a proteção real abaixo do FPS estampado no rótulo.
Preciso passar protetor em dia nublado ou de inverno?
Sim. A orientação da SBD é que o filtro solar seja usado todos os dias, "mesmo quando o tempo estiver frio ou nublado, pois a radiação UV atravessa as nuvens". Vale lembrar que a radiação UVA, principal responsável pelo fotoenvelhecimento, tem intensidade que pouco varia ao longo do dia.
Qual FPS escolher?
A SBD orienta usar protetor com FPS 30 ou maior. Na classificação que a entidade apresenta, FPS de 2 a 15 oferece baixa proteção contra UVB, de 15 a 30 média, de 30 a 50 alta e acima de 50 altíssima. Também recomenda verificar a proteção UVA (PPD) e se o produto é resistente à água.
Creme antienvelhecimento resolve rugas?
Atenua, não reverte. A SBD registra que cremes antienvelhecimento "conseguem melhorar e atenuar os sinais do envelhecimento cutâneo, mas com a incapacidade de conseguirem reverter todos os sinais". A mesma página afirma que o ingrediente mais importante na prevenção do fotoenvelhecimento é o filtro solar.
Fontes consultadas
- 1.Cuidados Diários com a Pele — higiene, hidratação e fotoproteção — Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
- 2.Tipos de Pele — normal, seca, oleosa e mista — Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
- 3.Envelhecimento da pele — fatores intrínsecos, extrínsecos e tratamento — Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
- 4.Mechanistic Insights into the Multiple Functions of Niacinamide (Antioxidants, 2024) — PMC (National Library of Medicine)


