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Melasma: O Que É, Por Que Ele Volta e o Que a Dermatologia Usa Para Tratar

A luz visível — da tela, da lâmpada, da janela — também pigmenta a pele com melasma, mostrou um estudo brasileiro com biópsias. É por isso que protetor sem cor não basta, e por isso a SBD avisa: estabilizar a mancha pode levar meses ou anos.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

Equipe editorial

Publicado em ·6 min de leitura

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Close no rosto de uma mulher de olhos fechados, com reflexos de luz dourada atravessando objetos de vidro sobre a pele
Close no rosto de uma mulher de olhos fechados, com reflexos de luz dourada atravessando objetos de vidro sobre a pele

Melasma é a mancha que mais leva gente ao dermatologista com a mesma frase: "já usei tudo e voltou". A frase está certa — e o motivo é o que este texto explica. Melasma não é uma mancha que se apaga; é uma condição crônica da pele que se controla. Quem entende isso trata de um jeito. Quem não entende compra clareador, faz peeling, vê a mancha voltar mais escura e desiste.

O que é, e em quem aparece#

A definição da Sociedade Brasileira de Dermatologia é simples: "melasma é uma condição que se caracteriza pelo surgimento de manchas escuras na pele, mais comumente na face". As manchas são acastanhadas, de bordas irregulares e simétricas — aparecem dos dois lados do rosto, "principalmente nas maçãs do rosto, testa, nariz e lábio superior", podendo surgir também em braços, pescoço e colo.

Afeta "mais frequentemente as mulheres, podendo ser vista também em homens". Os gatilhos que a SBD lista são três, e costumam somar: hormônios ("uso de anticoncepcionais femininos, à gravidez"), sol ("principalmente, à exposição solar") e genética ("a predisposição genética também influencia").

A simetria é a pista de diagnóstico mais útil para o leigo: mancha de sol (lentigo) é assimétrica e aparece onde o sol bateu mais ao longo da vida; melasma desenha os dois lados do rosto quase em espelho. As diferenças entre os quatro tipos de mancha estão em manchas na pele: tipos e tratamentos.

Por que ele volta: a parte que quase ninguém conta#

Aqui está o achado que muda o tratamento inteiro.

A SBD registra, entre as causas, "a exposição à luz ultravioleta e, até mesmo, à luz visível". Isso não é figura de linguagem — foi medido. Um estudo publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia (Alcantara e colaboradores, 2020) colheu biópsias de 22 pacientes com melasma facial, duas por pessoa — uma da mancha, outra da pele vizinha sem mancha —, e irradiou os fragmentos em laboratório com UVB, UVA e luz visível azul-violeta, medindo depois quanta melanina cada um produziu.

Os resultados:

  • Todas as três radiações induziram produção de melanina — "houve efetiva melanogênese na camada basal no melasma e na pele normal adjacente após todas as irradiações".
  • A luz visível, sozinha, pigmentou: o trabalho se descreve como "o primeiro a evidenciar o papel da luz visível na melanogênese" nesse modelo.
  • O UVA provocou uma resposta que só apareceu na pele com melasma: a irradiação promoveu "granulação mais evidente… exclusivamente na pele com melasma".

Traduzindo para o dia a dia: a luz da janela do escritório, da lâmpada e da tela também está na conta — e a pele com melasma reage ao UVA de um jeito próprio, diferente da pele ao lado. É por isso que "usei protetor e voltou" é uma frase tão comum: o protetor solar comum, transparente, foi desenhado contra o ultravioleta. Ele não tem barreira física para a luz visível. Os pigmentos que dão cor a um protetor (óxidos de ferro) têm.

Daí a regra que a SBD coloca acima de todas: "a maior prevenção para o melasma é a proteção solar", com FPS alto, feita "diariamente, mesmo que o dia esteja nublado ou chuvoso". E o prazo que ela dá, sem rodeios: "o tempo necessário para estabilizar a condição e impedir que mínimas exposições façam retornar o pigmento pode ser de muitos meses ou anos".

Como escolher e quanto aplicar estão em protetor solar: FPS, quantidade e por que ele é essencial.

O que a dermatologia usa para clarear#

Com a fotoproteção resolvida — e só depois dela —, entram os clareadores. A lista da SBD:

  • Hidroquinona — o clareador tópico de referência há décadas, de uso com prescrição e por tempo controlado.
  • Ácido retinoico, ácido glicólico, ácido azelaico, ácido kójico e arbutin — sozinhos ou em fórmulas combinadas, cada um com um mecanismo (acelerar a renovação da pele, inibir a enzima que produz melanina, ou os dois). Sobre a família dos retinoides e por que a entrada gradual decide o resultado, veja o guia do retinol.
  • Peelings químicos e laser / luz intensa pulsada — como procedimentos complementares, não como primeira linha.

Junto com a lista vem o aviso da SBD que raramente aparece em propaganda de clínica: "muitas vezes, as pessoas com melasma podem agravar a condição com um tratamento ou procedimento inadequado". Calor, inflamação e agressão à pele estimulam exatamente o que se quer reduzir. Um peeling forte demais, um laser mal indicado ou um ácido em concentração errada podem devolver a mancha mais escura. Os riscos de cada tipo de peeling estão em peeling químico: tipos, resultados e cuidados.

O que mudou: o ácido tranexâmico#

Nos últimos anos, um medicamento antigo — o ácido tranexâmico, usado originalmente para controlar sangramentos — passou a ser estudado no melasma, por via oral, tópica e injetável. Uma revisão publicada em 2026 no Journal of Cosmetic Dermatology reuniu a evidência, e os números são de um tratamento que chegou para ficar:

  • Por via oral, em "doses de 250 a 500 mg duas vezes ao dia", os estudos mostraram "melhora clínica sustentada com efeitos adversos mínimos". Num ensaio controlado, 50% dos pacientes com tranexâmico melhoraram, contra 5,9% do placebo.
  • Contra a hidroquinona, o resultado foi parecido: "ambos alcançaram redução semelhante do MASI (cerca de 25% a 30%)" — o MASI é o índice que mede a gravidade do melasma —, com o tranexâmico apresentando "menos reações (vermelhidão, irritação) e maior satisfação".
  • Tópico e intradérmico mostraram "eficácia comparável ou superior à da hidroquinona com menos reações irritativas".
  • Segurança: a preocupação clássica com o tranexâmico é o risco de trombose, e a revisão registra que não houve eventos tromboembólicos maiores nos estudos reunidos, e que o medicamento "não aumenta significativamente o risco tromboembólico quando os pacientes são adequadamente triados".

Duas ressalvas que a mesma revisão faz e que este texto repete: a triagem é condição, não detalhe — histórico de trombose, uso de hormônios e outros fatores precisam ser avaliados pelo médico antes da receita; e, nos casos graves, houve recaída depois da suspensão, "sugerindo que tratamento mais longo pode ser necessário". É remédio de prescrição, com acompanhamento. Não é ativo de prateleira.

O plano que funciona, em ordem#

  1. Diagnóstico com dermatologista — melasma se confunde com outras manchas, e o tratamento errado piora.
  2. Fotoproteção como hábito permanente: protetor de FPS alto, com cor, reaplicado, todos os dias, dentro e fora de casa. Chapéu e sombra não são frescura.
  3. Rever gatilhos hormonais com o ginecologista, quando houver anticoncepcional envolvido.
  4. Clareador tópico prescrito, por tempo definido, com a expectativa certa: meses, não semanas.
  5. Tranexâmico ou procedimento quando o tópico não basta — decisão médica, com triagem.
  6. Manutenção para sempre: é a etapa que quase todo mundo pula e o motivo de quase toda recaída.

Melasma responde a quem o trata como o que ele é: uma condição crônica, sensível à luz — toda luz —, que se controla com constância. A base dessa constância é a rotina diária de cuidados, que está em como montar uma rotina de skincare do zero.


Este texto tem caráter informativo e não substitui consulta com dermatologista. Hidroquinona, ácido retinoico e ácido tranexâmico são medicamentos: uso só com prescrição e acompanhamento.

Perguntas frequentes

Melasma tem cura?

Não no sentido de 'tratou, acabou'. A SBD é direta: o tempo necessário para estabilizar a condição e impedir que mínimas exposições façam o pigmento voltar 'pode ser de muitos meses ou anos'. O que existe é controle — clarear e, principalmente, impedir que volte. Quem trata melasma como uma mancha que se apaga de uma vez costuma se decepcionar; quem trata como condição crônica, com fotoproteção diária permanente, costuma manter o resultado.

Por que o melasma volta mesmo usando protetor solar?

Porque o protetor comum, sem cor, foi feito contra o ultravioleta — e o melasma responde também à luz visível. A SBD lista entre os gatilhos 'a exposição à luz ultravioleta e, até mesmo, à luz visível'. Um estudo brasileiro com biópsias de 22 pacientes mostrou que a luz visível azul-violeta induziu produção de melanina na pele, e que o UVA provocou uma resposta que só apareceu na pele com melasma. Luz de tela, de lâmpada e de janela não têm FPS no rótulo, mas contam.

Protetor solar com cor faz diferença no melasma?

Faz, pela física: filtros transparentes deixam a luz visível passar; os pigmentos que dão cor ao produto (óxidos de ferro) criam uma barreira física a ela. Como a luz visível está entre os gatilhos reconhecidos pela SBD e demonstrados em estudo brasileiro, o protetor com cor, de FPS alto, reaplicado, é a base de qualquer tratamento de melasma — inclusive em dia nublado ou chuvoso, como a SBD recomenda.

Gravidez e anticoncepcional causam melasma?

São gatilhos reconhecidos. A SBD associa o melasma ao 'uso de anticoncepcionais femininos, à gravidez e, principalmente, à exposição solar', com a predisposição genética influenciando. O melasma que aparece na gestação ('cloasma') pode regredir depois do parto, mas nem sempre — e quem tem predisposição costuma ver a mancha voltar com sol e com novos estímulos hormonais. Vale conversar com o ginecologista sobre o método contraceptivo quando o melasma é um problema.

O que é o ácido tranexâmico e ele funciona?

É um medicamento antigo, usado originalmente para controlar sangramentos, que passou a ser estudado no melasma por via oral, tópica e injetável. Uma revisão de 2026 no Journal of Cosmetic Dermatology reuniu os ensaios: por via oral, em doses de 250 a 500 mg duas vezes ao dia, houve melhora clínica sustentada; na comparação direta, tranexâmico e hidroquinona reduziram a mancha de forma parecida (cerca de 25% a 30% no índice de gravidade), com menos vermelhidão e irritação no grupo do tranexâmico. É medicamento com receita e triagem prévia — o médico afasta contraindicações, especialmente histórico de trombose — e a mesma revisão registra recaída nos casos graves após a suspensão.

Posso fazer laser ou peeling para clarear o melasma?

Só com indicação dermatológica e com muita cautela. A SBD lista peelings, laser e luz intensa pulsada entre as opções, mas faz um alerta que raramente aparece na propaganda: 'muitas vezes, as pessoas com melasma podem agravar a condição com um tratamento ou procedimento inadequado'. Calor e inflamação estimulam justamente a produção de melanina que se quer reduzir. Por isso a ordem é: fotoproteção e clareador tópico primeiro, procedimento depois — e nunca sem avaliação do tipo de pele.

Fontes consultadas

  1. 1.Melasma — o que é, causas, sintomas e tratamentoSociedade Brasileira de Dermatologia
  2. 2.Avaliação da resposta melanogênica ex vivo às radiações UVB, UVA e luz visível no melasma facial e na pele adjacente não afetadaAnais Brasileiros de Dermatologia
  3. 3.Tranexamic Acid for Hyperpigmentation Disorders: A Literature Review on Efficacy and Safety in Melasma and PIH (Journal of Cosmetic Dermatology, 2026)PubMed Central

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