Dengue: Sintomas, Sinais de Alarme, O Que Fazer e O Que Não Tomar
Na dengue, o perigo costuma aparecer quando a febre vai embora, entre o 3º e o 7º dia. Veja os sintomas, os sinais de alarme do Ministério da Saúde, quanto beber, os remédios que não devem ser usados e como está a vacinação em 2026.
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A dengue engana justamente quando parece que está indo embora. A febre alta dos primeiros dias assusta, mas, segundo o manual de manejo clínico do Ministério da Saúde, a fase em que a doença pode se agravar começa com a queda da febre, entre o 3º e o 7º dia. Quem se sente melhor e para de se cuidar nesse momento corre o maior risco.
O Ministério da Saúde lembra que a doença tem padrão sazonal, com mais casos e risco de epidemia de outubro a maio. Abaixo estão os sintomas, os sinais de alarme, o que fazer em casa, os remédios que não devem ser usados e como está a vacinação em 2026.
Quais são os sintomas da dengue?#
A dengue é causada por um vírus transmitido principalmente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Existem quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que, quando há sintomas, eles costumam começar de 4 a 10 dias depois da infecção, e que muitas infecções não dão sintoma algum.
O Ministério da Saúde orienta procurar um serviço de saúde quem tiver febre de 39 °C a 40 °C, de início repentino, com pelo menos duas destas queixas:
- dor de cabeça;
- prostração (moleza intensa);
- dores musculares ou nas articulações;
- dor atrás dos olhos.
Enjoo e manchas vermelhas no corpo também são comuns. O manual do Ministério detalha que as manchas aparecem em cerca de metade dos casos, podem coçar e muitas vezes surgem quando a febre some. Pode haver falta de apetite, vômitos e diarreia leve, de três a quatro evacuações pastosas por dia.
As três fases da doença#
O manual descreve três fases:
- Febril. A febre dura de dois a sete dias. Depois dela, a maior parte das pessoas melhora aos poucos, com retorno do apetite.
- Crítica. Acontece em parte dos pacientes e começa com a queda da febre, entre o 3º e o 7º dia. É quando os vasos podem deixar escapar plasma, e é quando aparecem os sinais de alarme. O choque, quando ocorre, costuma vir no 4º ou 5º dia e em geral é precedido por esses sinais.
- Recuperação. O quadro melhora. A OMS observa que o cansaço pode durar várias semanas.
Na prática, isso muda a orientação: o Ministério da Saúde pede que a pessoa volte para reavaliação no dia em que a febre melhorar ou, se a febre não baixar, no 5º dia de doença.
Sinais de alarme: quando ir ao pronto-atendimento#
Os sinais de alarme do manual do Ministério da Saúde, em linguagem do dia a dia:
| Sinal de alarme | Como pode aparecer |
|---|---|
| Dor abdominal intensa e contínua | Dor forte na barriga que não passa |
| Vômitos persistentes | Não consegue manter líquido ou comida |
| Hipotensão postural ou lipotimia | Tontura ou sensação de desmaio ao levantar |
| Sangramento de mucosa | Sangue no nariz, na gengiva, no vômito ou nas fezes |
| Letargia ou irritabilidade | Sonolência fora do normal, agitação ou irritação |
| Acúmulo de líquidos e fígado aumentado | Identificados pelo profissional no exame (líquido no abdome ou junto ao pulmão) |
Um único sinal de alarme já é motivo para procurar imediatamente um serviço de urgência, orienta o Ministério da Saúde. A OMS acrescenta respiração rápida, muita sede, pele pálida e fria e sensação de fraqueza aos sintomas que pedem atendimento imediato.
Quem precisa de mais atenção#
O Ministério da Saúde afirma que todas as idades podem ter dengue, mas algumas pessoas têm mais risco de complicações. O manual classifica como "condições clínicas especiais" bebês com menos de 2 anos, gestantes, adultos com mais de 65 anos e pessoas com hipertensão ou outras doenças cardiovasculares graves, diabetes, DPOC, asma, obesidade, doenças crônicas do sangue, doença renal crônica, gastrite ou úlcera, doenças do fígado e doenças autoimunes. Nesses casos, mesmo sem sinal de alarme, o hemograma é obrigatório e a pessoa fica em observação até o resultado.
Na gestação, o manual afirma que a letalidade da dengue é maior do que em mulheres da mesma idade que não estão grávidas, com risco mais alto no terceiro trimestre. Gestante com febre deve procurar atendimento sem demora; o guia de pré-natal no SUS mostra como acionar a equipe. Quem tem pressão alta encontra no texto sobre hipertensão os valores de referência e os sinais de emergência.
A OMS lembra ainda que quem se infecta pela segunda vez tem mais risco de dengue grave.

O que fazer em casa#
O Ministério da Saúde resume o tratamento: não existe remédio específico contra o vírus, e o cuidado se baseia em repor líquidos. Em casa, sempre conforme a orientação médica:
- Repouso.
- Muito líquido. O manual usa como referência, para adultos, 60 mL por quilo de peso por dia: um terço em soro de reidratação oral, com volume maior no início, e o restante em água, suco de frutas, soro caseiro, chás ou água de coco. Para uma pessoa de 70 kg, isso dá cerca de 4,2 litros por dia. Em crianças, a conta muda conforme o peso. O volume deve ser indicado pelo profissional e anotado no cartão de acompanhamento.
- Hidratação até depois da febre. O manual pede manter a hidratação durante toda a febre e por 24 a 48 horas depois que ela passa.
- Comida e amamentação continuam. A alimentação não deve ser interrompida, e a amamentação deve ser mantida.
- Repelente em quem está doente. Durante a fase em que o vírus circula no sangue, a pessoa pode infectar novos mosquitos. A OMS informa que essa transmissão pode ocorrer de dois dias antes dos sintomas até dois dias depois do fim da febre.
- Cartão de acompanhamento. Leve o cartão entregue na consulta nos retornos.
Hidratação na dengue não segue a mesma lógica da água do dia a dia. A referência geral está no texto sobre quanto beber de água por dia, mas, com dengue, vale o volume indicado pelo profissional.
O que não tomar com suspeita de dengue#
O manual do Ministério da Saúde é direto: não usar salicilatos (como o ácido acetilsalicílico, o AAS), anti-inflamatórios não esteroides nem corticoides. A OMS dá como exemplos o ibuprofeno e a aspirina e explica o motivo: eles aumentam o risco de sangramento. O manual registra que sangramentos digestivos graves na dengue são mais frequentes em quem usa AAS, anti-inflamatórios ou anticoagulantes.
Para febre e dor, o manual prevê paracetamol ou dipirona. A dose é do profissional, e o Ministério insiste: não se automedique.
Há uma exceção que exige cuidado. Quem toma AAS ou outro antiagregante por indicação médica, por exemplo depois de um stent no coração, não deve suspender nem manter o remédio por conta própria. O manual tem uma conduta específica para esses casos, que depende da contagem de plaquetas no exame de sangue. Avise o profissional que atender você.
Precisa de exame para confirmar?#
Não para começar o tratamento. O Ministério da Saúde explica que a conduta se baseia nos sintomas e que exames específicos não são necessários para tratar. Quando pedidos, a pesquisa do vírus é feita até o 5º dia de doença, e a de anticorpos a partir do 6º dia. O hemograma é diferente: ele ajuda a acompanhar a gravidade e é obrigatório para os grupos de maior risco.
Vacina da dengue: como está em 2026#
O SUS incorporou a vacina contra a dengue em dezembro de 2023 e começou a aplicar em fevereiro de 2024, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em duas doses com intervalo de três meses. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil foi o primeiro país a oferecer a vacina no sistema público.
Em 2026, a situação mudou duas vezes:
- Butantan-DV. A vacina do Instituto Butantan, a primeira de dose única, recebeu registro da Anvisa em dezembro de 2025 e começou a ser aplicada no início de 2026 em profissionais da atenção primária e em moradores de municípios-piloto. Em 8 de junho de 2026, o Ministério da Saúde suspendeu temporariamente essa estratégia, por precaução, depois do registro de 42 casos com sinais de alerta (0,008% das cerca de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio), três deles graves, incluindo dois óbitos. Na nota, o Ministério afirmou que ainda não havia relação de causa comprovada com a vacina. A Anvisa criou um grupo de especialistas para avaliar a segurança.
- Qdenga. A mesma nota do Ministério informa que a vacinação de 10 a 14 anos com a Qdenga continua normalmente, com cerca de 8 milhões de doses aplicadas no país.
Para quem tomou a Butantan-DV, a orientação oficial é observar a saúde por 21 dias após a dose. Novas decisões dependem da investigação; confirme na unidade de saúde a situação no seu município.
A vacina não substitui o combate ao mosquito, que o Ministério da Saúde chama de principal forma de prevenção. A OMS lembra que o Aedes pica principalmente de dia. As medidas recomendadas:
- telas nas janelas e repelente (a OMS cita os com DEET, icaridina ou IR3535);
- eliminar recipientes que possam acumular água parada;
- vedar caixas d'água e reservatórios;
- desentupir calhas, lajes e ralos.
Quando procurar atendimento#
Procure uma unidade de saúde se tiver febre alta e repentina com dor de cabeça, dor atrás dos olhos ou dores no corpo, sobretudo se você for gestante, tiver menos de 2 anos ou mais de 65, ou tiver doença crônica.
Vá imediatamente a um serviço de urgência, ou acione o Samu (192), se aparecer qualquer um destes sinais, listados pelo Ministério da Saúde e pela OMS:
- dor intensa e contínua na barriga;
- vômitos que não param;
- tontura ou sensação de desmaio, principalmente ao levantar;
- sangramento no nariz, na gengiva, no vômito ou nas fezes;
- dificuldade para respirar ou respiração rápida;
- sonolência excessiva, agitação ou irritabilidade;
- pele fria e pálida, muita sede ou pouca urina.
E lembre que esses sinais costumam surgir quando a febre baixa: o dia em que a febre some é dia de reavaliação, não de alta.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico, a classificação de risco e o tratamento da dengue são definidos pela equipe de saúde.
Perguntas frequentes
Quais são os primeiros sintomas da dengue?
Segundo o Ministério da Saúde, a dengue começa com febre alta (39 °C a 40 °C) de início repentino, acompanhada de pelo menos duas destas queixas: dor de cabeça, prostração, dores musculares ou nas articulações e dor atrás dos olhos. Enjoo e manchas vermelhas no corpo também são comuns. Quem tem esse quadro deve procurar um serviço de saúde.
Em que dia a dengue fica perigosa?
O manual de manejo clínico do Ministério da Saúde explica que a fase crítica começa com a queda da febre, entre o 3º e o 7º dia de doença. É nesse momento que podem surgir os sinais de alarme. Por isso o Ministério orienta voltar para reavaliação no dia em que a febre melhorar, ou no 5º dia se ela não baixar. Sentir-se melhor sem febre não significa que o risco passou.
Quais são os sinais de alarme da dengue?
O Ministério da Saúde lista dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura ou queda de pressão ao levantar, sangramento de nariz, gengiva ou fezes, sonolência ou irritabilidade, acúmulo de líquidos e aumento do fígado. A presença de um único sinal já exige ida imediata a um serviço de urgência.
Que remédio não posso tomar com suspeita de dengue?
O manual do Ministério da Saúde orienta não usar salicilatos, como o ácido acetilsalicílico, nem anti-inflamatórios não esteroides ou corticoides. A OMS cita o ibuprofeno e a aspirina, que aumentam o risco de sangramento. Para febre e dor, o manual prevê paracetamol ou dipirona, com dose definida pelo profissional. Quem toma AAS por indicação do cardiologista não deve parar nem continuar por conta própria: avise o profissional.
Quanto líquido tomar com dengue?
O manual do Ministério da Saúde usa como referência para adultos 60 mL por quilo por dia, sendo um terço em soro de reidratação oral e o restante em água, sucos, chás ou água de coco. Para uma pessoa de 70 kg, são cerca de 4,2 litros por dia. Crianças seguem outra conta, por faixa de peso. O volume deve ser indicado pelo profissional, e a hidratação continua até 24 a 48 horas depois que a febre passa.
Quem pode tomar a vacina da dengue pelo SUS?
Segundo nota do Ministério da Saúde de junho de 2026, o SUS segue vacinando crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com a vacina Qdenga, em duas doses com três meses de intervalo. A estratégia com a vacina Butantan-DV, de dose única, foi suspensa temporariamente em 8 de junho de 2026 para investigação de eventos raros. Confirme na unidade de saúde a situação no seu município.
Quem já teve dengue pode ter de novo?
Pode. O Ministério da Saúde informa que existem quatro sorotipos do vírus (DENV-1 a DENV-4), e a Organização Mundial da Saúde afirma que quem se infecta pela segunda vez tem maior risco de desenvolver dengue grave. Por isso quem já teve dengue deve redobrar a atenção aos sinais de alarme numa nova infecção.
Fontes consultadas
- 1.Dengue: diagnóstico e manejo clínico – adulto e criança (6ª edição, 2024) — Ministério da Saúde
- 2.Dengue: sinais e sintomas, transmissão, diagnóstico, prevenção e tratamento — Ministério da Saúde
- 3.Vacinação contra a dengue: público e esquema vacinal — Ministério da Saúde
- 4.Nota do Ministério da Saúde sobre a descontinuação temporária da estratégia de vacinação com a Butantan-DV (junho de 2026) — Conselho Federal de Enfermagem (Cofen)
- 5.Vacina da dengue do Instituto Butantan não é experimental — Anvisa
- 6.Dengue and severe dengue: fact sheet — Organização Mundial da Saúde


