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Saúde geral

Hipotireoidismo: Sintomas, Causas, Exames (TSH e T4 Livre) e Tratamento

O hipotireoidismo declarado atinge cerca de 1,5% das pessoas, e a forma subclínica é quase dez vezes mais comum. Veja os sintomas, as causas, como ler TSH e T4 livre, quem deve fazer o exame e como é o tratamento com levotiroxina.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·9 min de leitura

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Mulher sonolenta apoiando a cabeça na mão diante de um notebook, em um escritório com um colega trabalhando ao fundo
Mulher sonolenta apoiando a cabeça na mão diante de um notebook, em um escritório com um colega trabalhando ao fundo

Cansaço que não passa, frio quando ninguém mais sente, intestino preso, pele seca, alguns quilos a mais. Os sintomas do hipotireoidismo são tão comuns que quase todo mundo se reconhece em pelo menos um, e é justamente aí que mora o problema. A diretriz de hipotireoidismo da Sociedade Latino-Americana de Tireoide, escrita com endocrinologistas brasileiros e publicada em 2013 nos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, revista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), é direta: os médicos não podem confiar só no exame físico para confirmar ou descartar a doença. Quem decide é o exame de sangue, e um resultado isolado ainda precisa ser repetido.

O que é hipotireoidismo?#

A tireoide é a glândula em forma de borboleta na frente do pescoço, logo abaixo do pomo de adão. A SBEM explica que ela produz os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) e regula órgãos como coração, cérebro, fígado e rins. O hipotireoidismo é a queda nessa produção. Segundo a SBEM, é mais comum em mulheres, mas pode atingir qualquer pessoa, de qualquer idade, inclusive recém-nascidos.

A diretriz separa duas situações:

  • Hipotireoidismo declarado (ou clínico): a falta de hormônio é clara. A prevalência relatada é de cerca de 1,5%.
  • Hipotireoidismo subclínico: o TSH, o hormônio da hipófise que "comanda" a tireoide, está acima do limite, mas o T4 ainda está normal. É quase dez vezes mais frequente, com prevalência entre 6% e 20% conforme idade, sexo e população estudada, e raramente causa sintomas.

Quais são os sintomas?#

A SBEM lista entre os sintomas: depressão, batimentos cardíacos mais lentos, intestino preso, menstruação irregular, falhas de memória, cansaço excessivo, dores musculares e nas articulações, sonolência, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso e aumento do colesterol no sangue.

O que a diretriz acrescenta é uma noção de peso. Em uma tabela de sintomas, os que mais aumentam a suspeita são, em ordem: voz mais grave, voz rouca, olhos inchados, intestino preso, intolerância ao frio e memória fraca. Mesmo assim, nenhum sinal fecha o diagnóstico sozinho. A combinação de batimentos lentos, reflexo lento no tornozelo e pele seca e descamativa eleva a chance de hipotireoidismo de 2% para apenas 5%. Nos idosos, os sinais são ainda mais vagos.

Muitos desses sintomas têm outras explicações, como anemia, depressão ou prisão de ventre por pouca fibra na alimentação. Por isso o caminho é o exame, e não a lista.

Quais são as causas?#

Em adultos, a causa mais frequente é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune em que o próprio organismo ataca a tireoide. A SBEM e a diretriz concordam nesse ponto. A diretriz cita outras causas:

  • tratamento do hipertireoidismo com cirurgia, iodo radioativo ou remédios antitireoidianos;
  • tireoidites pós-parto, subaguda ou silenciosa, que podem causar hipotireoidismo permanente ou passageiro;
  • radioterapia na região do pescoço;
  • falta ou excesso de iodo;
  • alguns medicamentos, como lítio, amiodarona, interferon-alfa e inibidores da tirosina-quinase;
  • mais raramente, problemas na hipófise ou no hipotálamo, o chamado hipotireoidismo central.

No bebê. O hipotireoidismo congênito é procurado no teste do pezinho. O Protocolo Clínico do Hipotireoidismo Congênito, do Ministério da Saúde, registra no Brasil 1 caso a cada 2.595 a 4.795 nascidos vivos e orienta a coleta entre 48 horas de vida e o 5º dia. Sem tratamento, a doença pode causar alterações graves no desenvolvimento e incapacidade intelectual, e o prognóstico depende do tempo até o início do tratamento.

Como ler o TSH e o T4 livre?#

O TSH é o exame de primeira linha. A diretriz explica por quê: pequenas quedas do T4 livre provocam aumentos grandes do TSH, então ele denuncia o problema mais cedo. O T4 livre entra para classificar o quadro.

ResultadoO que costuma indicar
TSH alto e T4 livre baixoHipotireoidismo declarado, com origem na tireoide
TSH alto e T4 livre normalHipotireoidismo subclínico, se não houver doença grave ou da hipófise interferindo
TSH normal ou baixo e T4 livre baixoSuspeita de hipotireoidismo central: o protocolo do Ministério da Saúde indica encaminhar ao endocrinologista
TSH normalTorna o diagnóstico muito improvável, salvo causa na hipófise ou no hipotálamo

Três detalhes evitam sustos:

  1. Faixa de referência. A diretriz recomenda a faixa tradicional de 0,45 a 4,5 mU/L para a população geral e limites mais altos para idosos. Em pessoas sem anticorpos contra a tireoide, o limite superior chega a 6,3 mU/L acima dos 80 anos. Cada laboratório traz o seu intervalo no laudo.
  2. Repetição. Com TSH entre 4,5 e 10, a chance de o valor voltar ao normal sozinho é alta. A recomendação é repetir em 2 a 3 meses, já com o T4 livre.
  3. Anti-TPO. O anticorpo antitireoperoxidase ajuda a confirmar a causa autoimune. Se der positivo, não precisa ser repetido. A ultrassonografia da tireoide não é de rotina.

Exames feitos durante uma internação por doença grave são menos confiáveis, alerta a diretriz.

Quem deve fazer o exame?#

A diretriz não recomenda testar toda a população para achar hipotireoidismo subclínico, mas defende a busca ativa em grupos de risco:

  • mulheres em idade fértil ou mais velhas, especialmente acima dos 60 anos;
  • grávidas e mulheres que pretendem engravidar;
  • quem já fez cirurgia, iodo radioativo ou radioterapia na tireoide, ou já teve disfunção tireoidiana;
  • pessoas com diabetes tipo 1, síndrome de Sjögren, lúpus, artrite reumatoide ou vitiligo;
  • pessoas com síndrome de Down ou síndrome de Turner;
  • quem tem história familiar de doença da tireoide, bócio ou anti-TPO positivo;
  • quem usa lítio, amiodarona ou interferon-alfa;
  • quem tem colesterol alterado, anemia, insuficiência cardíaca ou prolactina alta.

Se você se encaixa em um desses grupos, vale levar o assunto ao check-up de rotina. O texto sobre exames preventivos por faixa etária mostra o que mais entra nessa conversa.

Como é o tratamento?#

O tratamento é a reposição do hormônio com levotiroxina, de uso diário. A diretriz a recomenda como a droga de escolha e não recomenda, de rotina, associar T3. A SBEM lembra que a dose é a prescrita pelo médico e que a levotiroxina não deve ser manipulada, pelo risco de erro de dose e de absorção. A dose é sempre do profissional: ela depende de idade, peso, causa e outras doenças, e é ajustada pelos exames.

Mão aberta com comprimidos ao lado de uma caixa organizadora de remédios e de um copo de água sobre fundo azul
A SBEM orienta tomar a levotiroxina em jejum, pelo menos meia hora antes do café da manhã, e deixar outros remédios para uma hora depois. · Foto: Unsplash

Como tomar. A SBEM orienta tomar todos os dias em jejum, pelo menos meia hora antes do café da manhã, e deixar outros medicamentos para no mínimo uma hora depois. A diretriz aceita também tomar após pelo menos 2 horas sem comer e, como alternativa, à noite.

O que atrapalha a absorção. Segundo a diretriz, café expresso, proteína de soja e fibras, além de suplementos de ferro e de cálcio e remédios que reduzem a acidez do estômago. Gastrite crônica e infecção por Helicobacter pylori também podem diminuir a absorção, assunto do texto sobre gastrite.

Não troque de marca por conta própria. A diretriz sugere evitar mudanças de preparação ao longo do tratamento. Se a troca acontecer, TSH e T4 livre devem ser conferidos depois de 2 meses.

Acompanhamento. O TSH é dosado de 6 a 8 semanas após cada ajuste. Com o hormônio estável, o intervalo passa a 6 meses e depois a 1 ano, pela vida toda. Em estudos de acompanhamento, cerca de 30% das pessoas em tratamento tinham TSH fora da faixa, o que mostra por que o exame periódico importa.

E o subclínico? A diretriz recomenda tratar quando o TSH fica persistentemente acima de 10 mU/L. Entre 4,5 e 10, o tratamento é considerado em menores de 65 anos com risco cardiovascular aumentado. Acima dos 65 anos, com TSH abaixo de 10, o painel se posiciona contra o tratamento de rotina, e também não recomenda o hormônio só para baixar o colesterol.

Se os sintomas continuam. Com o TSH normal e o cansaço persistindo, a orientação é investigar outras causas, como anemia ou depressão. Aumentar a dose por conta dos sintomas não é recomendado.

Tratado direito, diz a SBEM, quem tem hipotireoidismo leva uma vida normal. Sem tratamento, há queda do desempenho físico e mental e aumento do colesterol, com mais risco para o coração.

E na gravidez?#

A necessidade de hormônio da tireoide aumenta já com 4 a 6 semanas de gestação e continua subindo até 16 a 20 semanas, segundo a diretriz. Por isso:

  • quem já trata hipotireoidismo e planeja engravidar deve conversar com o médico antes; a diretriz recomenda ajustar o tratamento para manter o TSH abaixo de 2,5 mU/L;
  • em grávidas com doença autoimune da tireoide, o TSH deve ser acompanhado a cada 4 semanas;
  • grávidas com hipotireoidismo subclínico e anti-TPO positivo devem ser tratadas.

Avise a equipe do pré-natal assim que souber da gravidez. O ajuste da dose é feito por ela.

Quando procurar atendimento#

Marque consulta se:

  1. cansaço, intolerância ao frio, intestino preso, voz rouca, olhos inchados ou falhas de memória persistem sem explicação;
  2. você pertence a um dos grupos de risco listados acima;
  3. um exame mostrou TSH alterado: ele precisa ser repetido e interpretado com o T4 livre;
  4. você trata hipotireoidismo e engravidou ou pretende engravidar;
  5. o teste do pezinho do bebê veio alterado: o protocolo do Ministério da Saúde orienta que, quando o TSH passa de 20 mUI/L, a criança seja consultada e faça os exames confirmatórios com a maior brevidade possível.

Emergência. A forma mais grave é o coma mixedematoso, raro, com letalidade de 25% a 60%, segundo a diretriz. Ele se manifesta com temperatura do corpo muito baixa, respiração fraca, pressão instável e confusão mental ou sonolência profunda. Os gatilhos mais comuns são a interrupção do tratamento, infecções e exposição ao frio. Nesses casos, acione o Samu pelo 192.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e a dose do tratamento do hipotireoidismo são definidos pelo médico que acompanha você.

Perguntas frequentes

Quais são os primeiros sintomas de hipotireoidismo?

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) lista cansaço excessivo, intestino preso, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso, falhas de memória, dores musculares, menstruação irregular, batimentos mais lentos, depressão e colesterol alto. Como esses sinais são comuns a muitas condições, a diretriz publicada nos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia afirma que o diagnóstico não pode depender só do exame físico: é preciso dosar TSH e T4 livre.

Qual é o valor normal de TSH?

A diretriz de 2013 publicada nos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia recomenda, para a população em geral, a faixa de 0,45 a 4,5 mU/L, com limites mais altos para idosos, porque o TSH sobe naturalmente com a idade. Cada laboratório tem seu próprio intervalo de referência, impresso no laudo, e um valor isolado fora da faixa deve ser repetido em 2 a 3 meses antes de fechar o diagnóstico.

TSH alto com T4 livre normal é hipotireoidismo?

Na maioria das vezes, é o chamado hipotireoidismo subclínico, desde que não haja doença da hipófise ou outra doença grave interferindo no exame. Segundo a diretriz publicada na revista da SBEM, ele é quase dez vezes mais frequente que a forma declarada, raramente dá sintomas e nem sempre precisa de remédio: o tratamento é recomendado quando o TSH fica persistentemente acima de 10 mU/L e avaliado caso a caso entre 4,5 e 10.

Hipotireoidismo tem cura?

Na maioria dos casos, a doença é controlada, e não curada: a diretriz da Sociedade Latino-Americana de Tireoide, publicada na revista da SBEM, prevê acompanhamento ao longo de toda a vida para conferir a dose e a adesão. A SBEM afirma que, usando a levotiroxina regularmente e mantendo o TSH na faixa normal, a pessoa pode levar uma vida saudável e completamente normal. Algumas tireoidites causam hipotireoidismo apenas passageiro.

Como tomar a levotiroxina corretamente?

A SBEM orienta tomar todos os dias, em jejum, pelo menos meia hora antes do café da manhã, e deixar outros remédios para no mínimo uma hora depois. A diretriz de 2013 acrescenta que café expresso, proteína de soja, fibras, suplementos de ferro e de cálcio e remédios para o estômago podem reduzir a absorção. A dose é sempre definida pelo médico, e a SBEM desaconselha usar levotiroxina manipulada.

Hipotireoidismo engorda?

O ganho de peso aparece na lista de sintomas da SBEM, ao lado de cansaço e intestino preso. A diretriz publicada nos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, porém, lembra que os sintomas são inespecíficos: quem engordou e se sente cansado precisa do exame de TSH para saber se a tireoide tem algo a ver com isso. O objetivo do tratamento é normalizar o TSH, e a levotiroxina só deve ser usada com prescrição.

O que é o teste do pezinho para hipotireoidismo congênito?

É a triagem neonatal do SUS que mede o TSH numa gota de sangue em papel-filtro. O Protocolo Clínico do Hipotireoidismo Congênito, do Ministério da Saúde, orienta a coleta entre 48 horas de vida e o 5º dia e cita incidência de 1 caso a cada 2.595 a 4.795 nascidos vivos no Brasil. Sem tratamento precoce, a doença pode causar incapacidade intelectual grave.

Fontes consultadas

  1. 1.10 Coisas que Você Precisa Saber sobre Hipotireoidismo — Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
  2. 2.Diretrizes clínicas práticas para o manejo do hipotiroidismo (Arq Bras Endocrinol Metab, 2013): diagnóstico, rastreamento, tratamento e gravidez — Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia (SBEM) / SciELO
  3. 3.Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Hipotireoidismo Congênito (Portaria Conjunta nº 5/2021) — Ministério da Saúde / Conitec
  4. 4.Protocolos de encaminhamento da atenção básica para a atenção especializada, v. 1: Endocrinologia e Nefrologia (2015) — Ministério da Saúde
  5. 5.10 Coisas que Você Precisa Saber sobre Tireoide — Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
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