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TPM: Quais São os Sintomas, o Que Ajuda e Quando Pode Ser Transtorno Disfórico

Os sintomas pré-menstruais atingem de 75% a 80% das mulheres em idade reprodutiva, e a forma grave, o transtorno disfórico pré-menstrual, de 3% a 8%, segundo a Febrasgo. Veja a diferença entre os dois, o que tem evidência e quando procurar o ginecologista.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·8 min de leitura

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Mulher de blusa preta recostada em um sofá cinza capitonê, segurando uma caneca verde e olhando pensativa para o lado
Mulher de blusa preta recostada em um sofá cinza capitonê, segurando uma caneca verde e olhando pensativa para o lado

Chamar de "TPM" qualquer mudança de humor de uma mulher é uma piada antiga e cansativa. Mas a síndrome existe, tem critérios e tem tratamento. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) estima que os sintomas pré-menstruais atingem de 75% a 80% das mulheres em idade reprodutiva, com enorme variação no número, na duração e na intensidade. E há uma forma grave, que afeta de 3% a 8% e que a própria Febrasgo descreve como um tipo de transtorno depressivo.

O achado que mais surpreende está no mesmo texto da Febrasgo: a maioria das mulheres só busca ajuda para a TPM por volta dos 30 anos, depois de 10 anos ou mais convivendo com os sintomas. Este texto existe para encurtar essa espera.

O que é a TPM, afinal?#

Síndrome pré-menstrual (SPM) e tensão pré-menstrual (TPM) são a mesma coisa. A Febrasgo define como um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais que:

  • são cíclicos e se repetem a cada mês;
  • aparecem de uma a duas semanas antes da menstruação, na chamada fase lútea do ciclo;
  • aliviam com o início do fluxo menstrual;
  • podem ser intensos a ponto de interferir em alguns aspectos da vida.

A causa exata ainda não é conhecida. A hipótese mais aceita, segundo a Febrasgo, envolve a variação cíclica do estradiol e da progesterona e o efeito desses hormônios sobre neurotransmissores como a serotonina e o GABA, em mulheres mais sensíveis a essas oscilações.

Quais são os sintomas?#

A lista da Febrasgo mistura corpo e emoção:

Sintomas físicosSintomas emocionais e de comportamento
Mamas maiores e sensíveisAnsiedade
Dor e inchaço nas pernas e, às vezes, no corpo todoIrritabilidade
Ganho de pesoTristeza e humor deprimido
Dor de cabeçaMudanças bruscas de humor
CansaçoPiora da autoimagem
Barriga estufadaAlteração do apetite
Acne

O protocolo do Ministério da Saúde para a atenção básica agrupa os sintomas típicos de forma parecida: afetivos (depressão, explosões de raiva, irritabilidade, confusão, isolamento social, fadiga) e somáticos (dor nas mamas, distensão abdominal, dor de cabeça, inchaço nas extremidades).

A dor de cabeça merece nota. O mesmo protocolo diz que, quando ela está associada à menstruação, o diagnóstico mais frequente é a enxaqueca sem aura, que tem manejo próprio.

TPM ou transtorno disfórico pré-menstrual?#

O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é a forma mais grave da síndrome. A diferença não está no tipo de sintoma, e sim na intensidade e no peso que ele tem na vida da mulher. A Febrasgo usa os critérios da Associação Psiquiátrica Americana: cinco ou mais sintomas na maioria dos ciclos, na última semana antes da menstruação, que começam a diminuir quando o fluxo chega. Entre eles, pelo menos um dos quatro primeiros desta lista:

  1. humor deprimido, falta de esperança ou pensamentos de autodepreciação;
  2. ansiedade acentuada, tensão, sensação de "nervos à flor da pele";
  3. instabilidade emocional acentuada;
  4. raiva ou irritabilidade persistente e acentuada, ou mais conflitos com outras pessoas;
  5. perda de interesse pelas atividades habituais;
  6. dificuldade de concentração;
  7. cansaço fácil ou falta de energia;
  8. mudança acentuada do apetite, comer em excesso ou desejo por certos alimentos;
  9. sono demais ou insônia;
  10. sensação de descontrole emocional;
  11. sintomas físicos, como mamas sensíveis ou inchadas, dor de cabeça, dor nas articulações ou nos músculos, inchaço e ganho de peso.

Em outro texto, de 2023, a Febrasgo descreve o TDPM como "um tipo específico de transtorno depressivo", com sintomas intensos o bastante para afetar a vida profissional e social e os relacionamentos interpessoais e sexuais. Se o que você sente nessa fase lembra o que está descrito no texto sobre depressão: sinais e tratamento, vale levar isso à consulta.

O diário de sintomas: a ferramenta mais útil#

A pergunta-chave do fluxograma do Ministério da Saúde é esta: os sintomas ocorrem consistentemente na fase lútea do ciclo? Ou seja, aparecem sempre nos dias antes da menstruação e somem depois que ela começa? Se a resposta for não, o protocolo manda considerar outros diagnósticos, físicos ou psiquiátricos.

Para responder com segurança, anote todos os dias, por alguns ciclos, o dia do ciclo e o que sentiu, com uma nota de intensidade. Os estudos avaliados pela Cochrane incluíram mulheres com diagnóstico feito dessa forma, com registro prospectivo, feito no dia, e não de memória. Um calendário do ciclo, como a calculadora de período fértil, ajuda a localizar a segunda metade do ciclo.

Mãos de uma pessoa de suéter cinza escrevendo em um caderno aberto sobre uma mesa de madeira, ao lado de uma xícara de café e de um croissant
Anotar os sintomas dia a dia, por alguns ciclos, mostra se eles se concentram mesmo nos dias antes da menstruação, a pergunta que orienta o diagnóstico no protocolo do Ministério da Saúde. · Foto: Unsplash

O protocolo do Ministério também pede que a equipe investigue o que pode estar piorando os sintomas: estresse em casa ou no trabalho, violência, história de trauma e transtornos do humor. Se houver situação de violência, ela tem fluxo próprio de atendimento no SUS.

O que ajuda, segundo as evidências#

Hábitos e exercício. É por onde o protocolo do Ministério da Saúde começa. A Febrasgo cita mudanças no estilo de vida, com exercícios aeróbicos e ajustes na dieta, entre as intervenções sem remédio. O Ministério da Saúde orienta oferecer exercício físico, outras práticas corporais e de relaxamento e práticas integrativas e complementares. A lógica do protocolo é a do limiar: fatores de estresse baixam o limiar para os sintomas aparecerem, e hábitos saudáveis ajudam a elevá-lo. Para quem quer começar, o texto sobre quanto exercício fazer por semana traz a recomendação da OMS.

Conversa e acolhimento. O fluxograma do Ministério da Saúde começa pelo acolhimento com escuta qualificada. A equipe deve avaliar a intensidade dos sintomas e o impacto deles na vida da paciente, entender o que ela espera do tratamento e o que a preocupa sobre a causa. O protocolo também orienta construir com a mulher uma explicação para o que ela sente e ressignificar a menstruação como um evento fisiológico e natural, e não como doença.

Inchaço. Para o inchaço nas pernas, o protocolo do Ministério da Saúde orienta, antes de tudo, intensificar o exercício físico. Remédio para esse sintoma só entra, segundo o documento, nos casos de inchaço muito acentuado que não melhoram com a atividade física, e por indicação médica.

Suplementos e fitoterápicos: cautela. A Febrasgo diz que a suplementação de vitamina B6, cálcio e magnésio foi estudada, mas sem comprovação científica. Não há, portanto, base para prometer alívio com cápsulas, chás ou "produtos para TPM". Antes de usar qualquer um, fale com o médico.

Anticoncepcional combinado. A Febrasgo cita estudos com anticoncepcionais combinados, em especial os com drospirenona. O protocolo do Ministério considera o uso contínuo ou com intervalo reduzido de pausa, mais eficaz quando os sintomas estão ligados à menstruação. A revisão Cochrane de 2023, com cinco estudos e 858 mulheres, a maioria com TDPM, concluiu que a combinação com drospirenona pode melhorar os sintomas que prejudicam produtividade, vida social e relacionamentos, com efeito pequeno a moderado. O placebo também teve efeito importante, e o remédio causou mais efeitos colaterais. Os métodos e suas contraindicações estão no guia de métodos contraceptivos.

Antidepressivos da classe dos ISRS. Para a Febrasgo, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina são hoje a classe de remédios mais eficaz contra os sintomas. A revisão Cochrane de 2024 reuniu 34 estudos e concluiu, com certeza moderada, que eles provavelmente reduzem os sintomas na TPM e no TDPM, e que o uso contínuo funciona melhor que o uso só na fase lútea. O preço são efeitos colaterais mais frequentes que com placebo: os mais comuns foram náusea, fraqueza e sonolência, e a lista inclui insônia, tontura, boca seca, suor, diarreia ou prisão de ventre e queda da libido ou dificuldade sexual. Esse último ponto importa para muitas mulheres e deve entrar na conversa com o médico; o texto sobre libido baixa explica outras causas comuns de queda do desejo. A própria revisão faz uma ressalva: 68% dos estudos foram financiados pela indústria farmacêutica. O Ministério da Saúde registra que o uso só na fase lútea é menos eficaz, porém mais bem tolerado. Remédio, dose e forma de uso são decisão do médico.

Quando procurar o ginecologista#

Marque consulta com o ginecologista ou procure a unidade básica de saúde se:

  • os sintomas atrapalham o trabalho, os estudos, a família ou os relacionamentos;
  • você reconhece em si cinco ou mais dos sintomas da lista do TDPM, mês após mês;
  • os sintomas não melhoram com exercício e mudança de hábitos;
  • o diário mostra que os sintomas não seguem o ciclo, ou continuam depois que a menstruação começa;
  • há dor ou outro sintoma fora do padrão: o protocolo do Ministério manda considerar outros diagnósticos de origem física (para dor pélvica intensa, veja também o texto sobre endometriose);
  • há estresse intenso, violência ou trauma por trás do que você sente.

A Febrasgo recomenda procurar um profissional de saúde mental quando sintomas como dificuldade para dormir, mudança de apetite com alteração de peso, dificuldade para sair da cama, perda de interesse e incapacidade de cumprir as tarefas do dia a dia persistem por duas semanas ou mais.

Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, não espere a consulta. O Ministério da Saúde indica onde buscar ajuda: o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, gratuito, 24 horas, todos os dias; os CAPS e as unidades básicas de saúde; e, numa emergência, o SAMU 192, as UPAs 24h e os prontos-socorros.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico da TPM e do transtorno disfórico pré-menstrual e a escolha do tratamento são feitos pelo profissional de saúde que acompanha você.

Perguntas frequentes

Quais são os sintomas da TPM?

A Febrasgo lista aumento e sensibilidade das mamas, inchaço nas pernas ou no corpo, ganho de peso, dor de cabeça, cansaço, barriga estufada, acne, ansiedade, irritabilidade, tristeza, mudanças de humor, piora da autoimagem e alteração do apetite. Os sintomas aparecem de uma a duas semanas antes da menstruação e aliviam quando o fluxo começa. A intensidade varia muito de uma mulher para outra.

Qual a diferença entre TPM e transtorno disfórico pré-menstrual?

O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é a forma mais grave da síndrome pré-menstrual, segundo a Febrasgo. Para o diagnóstico, são necessários cinco ou mais sintomas na maioria dos ciclos, com pelo menos um sintoma de humor marcado, como tristeza profunda, ansiedade intensa, instabilidade emocional ou raiva e irritabilidade persistentes. A TPM atinge de 75% a 80% das mulheres; o TDPM, de 3% a 8%. A Febrasgo descreve o TDPM como um tipo de transtorno depressivo.

Exercício físico ajuda na TPM?

Sim. A Febrasgo cita mudanças no estilo de vida, incluindo exercícios aeróbicos e ajustes na dieta, entre as intervenções não medicamentosas. O protocolo do Ministério da Saúde para a atenção básica orienta oferecer exercício físico, práticas corporais e de relaxamento e práticas integrativas, com o objetivo de aumentar o limiar para o aparecimento dos sintomas.

Vitamina B6, magnésio ou cálcio resolvem a TPM?

A Febrasgo afirma que há estudos com suplementação de vitamina B6, cálcio e magnésio, mas sem comprovação científica. Por isso, suplemento ou fitoterápico não deve ser usado como promessa de alívio nem por conta própria. Converse com o ginecologista antes de tomar qualquer produto.

Anticoncepcional melhora a TPM?

Pode melhorar em parte dos casos. A Febrasgo cita estudos com anticoncepcionais combinados, especialmente os que contêm drospirenona, e o protocolo do Ministério da Saúde considera o anticoncepcional oral combinado em uso contínuo ou com intervalo reduzido. A revisão Cochrane de 2023 concluiu que a combinação com drospirenona pode melhorar sintomas que atrapalham a vida de mulheres com TDPM, mas com mais efeitos colaterais que o placebo. A indicação é individual e cabe ao médico.

Antidepressivo funciona para TPM?

Pode funcionar. A Febrasgo considera os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) a classe de remédios mais eficaz. A revisão Cochrane de 2024, com 34 estudos, concluiu que eles provavelmente reduzem os sintomas, mais quando tomados de forma contínua do que só na segunda metade do ciclo, e aumentam efeitos como náusea, cansaço e sonolência. Só o médico pode indicar o remédio e a dose.

Quando procurar ajuda por causa da TPM?

Procure o ginecologista ou a unidade básica de saúde quando os sintomas atrapalham o trabalho, os estudos, a família ou os relacionamentos, ou quando não melhoram com mudanças de hábito. Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, busque ajuda no mesmo dia: o Centro de Valorização da Vida atende 24 horas pelo telefone 188, de graça, e o Samu 192, as UPAs e os CAPS também acolhem.

Fontes consultadas

  1. 1.Tensão pré-menstrual: critérios para diagnóstico (Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina) — Febrasgo
  2. 2.Mulheres têm risco maior de apresentar episódios depressivos, quando comparadas aos homens — Febrasgo
  3. 3.Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres (2016), fluxograma 5: sintomas pré-menstruais — Ministério da Saúde
  4. 4.Selective serotonin reuptake inhibitors for premenstrual syndrome and premenstrual dysphoric disorder (revisão Cochrane, 2024) — Cochrane Database of Systematic Reviews (PubMed)
  5. 5.Oral contraceptives containing drospirenone for premenstrual syndrome (revisão Cochrane, 2023) — Cochrane Database of Systematic Reviews (PubMed)
  6. 6.Prevenção do suicídio: onde buscar ajuda (CVV 188, CAPS, SAMU 192) — Ministério da Saúde
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