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IST: Quais São as Principais, Sintomas, Testes no SUS e Como Prevenir

Mais de 1 milhão de IST curáveis são adquiridas por dia no mundo, e a maioria não dá sintomas, segundo a OMS. Veja os sinais de alerta, quem deve fazer teste todo ano no SUS, o prazo de 72 horas da PEP e como funciona a prevenção combinada.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·9 min de leitura

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Duas embalagens fechadas de preservativo, prateadas, sobre um fundo amarelo
Duas embalagens fechadas de preservativo, prateadas, sobre um fundo amarelo

A sigla IST (infecções sexualmente transmissíveis) substituiu o antigo "DST" e cobre um grupo grande de infecções, de algumas que se curam com uma dose de antibiótico a outras que exigem acompanhamento por toda a vida. O ponto que mais surpreende quem pesquisa o assunto é outro: na maioria das vezes, a IST não dá sinal nenhum. A OMS estima que mais de 1 milhão de IST curáveis sejam adquiridas por dia no mundo entre pessoas de 15 a 49 anos, a maior parte sem sintomas. Este texto reúne o que o Ministério da Saúde e a OMS dizem sobre os sintomas, quem deve testar, onde testar de graça e como funciona a prevenção.

O que são IST e quais são as principais?#

São infecções causadas por bactérias, vírus ou parasitas transmitidos principalmente pelo contato sexual. A OMS informa que mais de 30 agentes diferentes podem ser transmitidos dessa forma, no sexo vaginal, anal e oral, e que algumas IST também passam da mãe para o bebê na gestação, no parto e na amamentação, ou por transfusão de sangue sem segurança.

Oito agentes concentram a maior parte dos casos, segundo a OMS:

  • Curáveis: sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase.
  • Virais: hepatite B, herpes, HIV e HPV. Herpes e HPV são descritos pelo Ministério da Saúde como infecções "não curáveis, porém tratáveis"; HIV e hepatite B têm tratamento que controla o vírus.

O Ministério da Saúde acrescenta à lista a hepatite C e o HTLV (vírus linfotrópico de células T humanas).

Quais são os sintomas de IST?#

O Ministério da Saúde descreve três manifestações principais: corrimentos, feridas e verrugas anogenitais. Outros sinais possíveis são dor pélvica, ardência ao urinar, lesões de pele e aumento de ínguas. As IST aparecem sobretudo nos órgãos genitais, mas podem surgir em outras partes do corpo, como palma das mãos, olhos e língua.

ManifestaçãoComo costuma aparecerIST mais associadas
CorrimentoNo pênis, na vagina ou no ânus; esbranquiçado, esverdeado ou amarelado; pode ter cheiro forte, coceira e dor ao urinar ou na relaçãoGonorreia, clamídia, tricomoníase
FeridaNos genitais ou em qualquer parte do corpo, com ou sem dor; pode ser bolha, úlcera ou manchaSífilis, herpes genital, cancro mole, donovanose, linfogranuloma venéreo
Verruga anogenitalEm geral não dói; pode causar irritação ou coceiraHPV
Dor pélvica e inflamação internaAtinge útero, trompas e ováriosDoença inflamatória pélvica, principalmente por gonorreia e clamídia não tratadas

Fonte: Ministério da Saúde, página de IST do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e IST.

Uma ressalva importante da própria fonte: corrimento vaginal nem sempre é IST. Candidíase e vaginose bacteriana são causas comuns e não são consideradas infecções sexualmente transmissíveis. Quem decide é o exame, e os cuidados de rotina estão no texto sobre saúde ginecológica.

Por que tantas IST passam despercebidas?#

Porque muitas não doem, somem sozinhas ou simplesmente não aparecem. O Ministério da Saúde alerta que algumas IST não apresentam sinais e, sem diagnóstico e tratamento, podem levar a complicações graves, como infertilidade, câncer ou até morte. A OMS acrescenta que gonorreia e clamídia estão entre as principais causas de doença inflamatória pélvica e infertilidade em mulheres, e que herpes, gonorreia e sífilis aumentam o risco de adquirir o HIV.

Por isso o Ministério orienta observar o corpo durante a higiene e fazer exames depois de relação sem camisinha, mesmo sem sintoma. O PCDT-IST resume a lógica numa frase: "Uma pessoa com IST nunca é só uma pessoa. É uma rede de parcerias sexuais que estão infectadas."

Quem deve fazer teste, e com que frequência?#

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para IST (PCDT-IST), do Ministério da Saúde, traz no Quadro 5 o rastreamento recomendado para pessoas sem sintomas. O achado que mais muda a conversa é a idade: como as notificações de sífilis vêm crescendo entre os mais jovens, toda pessoa de até 30 anos com vida sexual ativa deve testar HIV e sífilis uma vez por ano.

QuemHIV e sífilis
Adolescentes e jovens até 30 anosUma vez por ano
GestantesNa primeira consulta do pré-natal, no início do 3º trimestre (28ª semana) e no parto
Gays e outros homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, travestis e pessoas trans, pessoas que fazem uso abusivo de álcool e outras drogasA cada seis meses
Pessoas com diagnóstico de outra ISTNo diagnóstico e de 4 a 6 semanas depois
Pessoas em uso de PrEPHIV em cada visita; sífilis a cada três meses

Fonte: PCDT-IST 2022, Quadro 5. Para quem não está nesses grupos, o protocolo diz que a testagem depende da avaliação de risco feita com o profissional.

Como é o teste. Os testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C dão o resultado em no máximo 30 minutos e não precisam de laboratório, segundo o Ministério da Saúde; são feitos com uma gota de sangue da ponta do dedo ou, em alguns casos, com fluido oral. A testagem para o HIV é gratuita no SUS, e existe também o autoteste. Clamídia e gonorreia são pesquisadas por biologia molecular, em urina ou material coletado do local de exposição. Procure a Unidade Básica de Saúde ou um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA).

O que é prevenção combinada?#

É a estratégia do SUS de somar vários métodos em vez de depender de um só. O PCDT-IST é direto: "O melhor método de prevenção é aquele que o indivíduo escolhe, com auxílio do profissional de saúde", e "nenhuma intervenção de prevenção isolada se mostrou eficaz o suficiente para reduzir novas infecções". A lista do protocolo para um sexo mais seguro inclui usar preservativo, vacinar contra hepatite A, hepatite B e HPV, testar regularmente, fazer o exame preventivo do colo do útero, ter acesso a contracepção e usar PrEP ou PEP quando indicado.

Preservativo#

O preservativo masculino ou feminino é o método que reduz a transmissão de IST e evita gravidez ao mesmo tempo. O PCDT-IST determina que ele seja oferecido sem limite de quantidade e sem exigência de documento. Dois cuidados do protocolo evitam rompimento: usar só lubrificante à base de água (os oleosos danificam o látex) e não usar dois preservativos juntos, nem o feminino com o masculino. A comparação com os demais métodos, com e sem hormônio, está no guia de métodos contraceptivos.

A OMS faz a ressalva que falta em muitos textos: o preservativo não protege contra IST que causam feridas fora da área coberta, como sífilis e herpes genital.

Braço de um jovem de camiseta branca com um curativo bege na região do ombro, logo após receber uma vacina
HPV e hepatite B são as duas IST com vacina disponível; as duas estão no SUS. · Foto: Unsplash

Vacinas contra HPV e hepatite B#

A OMS destaca que existem vacinas seguras e altamente eficazes contra duas IST virais: hepatite B e HPV.

  • HPV: segundo a Nota Técnica nº 16/2025 do Programa Nacional de Imunizações, o Brasil adotou dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Pessoas imunodeprimidas, usuários de PrEP de 15 a 45 anos e vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos recebem três doses. Os detalhes estão no texto sobre vacina e prevenção do HPV.
  • Hepatite B: desde 2016 a vacina é indicada para todas as idades no Brasil, informa o PCDT-IST. Três doses produzem proteção em mais de 90% dos adultos e jovens saudáveis, e gestação e amamentação não contraindicam a vacina.

PEP: o prazo de 72 horas#

A profilaxia pós-exposição (PEP) é o uso de medicamentos para reduzir o risco de infecção depois de uma situação de risco, como relação sem camisinha, rompimento do preservativo ou acidente com material biológico. Para o HIV, o Ministério da Saúde trata a PEP como urgência: deve começar em até 72 horas, de preferência o quanto antes, e dura 28 dias, com acompanhamento e exames depois. É gratuita no SUS. Na mesma consulta, a equipe avalia a vacina e a proteção contra hepatite B e pede teste de sífilis, que deve ser repetido de 4 a 6 semanas depois se o primeiro der não reagente.

Um ponto que costuma gerar dúvida: o Ministério informa que não é recomendado tomar antibiótico depois de relação consentida sem sinais ou sintomas de IST. O antibiótico preventivo é reservado às vítimas de violência sexual.

PrEP e tratamento como prevenção#

A profilaxia pré-exposição (PrEP) é o uso de antirretroviral antes da exposição, para quem tem indicação, com acompanhamento regular e testes a cada visita. O Ministério da Saúde lembra também que pessoas vivendo com HIV em tratamento, com carga viral indetectável, têm risco zero de transmitir o HIV por via sexual, o conceito "indetectável = intransmissível".

E se o teste der positivo?#

Há tratamento para todas as IST, e cura para várias. A OMS informa que sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase em geral se curam com antibióticos, muitas vezes em dose única; para herpes e HIV, os antivirais controlam a doença, e para hepatite B ajudam a frear o dano ao fígado. O esquema e a dose são definidos pelo profissional, de acordo com o protocolo.

Duas razões para não se automedicar: a resistência da bactéria da gonorreia aos antibióticos cresce no mundo, e o Brasil monitora essa resistência para escolher o remédio certo, segundo o PCDT-IST; e o tratamento só funciona de verdade se a parceria também for avaliada. O protocolo prevê um cartão de comunicação, entregue pela própria pessoa, e o sigilo dos dados é obrigatório.

Quando procurar atendimento#

O Ministério da Saúde orienta procurar o serviço de saúde sempre que perceber algum sinal ou sintoma, independentemente de quando foi a última relação sexual, e avisar a parceria quando indicado. Vá à Unidade Básica de Saúde, a um CTA ou a um serviço de urgência se houver:

  1. Relação sem camisinha ou rompimento do preservativo: procure atendimento no mesmo dia, porque a PEP só pode começar em até 72 horas;
  2. Violência sexual: atendimento imediato, com profilaxia de HIV, hepatite B e outras IST, além da contracepção de emergência;
  3. Corrimento no pênis, na vagina ou no ânus, com cheiro forte, coceira ou dor ao urinar;
  4. Ferida nos genitais, no ânus, na boca ou na pele, mesmo que não doa ou que tenha sumido sozinha;
  5. Verrugas na região genital ou anal;
  6. Dor no pé da barriga ou dor na relação, que podem indicar doença inflamatória pélvica;
  7. Gravidez: os testes do pré-natal são a forma de evitar que a infecção passe para o bebê.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico, o tratamento e a escolha dos métodos de prevenção são definidos com a equipe de saúde.

Perguntas frequentes

Quais são as IST mais comuns?

O Ministério da Saúde cita como exemplos herpes genital, sífilis, gonorreia, tricomoníase, HIV, HPV, hepatites B e C e HTLV, além da clamídia, que aparece entre as causas de corrimento. A OMS informa que mais de 30 agentes podem ser transmitidos pelo sexo, mas oito concentram a maior parte dos casos: sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase, que são curáveis, e hepatite B, herpes, HIV e HPV, que são virais.

Dá para ter IST sem nenhum sintoma?

Sim, e é o mais comum. A OMS afirma que a maioria das IST curáveis é assintomática, e o Ministério da Saúde alerta que, sem diagnóstico e tratamento, algumas podem levar a infertilidade, câncer ou morte. Por isso o teste é recomendado mesmo para quem está bem, principalmente depois de relação sem camisinha.

Onde fazer teste de IST de graça?

Nas unidades do SUS. Segundo o Ministério da Saúde, a testagem para o HIV é feita gratuitamente no SUS, e os testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C dão o resultado em no máximo 30 minutos, sem precisar de laboratório. Procure a Unidade Básica de Saúde ou um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) da sua cidade.

De quanto em quanto tempo devo fazer teste de IST?

Pelo Quadro 5 do PCDT-IST do Ministério da Saúde, quem tem até 30 anos e vida sexual ativa deve testar HIV e sífilis uma vez por ano. Gays e outros homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, travestis e pessoas trans testam a cada seis meses. Gestantes testam na primeira consulta do pré-natal, no início do terceiro trimestre e no parto. Para os demais, a frequência depende da avaliação de risco.

Até quando dá para tomar a PEP depois de uma relação sem camisinha?

O Ministério da Saúde orienta iniciar a PEP no máximo em até 72 horas após a exposição, e o quanto antes melhor. O tratamento dura 28 dias, é gratuito no SUS e exige acompanhamento com exames depois. Trate como urgência: procure o serviço de saúde no mesmo dia, sem esperar sintomas.

Camisinha protege contra todas as IST?

Não totalmente. A OMS diz que o preservativo usado de forma correta e constante é um dos métodos mais eficazes contra as IST, inclusive o HIV, mas não protege contra infecções que causam feridas fora da área coberta, como sífilis e herpes genital. Por isso o Ministério da Saúde recomenda somar outras medidas, como vacinas e testagem regular.

Posso tomar antibiótico por conta própria depois de uma relação de risco?

Não. O Ministério da Saúde informa que, até o momento, não é recomendado usar antibiótico após relação sexual consentida sem sinais ou sintomas de IST; o caminho é investigar com testes e acompanhar. O tratamento preventivo com antibióticos é reservado às vítimas de violência sexual, e quem prescreve é o profissional de saúde.

Fontes consultadas

  1. 1.Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST): o que são, corrimentos, feridas, verrugas e doença inflamatória pélvica — Ministério da Saúde
  2. 2.Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST (PCDT-IST, 2022): sexo seguro, preservativos, rastreamento (Quadro 5), vacinas e abordagem às parcerias — Ministério da Saúde
  3. 3.Prevenção Combinada: estratégias biomédicas, comportamentais e estruturais — Ministério da Saúde
  4. 4.PEP: profilaxia pós-exposição de risco à infecção pelo HIV, IST e hepatites virais — Ministério da Saúde
  5. 5.Nota Técnica nº 16/2025-DPNI/SVSA/MS: vacinação contra o HPV e grupos com esquema especial — Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Ministério da Saúde
  6. 6.Sexually transmitted infections (STIs): fact sheet — OMS — Organização Mundial da Saúde
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