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Cuidados Com a Casa

Quedas de Idosos em Casa: Como Prevenir e o Que Adaptar em Cada Cômodo

Cerca de 1 em cada 5 pessoas com 60 anos ou mais caiu no último ano, segundo o ELSI-Brasil, e a maioria das quedas acontece dentro de casa. Veja o que o Ministério da Saúde orienta para banheiro, quarto, cozinha e escada, os calçados indicados, o exercício de equilíbrio e o que fazer depois de uma queda.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·10 min de leitura

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Banheiro claro com bancada de madeira e pia branca, área de chuveiro com divisória de vidro e barra de apoio na parede e, ao lado do vaso sanitário, uma barra de apoio articulada erguida
Banheiro claro com bancada de madeira e pia branca, área de chuveiro com divisória de vidro e barra de apoio na parede e, ao lado do vaso sanitário, uma barra de apoio articulada erguida

A maioria das quedas de pessoas idosas acontece dentro de casa, diz a Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa, do Ministério da Saúde. Por isso, a prevenção começa por ela: barras de apoio e piso antiderrapante no banheiro, luz suficiente em todos os cômodos e degraus, chão livre, tapetes presos ou nenhum e corrimão firme na escada. A casa, porém, é só parte do trabalho. A Organização Mundial da Saúde (OMS) lista o exercício que desafia o equilíbrio entre as medidas eficazes contra quedas, ao lado da adaptação da casa para quem tem mais risco e da revisão dos remédios, da visão e dos calçados.

Quantas pessoas idosas caem por ano?#

No Brasil, 20,9% das pessoas com 60 anos ou mais contaram ter sofrido pelo menos uma queda no último ano, segundo o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), financiado pelo Ministério da Saúde. Entre as mulheres foram 24,9%; entre os homens, 15,7%. Das pessoas que caíram, 39% caíram duas vezes ou mais, 34,3% buscaram atendimento e 3% tiveram fratura de quadril ou de fêmur. A Caderneta cita uma estimativa da OMS mais alta: cerca de 28% das pessoas idosas caem ao menos uma vez por ano.

No mundo, a OMS estimou 842 mil mortes por queda em 2023, o que faz da queda a segunda causa de morte por lesão não intencional, atrás só do trânsito. Cerca de 71% dessas mortes foram de pessoas com 60 anos ou mais. Quando não mata, a queda pode deixar fratura, lesão na cabeça e perda da independência. E tem um efeito que pouca gente associa: a pessoa perde a confiança, passa a se mexer menos e entra num ciclo de fragilidade cada vez maior, descreve a OMS.

O que adaptar na casa, cômodo por cômodo?#

A Caderneta de 2026 traz uma página de avaliação ambiental, para ser preenchida nas consultas, e a cartilha de prevenção de quedas que o Ministério da Saúde lançou com a Universidade de Brasília (UnB), também em 2026, detalha o que fazer em cada cômodo. Juntando as duas com o Guia de Cuidados para a Pessoa Idosa, de 2023:

Banheiro#

  • tapete antiderrapante e atenção ao piso molhado na saída do banho;
  • área do chuveiro com antiderrapante e box fácil de abrir;
  • barras de apoio, sobretudo perto do vaso sanitário;
  • vaso numa altura em que os pés fiquem bem apoiados no chão: a cartilha fala em 43 a 45 cm;
  • se for difícil lavar os pés ou se enxugar em pé, uma cadeira segura, com pés emborrachados, dentro do box, para se enxugar sentado.

Quarto e sala#

  • uma luz acesa à noite, para o caso de precisar levantar;
  • cama, cadeiras e sofá numa altura em que os pés fiquem bem apoiados ao sentar; o Guia de 2023 lista assentos muito altos ou muito baixos entre os riscos;
  • de preferência, nenhum tapete ao lado da cama; se houver, preso ao chão ou antiderrapante;
  • cadeiras e poltronas com braços, que ajudam a sentar e levantar;
  • móveis firmes, que não saiam do lugar quando a pessoa se apoia;
  • nunca passar cera no piso.

Cozinha#

  • chão sempre seco, sem respingos de água ou óleo;
  • objetos mais usados e armários ao alcance das mãos, sem precisar subir em banco ou cadeira;
  • fogão, pia e geladeira próximos, para fazer as tarefas com menos esforço;
  • móveis dispostos de forma a deixar a passagem livre.

Escadas e degraus#

  • piso antiderrapante;
  • corrimão bem posicionado, firme e dos dois lados;
  • marcas visíveis no primeiro e no último degrau;
  • boa iluminação e sinalização;
  • nada solto nos degraus, e sempre uma das mãos no corrimão ao subir ou descer.

Na casa toda#

A Caderneta pede luz suficiente para clarear todo o interior de cada cômodo, incluindo os degraus, e interruptores acessíveis na entrada. O chão deve ficar livre: fios, sapatos e brinquedos espalhados provocam quedas, segundo a cartilha, e o Guia de 2023 inclui animais de estimação nas áreas de circulação, vazamentos de água e móveis instáveis entre os riscos.

E os tapetes? As fontes oficiais não dizem exatamente o mesmo. O Guia de 2023 orienta remover os tapetes e deixar só os antiderrapantes no banheiro. A Caderneta sugere fixá-los com fita adesiva, e a cartilha diz que o melhor é não ter tapete ao lado da cama. O caminho mais seguro é tirar; o que ficar precisa estar preso ou ser antiderrapante.

Quais calçados e roupas usar?#

A cartilha do Ministério da Saúde recomenda calçados confortáveis, leves, com sola emborrachada, fechados no calcanhar e fáceis de calçar. Ela desaconselha chinelo de dedo, tamanco, pantufa e salto alto e pede para nunca andar só de meias lisas, que escorregam com facilidade. Roupas e camisolas muito compridas, que podem enroscar nos pés, também devem ser evitadas. Outro hábito arriscado, segundo a cartilha: andar olhando o celular.

A Caderneta recomenda pedir a um profissional de saúde que examine os pés uma vez por ano, em busca de feridas, calos ou alteração de sensibilidade, cuidado ainda mais importante para quem tem diabetes. Bengala e muleta também precisam ser as certas: o Guia de 2023 cita equipamentos de apoio inadequados entre os riscos e lembra que terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas sabem orientar a escolha.

Que exercício ajuda a evitar quedas?#

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomenda às pessoas idosas atividades de fortalecimento dos principais músculos (costas, abdômen, braços e pernas) e de equilíbrio de duas a três vezes por semana, em dias alternados, sobretudo para melhorar a capacidade de fazer as tarefas do dia a dia e prevenir quedas, além de pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada. A OMS fala em exercícios adaptados à pessoa, que desafiem o equilíbrio e melhorem a força para as atividades diárias, com progressão regular e duração suficiente; o tai chi é outra opção. Numa revisão Cochrane citada pela OMS, o exercício reduziu em cerca de 23% a taxa de quedas entre os participantes dos estudos.

Mulher idosa de cabelo branco e blusa listrada de azul e branco, descalça, se equilibra sobre uma perna com os braços abertos numa aula em grupo, entre cadeiras, com outros idosos fazendo o mesmo movimento ao fundo
Ficar em pé apoiado num pé só é um dos exercícios de equilíbrio citados na cartilha do Ministério da Saúde; quem tem risco maior de cair deve treinar com acompanhamento. · Foto: Unsplash

A cartilha do Ministério da Saúde com a UnB traz um programa de 12 semanas para fazer em casa, com treinos de flexibilidade, visão, força, propriocepção (a noção de onde o corpo está no espaço) e marcha, mais caminhadas que começam com 15 minutos, duas vezes por semana, e chegam, como desafio final, a 30 minutos cinco vezes por semana. Antes de começar, ela orienta checar com a equipe de saúde se é preciso passar por uma avaliação, e parar o exercício e procurar a equipe se surgir dor, desconforto ou mal-estar. Pessoas com risco maior de cair devem fazer exercícios personalizados e acompanhados, diz a cartilha. O Programa Academia da Saúde, do SUS, oferece atividade física com profissionais e pode existir no seu município. O texto sobre quanto exercício fazer por semana traz as metas da OMS para cada idade.

Adaptar a casa resolve sozinho?#

Não, e isso muda a ordem das prioridades. A OMS cita uma revisão Cochrane de 2023 em que a avaliação dos riscos da casa, seguida de adaptação, reduziu em 38% a taxa de quedas entre pessoas com risco elevado, mas não teve efeito demonstrado em grupos de idosos não selecionados. Para quem cai com frequência ou tem risco alto, a OMS recomenda uma avaliação individual, que olhe vários fatores ao mesmo tempo. E alerta que informação, sozinha, não equivale às intervenções que comprovadamente reduzem quedas.

Na prática, as adaptações da Caderneta continuam valendo, mas não substituem o exercício nem a revisão dos remédios e da visão, sobretudo para quem já tem risco alto.

O que levar para a consulta na UBS?#

A Caderneta traz um teste rápido, adaptado de um check-up americano de prevenção de quedas. Se a resposta for "sim" para qualquer item, a orientação é conversar com a equipe de saúde e pedir avaliação:

  • caí no último ano;
  • me aconselharam a usar bengala ou andador;
  • às vezes me sinto instável ao andar;
  • ando pela casa me segurando nos móveis;
  • tenho medo de cair;
  • preciso apoiar as mãos para me levantar de uma cadeira;
  • tenho dificuldade para subir no meio-fio;
  • muitas vezes preciso ir depressa ao banheiro;
  • perdi um pouco da sensibilidade nos pés;
  • tomo remédio que às vezes me deixa tonto ou cansado;
  • tomo remédio para dormir ou para melhorar o humor;
  • muitas vezes me sinto triste ou deprimido.

Os remédios merecem atenção especial. Segundo a Caderneta, usar cinco ou mais medicamentos sem orientação ou acompanhamento pode estar associado a interações nocivas e a mais risco de quedas. A OMS inclui entre os fatores de risco os remédios e as doenças que causam tontura ou queda de pressão, e recomenda revisar os medicamentos que aumentam o risco. Isso é tarefa do médico: não pare nem mude nenhum remédio por conta própria. Leve à consulta a lista de tudo o que toma, inclusive chás, xaropes, vitaminas e fitoterápicos, que, como lembra a Caderneta, também podem interferir na ação de outros medicamentos.

A visão também conta. A Caderneta recomenda pelo menos um exame de vista por ano e óculos atualizados, e o Guia de 2023 lembra de usar óculos e aparelho auditivo quando indicados. O Guia de Atividade Física orienta levantar devagar quando estiver sentado ou deitado, o que ajuda a prevenir tonturas, desequilíbrios e quedas. Segundo o Ministério da Saúde, as equipes de Saúde da Família, as equipes multiprofissionais (eMulti) e o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil) ajudam a identificar fatores de risco, orientar atividade física segura, revisar medicamentos e recomendar adaptações na casa. Aproveite a consulta para conferir a vacinação; o texto sobre vacinas do adulto e do idoso mostra o calendário do SUS.

O que fazer depois de uma queda?#

Mantenha a calma e veja se a pessoa responde. O Guia de Cuidados para a Pessoa Idosa orienta:

  • se ela está desacordada, chame socorro imediatamente: Samu, no 192;
  • se a queda veio de um desmaio, mantenha a pessoa deitada, não ofereça nada para cheirar, beber ou comer e chame o Samu, em todos os casos;
  • se ela consegue se levantar, leve-a ao serviço de urgência mais próximo, porque a queda pode ter causado uma fratura.

Se a pessoa não consegue se levantar, ela precisa de resgate: ligue para o 192. A Caderneta explica que o Samu resgata pessoas em situação de emergência e as leva ao pronto atendimento, como hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Ao ligar, diga com clareza o que aconteceu e onde você está, orienta o Guia de 2023. Se a queda veio acompanhada de sinais de AVC, ligue na hora; o texto sobre AVC mostra quais são.

Depois, mesmo sem machucado aparente, conte a queda à equipe da UBS: como, quando e onde aconteceu, como pede a Caderneta. A OMS inclui no cuidado depois da queda a identificação rápida de fraturas e de lesões na cabeça, a reabilitação e uma nova avaliação para reduzir o risco de outras quedas. A Caderneta pede também para conversar sobre as quedas com familiares e cuidadores; o texto sobre cuidador familiar mostra como dividir o cuidado e onde buscar ajuda no SUS.

Quando procurar atendimento#

  • Samu (192): pessoa desacordada, que não consegue se levantar, que desmaiou ou que tem sinais de AVC.
  • Serviço de urgência mais próximo: queda em que a pessoa conseguiu se levantar, segundo o Guia de Cuidados para a Pessoa Idosa.
  • Unidade Básica de Saúde: qualquer queda ou tropeço recente, resposta "sim" no teste da Caderneta, tontura, sensação de instabilidade, medo de cair, uso de muitos remédios, piora da visão ou alteração nos pés.

Este texto é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Perguntas frequentes

Qual a altura certa do vaso sanitário para uma pessoa idosa?

A cartilha de prevenção de quedas do Ministério da Saúde, feita com a Universidade de Brasília, indica um vaso sanitário entre 43 e 45 cm de altura, para que os pés fiquem bem apoiados no chão. A mesma cartilha recomenda priorizar barras de apoio no banheiro, especialmente perto do vaso, e a Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa inclui barras de apoio e área do chuveiro com antiderrapante na avaliação da casa.

Tapete antiderrapante evita queda de idoso?

Ajuda, mas as orientações oficiais preferem menos tapetes. O Guia de Cuidados para a Pessoa Idosa, do Ministério da Saúde, orienta remover os tapetes e deixar só os antiderrapantes no banheiro. A Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa sugere fixar os tapetes com fita adesiva, e a cartilha de prevenção de quedas diz que o melhor é não ter tapete ao lado da cama; se houver, que seja preso ao chão ou antiderrapante.

Idoso que caiu e não se machucou precisa ir ao médico?

Sim. O Guia de Cuidados para a Pessoa Idosa, do Ministério da Saúde, orienta levar a pessoa que caiu e conseguiu se levantar ao serviço de urgência mais próximo, porque a queda pode ter causado uma fratura. Se ela estiver desacordada, chame socorro imediatamente, pelo Samu (192). A Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa pede também que toda queda ou tropeço seja contado à equipe da Unidade Básica de Saúde: como, quando e onde aconteceu.

Que exercício ajuda a prevenir quedas em idosos?

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomenda exercícios de fortalecimento dos principais músculos e de equilíbrio de duas a três vezes por semana, em dias alternados. A OMS fala em exercícios que desafiem o equilíbrio e melhorem a força, com progressão regular, e cita o tai chi como opção; numa revisão Cochrane citada por ela, o exercício reduziu em cerca de 23% a taxa de quedas. Quem tem risco maior de cair deve fazer exercícios personalizados e acompanhados.

Remédio pode aumentar o risco de queda?

Pode. A OMS inclui entre os fatores de risco os remédios que causam tontura ou queda de pressão, e a Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa pergunta se a pessoa toma remédio que às vezes a deixa tonta ou cansada, ou remédio para dormir ou para o humor. A Caderneta também associa o uso de cinco ou mais medicamentos sem acompanhamento a mais risco de quedas. A revisão é tarefa do médico: não pare nem mude nenhum remédio por conta própria.

Tomar vitamina D previne quedas?

Não como regra geral. A ficha da OMS sobre quedas, atualizada em outubro de 2026, afirma que a suplementação rotineira de vitamina D não deve ser apresentada como estratégia de prevenção de quedas para todos os idosos. Avaliar e tratar a deficiência pode ser adequado em quem tem indicação clínica, e doses altas podem ter efeitos adversos. Essa decisão é do profissional de saúde.

Fontes consultadas

  1. 1.Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa (2026): prevenção de quedas, avaliação ambiental e polifarmácia — Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde
  2. 2.Prevenção de quedas em pessoas idosas: cartilha educativa (2026) — Ministério da Saúde e Universidade de Brasília
  3. 3.Guia de Cuidados para a Pessoa Idosa (2023): prevenção de quedas e primeiros socorros — Ministério da Saúde
  4. 4.Falls: fact sheet (atualizado em 21 de outubro de 2026) — Organização Mundial da Saúde
  5. 5.Guia de Atividade Física para a População Brasileira (2021), capítulo 5: atividade física para idosos — Ministério da Saúde
  6. 6.Saúde lança cartilha de Prevenção de Quedas em Pessoas Idosas (25 de junho de 2026), com dados do ELSI-Brasil — Ministério da Saúde
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