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Cuidados Com a Casa

Escorpião em Casa: Como Prevenir e O Que Fazer Se Alguém For Picado

O Brasil notificou 202.714 acidentes com escorpião em 2023, e sete em cada dez picadas foram nas mãos ou nos pés, segundo o Ministério da Saúde. Veja por que o escorpião entra em casa, como vedar ralos e frestas, por que inseticida não é recomendado, quem corre mais risco e o que fazer se alguém for picado.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·10 min de leitura

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Escorpião marrom-escuro visto de perto, com a cauda curvada para cima e as pinças à frente, sobre uma superfície alaranjada, ao lado de uma rachadura
Escorpião marrom-escuro visto de perto, com a cauda curvada para cima e as pinças à frente, sobre uma superfície alaranjada, ao lado de uma rachadura

O escorpião entra em casa atrás de comida e de esconderijo: ele se alimenta de baratas e se abriga em ralos, frestas, entulho, sapatos e roupas. Prevenir é tirar dele essas vantagens: vedar a entrada, eliminar os esconderijos e acabar com as baratas. Em 2023, o Brasil notificou 202.714 acidentes com escorpião, e sete em cada dez picadas foram nas mãos ou nos pés, segundo o Ministério da Saúde. Se alguém for picado, lave o local com água e sabão e procure atendimento imediatamente, sobretudo se for criança.

Por que o escorpião aparece dentro de casa?#

Porque a casa oferece o que ele procura. O Manual de Controle de Escorpiões, do Ministério da Saúde, explica que o alimento principal do escorpião são as baratas, e que ele vai para onde elas estão: lugares com lixo, entulho, matéria orgânica e umidade. À noite, sai para caçar e pode entrar pelas tubulações de fiação e de esgoto e pelas frestas de paredes, portas e janelas. De dia, foge da claridade e se esconde em calçados, armários, gavetas, panos e toalhas de banheiros e áreas de serviço.

O boletim epidemiológico do Ministério sobre 2023 traz os números desse convívio:

Dado de 2023Número
Acidentes com escorpião notificados202.714
Parte de todos os acidentes com animais peçonhentos58,9%
Municípios que notificaram acidentes4.339 (78%)
Picadas nas mãos39,6%
Picadas nos pés31,4%
Mês com mais notificaçõesnovembro (20.656)

O escorpião é o animal peçonhento que mais causa acidentes registrados no país desde 2004, e as notificações vêm aumentando ano após ano. Para o boletim, as picadas nas mãos e nos pés mostram que se trata de um acidente doméstico, que acontece muito possivelmente durante a limpeza, a arrumação e na hora de se vestir ou calçar. Duas espécies urbanas, o escorpião-amarelo e o escorpião-amarelo-do-nordeste, se reproduzem sem macho, e um único animal basta para colonizar um lugar novo.

Também há época. Segundo o Ministério, as notificações sobem na primavera, com o aumento das chuvas, e costumam chegar ao pico em outubro e novembro. Ou seja, agora.

Quais escorpiões preocupam no Brasil?#

Todos os escorpiões têm veneno, lembra o Ministério da Saúde. A diferença está no efeito em quem é picado. As quatro espécies de importância em saúde pública são do gênero Tityus:

EspécieOnde apareceO que o Ministério destaca
Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus)Todas as regiõesMaior potencial de gravidade; espalha-se com facilidade e se adapta bem à cidade
Escorpião-amarelo-do-nordeste (Tityus stigmurus)Nordeste, com registros em TO, MG, SP, PR e SCEspécie mais comum do Nordeste; também se reproduz sem macho
Escorpião-marrom (Tityus bahiensis)Centro-Oeste, Sudeste e SulTambém pode causar acidentes graves
Escorpião-preto-da-amazônia (Tityus obscurus)Região Norte e Mato GrossoPrincipal causador de acidentes e mortes nessas áreas

Na prática, isso significa que não vale tentar adivinhar pela cor se a picada foi perigosa. Qualquer picada pede atendimento.

Como deixar a casa menos atraente para escorpiões?#

As medidas a seguir estão na página do Ministério da Saúde sobre acidentes por escorpiões, no manual de controle e no protocolo clínico de 2025.

Dentro de casa

  • Vede frestas e buracos em paredes, pisos e no vão entre o forro e a parede.
  • Ponha soleira nas portas e janelas. O manual sugere rolos de areia ou rodos de borracha embaixo das portas.
  • Coloque tela nos ralos do chão, das pias e dos tanques.
  • Conserte rodapés soltos e mantenha vedados os pontos de energia e de telefone.
  • Afaste camas e berços da parede, no mínimo 10 cm, segundo o manual, e não deixe lençóis e mosquiteiros encostarem no chão.
  • Não pendure roupas nas paredes e mantenha as caixas de brinquedos bem fechadas.
  • Sacuda e examine roupas, roupas de cama, sapatos, toalhas, panos de chão e tapetes antes de usar. O escorpião pica quando é apertado contra o corpo.
Entrada de casa com porta vermelha, parede de pedra caiada e piso de tijolos, onde tênis, sandálias e galochas de adultos e de crianças estão enfileirados no chão ao lado de vasos de plantas
Sapatos deixados no chão viram esconderijo: o Ministério da Saúde orienta sacudir e examinar calçados e roupas antes de usar. · Foto: Unsplash

No quintal e no jardim

  • Guarde o lixo em sacos ou recipientes fechados, para não atrair baratas e outros insetos de que o escorpião se alimenta.
  • Não acumule entulho, folhas secas, lixo e material de construção perto da casa, e retire com frequência a lenha e os materiais guardados.
  • Evite folhagens densas encostadas em paredes e muros, como trepadeiras, arbustos e bananeiras, e mantenha a grama aparada. Quem mexe no jardim também deve conhecer as plantas tóxicas mais comuns em casa e no quintal.
  • Use luvas de raspa de couro e calçado fechado para limpar o quintal e mexer em tijolos, telhas, lenha e pedras, e nunca enfie a mão sem proteção em buracos ou embaixo de pedras e troncos.
  • Mantenha fossas sépticas bem vedadas, para não servirem de passagem para baratas e escorpiões.
  • Peça a limpeza do terreno baldio vizinho ao dono ou, se não for possível, à prefeitura, pelo menos numa faixa de um a dois metros junto às casas. O manual pede ainda que não se faça queimada nesses terrenos, porque o fogo desaloja os escorpiões.

O mesmo quintal sem entulho e sem lixo acumulado ajuda contra outro problema: os criadouros do mosquito da dengue.

Inseticida resolve?#

Não, e pode piorar. O Ministério da Saúde não recomenda controle químico de escorpiões. O manual de controle explica por quê: o escorpião se esconde em frestas, embaixo de caixas, tijolos e telhas, e consegue passar meses sem se mexer, longe do contato com o produto. Inseticidas, raticidas, mata-baratas e produtos de limpeza com formaldeído, cresóis ou paraclorobenzeno não são indicados, porque desalojam o escorpião para lugares onde o produto não chega, aumentam o risco de acidente e dão uma falsa sensação de proteção. Produto de limpeza também não deve ser misturado, como mostra o texto sobre os produtos de limpeza que não se pode misturar.

O controle das baratas, esse sim, é parte da prevenção. Quando for preciso usar produto, o Ministério recomenda formulações em gel ou pó, aplicadas somente por empresas especializadas.

E as galinhas? O manual é direto: elas não são eficazes no controle de escorpiões. A recomendação é preservar os predadores naturais, como corujas e outras aves de hábitos noturnos, lagartos e sapos.

Quem corre mais risco?#

Crianças. O Ministério da Saúde afirma que elas são o grupo mais suscetível ao envenenamento grave. Em 2023, crianças de até 9 anos tiveram 11% dos acidentes notificados, mas 44 dos 131 óbitos registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), um terço do total. A chance de morrer foi 5,9 vezes maior do que na faixa de 40 a 49 anos. O próprio boletim faz uma ressalva: os registros de óbito no Sinan têm falhas de preenchimento, então esses números devem ser lidos com cautela.

Os casos graves também são mais comuns em idosos, segundo o boletim. O manual cita entre os grupos mais expostos quem trabalha na construção civil e quem passa a maior parte do tempo em casa, como crianças e donas de casa. Na zona rural, onde o atendimento costuma ser mais distante, a letalidade foi maior do que na cidade (0,09% contra 0,06%).

Para proteger as crianças, o protocolo de 2025 destaca as caixas de brinquedo bem fechadas e as camas e berços afastados da parede. Casa com criança pequena pede outros cuidados do mesmo tipo, como guardar remédios e produtos de limpeza fora do alcance; o texto sobre intoxicação em casa mostra como.

Achei um escorpião em casa. E agora?#

Provavelmente há outros por perto, mas não necessariamente. O Ministério da Saúde explica que o escorpião é solitário e não forma ninho, mas na cidade se concentra onde encontra comida e abrigo.

Se você se sentir seguro, o Ministério descreve como capturar: cubra o escorpião com um pote fundo, de boca larga e tampa de rosca, passe um papel grosso por baixo, vire o pote mantendo o papel como tampa e troque o papel pela tampa. Nunca pegue o animal com as mãos, nem de luva. Depois, avise o serviço do município responsável pelo controle de escorpiões e pergunte o que fazer com ele. Se não se sentir seguro, mantenha distância e chame esse serviço.

O que fazer se alguém for picado?#

Primeiro, a regra que mais importa: procure atendimento imediatamente, mesmo que a picada pareça leve. O boletim do Ministério mostra que a letalidade sobe conforme o atendimento demora: foi de 0,05% entre quem chegou na primeira hora a 0,12% entre quem levou de 12 a 24 horas.

  1. Afaste a pessoa do escorpião e tente acalmá-la.
  2. Lave o local da picada com água e sabão.
  3. Vá ao serviço de saúde mais próximo, como a Unidade Básica de Saúde, o posto de saúde ou o hospital de referência. O tratamento é gratuito no SUS.
  4. Em emergência, ligue para o Samu (192) ou para os Bombeiros (193). Para orientação, o Disque-Intoxicação, da Anvisa, atende de graça e 24 horas pelo 0800 722 6001 e transfere a ligação para o centro de toxicologia mais próximo.
  5. Se for possível e seguro, fotografe o escorpião ou capture-o com um frasco plástico transparente e fundo, sem usar as mãos. O protocolo do Ministério de 2025 é claro: isso não pode atrasar a ida ao atendimento. Se não der, conte ao profissional como era o animal.

O que não fazer, segundo o manual e o material educativo do protocolo:

  • não amarrar, não fazer torniquete e não cobrir com curativo;
  • não sugar, cortar, furar ou queimar o local;
  • não passar nada na picada, como pomada, creme, álcool, querosene, fumo, ervas ou urina;
  • não dar bebida alcoólica nem outros líquidos como querosene ou gasolina.

O Ministério também avisa que não há evidência de que tratamentos caseiros funcionem, como ervas, borra de café ou "garrafada".

E o soro? Ele só é aplicado em ambiente hospitalar, sob supervisão médica, e quem decide se é necessário é a equipe de saúde. Nem todo hospital tem soro: as Secretarias Estaduais de Saúde definem os hospitais de referência, e a lista por estado está na página do Ministério sobre acidentes por escorpiões. Vale saber, antes de precisar, qual é o mais perto da sua casa.

O que as fontes não respondem#

Nenhuma das fontes oficiais consultadas recomenda repelente, cheiro ou planta para afastar escorpiões, nem traz um guia visual para o leigo saber, pela aparência, se o animal é perigoso. O que elas indicam é vedar a casa, limpar o entorno, controlar as baratas e procurar atendimento depois de qualquer picada.

Quando procurar atendimento#

Sempre, depois de qualquer picada de escorpião, e sem esperar os sintomas piorarem. Em criança, vá na hora. O Ministério da Saúde descreve que, de minutos a duas ou três horas depois da picada, principalmente em crianças, podem surgir suor intenso, agitação, tremores, enjoo, vômitos e salivação excessiva; esses sinais pedem o Samu (192) ou o pronto-socorro mais próximo. Em caso de dúvida, ligue para o Disque-Intoxicação, no 0800 722 6001.

Este texto é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.

Perguntas frequentes

O que fazer se uma criança for picada por escorpião?

Afaste a criança do escorpião, lave o local com água e sabão e leve-a imediatamente ao serviço de saúde, mesmo que pareça bem. O Ministério da Saúde afirma que as crianças são o grupo mais suscetível ao envenenamento grave e que, de minutos a duas ou três horas depois da picada, podem surgir suor intenso, agitação, tremores, enjoo, vômitos e salivação excessiva. Em emergência, ligue para o Samu (192) ou para os Bombeiros (193).

Precisa levar o escorpião ao hospital?

Só se for possível e seguro. O protocolo do Ministério da Saúde para acidentes escorpiônicos, de 2025, orienta fotografar o animal ou capturá-lo com um frasco plástico transparente e fundo, nunca com as mãos, nem com luva. A captura não pode atrasar a ida ao atendimento. Se não der, informe ao profissional as características do escorpião: o Ministério lembra que os sinais de envenenamento já levantam a suspeita, mesmo sem a identificação do animal.

Inseticida mata escorpião?

Não é recomendado. O Manual de Controle de Escorpiões, do Ministério da Saúde, explica que o escorpião se abriga em frestas e pode passar meses sem se mexer, o que torna o controle químico ineficaz. Inseticidas, mata-baratas e certos produtos de limpeza podem desalojar o escorpião para outros cantos e aumentar o risco de acidente. Para baratas, o Ministério indica gel ou pó aplicados por empresa especializada.

Todo hospital tem soro contra picada de escorpião?

Não. Segundo o Ministério da Saúde, cabe às Secretarias Estaduais de Saúde indicar os hospitais que aplicam soro para animais peçonhentos, e vale saber qual é o mais próximo da sua casa. O tratamento é feito na rede do SUS e é gratuito. O soro só é aplicado em ambiente hospitalar, sob supervisão médica, e quem decide se ele é necessário é a equipe de saúde.

Achei um escorpião em casa. Vão aparecer outros?

Provavelmente, mas não necessariamente. O Ministério da Saúde explica que o escorpião é um animal solitário, que não forma ninho, mas que na cidade se concentra onde há comida e abrigo. Se você se sentir seguro, dá para capturá-lo com um pote fundo de tampa de rosca e um papel grosso, sem tocar no animal. Depois, avise o serviço de controle de escorpiões do município.

Criar galinha acaba com escorpião?

Não. O Manual de Controle de Escorpiões, do Ministério da Saúde, afirma que galinhas não são agentes eficazes no controle de escorpiões. O manual e a página do Ministério sobre o tema recomendam preservar os predadores naturais, como corujas e outras aves noturnas, lagartos e sapos, e focar na limpeza do ambiente e no combate às baratas.

Fontes consultadas

  1. 1.Acidentes por escorpiões: espécies, sintomas, prevenção e onde buscar atendimento — Ministério da Saúde
  2. 2.Perguntas frequentes sobre acidentes por escorpiões — Ministério da Saúde
  3. 3.Manual de Controle de Escorpiões (2009): controle no ambiente, controle químico e como proceder em caso de acidente — Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde
  4. 4.Boletim Epidemiológico vol. 56, nº 5 (abril de 2025): epidemiologia dos acidentes escorpiônicos no Brasil em 2023 — Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente
  5. 5.Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas dos Acidentes Escorpiônicos (2025), com material educativo para a população — Ministério da Saúde, Conitec
  6. 6.Disque-Intoxicação: 0800 722 6001 e Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica — Anvisa
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