Criadouros do Aedes em Casa: Onde o Mosquito Se Cria e Como Eliminar
Vasos e pratos de plantas, garrafas e outros recipientes do dia a dia foram 42,3% dos criadouros do Aedes aegypti no levantamento nacional de 2026, à frente das caixas d'água e tonéis. Como o ovo vira mosquito em 7 a 10 dias, uma vistoria por semana pode interromper o ciclo. Veja onde procurar, o que fazer com cada recipiente e o que não funciona.
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O Aedes aegypti se cria em qualquer recipiente que junte água parada, dentro de casa ou no quintal, e a forma de acabar com ele é tirar essa água toda semana. No levantamento nacional do Ministério da Saúde feito entre maio e agosto de 2026, vasos e pratos de plantas, garrafas e outros recipientes do dia a dia somaram 42,3% dos criadouros encontrados, mais do que as caixas d'água e os tonéis. Como um ovo leva de 7 a 10 dias para virar mosquito, uma vistoria de 10 minutos, uma vez por semana, pode interromper o ciclo, segundo o Ministério.
Onde o Aedes se cria dentro e em volta de casa?#
O Ministério da Saúde define o Aedes aegypti como um mosquito doméstico: ele vive dentro ou ao redor das casas e de outros lugares frequentados por pessoas, como escolas, igrejas e comércios. A fêmea precisa de lugares para depositar os ovos, e qualquer cantinho que acumule água serve.
O 2º ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) de 2026, divulgado pelo Ministério em outubro, mostra onde estavam os focos:
| Tipo de criadouro | Parte dos criadouros encontrados (maio a agosto de 2026) |
|---|---|
| Vasos e pratos de plantas, garrafas e outros recipientes que juntam água | 42,3% |
| Reservatórios de água, como caixas d'água e tonéis | 26,1% |
| Pneus e resíduos sólidos, como garrafas PET, latas e entulho | 23% |
O perfil muda de uma região para outra. No Norte, predominam pneus e resíduos sólidos. No Nordeste, os recipientes usados para guardar água. No Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste, os vasos, os pratos de plantas, as garrafas e outros recipientes. Dos 3.732 municípios que mandaram dados, 49,2% estavam em situação de alerta ou de risco para o mosquito.
O que vistoriar e o que fazer com cada recipiente?#
O manual do LIRAa, usado pelas equipes municipais de saúde, divide os criadouros em grupos e indica uma ação para cada um. Juntando essa lista com as orientações da página do Ministério da Saúde sobre o mosquito:
| Onde procurar | O que fazer |
|---|---|
| Pratos de vasos de plantas | Pôr areia no prato ou lavar toda semana |
| Vasos e frascos com água, como os de plantas cultivadas na água | Vistoriar e lavar com frequência |
| Garrafas, baldes, brinquedos e tampinhas | Guardar de boca para baixo ou jogar no lixo |
| Caixa d'água, tonéis, tambores, cisternas, filtros e potes de barro | Manter bem tampados; quando a água acabar, lavar e guardar de boca para baixo |
| Calhas, ralos, canaletas, lajes e toldos com desnível | Tirar folhas e sujeira, limpar com frequência e consertar o desnível que empoça |
| Bandejas da geladeira e do ar-condicionado | Limpar e retirar a água acumulada |
| Bebedouros de animais e pequenas fontes decorativas | Lavar com frequência, esfregando as bordas |
| Vaso sanitário e ralo sem uso | Manter vedados |
| Pneus | Guardar em lugar coberto ou encaminhar para descarte adequado |
| Lonas sobre entulho, pneus ou outros objetos | Deixar bem esticadas, para não formar poças |
| Bromélias, bambus e buracos em árvores | Retirar a água e limpar com frequência; tampar os buracos |
| Piscinas | Manter limpas; piscina sem tratamento entra na lista de criadouros |
| Lixo, latas, garrafas PET, sucata e entulho | Dar destino adequado, sem deixar exposto à chuva |
| Cacos de vidro no alto do muro e caixas de inspeção ou de passagem | Vistoriar; se juntarem água, proteger ou preencher com areia |
Esvaziar não basta. O Ministério da Saúde manda lavar as bordas dos recipientes que acumulam água com sabão e escova ou bucha, e explica o motivo: os ovos do mosquito podem viver mais de um ano no ambiente seco. Um balde esvaziado e deixado de boca para cima pode voltar a ser criadouro na próxima chuva. Em mutirões de limpeza, o Ministério orienta usar equipamento de proteção individual.

Por que a vistoria tem de ser toda semana?#
Por causa do tempo de desenvolvimento do mosquito. Na página sobre vigilância e controle do vetor, o Ministério da Saúde informa que um ovo demora entre 7 e 10 dias para virar mosquito adulto e que, com uma única ação semanal de eliminação de criadouros, é possível interromper esse ciclo. A orientação é reservar 10 minutos para isso. Nas palavras do Ministério, "uma vistoria rápida de 10 minutos é uma ação simples que pode interromper o ciclo de vida do mosquito". A referência citada pelo órgão é o folder 10 Minutos contra o Aedes, elaborado sob supervisão de especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A rotina não tem época. O Ministério pede medidas permanentes de controle, durante todo o ano, e a nota sobre o LIRAa de 2026 lembra que esses cuidados ganham ainda mais importância nos períodos que favorecem a reprodução do mosquito, como o verão que se aproxima.
A casa ao lado também conta. O Ministério incentiva chamar a família e os vizinhos para mutirões de eliminação de criadouros. Se o foco estiver num imóvel fechado ou abandonado, avise a Secretaria Municipal de Saúde: o Ministério tem uma publicação que dá amparo legal ao trabalho dos agentes nos imóveis fechados, abandonados ou com acesso negado pelo morador.
Encontrei larvas na água. O que fazer?#
- Jogue a água com as larvas na terra ou no chão seco, como orienta o Ministério da Saúde, e esfregue as bordas do recipiente com sabão e bucha ou escova.
- Se o recipiente não puder ser eliminado e a água não for para pessoas nem para animais beberem, o Ministério admite o uso de sabão em pó, detergente, desinfetante ou cloro, com vistoria semanal. Use um produto de cada vez; o texto sobre os produtos de limpeza que não se pode misturar explica por quê.
- Em caixa d'água, tonel ou outro reservatório de água para consumo, não ponha produto por conta própria. Para esses depósitos, o Ministério orienta chamar o agente de saúde, que aplica o larvicida. No manual do LIRAa, o larvicida é a última alternativa, depois de tampar, vedar ou lavar. Para vasos, pratos e outros recipientes móveis, o manual não prevê larvicida: a ação indicada é lavar, pôr areia ou virar de boca para baixo.
Os Agentes de Combate às Endemias identificam e tratam os criadouros que não podem ser eliminados e orientam a população, segundo o Ministério da Saúde. Para pedir a visita, procure a Secretaria Municipal de Saúde ou a unidade de saúde do seu bairro. A limpeza da caixa d'água tem roteiro próprio, com a quantidade certa de água sanitária, descrito no texto sobre como limpar a caixa d'água.
Telas e repelentes ajudam?#
Ajudam a evitar a picada, mas são proteção individual. Enquanto não há tratamento específico para dengue, chikungunya e Zika, o Ministério da Saúde considera o controle do mosquito a estratégia mais efetiva para reduzir a transmissão. O que as páginas oficiais dizem sobre proteção:
- Horário. A fêmea tem hábitos preferencialmente diurnos, mas também pode picar à noite.
- Quem está doente. O Ministério orienta o uso de telas e repelentes pelos pacientes durante o período em que o vírus circula no sangue (viremia), para evitar novas transmissões, em especial para familiares e vizinhos.
- Repelente de pele. Use produto registrado na Anvisa e siga o rótulo à risca. Segundo a Anvisa, citada pelo Ministério, não há impedimento para gestantes, desde que o repelente seja registrado. Produtos com DEET não devem ser usados em crianças com menos de 2 anos; de 2 a 12 anos, a concentração máxima é de 10%, com até três aplicações por dia. Icaridina e IR3535 são outros princípios ativos comuns no Brasil.
- Como aplicar. Nas áreas expostas do corpo e por cima da roupa, reaplicando conforme o fabricante. No rosto e em crianças, aplique o spray primeiro na mão e depois espalhe, lavando as mãos em seguida. Se cair nos olhos, lave na hora com água corrente.
- Repelente de ambiente. Espirais, líquidos e pastilhas de aparelhos elétricos podem ser usados se tiverem registro na Anvisa e se forem seguidos os cuidados do rótulo.
- O que não tem comprovação. Os inseticidas vendidos como naturais, à base de citronela, andiroba ou óleo de cravo, não têm eficácia comprovada nem aprovação da Anvisa, informa o Ministério. Isso inclui velas, odorizadores de ambiente, limpadores e incensos anunciados como repelentes.
Que doenças o Aedes transmite?#
Dengue, chikungunya e Zika. O Ministério da Saúde inclui na lista a febre amarela urbana, mas os últimos casos dessa forma no Brasil foram registrados em 1942. Desde então, toda febre amarela confirmada no país veio do ciclo silvestre, transmitido por mosquitos de outros gêneros, o Haemagogus e o Sabethes.
As três doenças seguem circulando. Em 2026, até 26 de setembro, o país contabilizou 470,5 mil casos prováveis de dengue, cerca de 70% a menos que no mesmo período de 2025, além de 67.902 casos de chikungunya e 2.141 de Zika, segundo o Ministério. A queda não dispensa a prevenção: com a aproximação do verão e o El Niño, a orientação oficial é antecipar as medidas. Os sintomas, os sinais de alarme e os remédios que não devem ser usados estão no texto sobre dengue.
E a vacina da dengue?#
Ela existe e está no Calendário Nacional de Vacinação, mas para uma faixa de idade específica: aos 10 anos, em duas doses, que devem ser do mesmo laboratório. Quem atrasou pode ser vacinado até os 14 anos, 11 meses e 29 dias. Fora dessa faixa, a vacina não faz parte da rotina, como mostra o texto sobre as vacinas do adulto e do idoso no SUS. O próprio calendário lembra que, além da vacina, outras medidas são importantes para prevenir a dengue. Para todos, vacinados ou não, a medida que o Ministério considera mais efetiva continua sendo o controle do mosquito.
O que as fontes não respondem#
- Receitas caseiras e plantas que espantariam o mosquito. As orientações oficiais consultadas não recomendam nenhuma. Para larvas, o caminho é eliminar o criadouro e, quando não der, chamar o agente; para a picada, repelente registrado na Anvisa.
- Quanto o mosquito vive e até onde voa. As páginas oficiais consultadas não trazem esses números. Por isso vale combinar a vistoria semanal com os vizinhos, como sugere o Ministério.
Quando procurar atendimento#
Febre em alguém da casa é motivo para procurar a Unidade Básica de Saúde, sem tomar remédio por conta própria, principalmente se a pessoa for gestante, bebê, idosa ou tiver doença crônica. Os sinais de alarme da dengue, que pedem atendimento imediato ou o Samu (192), estão listados no texto sobre dengue. Se houver larvas numa caixa d'água ou num reservatório que você não consegue limpar ou tampar, peça a visita do agente pela Secretaria Municipal de Saúde.
Este texto é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.
Perguntas frequentes
Quanto tempo o ovo do Aedes leva para virar mosquito?
Segundo o Ministério da Saúde, um ovo do Aedes aegypti leva de 7 a 10 dias para virar mosquito adulto. Por isso a orientação é eliminar a água parada pelo menos uma vez por semana: assim é possível interromper o ciclo antes de nascerem novos mosquitos. O Ministério lembra ainda que os ovos podem sobreviver mais de um ano em ambiente seco, então recipiente vazio também precisa ser lavado e guardado de boca para baixo.
Posso colocar água sanitária na água parada para matar as larvas?
Só em recipiente cuja água não seja para pessoas ou animais beberem. O Ministério da Saúde orienta, primeiro, eliminar o criadouro e jogar as larvas na terra ou no chão seco. Se o recipiente não puder ser eliminado, pode-se usar sabão em pó, detergente, desinfetante ou cloro e vistoriar toda semana. Em caixa d'água e outros reservatórios de água para consumo, quem aplica larvicida é o agente de saúde.
Vela de citronela e incenso espantam o mosquito da dengue?
Não há comprovação. Segundo o Ministério da Saúde, os inseticidas vendidos como naturais, à base de citronela, andiroba ou óleo de cravo, não têm eficácia comprovada nem aprovação da Anvisa, e isso inclui velas, odorizadores de ambiente, limpadores e incensos anunciados como repelentes. Espirais, líquidos e pastilhas de aparelhos elétricos podem ser usados se tiverem registro na Anvisa e forem usados como manda o rótulo.
Adulto pode tomar a vacina da dengue no SUS?
Na rotina, não. O Calendário Nacional de Vacinação, do Ministério da Saúde, prevê a vacina da dengue aos 10 anos, em duas doses, e permite vacinar quem atrasou até os 14 anos, 11 meses e 29 dias. O próprio calendário lembra que, além da vacina, outras medidas são importantes para prevenir a dengue, e o Ministério aponta o controle do mosquito como a estratégia mais efetiva.
O mosquito da dengue só pica de dia?
Não. O Ministério da Saúde explica que a fêmea do Aedes aegypti tem hábitos preferencialmente diurnos, mas também pode picar à noite. É um mosquito doméstico, que vive dentro e ao redor das casas e de outros lugares frequentados por pessoas, como escolas, igrejas e estabelecimentos comerciais.
Fontes consultadas
- 1.Aedes aegypti: mosquito doméstico, como controlar e reservatórios de água — Ministério da Saúde
- 2.Vigilância e controle do vetor: fases de vida do Aedes aegypti e controle mecânico — Ministério da Saúde
- 3.Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), 2013: tipos de depósitos e ações indicadas para cada criadouro — Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde
- 4.Aedes aegypti: 49% dos municípios avaliados estão em situação de alerta ou risco (2º ciclo do LIRAa de 2026) — Ministério da Saúde, 7 de outubro de 2026
- 5.Repelentes de uso tópico, repelentes ambientais e inseticidas — Ministério da Saúde
- 6.Calendário Nacional de Vacinação: criança e adolescente (vacina dengue aos 10 anos) — Ministério da Saúde


