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Intoxicação em Casa: Como Guardar Remédios e Produtos Para Proteger as Crianças

Remédio é a principal causa de intoxicação em crianças, com 63,8% dos casos notificados, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria; produtos de limpeza e químicos respondem por 7,2%. Veja onde guardar cada produto, por que a tampa de segurança ajuda mas não basta e o que fazer se a criança engolir algo.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·7 min de leitura

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Armário branco de porta aberta com uma prateleira cheia de frascos de remédio desfocados, de vidro âmbar e plástico branco
Armário branco de porta aberta com uma prateleira cheia de frascos de remédio desfocados, de vidro âmbar e plástico branco

Guarde todo produto que pode intoxicar em armário alto, fechado e, se possível, trancado, na embalagem original e longe da comida. Essa é a regra da Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). E comece pelo que menos gente imagina: não é o produto de limpeza o maior perigo, é o remédio. Segundo a SBP, os medicamentos respondem por 63,8% das intoxicações notificadas em crianças, contra 7,2% dos produtos de limpeza e químicos.

Por que as crianças pequenas se intoxicam tanto?#

Porque explorar o ambiente e imitar os adultos é o jeito de a criança se desenvolver, e ela ainda não conhece os riscos. A SBP aponta as crianças de 1 a 4 anos como as mais atingidas: elas passam mais tempo em casa, e a casa raramente está preparada para essa fase. Um estudo citado pela SBP, com dados de 2015 a 2019, encontrou 65,1% dos casos de intoxicação aguda nessa faixa de idade.

Os números da SBP dão a dimensão do problema:

DadoNúmero, segundo a SBP
Casos de intoxicação notificados no Sinan em 2022 (todas as idades)177.766
Parte desses casos em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos32,6%
Intoxicações em crianças causadas por remédios63,8%
Intoxicações em crianças causadas por produtos de limpeza e químicos7,2%
Casos que aconteceram por acidente69,4%
Mortes por intoxicação em crianças e adolescentes, 2010 a 2020543

A maior parte desses acidentes, diz a SBP, vem de produtos guardados no lugar errado. O folder do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), da Fiocruz, acrescenta um detalhe prático: as intoxicações costumam acontecer antes das refeições, das 10h às 12h e das 17h às 20h, ou quando a rotina da casa muda.

Como guardar os remédios?#

As orientações da SBP, da Caderneta da Criança e do Sinitox:

  • Armário alto e fechado. Nada de bolsa, mesinha de cabeceira ou gaveta abaixo de 1,5 metro, alerta a SBP.
  • Embalagem original, com a bula. Evita trocas e mantém à mão as informações do produto.
  • Prefira tampa de segurança. A SBP explica que ela não garante que a criança não vai abrir, mas dificulta bastante, muitas vezes a tempo de alguém intervir. Ou seja, ela complementa o armário, não o substitui.
  • Não tome remédio na frente da criança e não mostre onde ele fica guardado.
  • Nunca diga que remédio é bala ou doce. O Sinitox lembra que pílulas coloridas, frascos bonitos e sabor adocicado já atraem a curiosidade sozinhos.
  • Não dê frasco de remédio para a criança brincar. "Remédio não é brinquedo", resume a SBP.
  • Não dê remédio no escuro e confira o rótulo antes, porque remédios de adulto e de criança podem ter embalagens parecidas, alerta o Sinitox.
  • Descarte o que venceu ou sobrou de tratamentos. A Caderneta orienta conferir sempre a validade e nunca dar à criança remédio que não foi receitado.
Criança pequena de cabelo escuro, de costas, puxando livros da prateleira baixa de uma estante branca, em foto preto e branco
Entre 1 e 4 anos, tudo o que está ao alcance da mão vira objeto de exploração; por isso a SBP pede armário alto e fechado para remédios e produtos tóxicos. · Foto: Unsplash

Como guardar produtos de limpeza, inseticidas e venenos?#

A Caderneta da Criança manda manter água sanitária, detergente e remédios em locais altos e, se possível, trancados, e evitar o acesso a venenos contra ratos, formigas, mosquitos e moscas e a inflamáveis como álcool e removedor de esmalte. A cartilha da Anvisa para consumidores de saneantes completa:

  • guarde os produtos longe de bebidas, alimentos, remédios e cosméticos;
  • mantenha-os fora do alcance de crianças e animais, porque atraem principalmente as crianças de 1 a 5 anos;
  • nunca passe produto para garrafa de refrigerante ou suco. A Caderneta cita também o querosene;
  • inutilize as embalagens vazias, que sempre ficam com resíduo;
  • não use copo, xícara ou colher da cozinha como medida, a não ser que fiquem reservados só para isso.

Produto de limpeza é para usar um de cada vez. O texto sobre quais produtos de limpeza não se pode misturar mostra os gases que se formam nas "misturinhas" e o que fazer se alguém passar mal.

Cuidado redobrado com produto clandestino#

A Anvisa alerta que saneantes clandestinos costumam ter cores atraentes para crianças e ser vendidos em embalagens reaproveitadas de refrigerante e suco. Bebidos, podem causar danos sérios e até a morte. A cartilha manda não comprar:

  • produto vendido por ambulante ou em garrafa de bebida;
  • o "cloro" a granel, líquido esverdeado ou amarelado vendido em qualquer quantidade, que é muito concentrado;
  • inseticida ou veneno de rato sem embalagem própria e sem rótulo. A Anvisa cita o "chumbinho" como exemplo de produto clandestino, e a SBP lembra que o comércio dele é ilegal. Raticida líquido é proibido.

A SBP orienta ainda não espalhar veneno de rato em isca, pó ou grão onde crianças e animais possam alcançar.

E as plantas e as pilhas pequenas?#

Plantas. A SBP pede para conhecer as plantas de casa e dos arredores, não levar para casa mudas tóxicas ou desconhecidas e não deixar plantas com flores, sementes ou frutos atraentes, espinhos ou muito látex onde as crianças circulam. O Sinitox acrescenta: ensine que planta não vai à boca e não faça chá ou remédio caseiro com planta sem orientação médica. As plantas ornamentais que mais causam intoxicação estão no texto sobre plantas tóxicas em casa e no jardim.

Bateria botão. Não é intoxicação no sentido clássico, mas é um risco químico dentro de casa. O Inmetro alerta que essas baterias pequenas e redondas, de controles remotos, chaves de carro, calculadoras, relógios, cartões musicais e tênis com luz, podem ficar presas na garganta da criança e provocar queimaduras graves no esôfago em menos de duas horas. Brinquedos são obrigados a ter compartimento de bateria seguro, mas a maioria dos outros aparelhos não tem. Guarde baterias soltas fora do alcance e mantenha longe da criança o aparelho cuja tampa abre fácil. Objetos pequenos também causam engasgo, e o texto sobre engasgo em bebê e criança mostra o que fazer na hora.

O que fazer se a criança engolir ou tocar em algo tóxico?#

Os sinais que a SBP lista incluem vômito, salivação excessiva, sonolência, dificuldade para respirar, desmaio, convulsão, queimadura ou vermelhidão na boca e na pele, cheiro do produto na roupa e mudança súbita de comportamento. Mesmo sem sinais, a suspeita já é motivo para pedir orientação.

  1. Se a criança estiver desmaiada ou com convulsão, ligue já para o Samu, 192.
  2. Nos outros casos, ligue para o 0800 722 6001, número dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica da rede nacional, segundo o Sinitox. Eles orientam a família sobre o que fazer.
  3. Tente identificar o produto e a quantidade. Separe a embalagem, o rótulo ou a bula.
  4. Não ofereça leite, água ou outro líquido e não provoque vômito sem orientação, diz a SBP, sobretudo se o produto for soda cáustica, querosene, ácido, alvejante, desinfetante, removedor ou gasolina.
  5. Produto na pele ou nos olhos: lave com bastante água limpa e tire a roupa atingida, orientam a SBP e a Anvisa.
  6. Leve a criança ao serviço de saúde com a embalagem do produto.

Com bateria botão, o Inmetro manda procurar emergência imediatamente, sem dar comida ou bebida e sem provocar vômito.

Não confunda com intoxicação alimentar, que vem de comida contaminada e tem outros sinais e cuidados.

Na criança maior e no adolescente, a SBP lembra que a ingestão de remédios pode não ser acidental. Além do atendimento de urgência, o caso pede acompanhamento. O Centro de Valorização da Vida atende pelo 188, de graça e 24 horas, segundo o Ministério da Saúde.

O que as fontes não respondem#

  • Quais produtos são obrigados a ter tampa de segurança. As fontes consultadas recomendam preferir a tampa de segurança, mas não dizem quais remédios ou produtos de uso doméstico a norma obriga a usá-la. Quando houver opção, escolha o produto que já vem com ela.
  • Onde descartar remédio vencido. As fontes consultadas mandam descartar, mas não indicam o local. Pergunte na farmácia ou na Unidade Básica de Saúde se há ponto de coleta.

Quando procurar atendimento#

Sempre que houver suspeita de que a criança engoliu, inalou ou tocou um remédio, produto de limpeza, veneno, planta ou bateria, mesmo que ela pareça bem. Ligue para o 0800 722 6001 para receber orientação e leve a embalagem ao serviço de saúde. Desmaio, convulsão, dificuldade para respirar, queimadura na boca ou suspeita de bateria engolida pedem o Samu (192) ou o pronto-socorro mais próximo, sem esperar os sintomas piorarem.

Este texto é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.

Perguntas frequentes

Onde é o lugar mais seguro para guardar remédios em casa?

Em armário alto, fechado e, se possível, trancado, orienta a Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde. A Sociedade Brasileira de Pediatria acrescenta que bolsa, mesinha de cabeceira e gaveta abaixo de 1,5 metro não são lugares seguros, e que o remédio deve ficar na embalagem original, longe de onde se guardam alimentos.

Tampa de segurança impede a criança de abrir o frasco?

Não impede, mas ajuda. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda preferir remédios com tampa de segurança porque ela dificulta bastante a abertura e, muitas vezes, dá tempo para um adulto perceber e intervir. Por isso a tampa não substitui guardar o frasco fora do alcance.

A criança engoliu produto de limpeza. Devo dar leite ou fazer vomitar?

Não. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta não oferecer leite, água ou outros líquidos e não provocar vômito sem orientação, sobretudo se o produto for soda cáustica, querosene, ácido, alvejante, desinfetante, removedor ou gasolina. Ligue para o 0800 722 6001 ou para o Samu (192) e leve a embalagem ao serviço de saúde.

Qual é o telefone do centro de intoxicação?

Os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da rede nacional atendem pelo 0800 722 6001, informa o Sinitox, da Fiocruz. Alguns centros também têm número próprio. A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, indica esse número e o Samu (192) em acidentes com produtos de limpeza, remédios e outras substâncias tóxicas.

Pilha de relógio ou de controle remoto é perigosa para criança?

É. O Inmetro alerta que a bateria botão, aquela pequena e redonda de controles, chaves de carro, calculadoras e brinquedos com luz, pode ficar presa na garganta e causar queimaduras graves no esôfago em menos de duas horas. Se a criança engolir uma, procure atendimento de emergência na hora, sem dar comida ou bebida e sem provocar vômito.

Fontes consultadas

  1. 1.Intoxicações agudas na infância (Pediatria para Famílias, setembro de 2025) — Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Toxicologia e Saúde Ambiental
  2. 2.Intoxicações exógenas (Pediatria para Famílias, janeiro de 2024) — Sociedade Brasileira de Pediatria
  3. 3.Caderneta da Criança, 6ª edição (2023): Prevenindo acidentes, páginas 61 a 64 — Ministério da Saúde
  4. 4.Cartilha de orientação para os consumidores de saneantes — Anvisa
  5. 5.Envenenamento doméstico: cuidado com as armadilhas domésticas (folder, 2015) — Sinitox, Fiocruz
  6. 6.Baterias botão: Inmetro e ONG Criança Segura fazem alerta nacional — Inmetro
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