AVC: Quais São os Sinais de Alerta, o Que Fazer na Hora e Como Prevenir
Boca torta, braço sem força, fala enrolada, perda súbita da visão: são sinais de AVC e pedem Samu 192 na hora. Pela Linha de Cuidado do Ministério da Saúde, a trombólise do AVC isquêmico é avaliada até 4h30 do início dos sintomas. Veja o teste de três passos, o que fazer e o que evitar enquanto a ajuda chega.
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O acidente vascular cerebral, o AVC (também chamado de derrame), acontece quando um vaso que leva sangue ao cérebro entope ou se rompe, e a área que fica sem circulação para de funcionar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foi a segunda maior causa de morte no mundo em 2023, com cerca de 6,8 milhões de óbitos, 11% do total.
O Ministério da Saúde resume o que mais importa numa frase: quanto mais rápido o diagnóstico e o tratamento, maiores as chances de recuperação completa. Este texto explica como reconhecer os sinais, o que fazer nos primeiros minutos e o que reduz o risco de um AVC.
Quais são os sinais de alerta do AVC?#
O Ministério da Saúde lista os principais sinais, que valem para qualquer tipo de AVC:
- fraqueza ou formigamento em um lado do corpo (rosto, braço ou perna);
- dificuldade súbita para falar ou para entender o que os outros dizem;
- alteração da visão em um ou nos dois olhos;
- tontura, perda de equilíbrio ou de coordenação, alteração no jeito de andar;
- confusão mental;
- dor de cabeça súbita e intensa, sem causa aparente.
A palavra que une todos eles é "súbito". A Linha de Cuidado do AVC no Adulto, do Ministério da Saúde, define o AVC agudo como o início súbito de sinais neurológicos que afetam uma região do corpo, sem recuperação.
Como fazer o teste dos três passos?#
A mesma Linha de Cuidado recomenda aos profissionais a Escala de Cincinnati, também resumida como avaliação dos "3 Fs": face, força e fala. Ela é simples o bastante para qualquer pessoa aplicar enquanto liga para o socorro:
| Peça para a pessoa | O que observar | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| Dar um sorriso | A boca fica simétrica? | Desvio da boca para um lado |
| Levantar os dois braços | Os dois ficam no alto? | Um braço cai por perda de força |
| Repetir uma frase simples, como "O Brasil é o rei do futebol" | A fala sai normal? | Fala enrolada, errada ou ausente |
Segundo a Linha de Cuidado, alteração em um ou mais desses testes, com início súbito, já indica suspeita de AVC. Não é preciso que os três estejam alterados.
A página de orientação ao paciente da Linha de Cuidado acrescenta mais duas perguntas: a pessoa não consegue caminhar por falta de força numa perna ou tem problema de equilíbrio? Teve dificuldade súbita para enxergar? Qualquer resposta "sim" é motivo para ligar para o Samu.
O que fazer na hora?#
1. Ligue 192. O Ministério da Saúde orienta chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), os Bombeiros (193) ou levar a pessoa imediatamente a um hospital. A Linha de Cuidado orienta acionar o Samu o mais rápido possível, para que a regulação médica faça a transferência ao hospital mais apropriado para o caso.
2. Anote o horário. A primeira coisa que a equipe vai perguntar é quando os sintomas começaram. Se a pessoa acordou com os sintomas, a Linha de Cuidado considera como início o último momento em que ela foi vista bem, antes de dormir. Essa informação decide se ainda há tempo para certos tratamentos.
3. Deixe a pessoa deitada e não ofereça nada pela boca. Entre os cuidados iniciais, o Ministério da Saúde cita manter a pessoa deitada, exceto se houver vômitos. A Linha de Cuidado manda suspender a alimentação até que um teste confirme que ela consegue engolir com segurança, porque o AVC pode afetar a deglutição. Por isso, nada de água, comida ou comprimido.
4. Não dê remédio por conta própria. Nem para pressão, nem aspirina. A Linha de Cuidado orienta as equipes a não baixar a pressão na fase inicial, exceto se a sistólica estiver em 220 mmHg ou mais ou a diastólica em 120 mmHg ou mais. E o tipo de AVC, isquêmico ou hemorrágico, só é definido pela tomografia, que orienta o tratamento.
5. Não espere melhorar. Sintomas que vão e voltam, ou que somem, também precisam de avaliação na emergência (veja abaixo).

Por que o tempo importa tanto?#
O Ministério da Saúde explica que há dois tipos de AVC:
- Isquêmico (85% dos casos): uma artéria é obstruída por um coágulo, o oxigênio não chega às células do cérebro e elas morrem.
- Hemorrágico (15% dos casos): um vaso se rompe e sangra dentro do cérebro ou na sua superfície. É menos comum, mas pode causar a morte com mais frequência. A causa principal é a pressão alta descontrolada, seguida da ruptura de aneurisma.
No AVC isquêmico, existe um tratamento que dissolve o coágulo, a trombólise endovenosa. Pela Linha de Cuidado, o paciente é avaliado para recebê-la dentro de 4h30 do início dos sintomas, e quanto mais rápida a transferência para o hospital de referência, melhor o prognóstico. O Manual de rotinas para atenção ao AVC, do Ministério da Saúde, usa o mesmo prazo de 4,5 horas. No SUS, esse tratamento é feito nos Centros de Atendimento de Urgência, os hospitais de referência para AVC.
Ao chegar ao hospital, a equipe verifica os sinais vitais, mede a glicose no sangue (a Linha de Cuidado lembra que a glicose baixa pode causar sinais parecidos com os de um AVC) e faz uma tomografia de crânio. É a tomografia que mostra se é isquêmico ou hemorrágico.
E se os sintomas passarem sozinhos?#
Esse é o erro mais perigoso. A Linha de Cuidado chama de ataque isquêmico transitório (AIT) o episódio de sinais neurológicos localizados que desaparecem completamente em menos de uma hora. Parece alívio, mas é aviso: o documento registra que 20% dos pacientes com AVC isquêmico tiveram um AIT nas horas ou dias anteriores. Depois de um AIT, a equipe usa um escore para estimar o risco de AVC, sobretudo nos sete dias seguintes.
A orientação da Linha de Cuidado é encaminhar à emergência hospitalar, pelo Samu, quem teve sintomas nas últimas 24 horas. Mesmo quando os sintomas começaram há mais de 24 horas e menos de um mês, a pessoa deve procurar uma emergência.
Quem tem mais risco de AVC?#
O Ministério da Saúde lista como principais fatores de risco:
- pressão alta;
- diabetes tipo 2;
- colesterol alto;
- sobrepeso e obesidade;
- tabagismo;
- uso excessivo de álcool e uso de drogas ilícitas;
- sedentarismo;
- idade avançada;
- histórico familiar;
- sexo masculino (o AVC acomete mais os homens).
A pressão alta aparece duas vezes: como fator de risco geral e como principal causa do AVC hemorrágico. O texto sobre pressão alta mostra os valores atuais, como medir em casa e quando a pressão vira emergência.
Como prevenir o AVC?#
A página de orientação ao paciente da Linha de Cuidado afirma que 1 em cada 4 pessoas terá um AVC e que a maioria dos casos pode ser prevenida com hábitos saudáveis. As medidas listadas pelo Ministério da Saúde são:
- Não fumar e evitar ambientes com fumaça.
- Controlar a pressão, mantendo "13 por 8" (130 por 80 mmHg) ou menos.
- Ser ativo: de 20 a 30 minutos de exercício moderado cinco vezes por semana reduzem o risco de AVC.
- Comer melhor: mais verduras, frutas e fibras, menos sal e menos álcool.
- Manter um peso saudável.
- Reduzir o colesterol LDL: se alimentação e atividade física não bastarem, o médico pode indicar remédio.
- Controlar o diabetes e tomar os remédios como o médico recomendou.
Cada item tem um caminho prático. O guia sobre como parar de fumar mostra o tratamento gratuito oferecido pelo SUS. A caminhada é um jeito simples de chegar aos minutos de exercício. O texto sobre colesterol alto explica os valores de LDL e HDL, e o de sal e sódio mostra quanto consumir por dia.
Quem já teve um AVC precisa de atenção redobrada: segundo a mesma página, 1 em cada 4 sobreviventes terá outro AVC. A Linha de Cuidado orienta, depois de um AVC, manter a pressão abaixo de 120 por 80 mmHg durante o acompanhamento, tratar o colesterol, controlar o diabetes e parar de fumar. A reabilitação, segundo o Ministério da Saúde, pode ser feita nos Centros Especializados em Reabilitação (CER) do SUS.
Quando procurar atendimento#
Ligue para o Samu no 192 (ou para os Bombeiros no 193) imediatamente se alguém apresentar, de forma súbita:
- boca torta ou um lado do rosto caído;
- fraqueza, formigamento ou falta de força em um braço ou perna, sobretudo de um lado só;
- fala enrolada, troca de palavras ou dificuldade para entender;
- perda ou alteração da visão em um ou nos dois olhos;
- tontura com perda de equilíbrio, dificuldade para andar ou falta de coordenação;
- confusão mental;
- dor de cabeça súbita e muito forte, sem causa aparente.
Vale também para quem teve esses sinais por alguns minutos e melhorou, e para quem já teve AVC e apresenta um sintoma novo: a Linha de Cuidado orienta pacientes e familiares a chamar o Samu ou procurar uma emergência nesses casos.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. Diante de qualquer sinal de AVC, a conduta é chamar o socorro, e não buscar orientação pela internet.
Perguntas frequentes
Quais são os primeiros sinais de um AVC?
O Ministério da Saúde lista fraqueza ou formigamento de um lado do corpo (rosto, braço ou perna), dificuldade súbita para falar ou entender, alteração da visão em um ou nos dois olhos, tontura com perda de equilíbrio ou de coordenação, confusão mental e dor de cabeça súbita e intensa, sem causa aparente. O que chama atenção é o início de repente.
Como fazer o teste do AVC em casa?
A Linha de Cuidado do AVC, do Ministério da Saúde, usa a Escala de Cincinnati, com três pedidos: dar um sorriso (veja se a boca entorta), levantar os dois braços (veja se um deles cai por falta de força) e repetir uma frase simples (veja se a fala sai alterada). Alteração em um ou mais testes sugere AVC. Nesse caso, ligue 192 na hora, sem esperar melhorar.
Quanto tempo a pessoa tem para ser atendida no AVC?
Quanto antes, melhor. A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde diz que, no AVC isquêmico, o paciente é avaliado para trombólise endovenosa, o remédio que dissolve o coágulo, dentro de 4h30 do início dos sintomas, e que quanto mais rápida a transferência para o hospital de referência, melhor o prognóstico. Por isso é importante saber a hora em que tudo começou.
O que não fazer quando alguém está tendo um AVC?
Não espere os sintomas passarem e não dê comida, água ou remédio. O protocolo do Ministério da Saúde suspende a alimentação até um teste confirmar que a pessoa consegue engolir com segurança, orienta as equipes a não baixar a pressão na fase inicial, salvo valores muito altos, e só define o tipo de AVC, e o tratamento, depois da tomografia.
Se os sintomas sumirem sozinhos, ainda preciso ir ao hospital?
Sim. A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde chama de ataque isquêmico transitório (AIT) o episódio de sinais neurológicos que somem completamente em menos de uma hora, e registra que 20% das pessoas com AVC isquêmico tiveram um AIT nas horas ou dias anteriores. Sintomas que começaram nas últimas 24 horas devem ser levados à emergência pelo Samu.
Qual a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico?
Segundo o Ministério da Saúde, o AVC isquêmico acontece quando uma artéria é obstruída e o sangue não chega a uma parte do cérebro; representa 85% dos casos. O hemorrágico ocorre quando um vaso se rompe e sangra; responde por 15% dos casos, mas pode causar a morte com mais frequência. A causa principal do hemorrágico é a pressão alta descontrolada.
Dá para prevenir o AVC?
Em grande parte, sim. O Ministério da Saúde afirma que a maioria dos casos pode ser prevenida e cita não fumar, controlar a pressão (mantendo 13 por 8 ou menos), praticar de 20 a 30 minutos de exercício moderado cinco vezes por semana, comer frutas, verduras e fibras, reduzir sal e álcool, manter o peso e controlar o colesterol LDL e o diabetes.
Fontes consultadas
- 1.Acidente Vascular Cerebral (AVC): tipos, sintomas, fatores de risco e prevenção — Ministério da Saúde
- 2.Linha de Cuidado do Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Adulto (2020) — Ministério da Saúde
- 3.Linhas de Cuidado: AVC no adulto, orientações para o paciente — Ministério da Saúde
- 4.Manual de rotinas para atenção ao AVC (2013) — Ministério da Saúde
- 5.The top 10 causes of death: fact sheet — Organização Mundial da Saúde


