Colesterol Alto: Valores de LDL e HDL, o Que Significam e o Que Fazer
Não existe um LDL ideal igual para todo mundo. Pela Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025, a meta vai de menos de 115 mg/dL no risco baixo a menos de 40 mg/dL no risco extremo, e o HDL deixou de ser alvo de tratamento. Veja a tabela, o exame, o tratamento e o que muda no dia a dia.
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"Meu colesterol deu 210, isso é alto?" A resposta honesta é: depende de quem você é. Esse é o achado central da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC): o valor de LDL que serve para uma pessoa saudável de 35 anos não serve para quem já teve um infarto. A diretriz divide os adultos em cinco categorias de risco cardiovascular, e cada uma tem a sua meta.
O problema é comum e silencioso. Na Pesquisa Nacional de Saúde de 2014-2015, citada pela diretriz, uma em cada três pessoas tinha colesterol total acima de 200 mg/dL e uma em cada cinco tinha LDL acima de 130 mg/dL. Segundo dados do estudo Global Burden of Disease reunidos na mesma diretriz, o LDL elevado é o segundo fator de risco responsável por mortes cardiovasculares no Brasil, atrás apenas da hipertensão.
Este texto explica o que é cada número do exame, a tabela atual, como o risco é calculado e o que fazer quando o resultado vem fora da referência.
O que é colesterol, LDL e HDL?#
O colesterol não é vilão por natureza. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde lembra que ele está na estrutura de todas as células e participa da produção de hormônios, de ácidos biliares e da vitamina D. Como não se mistura ao sangue, ele circula dentro de partículas chamadas lipoproteínas:
- LDL (lipoproteína de baixa densidade): leva o colesterol para as células. Em excesso, se deposita nas paredes das artérias e forma placas que aumentam o risco de infarto e de AVC, processo chamado aterosclerose. Por isso é conhecido como "colesterol ruim".
- HDL (lipoproteína de alta densidade): retira o colesterol das células para ser eliminado. É o "colesterol bom".
- Triglicérides: outro tipo de gordura do sangue. A diretriz associa sua elevação à obesidade, ao diabetes tipo 2, ao consumo elevado de álcool e à troca de gorduras por carboidratos refinados.
- Colesterol não-HDL: é a conta do colesterol total menos o HDL. A diretriz de 2025 o colocou como meta ao lado do LDL, por ser útil sobretudo quando os triglicérides passam de 150 mg/dL.
O mesmo texto do Ministério da Saúde é direto: ter colesterol alto não dá sintomas, e a única forma de saber é dosar no sangue.
Quais são os valores de referência?#
A tabela abaixo é a Tabela 3.1 da diretriz de 2025, para adultos acima de 20 anos. Colesterol total, HDL, LDL e não-HDL não mudam com o jejum; os triglicérides mudam, por isso há dois valores.
| Exame | Valor de referência | Observação |
|---|---|---|
| Colesterol total | Abaixo de 190 mg/dL | Com ou sem jejum |
| HDL | Acima de 40 mg/dL | Marcador de risco, sem meta de tratamento |
| Triglicérides | Abaixo de 150 mg/dL (jejum) ou 175 mg/dL (sem jejum) | A partir de 500 mg/dL há risco de pancreatite |
| LDL | Depende do risco (tabela seguinte) | Meta principal do tratamento |
| Não-HDL | Depende do risco (tabela seguinte) | Meta ao lado do LDL |
E as metas de LDL e de não-HDL conforme a categoria de risco:
| Categoria de risco | Meta de LDL | Meta de não-HDL | Redução mínima do LDL |
|---|---|---|---|
| Baixo | Abaixo de 115 mg/dL | Abaixo de 145 mg/dL | 30% |
| Intermediário | Abaixo de 100 mg/dL | Abaixo de 130 mg/dL | 30% |
| Alto | Abaixo de 70 mg/dL | Abaixo de 100 mg/dL | 50% |
| Muito alto | Abaixo de 50 mg/dL | Abaixo de 80 mg/dL | 50% |
| Extremo | Abaixo de 40 mg/dL | Abaixo de 70 mg/dL | 50% |
E o HDL "quanto mais alto, melhor"? Essa ideia aparece até em materiais oficiais antigos, que dizem que o nível de HDL "deve ser alto". A diretriz de 2025 corrigiu o rumo: não propõe meta para o HDL porque, embora HDL baixo esteja associado a mais eventos cardiovasculares, não há evidência robusta de que essa relação seja de causa, e terapias para aumentar o HDL não reduziram eventos de forma consistente. A diretriz recomenda contra usar remédio com o objetivo de subir o HDL.
Como o médico define o seu risco?#
A categoria vem da sua história, dos exames e de um cálculo. A diretriz de 2025 usa os seguintes critérios, de forma resumida:
- Baixo: risco calculado abaixo de 5% em 10 anos, sem fatores agravantes e sem diabetes tipo 2.
- Intermediário: risco calculado de 5% a menos de 20% em 10 anos; ou risco baixo com algum agravante; ou LDL entre 160 e 189 mg/dL; ou diabetes tipo 2 em pessoas mais jovens sem outros estratificadores.
- Alto: risco calculado de 20% ou mais; aterosclerose sem sintomas vista em exame de imagem; LDL de 190 mg/dL ou mais; ou diabetes tipo 2 com idade e fatores específicos.
- Muito alto: doença aterosclerótica importante (obstrução de 50% ou mais) ou evento prévio, como infarto ou AVC.
- Extremo: vários eventos cardiovasculares maiores, ou um evento maior somado a duas ou mais condições de alto risco, como idade de 65 anos ou mais, diabetes, hipertensão, doença renal crônica ou tabagismo atual.
Para adultos de 30 a 79 anos sem doença cardiovascular, a diretriz recomenda calcular o risco pelo escore PREVENT, que considera idade, sexo, colesterol total, HDL, pressão arterial, uso de remédio para pressão, diabetes, tabagismo, uso de estatina, índice de massa corporal e função dos rins. Os fatores agravantes podem subir a categoria: parente de primeiro grau com doença cardiovascular precoce (homem antes dos 55 anos, mulher antes dos 65), obesidade e esteatose hepática, doenças inflamatórias como artrite reumatoide, psoríase e lúpus, e, nas mulheres, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e menopausa antes dos 40 anos.
A diretriz também recomenda dosar a lipoproteína(a) uma vez na vida em todos os adultos, para identificar risco elevado de origem genética.
Para saber em que idade fazer cada exame de rotina, veja o guia de exames preventivos por faixa etária. Em crianças, a diretriz recomenda o perfil lipídico para todas entre 9 e 11 anos, e a partir dos 2 anos quando há fatores de risco.
Como se preparar para o exame?#
A diretriz de 2025 considera aceitável colher o perfil lipídico sem jejum na avaliação inicial. Se os triglicérides vierem acima de 440 mg/dL sem jejum, recomenda-se nova coleta com jejum de 12 horas, a critério do médico. Na véspera, mantenha a alimentação habitual: álcool, refeição muito gordurosa e exercício extenuante podem alterar o resultado temporariamente.
O que fazer quando o colesterol vem alto?#
Mudar hábitos vale para todos. A diretriz de 2025 traz recomendações concretas:
- gordura saturada abaixo de 7% das calorias do dia e nenhuma gordura trans;
- trocar gordura saturada por insaturada, como azeite, abacate, peixes gordurosos e linhaça;
- reduzir ou eliminar açúcar adicionado e farinha refinada;
- pelo menos 25 gramas de fibras por dia, incluindo aveia, leguminosas e frutas com casca. O texto sobre alimentos ricos em fibras dá ideias para o prato;
- 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada ou 75 de vigorosa, mais exercícios de força pelo menos dois dias por semana. Veja quanto exercício por semana a OMS recomenda;
- parar de fumar, o que traz benefício cardiovascular em qualquer idade;
- perder peso, quando há excesso: segundo a diretriz, perder de 8% a 10% do peso se associa a queda de 5 a 10 mg/dL no LDL, de 20 a 30 mg/dL nos triglicérides e aumento de 3 a 5 mg/dL no HDL. A calculadora de IMC ajuda a ver o ponto de partida;
- não usar álcool como estratégia de prevenção: a diretriz recomenda contra.

Quando entra o remédio. Pela diretriz, quem tem risco alto, muito alto ou extremo deve usar remédio junto com as mudanças de hábito. No risco baixo ou intermediário, o remédio entra quando o LDL ou o não-HDL fica persistentemente 30 mg/dL ou mais acima da meta, e no risco baixo a diretriz considera tratar quem mantém LDL de 145 mg/dL ou mais apesar das mudanças. Pessoas com LDL de 190 mg/dL ou mais já são classificadas como risco alto.
A estatina é a primeira opção. A diretriz cita metanálises em que cada redução de 39 mg/dL no LDL com estatina diminuiu a mortalidade por todas as causas em 10% e os eventos cardiovasculares em cerca de 22%. Quando ela não basta, a diretriz prevê associar ezetimiba e, em casos selecionados, outras terapias. A escolha do remédio e a dose são do médico.
O que o SUS faz diferente. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dislipidemia, do Ministério da Saúde (2019), também decide o tratamento pelo risco cardiovascular, mas adota outra lógica: o tratamento "será baseado no paciente sob risco e não na busca do LDL-C alvo". O protocolo inclui as estatinas sinvastatina, pravastatina e atorvastatina, e os fibratos em situações específicas, como triglicérides acima de 500 mg/dL, para prevenir pancreatite. O programa Farmácia Popular fornece de graça remédios para dislipidemia, com documento com foto e CPF e receita válida, do SUS ou particular.
O colesterol raramente vem sozinho: pressão alta, diabetes e tabagismo somam risco. O texto sobre pressão alta traz a régua atual da pressão, e o de AVC mostra como reconhecer uma das consequências da aterosclerose.
Quando procurar atendimento#
Marque consulta, na Unidade Básica de Saúde ou com seu médico, se:
- você nunca fez um perfil lipídico ou não faz há anos, principalmente se tem pressão alta, diabetes, obesidade ou fuma;
- o LDL veio de 190 mg/dL ou mais, faixa que a diretriz de 2025 classifica como risco alto;
- os triglicérides vieram de 500 mg/dL ou mais: tanto a diretriz quanto o Protocolo do Ministério da Saúde ligam esse nível ao risco de pancreatite aguda;
- há casos de infarto ou AVC precoce na família (homem antes dos 55 anos, mulher antes dos 65);
- você nota sinais que o Protocolo do Ministério da Saúde associa à hipercolesterolemia familiar: xantomas nos tendões (depósitos de gordura) ou arco na córnea antes dos 45 anos.
Colesterol alto não é emergência, mas suas consequências podem ser. Sinais de AVC, como boca torta, braço sem força ou fala enrolada de repente, pedem Samu no 192, segundo o Ministério da Saúde.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. A categoria de risco, a meta de LDL e a necessidade de remédio são definidas pelo profissional que acompanha você.
Perguntas frequentes
Qual é o valor normal do colesterol LDL?
Depende do risco cardiovascular de cada pessoa. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, recomenda LDL abaixo de 115 mg/dL para quem tem risco baixo, abaixo de 100 no risco intermediário, abaixo de 70 no alto, abaixo de 50 no muito alto e abaixo de 40 no risco extremo. Quem define a sua categoria é o médico, com base na sua história e nos exames.
Qual é o valor ideal do HDL?
A tabela de referência da Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025 traz HDL acima de 40 mg/dL. Mas a mesma diretriz diz que não há meta de tratamento para o HDL: HDL baixo está associado a mais eventos cardiovasculares, porém não há prova de que essa relação seja de causa, e remédios para aumentar o HDL não reduziram infartos e AVCs. Por isso ele é usado como marcador de risco, não como alvo.
Colesterol total acima de 200 é perigoso?
O valor de referência atual para o colesterol total é abaixo de 190 mg/dL, segundo a Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025. Mas o número que guia o tratamento é o LDL (e o colesterol não-HDL), interpretado conforme o risco cardiovascular. Um colesterol total alto pede conversa com o médico para calcular o risco, e não conclusão sozinho em casa.
Precisa de jejum para fazer o exame de colesterol?
Na maioria das vezes, não. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025 considera aceitável colher o perfil lipídico sem jejum na avaliação inicial. Se os triglicérides vierem acima de 440 mg/dL sem jejum, recomenda-se repetir o exame com jejum de 12 horas, conforme o médico pedir. Na véspera, mantenha a dieta habitual e evite álcool, comida muito gordurosa e exercício extenuante.
Colesterol alto dá sintomas?
Não. O Ministério da Saúde afirma que ter o colesterol alto não apresenta sintomas e que a única forma de diagnosticá-lo é dosando seus níveis no sangue. Em formas genéticas graves, como a hipercolesterolemia familiar, o Protocolo Clínico do Ministério da Saúde cita sinais como xantomas, que são depósitos de gordura nos tendões, e arco na córnea antes dos 45 anos.
Só a dieta resolve o colesterol alto?
Às vezes não. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025 recomenda mudanças de estilo de vida para todos, mas indica remédio, junto com essas mudanças, para quem tem risco alto, muito alto ou extremo. Mesmo no risco baixo, a diretriz considera tratamento com remédio quando o LDL fica em 145 mg/dL ou mais apesar das mudanças. A estatina é a primeira opção, e a prescrição é do médico.
O remédio para colesterol é de graça no SUS?
Sim. O programa Farmácia Popular, do Ministério da Saúde, fornece gratuitamente medicamentos para dislipidemia (colesterol alto) em farmácias credenciadas, com documento com foto e CPF e receita médica dentro da validade, do SUS ou de serviço particular. O Protocolo Clínico do Ministério da Saúde para dislipidemia inclui as estatinas sinvastatina, pravastatina e atorvastatina.
Fontes consultadas
- 1.Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 (Arquivos Brasileiros de Cardiologia) — Sociedade Brasileira de Cardiologia
- 2.Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dislipidemia: prevenção de eventos cardiovasculares e pancreatite — Ministério da Saúde
- 3.08/8 – Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol — Ministério da Saúde (Biblioteca Virtual em Saúde)
- 4.Farmácia Popular: indicações atendidas e como retirar os medicamentos — Ministério da Saúde


