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Bem-Estar Geral

Quantas Horas de Sono por Idade: O Que as Recomendações Dizem

Para adultos de 18 a 60 anos, a Academia Americana de Medicina do Sono recomenda 7 horas ou mais por noite. Para crianças e adolescentes, as faixas em 24 horas vão de 12 a 16 horas no bebê a 8 a 10 horas no adolescente. Veja a tabela comparando AASM, National Sleep Foundation, OMS e SBP, e por que essas faixas não são metas individuais.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·9 min de leitura

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Mulher sorrindo na cama, protegendo os olhos da luz do sol da manhã que entra no quarto
Mulher sorrindo na cama, protegendo os olhos da luz do sol da manhã que entra no quarto

Depende da idade, e a resposta vem em faixa, não em número exato. Para adultos de 18 a 60 anos, o consenso da American Academy of Sleep Medicine (AASM) com a Sleep Research Society recomenda 7 horas ou mais por noite, de forma regular. Para crianças e adolescentes, a AASM fala em horas por 24 horas, contando os cochilos dos pequenos: de 12 a 16 horas entre 4 e 12 meses até 8 a 10 horas entre 13 e 18 anos.

Antes da tabela, um aviso que vale para todas as fontes: esses números são recomendações de consenso, feitas por painéis de especialistas que avaliaram estudos populacionais. Elas descrevem o que se associa a melhor saúde em média, na população. Não são uma meta que cada pessoa precisa bater toda noite.

O que cada fonte recomenda, por idade#

A tabela junta os três consensos mais usados. Os recortes de idade não são idênticos, por isso cada célula traz a faixa etária daquela fonte.

FaseAASM (2015 e 2016)National Sleep Foundation (2015)OMS (2019)
Recém-nascidoSem recomendação abaixo de 4 meses0 a 3 meses: 14 a 17 h0 a 3 meses: 14 a 17 h
Bebê4 a 12 meses: 12 a 16 h4 a 11 meses: 12 a 15 h4 a 11 meses: 12 a 16 h
1 a 2 anos11 a 14 h11 a 14 h11 a 14 h
Pré-escolar3 a 5 anos: 10 a 13 h3 a 5 anos: 10 a 13 h3 a 4 anos: 10 a 13 h
Escolar6 a 12 anos: 9 a 12 h6 a 13 anos: 9 a 11 hFora do escopo
Adolescente13 a 18 anos: 8 a 10 h14 a 17 anos: 8 a 10 hFora do escopo
Adulto18 a 60 anos: 7 h ou mais18 a 25 e 26 a 64 anos: 7 a 9 hFora do escopo
IdosoFora do escopo65 anos ou mais: 7 a 8 hFora do escopo

Até os 5 anos, as horas incluem os cochilos. Fontes: Paruthi e col., J Clin Sleep Med 2016 (crianças e adolescentes); Watson e col., J Clin Sleep Med 2015 (adultos); Hirshkowitz e col., Sleep Health 2015 (faixas etárias conferidas na reprodução autorizada da tabela original, em Mireku e Rodriguez, 2021); Organização Mundial da Saúde, diretriz para menores de 5 anos, 2019.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) usa a tabela da AASM. No documento Higiene do Sono: Atualização 2021, do seu Departamento Científico do Sono, as faixas de 4 meses a 18 anos são as mesmas da primeira coluna, com a indicação de que os cochilos entram na conta até os 5 anos.

Onde as fontes divergem, a diferença está nas bordas: o bebê de 4 a 11 meses (até 15 ou até 16 horas) e a criança em idade escolar (até 11 ou até 12 horas). Nos adultos, a AASM dá um piso (7 horas ou mais) e a National Sleep Foundation, uma faixa (7 a 9 horas).

Por que são faixas e não metas#

Porque foi isso que os painéis conseguiram estabelecer. A AASM reuniu 15 especialistas para o consenso de adultos, que partiram de 5.314 artigos e votaram em várias rodadas pelo método RAND modificado. O consenso pediátrico teve 13 especialistas e 864 artigos. A National Sleep Foundation reuniu 18 especialistas de 12 organizações. Em todos os casos, o resultado é uma posição de especialistas apoiada em estudos, e não o resultado de um experimento que tenha testado cada número.

A OMS é explícita sobre o grau de certeza. Na diretriz de 2019 para menores de 5 anos, a recomendação de sono é classificada como forte, mas com evidência de qualidade muito baixa, e o texto registra que as recomendações anteriores de duração de sono vinham de consenso de especialistas.

Os próprios documentos lembram que a necessidade varia. A AASM escreve que a variação individual é influenciada por fatores genéticos, comportamentais, médicos e ambientais. A National Sleep Foundation diz que dormir fora da faixa recomendada pode ser adequado para algumas pessoas, mas que se afastar muito dela é raro.

Na prática, a faixa serve para responder a uma pergunta ("estou muito longe do que se espera para a minha idade?") e não para transformar a cama em cobrança.

As recomendações foram atualizadas?#

Numa busca no PubMed em outubro de 2026, não encontramos nova declaração da AASM com números diferentes dos de 2015 e 2016; os dois documentos dizem que podem ser revistos conforme surgirem pesquisas. A OMS prevê revisar sua diretriz dez anos após 2019, salvo evidência nova antes disso.

A National Sleep Foundation publicou em 2026, na mesma revista Sleep Health, uma revisão sistemática de 133 meta-análises da década anterior. Das 133, 99 (74%) foram consideradas compatíveis com as faixas de 2015, 34 (26%) inconclusivas e nenhuma contraditória, e os autores concluem que as recomendações seguem válidas. Vale saber que cinco dos sete autores são ligados à própria fundação, e os outros dois assinaram o consenso de 2015.

Qualidade conta tanto quanto quantidade#

Os consensos olharam para duração porque é a medida mais estudada, não porque seja a única que importa. Os textos da AASM, de adultos e de crianças, trazem a mesma definição: sono saudável exige duração adequada, boa qualidade, horário apropriado, regularidade e ausência de distúrbios do sono. A OMS, por sua vez, fala sempre em horas de "sono de boa qualidade" e, a partir de 1 ano, em horários regulares para dormir e acordar.

Ou seja, oito horas picadas por despertares, ou em horários que mudam toda semana, não equivalem a oito horas de sono contínuo e regular. O que tem evidência e o que é promessa para melhorar a qualidade está no guia de qualidade do sono.

Cochilos nas crianças pequenas#

Até os 5 anos, todas as fontes contam o cochilo dentro do total de 24 horas. A OMS escreve "incluindo cochilos" para bebês e crianças de 1 a 2 anos, e "que pode incluir um cochilo" para 3 e 4 anos.

O documento da SBP descreve a evolução esperada. Entre 6 e 9 meses, a maioria das crianças passa a dormir a noite inteira, com dois ou três cochilos durante o dia. A partir dos 2 anos, o sono diurno diminui e, até os 5 anos, essa necessidade deve ter desaparecido. Se a criança mais velha continua precisando cochilar, a SBP orienta avaliar se ela está dormindo pouco à noite. Horários, ritual da hora de dormir e telas, fase por fase, estão no texto sobre rotina de sono da criança.

Adolescentes: o relógio atrasa#

A SBP descreve no adolescente um atraso de fase fisiológico: o início e o fim do sono se deslocam de 1 a 2 horas mais tarde, por mudanças biológicas e hormonais e também por questões sociais. O documento registra que esse atraso é mais acentuado entre os meninos.

A faixa recomendada continua sendo de 8 a 10 horas. A conta fica difícil quando a rotina exige acordar cedo: para ter 8 horas e levantar às 6h, é preciso estar dormindo às 22h, justamente quando o relógio biológico do adolescente tende a empurrar o sono para mais tarde. As fontes usadas aqui não fazem recomendação sobre horário escolar.

Entre as medidas gerais de higiene do sono, a SBP lista manter horários regulares para dormir e acordar também nos fins de semana e evitar telas pelo menos 1 hora antes de dormir.

E os idosos?#

Aqui as fontes não se sobrepõem. O consenso de adultos da AASM foi limitado a pessoas de 18 a 60 anos e não traz número para quem tem mais idade. A National Sleep Foundation é a única das três com faixa específica: 7 a 8 horas a partir dos 65 anos, um pouco mais estreita que os 7 a 9 horas dos adultos mais jovens.

Sinais de que o sono não está bastando#

Os consensos associam o sono abaixo da faixa a efeitos que aparecem no dia seguinte, e são eles que costumam servir de pista:

  • em adultos, a AASM associa dormir menos de 7 horas de forma regular a pior desempenho, mais erros e maior risco de acidentes;
  • em crianças e adolescentes, o consenso pediátrico associa o sono regularmente abaixo da faixa a problemas de atenção, de comportamento e de aprendizagem;
  • em crianças acima de 5 anos, a necessidade de cochilar pode indicar falta de sono noturno, segundo a SBP.

O excesso também aparece nos documentos. Para crianças, a AASM registra que dormir regularmente mais que o recomendado pode estar associado a problemas como pressão alta, diabetes, obesidade e problemas de saúde mental. Para adultos, dormir mais de 9 horas pode ser adequado para adultos jovens, para quem está recuperando sono atrasado e para quem está doente; para os demais, o consenso diz que não se sabe se há risco.

Esses achados vêm de estudos de associação. Eles não provam que dormir uma hora a menos causa, sozinho, cada um desses problemas.

Quando procurar atendimento#

As duas declarações da AASM terminam com a mesma orientação: quem se preocupa por dormir de menos ou demais deve conversar com um profissional de saúde, e pais preocupados com o sono do filho devem procurar avaliação para um possível distúrbio do sono. Vale marcar consulta quando:

  • há ronco alto com pausas na respiração percebidas por outra pessoa. Os sinais e os exames estão no texto sobre apneia do sono;
  • a sonolência durante o dia atrapalha o trabalho, a escola ou a direção, mesmo com horas de cama que parecem suficientes;
  • a dificuldade para pegar no sono ou para manter o sono se repete por semanas. O tratamento de primeira linha da insônia está no texto sobre quando não se consegue dormir;
  • a criança dorme muito fora da faixa da idade de forma regular, ou tem sono agitado, despertares frequentes e cansaço durante o dia.

Antes de recorrer a suplemento por conta própria para "dormir mais", vale ler o que a evidência diz sobre melatonina e higiene do sono.

Este texto é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.

Perguntas frequentes

Meu filho dorme um pouco menos do que a faixa da tabela. Isso é um problema?

Não necessariamente. A faixa da Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) descreve o que se associa a melhor saúde na população, e o próprio documento lembra que a necessidade de sono varia por fatores genéticos, comportamentais, médicos e ambientais. O que pede atenção é o padrão regular fora da faixa somado a sinais como dificuldade de atenção, de comportamento ou de aprendizado, que o consenso associa ao sono insuficiente. Quando houver preocupação, a AASM orienta os pais a conversar com o profissional de saúde da criança.

Dormir mais de 9 horas faz mal para adulto?

O consenso da AASM com a Sleep Research Society diz que dormir mais de 9 horas por noite de forma regular pode ser adequado para adultos jovens, para quem está recuperando sono atrasado e para pessoas doentes. Para os demais, os autores registram que não se sabe se isso está associado a risco à saúde. Quem acha que dorme demais ou de menos deve conversar com um profissional de saúde.

Idoso precisa dormir menos?

O consenso de adultos da AASM cobriu apenas pessoas de 18 a 60 anos, então não traz número para idosos. A National Sleep Foundation, em consenso publicado na revista Sleep Health em 2015, recomenda 7 a 8 horas para quem tem 65 anos ou mais, contra 7 a 9 horas para adultos mais novos.

Até que idade é normal a criança cochilar?

Segundo o documento de Higiene do Sono da Sociedade Brasileira de Pediatria (2021), o sono diurno diminui a partir dos 2 anos e, até os 5 anos, essa necessidade deve ter desaparecido. Depois dessa idade, o documento orienta avaliar se o cochilo indica falta de sono à noite. A OMS, para crianças de 3 e 4 anos, fala em 10 a 13 horas de sono que podem incluir um cochilo.

Por que cada tabela de sono traz números um pouco diferentes?

Porque são consensos de grupos diferentes, com recortes de idade diferentes. A AASM usa, por exemplo, 6 a 12 anos (9 a 12 horas), e a National Sleep Foundation, 6 a 13 anos (9 a 11 horas). A OMS, na diretriz de 2019 para menores de 5 anos, classificou a qualidade da evidência como muito baixa e registrou que recomendações anteriores vinham de consenso de especialistas. As faixas se sobrepõem bastante; as diferenças estão nas bordas.

Fontes consultadas

  1. 1.Recommended Amount of Sleep for a Healthy Adult: A Joint Consensus Statement of the American Academy of Sleep Medicine and Sleep Research Society — Journal of Clinical Sleep Medicine, 2015 (Watson NF e col., PMID 25979105)
  2. 2.Recommended Amount of Sleep for Pediatric Populations: A Consensus Statement of the American Academy of Sleep Medicine — Journal of Clinical Sleep Medicine, 2016 (Paruthi S e col., PMID 27250809)
  3. 3.National Sleep Foundation's sleep time duration recommendations: methodology and results summary — Sleep Health, 2015 (Hirshkowitz M e col., PMID 29073412)
  4. 4.How much sleep do you need: A 10-year systematic review of National Sleep Foundation's sleep duration recommendations and examination of sex differences — Sleep Health, 2026 (Dzierzewski JM e col., PMID 42248743)
  5. 5.Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age — Organização Mundial da Saúde, 2019
  6. 6.Higiene do Sono: Atualização 2021 (Documento Científico nº 5) — Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico do Sono, 2021
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