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Plano Alimentar

Como Montar um Prato Saudável: as Refeições que o Guia Alimentar Mostra

O Guia Alimentar do Ministério da Saúde não divide o prato em porcentagens. Ele mostra refeições reais de brasileiros: arroz com feijão na base, legume ou verdura no almoço e no jantar, carne vermelha em um terço das refeições e fruta ou doce caseiro de sobremesa. Veja os exemplos e as trocas para o dia a dia.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·9 min de leitura

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Prato branco com arroz, salada de alface, batata e cenoura cozidas e filé de frango grelhado com cebola, ao lado de um copo de suco de laranja; ao fundo, desfocado, um prato com empanados e batata frita
Prato branco com arroz, salada de alface, batata e cenoura cozidas e filé de frango grelhado com cebola, ao lado de um copo de suco de laranja; ao fundo, desfocado, um prato com empanados e batata frita

Pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, um prato saudável não se mede em frações nem em porções. O Guia mostra o que comem os brasileiros que já seguem suas recomendações: no almoço e no jantar, arroz com feijão ou um substituto, pelo menos um legume ou verdura, carne, ovo ou peixe, com a carne vermelha em um terço das refeições, e fruta ou doce caseiro de sobremesa, tudo preparado com pouco óleo e sal. As regras gerais por trás desses exemplos estão no resumo do Guia Alimentar.

Existe uma proporção certa para o prato?#

Não em porcentagens. O Guia avisa que suas refeições de exemplo não destacam a quantidade de cada alimento nem o total de calorias, e que essa omissão é proposital: as necessidades variam muito com idade, sexo, peso, altura e atividade física, e cada pessoa distribui a comida de um jeito ao longo do dia. A forma que o Guia indica para saber se a quantidade está adequada é "o controle do peso corporal (não a contagem de calorias)".

O que ele descreve são padrões das refeições que escolheu como exemplo:

O que o Guia descreveO que isso quer dizer no prato
Arroz com feijão em quase todos os almoços e na grande maioria dos jantaresA combinação de um cereal com uma leguminosa é a base da refeição
Pelo menos um legume ou verdura em todos os almoços e jantaresLegume ou verdura entra nas duas refeições principais, cru, cozido ou refogado
Carne de boi ou de porco em apenas um terço das refeiçõesNas outras, frango, peixe, ovos ou preparações de legumes
Frutas e doces caseiros alternados na sobremesaFruta inteira é a sobremesa de todo dia; doce caseiro, de vez em quando
Queijo na polenta e compota de jenipapo na sobremesaAlimentos processados entram como ingrediente ou acompanhamento, sem substituir a comida

A única proporção entre alimentos que aparece no Guia é a da "tradicional mistura de duas partes de arroz para uma de feijão". Ela é citada como referência, ao comparar as calorias de ultraprocessados com as da comida caseira, e não como regra de prato. O Guia também lembra que, entre os brasileiros que comem desse jeito, café da manhã, almoço e jantar fornecem cerca de 90% das calorias do dia.

Como é o almoço e o jantar no Guia?#

O Guia apresenta oito almoços e oito jantares de brasileiros que tiram pelo menos 85% das calorias do dia de alimentos in natura ou minimamente processados e de preparações feitas com eles. Alguns exemplos, como aparecem no Guia:

AlmoçoJantar
Arroz, feijão, coxa de frango assada, beterraba e polenta com queijoArroz, feijão, fígado bovino e abobrinha refogada
Arroz, feijão, omelete e jiló refogadoSalada de folhas, arroz, feijão, ovo e maçã
Feijoada, arroz, vinagrete de cebola e tomate, farofa, couve refogada e laranjaSopa de legumes, farinha de mandioca e açaí
Alface, arroz, lentilha, pernil, batata, repolho e abacaxiSalada de folhas, macarrão e galeto
Alface, tomate, feijão, farinha de mandioca, peixe e cocadaArroz, feijão, peito de frango, abóbora com quiabo e compota de jenipapo
Arroz, feijão, angu, abóbora, quiabo e mamãoArroz, feijão, carne moída com legumes

O Guia avisa que esses exemplos não são cardápios fixos. Eles mostram combinações que se multiplicam com trocas dentro do mesmo grupo:

  • Leguminosas: feijão preto, carioca, branco, fradinho, de corda, ou lentilha, grão-de-bico e ervilha. O feijão também vai bem com farinha de mandioca, no tutu e no feijão-tropeiro, ou em sopas e saladas.
  • Cereais, raízes e farinhas: arroz, milho (angu, polenta, cuscuz), macarrão, farinha de mandioca, batata, mandioca, cará, inhame. Batata pode virar mandioca ou cará.
  • Legumes e verduras: alface, tomate, couve, repolho, abóbora, beterraba, quiabo, berinjela, jiló, abobrinha. Quiabo pode virar jiló ou abóbora.
  • Carnes e ovos: frango, peixe e ovos são os substitutos da carne vermelha que o Guia destaca, ao lado de preparações de legumes.

Para os cereais, o Guia recomenda preferir as versões menos processadas, como o arroz integral e a farinha de trigo integral, e cita o arroz parboilizado como boa alternativa. Combinados ao feijão, diz o Guia, os cereais formam uma fonte de proteína de excelente qualidade. O feijão também é fonte de fibras, e o papel delas no intestino está no texto sobre alimentos ricos em fibras.

Como preparar sem pesar no óleo e no sal?#

O Guia dá orientações de cozinha, grupo por grupo:

  • Feijão: use o óleo de sua preferência, mas na menor quantidade possível, e o mínimo de sal. Para compensar, capriche em cebola, alho, louro, salsinha, cebolinha, pimenta e coentro, e cozinhe o feijão com cenoura ou vagem. Os temperos também ajudam a dispensar as carnes salgadas.
  • Saladas: o limão ajuda a reduzir o sal e o óleo.
  • Raízes e tubérculos: cozidos ou assados, porque, fritos, absorvem muito óleo.
  • Carnes: cortes com mais gordura, como coxa, sobrecoxa e asa, vão melhor assados ou grelhados. Frango e outras aves, sem a pele, onde se concentra a gordura. Tomilho, sálvia e alecrim reduzem a necessidade de sal.

Esses temperos naturais, lembra o Guia, pertencem ao grupo dos legumes e verduras. Para quem quer saber de onde vem o sódio que não passa pelo saleiro, o texto sobre sal e sódio mostra o limite da OMS e como ler o rótulo.

Verduras e frutas comidas cruas, ou com casca, precisam ser higienizadas antes. O Guia orienta lavar em água corrente e deixar de molho em solução de hipoclorito de sódio, no tempo indicado no rótulo, e avisa que o vinagre não elimina os micro-organismos com a mesma eficácia. O passo a passo está no texto sobre como higienizar frutas, verduras e legumes.

E o café da manhã?#

Nos oito cafés da manhã de exemplo do Guia, fruta e café com leite são presenças constantes. Em um deles, a fruta é trocada pelo suco de laranja; em outro, o café vem puro. O que muda de casa para casa é o acompanhamento, e aí entram as preferências regionais:

  • café com leite, tapioca e banana;
  • leite, cuscuz, ovo e banana;
  • café com leite, bolo de milho e melão;
  • café, pão integral com queijo e ameixa;
  • café com leite, pão de queijo e mamão.

Pão e queijo aparecem em alguns exemplos para mostrar como alimentos processados podem acompanhar uma refeição baseada em comida in natura. No café e no chá, o Guia recomenda não adicionar açúcar ou reduzir ao mínimo; o texto sobre quanto açúcar um adulto pode consumir explica o limite da OMS.

Mesa com toalha estampada em azul e roxo e pratos brancos com mamão aberto ao meio, fatias de pão, ovos mexidos e dois pãezinhos enrolados, ao lado de uma xícara de café com leite
Fruta e café com leite estão em quase todos os cafés da manhã de exemplo do Guia. Pão e queijo aparecem em alguns, como alimentos processados que acompanham a refeição. · Foto: Unsplash

E os lanches?#

O Guia não obriga ninguém a fazer lanches. Diz que algumas pessoas sentem necessidade ou têm o hábito, e que crianças e adolescentes, por estarem crescendo, costumam precisar. Quando houver lanche, as opções sugeridas são frutas frescas ou secas, leite, iogurte natural e castanhas ou nozes, que têm muitos nutrientes, saciam e são fáceis de levar. O conselho prático é planejar: quem passa o dia no trabalho ou na escola deve levar o lanche de casa para não depender do que estiver à venda.

Como servir e comer?#

O prato também depende de como se come. O Guia sugere:

  • começar por uma salada, sopa ou caldo, o que dá ao organismo tempo para sinalizar que já comeu o suficiente;
  • servir-se uma vez só ou, pelo menos, esperar um pouco antes de repetir, porque a segunda porção frequentemente passa da necessidade;
  • mastigar mais vezes e comer devagar, sem TV ligada nem celular sobre a mesa;
  • deixar bufês livres, com segunda e terceira porções sem custo, para ocasiões especiais.

Para beber, o Guia diz que a água pura é "a melhor opção para a ingestão de líquidos", como detalha o texto sobre quanta água beber.

Como adaptar à rotina?#

SituaçãoO que o Guia e o protocolo do Ministério da Saúde sugerem
Pouco tempoCozinhar o feijão em quantidade e congelar em porções; preferir sopas, omeletes e arroz com legumes nos dias corridos; deixar as verduras higienizadas e secas para a semana
Feijão demoradoDeixar de molho antes de cozinhar (o protocolo fala em 6 a 12 horas), descartar a água do molho e usar panela de pressão; lentilha e ervilha dispensam molho e pressão
Comer foraRestaurante a quilo, prato feito ou refeitório que serve comida feita na hora; restaurantes populares; marmita feita em casa. O Guia considera as redes de fast-food lugares "particularmente inapropriados" para comer
Orçamento curtoBasear o prato em arroz, feijão, batata e mandioca, que custam menos, e comprar legumes, verduras e frutas da safra em feiras e sacolões
Não gosta de feijãoVariar o tipo de feijão ou trocar por lentilha e grão-de-bico
Não gosta de verduraMudar a forma de preparo: omelete com legumes, arroz com legumes, tortas, sopas, purês
Não come carneO Guia diz que nenhum grupo de alimentos é absolutamente imprescindível, mas que cada restrição pede mais atenção às combinações e, quanto mais restrições, eventualmente acompanhamento de nutricionista

Quem divide as tarefas de planejar, comprar, cozinhar e limpar com o resto da casa também ganha tempo; o Guia insiste que esse trabalho não pese sobre uma pessoa só.

Quando procurar atendimento#

Montar o prato do dia a dia não exige consulta. Procure a unidade básica de saúde se:

  • você tem diabetes, pressão alta, doença nos rins ou outra condição em que a alimentação faz parte do tratamento: o Guia diz que, nesses casos, é imprescindível que nutricionistas adaptem as recomendações;
  • segue uma alimentação com muitas restrições, como a vegetariana estrita;
  • vai alimentar uma criança menor de 2 anos, que tem orientações próprias do Ministério da Saúde;
  • está com dificuldade para comprar comida: o protocolo do Ministério da Saúde orienta os profissionais a buscar a assistência social, e muitos municípios têm restaurantes populares e cozinhas comunitárias com refeições a preço reduzido.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Quem segue uma dieta prescrita deve manter o plano combinado com a equipe de saúde.

Perguntas frequentes

Qual a proporção certa de arroz e feijão no prato?

O Guia Alimentar para a População Brasileira não prescreve uma proporção. Ele cita a 'tradicional mistura de duas partes de arroz para uma de feijão' como referência ao comparar calorias com as de alimentos ultraprocessados, e não como regra. A quantidade de cada alimento, segundo o Guia, depende de idade, sexo, peso, altura e atividade física, e o acompanhamento do peso corporal, e não a contagem de calorias, mostra se ela está adequada.

Quantas vezes por semana posso comer carne vermelha?

O Guia Alimentar do Ministério da Saúde não fixa um número. Nos almoços e jantares que ele usa como exemplo, carne de boi ou de porco aparece em apenas um terço das refeições, com preferência por cortes magros, grelhados ou assados. Nas outras, entram frango, peixe, ovos ou preparações de legumes. O Guia afirma que há evidências convincentes de que o consumo excessivo de carnes vermelhas pode aumentar o risco de câncer de intestino.

Preciso comer salada no almoço e no jantar?

Precisa de legumes ou verduras, que não precisam ser crus. O protocolo de 2021 do Ministério da Saúde para a atenção primária orienta o consumo diário de legumes e verduras no almoço e no jantar, acompanhando o arroz com feijão. No Guia Alimentar, eles aparecem em todos os almoços e jantares de exemplo, em saladas, cozidos, refogados ou em sopas.

Posso trocar o arroz por outro alimento?

Pode. Os exemplos do Guia Alimentar para a População Brasileira mostram o feijão acompanhado de farinha de mandioca, como é comum no Norte e no Nordeste, e refeições com macarrão, angu, polenta, mandioca de forno ou sopa de legumes. O Guia também sugere trocas dentro do mesmo grupo, como batata por mandioca ou cará e feijão por lentilha ou grão-de-bico.

Suco natural substitui a fruta?

Não completamente. O Guia Alimentar do Ministério da Saúde diz que, no preparo do suco, fibras e muitos nutrientes podem se perder, e que o poder de saciedade é sempre menor que o da fruta inteira. Por isso recomenda consumir as frutas inteiras. O protocolo de 2021 acrescenta que, se a pessoa optar pelo suco natural, ele deve ser feito sem açúcar ou com o mínimo possível.

O que comer no lanche entre as refeições?

O Guia Alimentar para a População Brasileira sugere frutas frescas ou secas, leite, iogurte natural e castanhas ou nozes, porque têm muitos nutrientes, saciam e são fáceis de levar. O Guia lembra que nem todo mundo precisa de lanches, mas que crianças e adolescentes, em fase de crescimento, costumam precisar. Para quem passa o dia fora, a orientação é planejar e levar o lanche de casa.

Fontes consultadas

  1. 1.Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª edição (2014): capítulo 3, Dos alimentos à refeição, e capítulos 4 e 5 — Ministério da Saúde
  2. 2.Fascículo 1: Protocolos de uso do Guia Alimentar para a População Brasileira na orientação alimentar, protocolo para a população adulta (2021) — Ministério da Saúde e Universidade de São Paulo
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