Whey Protein: O Que é, Quem Precisa e o Que a Anvisa Permite
Whey é a proteína do soro do leite, o líquido que sobra na fabricação do queijo. Pela Anvisa, o suplemento de proteína para adultos deve fornecer pelo menos 8,4 g por dia e não pode prometer massa muscular. Numa análise de 49 estudos com musculação, os suplementos de proteína somaram, em média, 0,3 kg de massa magra ao que o treino já dava.
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Whey protein é a proteína do soro do leite, o líquido que sobra quando o leite coagula na fabricação do queijo. Vendido em pó, é um suplemento alimentar: pela Anvisa, a versão para adultos precisa fornecer pelo menos 8,4 g de proteína na quantidade diária indicada no rótulo e não pode prometer ganho de massa muscular. A maioria das pessoas consegue a proteína de que precisa com a comida. Para quem treina força, a evidência mostra um ganho real, mas pequeno perto do que o próprio treino faz.
O que segue é o que dizem as normas da Anvisa, o Ministério da Saúde e os estudos. Este texto não indica quantidade para ninguém: se você precisa de suplemento, e quanto, é uma decisão do profissional de saúde.
O que é whey protein?#
"Whey" quer dizer soro, em inglês. O regulamento técnico do Ministério da Agricultura define o soro de leite como o produto lácteo líquido extraído da coagulação do leite na fabricação de queijos, caseína e produtos parecidos. Pela mesma norma, a proteína do soro pode ser concentrada por ultrafiltração, e o soro também é comercializado em pó.
Na lista de ingredientes autorizados para suplementos, o Anexo I da Instrução Normativa (IN) 28/2018 da Anvisa, o soro aparece em formas como proteína de soro do leite concentrada, isolada e hidrolisada, soro do leite, soro do leite reduzido de lactose e soro do leite reduzido de minerais. A mesma lista traz outras fontes de proteína, como caseína, proteína de soja, de arroz e de trigo e colágeno hidrolisado.
Um detalhe que a embalagem nem sempre deixa claro: segundo o documento de perguntas e respostas da Anvisa, o fabricante pode misturar fontes de proteína para atingir a quantidade mínima. A agência dá o exemplo de um produto com 90% de proteína do soro, 5% de espirulina e 5% de colágeno. A lista de ingredientes mostra o que há no pote.
O que a Anvisa exige de um suplemento de whey?#
As regras gerais estão no texto sobre o que a Anvisa permite em suplementos alimentares. Para os suplementos de proteína, a RDC 243/2018, a IN 28/2018 e o documento de perguntas e respostas da Anvisa (9ª edição, de janeiro de 2025) dizem o seguinte:
| Ponto | O que a norma diz |
|---|---|
| Para quem | Pessoas saudáveis: a RDC 243 define suplemento como produto para complementar a alimentação de indivíduos saudáveis |
| Quantidade mínima | Pelo menos 8,4 g de proteína na recomendação diária para adultos a partir de 19 anos (Anexo III da IN 28) |
| Mistura de fontes | Permitida: o mínimo pode ser atingido somando proteína do soro, colágeno, espirulina e outras fontes autorizadas |
| Crianças pequenas | Suplemento de proteína não é autorizado para crianças de até 3 anos |
| Público no rótulo | Pode acrescentar "atletas", "idosos" ou "praticantes de atividade física", mas os limites seguem os de adultos |
| Lactose | Acima de 100 mg por 100 g, o rótulo deve dizer "CONTÉM LACTOSE"; "sem lactose" só com até 100 mg na recomendação diária e por 100 g |
| Cálcio do soro | Conta no cálculo dos limites, mas o produto não pode alegar efeito do cálcio se não for vendido como suplemento de cálcio |
Esses números são piso e teto para o fabricante, e não a quantidade que você deve consumir. Para conferir o número de notificação e ler a recomendação de uso, veja o guia sobre como ler o rótulo de um suplemento alimentar.
Quais alegações o rótulo pode fazer?#
Alegação é opcional. Pela IN 28, um suplemento de proteína só pode dizer "Fonte de proteínas" ou "As proteínas auxiliam na formação dos músculos e ossos" se cumprir duas condições: fornecer a quantidade mínima de proteína e ter, por grama de proteína, pelo menos a quantidade de aminoácidos essenciais da proteína de referência do Anexo VII da norma. Para "alto teor" ou "rico em proteínas", a exigência sobe para o dobro do mínimo. A Anvisa explica que esse perfil de aminoácidos não é cobrado para vender o suplemento, só para usar as alegações.
Repare na diferença entre as duas frases. "Auxiliam na formação dos músculos" descreve o papel da proteína no corpo. "Ganho de massa muscular" promete um resultado, e a Anvisa o inclui entre as alegações proibidas para suplementos, na página sobre propaganda enganosa. No documento de perguntas e respostas, a agência explica que expressões como "hipertrofia muscular", "massa muscular" e "queima de gordura" só poderiam aparecer se a alegação correspondente fosse aprovada e entrasse na lista. E o artigo 17 da RDC 243 proíbe o rótulo de sugerir que a alimentação não é capaz de fornecer o que o corpo precisa ou que o produto é superior aos alimentos comuns.
Quem pode se beneficiar, segundo a evidência?#
Nas perguntas frequentes sobre suplementos, a Anvisa diz que eles são destinados a pessoas saudáveis "como uma opção para complementação nutricional, no caso de dietas restritivas, alterações metabólicas, atividade física intensa, entre outros". Quem tem doença ou uma condição específica deve procurar um profissional habilitado antes.
Para quem treina, a melhor resposta vem de uma revisão publicada em 2018 no British Journal of Sports Medicine. Ela reuniu 49 ensaios clínicos, com 1.863 adultos saudáveis que faziam musculação por pelo menos seis semanas, comparando quem tomou suplemento de proteína com quem não tomou:
- Massa magra: o treino sozinho aumentou, em média, 1,1 kg. O suplemento acrescentou 0,3 kg.
- Força: no teste de carga máxima, o treino rendeu 27 kg, em média. A proteína acrescentou 2,5 kg, cerca de 9%. Os autores concluem que o treino é um estímulo "muito mais potente" para a força do que o suplemento.
- Quem treina há mais tempo teve mais benefício na massa magra. Com a idade, o efeito diminuiu.
- Detalhes como horário, quantidade depois do treino e tipo de proteína tiveram papel pequeno, se algum.
- Teto: quando a proteína total do dia, somando comida e suplemento, já era alta, acrescentar mais não trouxe ganho extra de massa magra.
Duas ressalvas acompanham esses números. A revisão só incluiu pessoas que treinavam força, então não mostra benefício para quem toma o suplemento sem treinar. E um dos autores declarou ter recebido apoio do conselho nacional de laticínios dos Estados Unidos, que financiou estudos incluídos na análise. Sobre os mais velhos, os próprios autores dizem que havia poucos estudos e que neles se usava pouca proteína, o que limita a conclusão.
Quem pode tirar algum proveito é a pessoa saudável que treina força com regularidade e não consegue, com a comida, a proteína que o profissional indicou. Para começar pelo que mais funciona, veja o texto sobre treino de força para iniciantes.
Por que a maioria das pessoas tira a proteína da comida?#
Porque a alimentação brasileira, na média, já traz proteína dentro do recomendado. Na Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018, do IBGE, a proteína respondeu por 17% a 19% das calorias consumidas, valores que o instituto considerou compatíveis com as recomendações que usou como referência. Na mesma pesquisa, só 1,7% das pessoas de 10 anos ou mais disseram ter usado suplemento de proteína, creatina ou outro produto para atletas no mês anterior.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, mostra de onde vem essa proteína. Alimentos de origem animal são boas fontes, e os ovos, como as carnes e os peixes, são "ricos em proteínas de alta qualidade". Leite, iogurte natural e queijos também são ricos em proteína, e o feijão, como as demais leguminosas, é fonte de proteína, fibras e minerais. O Guia lembra que misturar cereais com leguminosas, como no arroz com feijão, combina alimentos que se completam do ponto de vista nutricional. E registra que os brasileiros cuja alimentação se baseia em alimentos in natura ou minimamente processados se aproximam das recomendações da Organização Mundial da Saúde para proteína.
O Guia não fala de suplementos de proteína, mas faz uma observação útil: entre os ingredientes de uso industrial típicos dos ultraprocessados, ele cita as proteínas do leite e os isolados proteicos. A Anvisa vai na mesma linha: no documento de perguntas e respostas, diz que o papel do suplemento "é de complementar a alimentação e não de substituir a alimentação saudável" e que o consumidor deve ser encorajado a escolher uma dieta balanceada antes de considerar qualquer suplementação. O texto sobre como montar um prato saudável mostra como garantir proteína nas refeições.
Quais cuidados antes de usar?#
- Lactose. O whey vem do leite. Quem tem intolerância à lactose deve procurar no rótulo a advertência "CONTÉM LACTOSE" ou a alegação "sem lactose", que só vale com até 100 mg na recomendação diária.
- Alergia ao leite. Proteína do soro é proteína do leite. Quem tem alergia ao leite não deve usar produtos à base de soro. A Anvisa lembra que o rótulo deve informar a presença de alimentos alergênicos.
- Doença nos rins. As diretrizes do Ministério da Saúde para a doença renal crônica no SUS recomendam, nos estágios mais avançados, reduzir a proteína da dieta com orientação nutricional. Quem tem doença renal deve conversar com o médico antes de qualquer suplemento de proteína.
- Doenças crônicas, gravidez e crianças. A Anvisa recomenda que pessoas com doenças ou outras situações específicas de saúde só usem suplementos com orientação de um profissional habilitado, porque os limites da norma foram calculados para pessoas saudáveis. Para crianças, gestantes e lactantes, considerados mais vulneráveis, os ingredientes autorizados e os limites são diferentes.
- Produto irregular. Confira o número de notificação no portal da Anvisa e desconfie de promessa de músculo rápido, emagrecimento ou "efeito anabolizante".
Quando procurar atendimento#
Converse com o médico, o nutricionista ou a equipe da unidade básica de saúde antes de começar se você:
- tem doença nos rins, outra doença crônica ou usa remédio todos os dias;
- está grávida ou amamentando, ou pensa em dar suplemento a uma criança ou a um adolescente;
- está comendo pouco, perdeu peso sem querer ou perdeu força, o que pede avaliação, e não suplemento por conta própria;
- teve qualquer reação depois de usar o produto.
Se surgirem falta de ar, inchaço no rosto ou na garganta ou desmaio depois de consumir um suplemento, procure atendimento de urgência ou ligue para o Samu (192).
Este texto é informativo e não substitui a consulta. A indicação de suplemento, o tipo e a quantidade cabem ao profissional de saúde que acompanha você.
Perguntas frequentes
Preciso tomar whey se faço musculação?
Não necessariamente. Numa análise de 49 estudos publicada no British Journal of Sports Medicine, o treino de força sozinho aumentou a massa magra em 1,1 kg, em média, e o suplemento de proteína acrescentou 0,3 kg. Quando a proteína total do dia já era alta, somar mais não trouxe ganho extra. Se a sua alimentação dá conta, o treino é o que mais pesa. Quem decide se falta proteína é o profissional de saúde.
Whey isolado, concentrado ou hidrolisado: qual é melhor?
As três formas, proteína de soro do leite concentrada, isolada e hidrolisada, estão na lista de ingredientes autorizados da Instrução Normativa 28/2018 da Anvisa, e a norma não coloca uma acima da outra. Na análise de 49 estudos do British Journal of Sports Medicine, detalhes como o tipo de proteína e o horário de consumo tiveram papel pequeno, se algum. Para quem tem intolerância à lactose, o que decide é o rótulo.
Quem tem intolerância à lactose pode tomar whey?
Depende do produto. Segundo o documento de perguntas e respostas da Anvisa, o suplemento com mais de 100 mg de lactose por 100 g deve trazer a advertência CONTÉM LACTOSE, e a frase "sem lactose" só é permitida com até 100 mg na recomendação diária e até 100 mg por 100 g. A lista da Anvisa inclui o soro do leite reduzido de lactose. Leia o rótulo e converse com quem acompanha o seu caso.
Whey faz mal para os rins?
Quem tem doença renal crônica precisa de orientação antes de usar. As diretrizes do Ministério da Saúde para o cuidado da doença renal crônica no SUS recomendam, nos estágios mais avançados, reduzir a proteína da dieta com acompanhamento nutricional, e ajustar a quantidade ao estado nutricional de quem faz diálise. Nesses casos, um suplemento de proteína por conta própria vai contra o tratamento. Converse com o médico.
Idoso pode tomar whey?
O rótulo pode indicar o produto para idosos, mas, segundo a Anvisa, os limites são os de adultos a partir de 19 anos. Na análise de 49 estudos do British Journal of Sports Medicine, o efeito do suplemento sobre a massa magra diminuiu com a idade, e os autores lembram que havia poucos estudos com pessoas mais velhas. Para quem come pouco ou perdeu peso, o caso pede avaliação do médico ou do nutricionista.
Fontes consultadas
- 1.Resolução RDC nº 243, de 26 de julho de 2018: requisitos sanitários dos suplementos alimentares (arts. 3º e 17) — Anvisa, via Saúde Legis (Ministério da Saúde)
- 2.Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018: listas de constituintes, limites de uso e alegações (Anexos I, III, V e VII) — Anvisa, via Saúde Legis (Ministério da Saúde)
- 3.Perguntas e Respostas sobre Suplementos Alimentares, 9ª edição (16 de janeiro de 2025): perguntas 21, 48 a 50, 84, 103, 104, 110, 113 e 118 — Anvisa, Gerência-Geral de Alimentos
- 4.Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª edição (2014) — Ministério da Saúde
- 5.Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: análise do consumo alimentar pessoal no Brasil — IBGE, 2020
- 6.A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults (Morton RW e col.) — British Journal of Sports Medicine, 2018, via PubMed Central


