Pular para o conteúdo
Blog com Saúde
Suplemento

Creatina: O Que a Evidência Mostra e o Que a Anvisa Autoriza

A creatina melhora o desempenho em esforços curtos e intensos repetidos e, com musculação, aumenta um pouco a força. No Brasil, o suplemento só pode ser indicado a adultos, com 3 g a 5 g de creatina na recomendação diária do rótulo desde 2025, e ganhou em 2026 uma alegação para maiores de 55 anos que treinam. Veja o grau de evidência, os mitos e quem deve evitar.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

Texto produzido com inteligência artificial

Revisão técnica

Sem revisão profissional

Como este texto foi produzido

Publicado em ·8 min de leitura

Tamanho do texto
Medidor plástico cinza cheio de pó branco, visto de cima, apoiado sobre um monte do mesmo pó
Medidor plástico cinza cheio de pó branco, visto de cima, apoiado sobre um monte do mesmo pó

A creatina tem efeito comprovado em uma situação específica: esforços curtos, intensos e repetidos, como tiros de corrida e séries de musculação. Junto com o treino de força, ela aumenta um pouco a força, inclusive depois dos 55 anos, mas não melhora provas longas de resistência. No Brasil, a Anvisa só autoriza o suplemento para adultos a partir de 19 anos, com 3 g a 5 g de creatina na recomendação diária do rótulo, e exige o aviso de que ele não deve ser consumido por gestantes, lactantes e crianças.

Este texto mostra o que diz a norma e o que dizem os estudos. Ele não indica quantidade para ninguém: os números da Anvisa são limites para o fabricante, e o uso, se fizer sentido, deve ser combinado com um profissional de saúde.

O que é creatina?#

É um composto que o próprio corpo produz e que também vem da comida, principalmente de carne vermelha e frutos do mar. Segundo a posição de 2017 da International Society of Sports Nutrition (ISSN), cerca de 95% da creatina do corpo fica nos músculos, onde ajuda a repor energia rapidamente durante esforços intensos. Mais ou menos metade do que o corpo usa por dia vem da dieta, e o restante é fabricado sobretudo no fígado e nos rins. Vegetarianos costumam ter estoques menores nos músculos.

Como suplemento, a forma autorizada pela Anvisa é a creatina monohidratada, listada no Anexo I da Instrução Normativa (IN) 28/2018. As regras gerais da categoria estão no texto sobre o que a Anvisa permite em suplementos alimentares.

O que a Anvisa autoriza?#

A regra da creatina mudou duas vezes desde 2025. O quadro junta a IN 28/2018 com as alterações publicadas no Diário Oficial:

PontoO que a norma diz
Para quemSó adultos a partir de 19 anos. Para crianças, adolescentes, gestantes e lactantes, a creatina não é autorizada
Quantidade mínima3.000 mg (3 g) de creatina na recomendação diária do rótulo (Anexo III da IN 28)
Quantidade máxima5.000 mg (5 g) desde a retificação da IN 373/2025, publicada em 17 de junho de 2025. Antes, o máximo também era 3 g
Advertência obrigatória"Este produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes e crianças" (Anexo VI da IN 28)
Alegação de 2018"A creatina auxilia no aumento do desempenho físico durante exercícios repetidos de curta duração e alta intensidade"
Alegação de 2026"O consumo diário de creatina associado ao treino de resistência regular pode aumentar o efeito do treinamento de resistência na força muscular em adultos com mais de 55 anos" (IN 470/2026)

As alegações só valem para produtos dentro dos limites mínimo e máximo. E a advertência aparece mesmo quando o rótulo não faz alegação nenhuma: segundo o documento de perguntas e respostas da Anvisa, os avisos do Anexo VI são obrigatórios sempre que o ingrediente está na fórmula.

Por que o teto mudou? No voto do diretor relator que embasou a alteração, em junho de 2025, a Anvisa explicou que exigir exatamente 3 g, sem margem, dificultava garantir o teor até o fim da validade. O voto cita estudos clínicos e metanálises que indicam segurança da faixa de até 5 g para adultos saudáveis e manteve as restrições para gestantes, lactantes e menores de 19 anos. Nada disso transforma 5 g em recomendação: é o teto do produto.

Para conferir o número de notificação, a recomendação de uso e as advertências na embalagem, veja o guia sobre como ler o rótulo de um suplemento alimentar.

O que a evidência mostra?#

O grau de evidência muda conforme o objetivo:

ObjetivoO que os estudos mostramForça da evidência
Esforços curtos, intensos e repetidosMelhora o desempenho, segundo a posição da ISSN e de outras entidades de nutrição e medicina esportiva. É a base da alegação aprovada pela Anvisa em 2018Consolidada: no voto de 2025, a Anvisa descreve esse efeito como "bem estabelecido"
Força com musculação, adultos com menos de 50 anosMetanálise de 2024 com 23 estudos: mais força nos membros superiores e inferiores do que com placeboConsistente em homens; poucos estudos com mulheres, sem ganho significativo nelas
Força com musculação, 60 anos ou maisMetanálise de 2026 com 11 ensaios: ganho pequeno de força em relação ao treino sozinhoCerteza moderada para força, baixa para massa muscular e muito baixa para funcionalidade
Provas longas de resistênciaMetanálise de 2023 com 13 estudos em atletas treinados: nenhum efeito no desempenhoEnsaios controlados com placebo, resultado nulo

Três leituras ajudam a não exagerar. A primeira: o efeito depende do treino. A metanálise de 2026 com pessoas de 60 anos ou mais comparou creatina com treino contra treino sozinho, e a alegação aprovada pela Anvisa para maiores de 55 anos fala em "treino de resistência regular". A segunda: os autores dessa metanálise avisam que o resultado vale para idosos em geral saudáveis e não deve ser estendido a pessoas frágeis ou com sarcopenia. A terceira: boa parte da pesquisa sobre creatina vem de grupos ligados à indústria. Os autores da posição da ISSN declararam consultorias e financiamento de empresas que vendem creatina, e um dos autores da metanálise de 2024 integra conselhos científicos de fabricantes.

Homem idoso de barba branca e camiseta amarela sentado num aparelho de musculação para pernas, ouvindo as orientações de um profissional de camisa listrada
Nos estudos com pessoas de 60 anos ou mais, o ganho de força apareceu quando a creatina foi somada ao treino de força. A alegação aprovada pela Anvisa em 2026 também exige treino regular. · Foto: Unsplash

Para quem quer força em qualquer idade, o ponto de partida é o exercício. O texto sobre treino de força para iniciantes mostra quantas vezes por semana treinar, e o de musculação para mulheres explica o que a evidência diz para elas.

Creatina faz mal aos rins? E os outros mitos?#

Rins. A preocupação vem, em parte, de uma confusão com a creatinina, substância que a creatina vira no músculo e que o exame de sangue usa para estimar a função dos rins. Uma metanálise de 2026 publicada no Journal of Renal Nutrition reuniu 19 ensaios clínicos e um estudo cruzado: a creatina aumentou a creatinina do sangue em 0,13 mg/dL, em média, sem diferença na ureia nem na taxa de filtração estimada. Ou seja, a creatinina do exame pode subir sem sinal de piora nos outros indicadores. Os autores lembram que faltam estudos de mais de um ano. Na prática, avise o médico que usa creatina antes de fazer exames; o texto sobre jejum antes do exame de sangue traz outros cuidados com a coleta.

Peso e retenção de líquido. Segundo a ISSN, o ganho de peso é o único efeito colateral relatado de forma consistente, e os primeiros estudos o ligaram a uma retenção de líquido de curto prazo. Uma revisão de 2021 do mesmo grupo concluiu que a creatina não aumenta a gordura corporal. A ISSN também cita estudos controlados em que ela não aumentou a frequência de desidratação ou de cãibras.

Queda de cabelo. A suspeita nasceu de um estudo de 2009 com jogadores de rúgbi em que a di-hidrotestosterona, hormônio ligado à calvície, subiu; o cabelo não foi avaliado. Em 2025, um ensaio de 12 semanas com 38 homens que treinavam mediu o hormônio, a densidade e a espessura dos fios e não encontrou diferença entre creatina e placebo. Parte dos autores presta consultoria a fabricantes, o que eles próprios declaram.

Anabolizante ou doping. A creatina tem estrutura química diferente da dos esteroides anabolizantes, segundo a revisão de 2021. E a RDC 243/2018 proíbe em suplementos as substâncias consideradas doping pela Agência Mundial Antidopagem: se a creatina fosse uma delas, a Anvisa não poderia autorizá-la.

Qualidade do produto. Em abril de 2025, a Anvisa divulgou análises de laboratório de 41 suplementos de creatina: os teores estavam dentro do esperado, mas houve diversas incorreções de rotulagem. Em junho de 2026, a agência suspendeu a venda de lotes de suplementos de uma fabricante, entre eles creatina em pó, depois que testes encontraram problemas como quantidade de ingrediente abaixo do prometido na embalagem e recomendação de uso fora dos limites. Conferir o número da Anvisa no rótulo ajuda a evitar produto irregular.

Quem deve evitar ou só usar com orientação?#

  • Menores de 19 anos, gestantes e lactantes. Pela norma, o suplemento não é autorizado para esses grupos, e o rótulo precisa dizer isso. Sobre a gravidez, a revisão de 2021 registra que não há estudos em humanos.
  • Quem tem doença nos rins. Mesmo a posição da ISSN, favorável ao suplemento, menciona a recomendação de conversar com o médico antes. Converse.
  • Quem tem doença crônica ou usa remédio todos os dias. A Anvisa recomenda que pessoas com doenças ou situações específicas de saúde só usem suplementos com orientação de profissional habilitado, porque os limites foram calculados para pessoas saudáveis.
  • Quem vai fazer exame de sangue. A creatinina pode subir com o suplemento; conte ao médico.

Quando procurar atendimento#

Converse com o médico ou a equipe da unidade básica de saúde antes de começar se você:

  • tem doença nos rins, diabetes, pressão alta ou outra doença crônica;
  • usa remédio de uso contínuo;
  • tem mais de 55 anos e quer começar a treinar e a usar o suplemento, para avaliar o treino adequado;
  • recebeu um resultado de creatinina alterado e usa creatina.

Se alguém passar mal depois de usar um suplemento, com falta de ar, inchaço no rosto ou desmaio, procure atendimento de urgência ou ligue para o Samu (192). Uma criança que engoliu o produto também deve ser levada ao atendimento.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. A decisão de usar suplemento, o tipo e a quantidade cabem ao profissional de saúde que acompanha você.

Perguntas frequentes

Creatina faz mal para os rins?

Em pessoas saudáveis, os estudos controlados não mostram dano. Uma metanálise de 2026 no Journal of Renal Nutrition, com 19 ensaios clínicos e um estudo cruzado, encontrou aumento médio de 0,13 mg/dL na creatinina do sangue, sem diferença na ureia nem na taxa de filtração estimada. Os autores pedem estudos de mais de um ano. Quem tem doença nos rins deve conversar com o médico antes de usar.

Creatina engorda?

Ela pode aumentar o peso, mas não a gordura. Segundo a posição de 2017 da International Society of Sports Nutrition, o ganho de peso é o único efeito colateral relatado de forma consistente, e os primeiros estudos o associaram a retenção de líquido de curto prazo. Uma revisão de 2021 do mesmo grupo de pesquisadores concluiu que ensaios de uma semana a dois anos não mostram aumento da massa de gordura.

Creatina causa queda de cabelo?

A evidência disponível diz que não. A suspeita veio de um estudo de 2009 com jogadores de rúgbi em que um hormônio ligado à calvície, a di-hidrotestosterona, subiu, sem que ninguém medisse o cabelo. Em 2025, um ensaio de 12 semanas publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition mediu o hormônio e os fios e não encontrou diferença em relação ao placebo. Parte dos autores tem vínculo com a indústria.

Adolescente pode tomar creatina?

No Brasil, não. Pela Instrução Normativa 28/2018 da Anvisa, a creatina não é autorizada em suplementos para menores de 19 anos, e o rótulo deve trazer a advertência "Este produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes e crianças". A International Society of Sports Nutrition, entidade com vínculos declarados com a indústria, considera o uso aceitável em adolescentes atletas com supervisão, mas a regra brasileira não permite indicar o suplemento para essa idade.

Quem tem mais de 55 anos se beneficia da creatina?

Desde setembro de 2026, a Anvisa autoriza a alegação de que o consumo diário de creatina, associado ao treino de resistência regular, pode aumentar o efeito desse treino na força muscular em adultos com mais de 55 anos. Uma metanálise de 2026 com 11 ensaios em pessoas de 60 anos ou mais achou ganho pequeno de força, com certeza moderada, e efeito incerto sobre massa muscular e funcionalidade. O benefício estudado e aprovado depende do treino.

Fontes consultadas

  1. 1.Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018: listas de constituintes, limites de uso, alegações e advertências (Anexos I, III, IV, V e VI) — Anvisa, via Saúde Legis (Ministério da Saúde)
  2. 2.Retificação da Instrução Normativa nº 373, de 5 de junho de 2025: limite máximo de creatina para adultos (Anexo III) — Anvisa, Diário Oficial da União, 17/6/2025
  3. 3.Instrução Normativa nº 470, de 16 de setembro de 2026: nova alegação para creatina em adultos com mais de 55 anos (Anexo IV) — Anvisa, Diário Oficial da União, 18/9/2026
  4. 4.International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine (Kreider RB e col.) — Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2017, via PubMed Central
  5. 5.Effects of resistance training combined with creatine supplementation on muscle strength, physical function, and muscle mass in older adults: a systematic review and three-level meta-analysis (Yao L e col.) — Frontiers in Nutrition, 2026, via PubMed Central
  6. 6.The Effect of Creatine Supplementation on Kidney Function: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials (Tsiaras A e col.) — Journal of Renal Nutrition, 2026, via PubMed
Assuntoscreatinasuplemento alimentarAnvisamusculaçãoforça muscularenvelhecimento