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Vacina da Gripe no SUS: Quem Pode Tomar, Quando e Se Está Liberada para Todos

No SUS, a vacina da gripe é de rotina para idosos a partir de 60 anos, gestantes e crianças de 6 meses a menores de 6 anos, e é oferecida a grupos prioritários, como pessoas com doenças crônicas, puérperas, trabalhadores da saúde e professores. Em 2026, a campanha foi de 28 de março a 30 de maio no Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste; no Norte, acontece no segundo semestre.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·9 min de leitura

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Profissional de saúde segura uma seringa entre os dedos e aplica uma vacina no braço de uma pessoa de camiseta azul-marinho, com a manga levantada
Profissional de saúde segura uma seringa entre os dedos e aplica uma vacina no braço de uma pessoa de camiseta azul-marinho, com a manga levantada

No SUS, a vacina da gripe faz parte do calendário de rotina de três grupos: idosos a partir de 60 anos, gestantes e crianças de 6 meses a menores de 6 anos. Além deles, uma lista de grupos prioritários recebe a vacina na campanha anual, entre eles pessoas com doenças crônicas, puérperas, trabalhadores da saúde, professores e caminhoneiros. Quem não está em nenhum desses grupos só consegue a vacina gratuita quando sobram doses e ela é liberada para outros públicos.

Em 2026, a campanha nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste foi de 28 de março a 30 de maio. Na Região Norte, onde o vírus circula em outra época do ano, a vacinação acontece no segundo semestre.

Quem pode tomar a vacina da gripe no SUS?#

A Estratégia de Vacinação contra a Influenza 2026, do Ministério da Saúde, divide o público em dois blocos: a rotina, que segue o Calendário Nacional de Vacinação, e a estratégia especial, para os demais grupos prioritários. A tabela mostra o que o documento pede a cada um na hora de vacinar.

GrupoO que a estratégia de 2026 pede
Idosos a partir de 60 anosDocumento que comprove a idade
Gestantes, em qualquer fase da gravidezBasta informar que está grávida
Crianças de 6 meses a menores de 6 anosDose anual; quem se vacina pela primeira vez recebe 2 doses, com 30 dias de intervalo
Puérperas, até 45 dias depois do partoDocumento que comprove o parto, como a certidão de nascimento, o cartão da gestante ou um papel do hospital
Pessoas com deficiência permanenteA deficiência é autodeclarada
Professores do ensino básico e superior, forças de segurança e salvamento, Forças Armadas, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo rodoviário, portuários e trabalhadores dos CorreiosDocumento que comprove o vínculo ou a função
Trabalhadores da saúde, públicos e privados, incluindo recepção, limpeza, cuidadores de idosos, doulas e estudantes que já atendem pacientesO quadro não cita comprovante; a estratégia orienta vacinar nas próprias unidades de saúde
Povos indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativasTodo o grupo deve receber a vacina
Pessoas com doenças crônicas e outras condições clínicas especiais, em qualquer idadeO documento não especifica comprovante; pergunte na UBS o que é pedido

A partir dos 9 anos, a vacina é de dose única por ano. O esquema de 2 doses vale só para crianças menores de 9 anos que nunca foram vacinadas. Gestantes e puérperas estão entre os grupos com maior risco de gripe grave, segundo a Instrução Normativa do calendário, e a vacina pode ser combinada nas consultas do pré-natal.

Quais doenças crônicas dão direito à vacina?#

O Quadro 1 da estratégia de 2026 lista as condições que entram no grupo prioritário, independentemente da idade:

  • Pulmão: asma moderada ou grave em uso de corticoide inalatório ou sistêmico, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), bronquiectasia, fibrose cística, doenças intersticiais do pulmão, displasia broncopulmonar e hipertensão pulmonar.
  • Coração: doença cardíaca congênita, doença cardíaca isquêmica, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial com outra doença associada.
  • Rins: doença renal nos estágios 3, 4 e 5, síndrome nefrótica e pacientes em diálise.
  • Fígado: atresia biliar, hepatites crônicas e cirrose.
  • Sistema nervoso: condições em que a doença neurológica pode comprometer a respiração, como AVC e paralisias, doenças hereditárias e degenerativas do sistema nervoso ou muscular e deficiência neurológica grave.
  • Diabetes tipo 1 ou tipo 2 em uso de medicamentos.
  • Imunossupressão, congênita ou adquirida, por doença ou por medicamento, e transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea.
  • Obesidade grave, com IMC de 40 ou mais.
  • Trissomias, como a síndrome de Down.

Um detalhe que costuma confundir: pressão alta sozinha não aparece na lista. A estratégia fala em "hipertensão arterial sistêmica com comorbidade". Quem tem 60 anos ou mais, porém, toma a vacina de qualquer forma, porque ela é de rotina para o idoso, como mostra o texto sobre as vacinas do adulto e do idoso no SUS.

Quando é a campanha em 2026?#

Depende da região:

  • Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste: o Dia D de mobilização foi em 28 de março de 2026, e a vacinação dos grupos prioritários foi até 30 de maio. A estratégia permitiu que estados e municípios começassem assim que recebessem as doses.
  • Norte: o governo federal informou que a campanha de 2026 na região seria no segundo semestre, por causa da sazonalidade da doença. No ciclo anterior, a vacinação começou em 3 de novembro de 2025 e foi programada até 28 de fevereiro de 2026, com Dia D em 29 de novembro. O Ministério da Saúde explicou na época que as temperaturas elevadas e a umidade alta da região favorecem a transmissão em meses diferentes, e que a vacina usada no Norte tinha a composição recomendada para o Hemisfério Norte. Até 1º de novembro de 2026, não encontrei o informe técnico com as datas deste ano para a região. Confira com a secretaria de saúde do seu estado.

Fora da campanha, a vacina não some. A Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 diz que, para quem tem indicação de rotina (idosos, gestantes e crianças pequenas), ela fica disponível o ano todo nas salas de vacina da rede pública, e que quem perdeu a dose deve se vacinar ainda durante a temporada.

A vacina está liberada para todo mundo?#

Não por regra. A campanha é desenhada para os grupos prioritários. Nas perguntas frequentes da campanha, o Ministério da Saúde explica que, terminada a vacinação dos grupos prioritários, a vacina pode ser oferecida a quem não faz parte deles, "caso haja doses remanescentes". Na prática, essa ampliação depende das doses que sobram e costuma ser anunciada por estados e municípios, por isso muda de lugar para lugar. Se você tem de 6 a 59 anos e não está em nenhum grupo, pergunte na UBS ou acompanhe os avisos da secretaria de saúde da sua cidade.

Por que tomar todo ano?#

Porque o vírus muda. A composição da vacina é atualizada a cada ano conforme a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Hemisfério Sul. A vacina trivalente de 2026 protege contra três vírus: A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09, A/Singapore/GP20238/2024 (H3N2) e B/Austria/1359417/2021, da linhagem B/Victoria. Por isso, o Ministério da Saúde orienta que quem está nos grupos indicados se vacine de novo mesmo tendo tomado a dose no ano anterior.

A vacina do SUS é inativada: feita com vírus influenza inativados, fragmentados e purificados. Segundo o Ministério da Saúde, ela não pode causar gripe. O que pode acontecer:

  • dor no local da injeção, em 15% a 20% das pessoas, que costuma passar em 48 horas;
  • dor no corpo ou febre baixa, como resposta do sistema de defesa;
  • sintomas de uma gripe que a pessoa já tinha pegado antes da vacinação.
Braço de uma pessoa de regata branca com um curativo adesivo cor de pele na parte de cima, segurado pela outra mão diante de um fundo cinza-claro
Dor no local da injeção é uma reação comum da vacina da gripe e costuma passar em 48 horas, segundo o Ministério da Saúde. · Foto: Unsplash

Gripe ou resfriado: a vacina protege contra quê?#

A vacina protege contra o vírus influenza, que causa a gripe. O resfriado é provocado por outros vírus, como os rinovírus, os parainfluenza e o vírus sincicial respiratório, segundo o Ministério da Saúde, e tem sintomas mais leves, que duram de dois a quatro dias. Por isso, pegar um resfriado depois de vacinado não quer dizer que a vacina falhou. A covid também é outra doença, com vacina própria. O texto sobre gripe, resfriado ou covid mostra como diferenciar as três e quais sinais pedem atendimento.

Quem não deve tomar ou precisa conversar antes?#

A estratégia de 2026 lista poucas contraindicações e algumas situações que pedem avaliação. Se alguma delas for o seu caso, conte na sala de vacina e converse com o profissional de saúde antes:

  • Bebês com menos de 6 meses não recebem a vacina.
  • Reação alérgica grave a uma dose anterior da vacina da gripe pede avaliação especializada antes de uma nova dose.
  • Alergia a ovo, em geral, não impede a vacinação. Quem já teve reação grave depois de comer ovo deve avisar, porque o profissional vai definir onde a vacina será aplicada.
  • Síndrome de Guillain-Barré nas semanas seguintes a uma dose anterior também exige avaliação médica antes de vacinar de novo.
  • Febre ou doença aguda moderada ou grave, ou covid confirmada: a orientação é adiar a vacina até melhorar.
  • Tratamento com imunossupressores ou radioterapia pode diminuir a resposta à vacina. Converse com quem acompanha o seu tratamento.

E dois avisos práticos: a vacina da gripe pode ser aplicada no mesmo dia que outras vacinas do calendário, inclusive a de covid; e quem pretende doar sangue deve esperar 48 horas depois da vacina, conforme a regra da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) citada na estratégia.

Onde tomar e o que levar?#

A vacina é aplicada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em postos fixos ou volantes organizados pela prefeitura. Durante a campanha, a estratégia orienta vacinação em instituições de longa permanência para idosos, creches, escolas e em casa, para quem tem dificuldade de chegar ao posto. Leve o Cartão de Vacinas e o documento pedido para o seu grupo, conforme a tabela acima. O Ministério da Saúde recomenda aproveitar a ida ao posto para atualizar a vacina de covid de quem está nos grupos indicados.

Quando procurar atendimento#

  • Para se vacinar: procure a UBS se você está em um dos grupos, se perdeu a dose da campanha ou se quer saber se a vacina foi liberada para outras pessoas na sua cidade.
  • Em crianças pequenas com febre: o texto sobre febre em criança e bebê mostra como medir e quando ela é emergência.
  • Com sintomas de gripe: falta de ar e outros sinais de gravidade pedem atendimento imediato ou uma ligação para o Samu (192). A lista completa desses sinais está no texto sobre gripe, resfriado e covid citado acima.
  • Depois da vacina: falta de ar, inchaço, urticária pelo corpo todo e queda de pressão estão entre os sinais de anafilaxia, uma reação alérgica grave e rara, citados na Instrução Normativa do calendário. Procure atendimento imediato ou ligue 192.

Este texto é informativo e não substitui a orientação da equipe de saúde. Quem avalia se você pode se vacinar, e quando, é o profissional da sala de vacina.

Perguntas frequentes

A vacina da gripe está liberada para todo mundo?

Não automaticamente. A estratégia do Ministério da Saúde é voltada aos grupos prioritários. Nas perguntas frequentes da campanha, o ministério explica que, depois de terminada a vacinação desses grupos, a vacina pode ser oferecida a outras pessoas se houver doses remanescentes. Por isso, a liberação para o público geral depende das doses que sobram e muda de cidade para cidade: vale perguntar na UBS.

Quem tem pressão alta pode tomar a vacina da gripe de graça?

Depende. Na lista de doenças crônicas da Estratégia de Vacinação contra a Influenza 2026, do Ministério da Saúde, a pressão alta aparece como hipertensão arterial sistêmica com comorbidade, ou seja, quando há outra doença associada. Quem tem 60 anos ou mais toma a vacina de qualquer forma, porque ela faz parte do calendário de rotina do idoso. Na dúvida, leve a questão à unidade de saúde.

A vacina da gripe pode causar gripe?

Não. Segundo o Ministério da Saúde, a vacina é feita com vírus inativados e por isso não pode provocar a doença. Ela pode causar dor no local da injeção, o que acontece em 15% a 20% das pessoas e costuma passar em 48 horas, além de dor no corpo ou febre baixa. Sintomas logo depois da vacina também podem ser de uma gripe pega antes da vacinação.

Posso tomar a vacina da gripe junto com a da covid?

Pode. A Estratégia de Vacinação contra a Influenza 2026 diz que a vacina pode ser aplicada no mesmo dia que outras vacinas do Calendário Nacional, em locais diferentes do corpo, e o comunicado da campanha de 2026 cita a vacina de covid como exemplo. O Ministério da Saúde recomenda aproveitar a ida ao posto para atualizar a vacina de covid de quem está nos grupos indicados.

Quando é a vacinação contra a gripe na Região Norte?

No segundo semestre, por causa da sazonalidade do vírus na região, segundo o comunicado do governo federal sobre a campanha de 2026. No ciclo anterior, o Ministério da Saúde começou a vacinação no Norte em 3 de novembro de 2025, com término previsto para 28 de fevereiro de 2026. As datas de 2026 devem ser conferidas com a secretaria de saúde do seu estado ou do seu município.

Grávida pode tomar vacina da gripe?

Pode e deve. A Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 recomenda 1 dose por temporada a cada gestação, em qualquer fase da gravidez. Pela estratégia de 2026, basta informar que está grávida. Quem não se vacinou na gestação pode tomar a vacina até 45 dias depois do parto.

Fontes consultadas

  1. 1.Estratégia de vacinação contra a influenza nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste 2026 (período, Quadro 1 dos grupos prioritários, precauções e contraindicações) — Ministério da Saúde, Departamento do Programa Nacional de Imunizações
  2. 2.Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026, item 11: vacina influenza trivalente — Ministério da Saúde, Departamento do Programa Nacional de Imunizações
  3. 3.Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa neste sábado (28) — Secretaria de Comunicação Social da Presidência, com o Ministério da Saúde (25/3/2026)
  4. 4.Ministério da Saúde inicia campanha de vacinação contra a gripe na Região Norte (4/11/2025) — Ministério da Saúde
  5. 5.É falso que vacinas contra a influenza causam gripe — Ministério da Saúde
  6. 6.Quando quem não faz parte do grupo prioritário irá se vacinar? — Ministério da Saúde, perguntas frequentes da campanha contra a gripe
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