Sarampo: Como Se Transmite, Sintomas e Quem Precisa da Vacina
Uma pessoa com sarampo pode transmitir o vírus a 90% das pessoas próximas sem imunidade, segundo o Ministério da Saúde. No SUS, a tríplice viral vale de 12 meses a 59 anos. Veja os sintomas, o sinal de alerta, quem deve se vacinar e a situação do Brasil em 2026, com 61 casos confirmados até outubro.
Publicado em ·10 min de leitura

O sarampo passa de uma pessoa para outra pelo ar, quando o doente tosse, espirra, fala ou simplesmente respira. É tão contagioso que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes, segundo o Ministério da Saúde. A proteção é a vacina tríplice viral, gratuita no SUS para todas as pessoas de 12 meses a 59 anos que não têm o esquema completo. O Brasil continua livre da circulação endêmica do vírus, mas confirmou 61 casos em 2026, até 19 de outubro, a maioria em surtos ligados a casos vindos de fora.
Como o sarampo é transmitido?#
O vírus sai pelo nariz e pela boca de quem está doente e se espalha pelo ar. Por isso o contato não precisa ser físico: dividir a mesma sala, o mesmo ônibus ou a mesma fila de espera já pode bastar para quem não tem proteção.
O ponto que mais engana é o tempo. Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão pode ocorrer de 6 dias antes até 4 dias depois do aparecimento das manchas vermelhas. A pessoa pode passar o vírus adiante antes de saber que tem sarampo, quando parece estar só com febre e sintomas de resfriado.
Quais são os sintomas do sarampo?#
O Ministério da Saúde descreve o quadro assim: manchas vermelhas que começam na cabeça e descem em direção aos pés e febre alta, acima de 38,5 °C, acompanhadas de um ou mais destes sintomas:
- tosse seca, no começo;
- nariz escorrendo (coriza);
- olhos vermelhos e irritados, sem pus (conjuntivite);
- pequenos pontos brancos na parte de dentro da boca, as manchas de Koplik.
O Ministério lembra que esses sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças virais; febre com manchas na pele também aparece, por exemplo, na catapora. Quem diferencia é o serviço de saúde. Para o sarampo, o Ministério considera o exame de laboratório o padrão para confirmar o caso: exame de sangue e coleta de secreção do nariz, da garganta e de urina, de preferência já no primeiro atendimento.
Sinal de alerta: se a febre continua depois que as manchas aparecem, o Ministério da Saúde diz que isso pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos.
O sarampo é grave?#
Pode ser. O Ministério da Saúde lista as complicações em crianças:
| Complicação | Com que frequência |
|---|---|
| Pneumonia | Cerca de 1 em cada 20 crianças com sarampo; é a causa mais comum de morte por sarampo em crianças pequenas |
| Infecção no ouvido (otite média aguda) | Cerca de 1 em cada 10 crianças; pode deixar perda auditiva permanente |
| Inflamação no cérebro (encefalite) | 1 a 4 em cada 1.000 crianças; 10% delas podem morrer |
| Morte | 1 a 3 em cada 1.000 crianças doentes |
No Brasil, foram 40 mortes por sarampo entre 2018 e 2021, segundo a página de situação epidemiológica do Ministério, e 2021 foi o último ano com óbito registrado. Não existe tratamento específico contra o vírus. O cuidado serve para aliviar os sintomas e tratar as complicações, e o Ministério orienta não usar nenhum medicamento sem orientação médica.
O que fazer se suspeitar de sarampo?#
Procure um serviço de saúde, como a Unidade Básica de Saúde (UBS). Algumas atitudes evitam espalhar o vírus no caminho e na sala de espera:
- Use máscara cirúrgica se tiver os sintomas e conte logo na chegada se viajou ou teve contato com alguém doente. É a orientação do Ministério da Saúde na nota técnica sobre viajantes de 2026.
- Fique em casa no período de transmissão. O Ministério orienta que a pessoa com suspeita ou confirmação evite o trabalho ou a escola por pelo menos 4 dias a partir do aparecimento das manchas e fique longe de quem é mais vulnerável, como crianças pequenas e grávidas.
- Cubra a boca ao tossir ou espirrar, use lenço descartável e lave as mãos com água e sabão ou use álcool em gel.
- Não se vacine no meio do quadro. A Instrução Normativa do calendário de 2026 orienta adiar a vacina de quem está com suspeita de sarampo até o quadro se resolver.
Quem convive com o doente também deve procurar a UBS. Diante de um caso suspeito ou confirmado, a equipe confere o cartão de vacinas dos contatos a partir de 6 meses de idade e completa o que falta, no chamado bloqueio vacinal. Pela Instrução Normativa, quem tem o esquema completo, ou tomou uma dose há menos de 30 dias, não precisa ser vacinado nessa hora.
Quem precisa tomar a vacina contra o sarampo?#
No calendário do SUS de 2026, a proteção vem da vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola. A Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação define:
| Quem | Esquema |
|---|---|
| Bebês | 1ª dose aos 12 meses e 2ª dose aos 15 meses |
| De 12 meses a 29 anos, sem esquema completo | 2 doses, com 30 dias entre elas |
| De 30 a 59 anos, sem esquema completo | 1 dose |
| Trabalhadores da saúde | 2 doses, em qualquer idade |
| 60 anos ou mais | Fora da rotina; só em situações específicas, como trabalhador da saúde ou contato com caso de sarampo, depois de avaliação da equipe |
| Bebês de 6 a 11 meses | "Dose zero" só em situação de risco, como surtos; não substitui as doses de 12 e 15 meses |
A palavra que importa é comprovação. A Instrução Normativa manda iniciar ou completar o esquema de quem não comprova as doses, o mais breve possível. Na dúvida, leve o cartão, ou a falta dele, à sala de vacina. As outras vacinas da idade adulta estão no texto sobre vacinas do adulto e do idoso no SUS, e o calendário das crianças, dose por dose, no texto sobre vacinação do bebê.
Quem não pode tomar a vacina ou precisa de cuidado?#
A tríplice viral é feita com vírus vivo atenuado, ou seja, enfraquecido. Pela Instrução Normativa de 2026:
- Grávidas não devem tomar, mesmo em surto. A gestante sem a vacina recebe a dose depois do parto, no puerpério, segundo o Ministério da Saúde. Se uma grávida for vacinada sem saber da gestação, não há indicação de interromper a gravidez: ela deve ser acompanhada no pré-natal, e os estudos de acompanhamento não mostraram aumento de complicações.
- Mulheres em idade fértil devem evitar a gravidez por pelo menos um mês depois da vacina.
- Bebês com menos de 6 meses não podem receber a vacina.
- Quem amamenta pode e deve se vacinar, se não estiver imunizada contra a rubéola.
- Alergia à proteína do leite de vaca: existem vacinas sem lactoalbumina. Avise na sala de vacina.
- Alergia grave a ovo: a vacina é produzida em células de embrião de galinha, e a aplicação exige avaliação e cautela.
- Imunidade muito baixa, por doença ou tratamento, pede avaliação do serviço de saúde antes.
- Doença aguda grave com febre: adie a vacina até melhorar.
- Transfusão de sangue ou imunoglobulina: espere pelo menos 3 meses para se vacinar.
- Doação de sangue: depois da vacina, é preciso esperar quatro semanas. A orientação é doar antes de se vacinar.
As reações costumam ser leves. Segundo o Ministério da Saúde, as mais observadas são febre, dor e vermelhidão no local da aplicação e manchas na pele. Reações alérgicas são raras.
E quem vai viajar?#
O Ministério da Saúde recomenda conferir o cartão e atualizar a vacina pelo menos 15 dias antes da viagem, prazo considerado ideal para o corpo responder. Na nota técnica de 2026 sobre viajantes, o Ministério acrescenta que, se não der tempo, vale se vacinar o quanto antes, mesmo perto do embarque ou no próprio dia, porque a dose ainda pode proteger.
Durante e depois da viagem, fique atento a febre, manchas vermelhas, coriza e olhos vermelhos. Se aparecerem, procure o serviço de saúde de máscara e conte por onde andou.

Como está o sarampo no Brasil em 2026?#
O Brasil é hoje um país livre da circulação endêmica do sarampo, segundo o Ministério da Saúde. A história recente mostra que esse status não é garantido:
- 2016: o país recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a certificação de eliminação, depois dos últimos casos, em 2015.
- 2018 e 2019: o vírus voltou a circular, associado ao fluxo migratório e à queda das coberturas vacinais. Em 2019, depois de mais de 12 meses de transmissão, o Brasil perdeu a certificação. Entre 2018 e 2022 foram 39.816 casos, 21.741 deles só em 2019.
- Novembro de 2024: a OPAS recertificou o Brasil, que mantém o status até hoje, informa o Ministério.
- 2025: 38 casos confirmados, 25 deles num surto no Tocantins. Segundo nota técnica do Ministério, 36 dos 38 doentes (94,7%) não tinham histórico de vacinação.
- 2026, até 19 de outubro: 61 casos confirmados. São Paulo concentra 41, sendo 37 na capital; o Amazonas tem 17, o Acre 2 e o Rio de Janeiro 1. Os casos do Amazonas e do Acre estão ligados a surtos com origem no Peru.
O Ministério da Saúde ressalta que casos isolados, importados ou ligados à importação não significam a volta do sarampo como problema de saúde pública, mas mostram a necessidade de manter a vacinação alta. E ela não está onde deveria: em 2025, a cobertura da primeira dose da tríplice viral foi de 92,66% e a da segunda, de 78,02%, abaixo da meta de 95%, segundo a nota técnica do Ministério, com dados ainda sujeitos a revisão.
O cenário em volta preocupa. A Região das Américas perdeu em novembro de 2025 o status de livre da transmissão endêmica, segundo a mesma nota. Em 2026, até 18 de julho, a OPAS contou 47.459 casos confirmados no continente e 44 mortes, mais que o triplo de todo o ano de 2025 e o maior número desde 2004. Guatemala, México, Estados Unidos e Peru somam 95% dos casos. A OPAS classifica o risco na região como muito alto e lembra que é preciso manter pelo menos 95% de cobertura com duas doses para interromper a transmissão.
Quando procurar atendimento#
- Febre com manchas vermelhas pelo corpo, principalmente com tosse, coriza ou olhos vermelhos: procure a UBS ou outro serviço de saúde, de máscara, e conte se viajou ou teve contato com alguém doente.
- Febre que continua depois do aparecimento das manchas, sobretudo em criança com menos de 5 anos: é o sinal de alerta citado pelo Ministério da Saúde. Procure atendimento sem esperar.
- Piora rápida do estado geral: vá a um pronto-atendimento ou ligue para o Samu (192).
- Contato com alguém com sarampo: procure a UBS para conferir o cartão de vacinas da família. Grávidas e bebês com menos de 6 meses não podem receber a vacina e devem levar a situação ao serviço de saúde.
- Cartão incompleto, perdido ou viagem marcada: procure a sala de vacina. A tríplice viral é gratuita no SUS.
Este texto é informativo e não substitui a consulta. Quem confirma o diagnóstico e orienta o cuidado é o serviço de saúde.
Perguntas frequentes
Adulto precisa tomar a vacina do sarampo?
Sim, se não tiver o esquema completo comprovado. Pela Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação de 2026, quem tem de 12 meses a 29 anos precisa de 2 doses da tríplice viral, com 30 dias entre elas, e quem tem de 30 a 59 anos precisa de 1 dose. Trabalhadores da saúde precisam de 2 doses em qualquer idade. A vacina é gratuita nas salas de vacina do SUS.
Quem tem mais de 60 anos precisa tomar a vacina do sarampo?
Na rotina, não. O calendário do SUS de 2026 indica a tríplice viral de 12 meses a 59 anos. Segundo a Instrução Normativa do calendário, a vacina só é considerada para pessoas de 60 anos ou mais em situações específicas, como trabalhadores da saúde sem esquema completo ou contato com caso suspeito ou confirmado de sarampo, e sempre depois de avaliação da equipe sobre riscos e benefícios.
Grávida pode tomar a vacina do sarampo?
Não. A tríplice viral é feita com vírus vivo atenuado e é contraindicada na gestação, mesmo em surto, segundo a Instrução Normativa do calendário de 2026. O Ministério da Saúde orienta que a gestante sem a vacina receba a dose no puerpério, depois do parto. Se a vacina foi aplicada sem saber da gravidez, não há indicação de interromper a gestação; a mulher deve ser acompanhada no pré-natal.
Por quanto tempo quem tem sarampo transmite o vírus?
Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão pode ocorrer de 6 dias antes até 4 dias depois do aparecimento das manchas vermelhas. Por isso, o Ministério orienta que a pessoa com suspeita ou confirmação evite trabalho ou escola por pelo menos 4 dias a partir do início das manchas e fique longe de crianças pequenas e grávidas enquanto estiver doente.
O Brasil ainda é livre do sarampo?
Sim. O Brasil foi recertificado pela Organização Pan-Americana da Saúde em novembro de 2024 como livre da circulação endêmica do sarampo, e o Ministério da Saúde informa que o país mantém esse status. Isso não quer dizer ausência de casos: até 19 de outubro de 2026, foram confirmados 61 casos, em São Paulo, Amazonas, Acre e Rio de Janeiro, ligados a surtos e à entrada do vírus vindo de outros países.
Quanto tempo antes de viajar devo tomar a vacina do sarampo?
O Ministério da Saúde recomenda atualizar a vacina pelo menos 15 dias antes da viagem, prazo considerado ideal para a resposta do organismo. Na nota técnica de 2026 sobre viajantes, o Ministério acrescenta que, se não houver tempo, vale se vacinar o quanto antes, mesmo perto da data do embarque ou no próprio dia, porque a dose ainda pode proteger.
Fontes consultadas
- 1.Sarampo: transmissão, vacinação, sintomas, complicações e tratamento — Ministério da Saúde, Saúde de A a Z
- 2.Sarampo: situação epidemiológica (casos confirmados em 2026 até 19 de outubro) — Ministério da Saúde
- 3.Sarampo: isolamento e outras medidas de controle — Ministério da Saúde
- 4.Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 (item 15, vacina tríplice viral) — Ministério da Saúde, Departamento do Programa Nacional de Imunizações
- 5.Nota Técnica Conjunta nº 116/2026-DPNI/SVSA/MS: risco de reintrodução do sarampo e vacinação de viajantes — Ministério da Saúde
- 6.OPAS pede reforço da vacinação e da vigilância diante do aumento de casos de sarampo (8 de agosto de 2026) — Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS)


