Pré-Diabetes: O Que Significa a Glicemia Alterada e Como Evitar o Diabetes
Glicemia de jejum de 100 a 125 mg/dL ou hemoglobina glicada de 5,7% a 6,4% indicam pré-diabetes, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. Em 3 a 5 anos, cerca de 1 em cada 4 pessoas evolui para diabetes tipo 2. No estudo DPP, citado pela diretriz, perder peso e se exercitar reduziu os novos casos em 58%.
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Pré-diabetes quer dizer que a glicose no sangue está acima do normal, mas ainda abaixo do valor que define diabetes. Pela Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), isso corresponde a uma glicemia de jejum de 100 a 125 mg/dL ou a uma hemoglobina glicada de 5,7% a 6,4%. Não é diagnóstico de diabetes: é um aviso de risco. Em 3 a 5 anos, cerca de um quarto das pessoas evolui para diabetes tipo 2, metade continua igual e um quarto volta ao normal, segundo a SBD. O que mais pesa para ficar do lado bom dessa conta é perder peso, quando há excesso, e se movimentar.
Quais valores indicam pré-diabetes?#
A SBD usa quatro exames, cada um com a sua faixa de pré-diabetes:
| Exame | Normal | Pré-diabetes | Diabetes |
|---|---|---|---|
| Glicemia de jejum | menos de 100 mg/dL | 100 a 125 mg/dL | 126 mg/dL ou mais |
| Hemoglobina glicada (HbA1c) | menos de 5,7% | 5,7% a 6,4% | 6,5% ou mais |
| Curva glicêmica, 1 hora após 75 g de glicose | menos de 155 mg/dL | 155 a 208 mg/dL | 209 mg/dL ou mais |
| Curva glicêmica, 2 horas após 75 g de glicose | menos de 140 mg/dL | 140 a 199 mg/dL | 200 mg/dL ou mais |
Alguns detalhes mudam a leitura do resultado:
- O jejum é de 8 a 12 horas sem calorias para a glicemia de jejum, segundo a SBD. O texto sobre jejum antes do exame de sangue explica o que pode e o que não pode nesse período.
- A hemoglobina glicada mostra a média dos últimos 2 a 3 meses e, segundo o Caderno de Atenção Básica nº 36 do Ministério da Saúde, não exige jejum. Anemia, gestação, transfusão de sangue e insuficiência renal crônica estão entre as situações que, segundo a SBD, podem distorcer esse resultado.
- Antes da curva glicêmica, não faça dieta. A SBD orienta comer normalmente nos três dias anteriores, com pelo menos 150 g de carboidrato por dia.
- O nome varia. A Federação Internacional de Diabetes fala em "hiperglicemia intermediária", dividida em glicemia de jejum alterada e intolerância à glicose. A SBD lembra que nem todas as pessoas desse grupo evoluem para diabetes.
Por que um laudo diz "normal" e outro diz "alterado"?#
Porque há dois pontos de corte em uso no Brasil. A diretriz da SBD considera pré-diabetes a glicemia de jejum a partir de 100 mg/dL. O Caderno de Atenção Básica nº 36, do Ministério da Saúde, de 2013, se baseia num documento da Organização Mundial da Saúde de 2006 e só chama de glicemia de jejum alterada o valor entre 110 e 125 mg/dL. Uma glicemia de 105 mg/dL, por exemplo, é pré-diabetes para a SBD e normal pela tabela do Caderno.
Para a hemoglobina glicada (5,7% a 6,4%) e para a curva de 2 horas (140 a 199 mg/dL), os dois documentos coincidem. A SBD acrescenta que o risco é contínuo: quem tem valores mais próximos dos de diabetes tende a evoluir mais. Quem interpreta o conjunto é o profissional que pediu o exame.
Pré-diabetes dá sintoma?#
Em geral, não. A SBD lembra que a glicose alta muitas vezes não dá sintoma nenhum, e é por isso que o exame é feito em quem não sente nada. Sede excessiva, urinar muito, fome exagerada e perda de peso sem explicação são sinais típicos de glicose alta, mais associados ao diabetes, e pedem avaliação sem esperar o próximo exame de rotina.
Por que o pré-diabetes importa?#
Por três motivos que aparecem nas fontes oficiais:
- É o momento de agir. O Ministério da Saúde descreve o pré-diabetes como "a única etapa do diabetes que ainda pode ser revertida".
- O risco não é igual para todos. A SBD aponta como fatores que pesam na progressão a história de diabetes na família, o excesso de peso, a síndrome metabólica, doença cardiovascular prévia, diabetes na gravidez e glicemia de jejum de 110 mg/dL ou mais, entre outros. Pessoas mais velhas e com sobrepeso tendem a evoluir em maior proporção.
- O diabetes costuma ser descoberto tarde. Segundo a SBD, alguns estudos mostram um atraso de três a seis anos entre o início do diabetes tipo 2 e o diagnóstico, e de 8% a 16% das pessoas já têm alteração na retina quando descobrem a doença. A diretriz também cita estudos que associam os níveis de pré-diabetes a maior risco cardiovascular.
Sobre a chance de virar diabetes, as fontes não falam a mesma língua. A SBD descreve a evolução em 3 a 5 anos: cerca de 25% progridem, 50% ficam como estão e 25% voltam ao normal. A página do Ministério da Saúde diz que 50% das pessoas com pré-diabetes desenvolvem a doença, mesmo com orientação, mas não informa em quanto tempo.
Quem deve fazer o exame e com que frequência?#
A SBD recomenda investigar o diabetes tipo 2 em todas as pessoas a partir de 35 anos e, antes disso, em adultos com sobrepeso ou obesidade que tenham pelo menos mais um fator de risco, como:
- parente de primeiro grau, como pai, mãe ou irmão, com diabetes tipo 2;
- pressão alta ou doença cardiovascular;
- HDL abaixo de 35 mg/dL ou triglicérides acima de 250 mg/dL;
- síndrome dos ovários policísticos ou acantose nigricans, um escurecimento da pele em dobras como as do pescoço;
- sedentarismo;
- diabetes na gravidez ou bebê nascido grande para a idade gestacional;
- pré-diabetes em exame anterior.
Os primeiros exames são a glicemia de jejum, a hemoglobina glicada ou as duas. Depois, a frequência depende do resultado:
| Situação | Quando repetir, segundo a SBD |
|---|---|
| Pré-diabetes confirmado | A cada ano; em 6 a 12 meses se os valores estão muito perto dos de diabetes |
| Só um exame na faixa de diabetes, sem sintomas | Em 6 meses |
| Exames normais e 3 ou mais fatores de risco | A cada ano |
| Exames normais e menos de 3 fatores de risco | A cada 3 anos |
O Caderno de Atenção Básica nº 36 também orienta reavaliação anual com glicemia de jejum para quem tem pré-diabetes. A SBD acrescenta que, em adultos com pré-diabetes, a curva glicêmica de 1 hora pode encontrar casos de diabetes que os outros exames não mostraram. Quais exames entram na rotina de cada idade está no texto sobre exames preventivos por faixa etária.
O que reduz o risco de o pré-diabetes virar diabetes?#
A recomendação mais forte da SBD para pré-diabetes, com o nível máximo de evidência da diretriz, é a mudança de estilo de vida: alimentação saudável para perder peso, quando há excesso, e mais atividade física. Ela vale para todas as pessoas com pré-diabetes.
Os números vêm de estudos grandes, citados pela SBD:
- Diabetes Prevention Program (DPP): 3.234 pessoas com sobrepeso e pré-diabetes. A meta era perder pelo menos 7% do peso e caminhar 150 minutos por semana. Depois de 2,8 anos, os novos casos de diabetes foram 58% menores do que no grupo placebo. Após 15 anos de acompanhamento, a redução ainda era de 27%.
- Estudo finlandês de prevenção do diabetes: 522 pessoas com obesidade e intolerância à glicose. Com orientação de dieta e atividade física supervisionada, o risco de diabetes caiu 58%.
- Revisão Cochrane: as medidas de estilo de vida reduziram a incidência de diabetes tipo 2 em 43% em comparação com o tratamento padrão.
Atividade física#
A SBD recomenda no mínimo 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, como a caminhada rápida, e que pessoas com pré-diabetes reduzam o tempo que passam sentadas ao longo do dia. A recomendação da OMS para adultos, e como chegar a ela, está no texto sobre quanto exercício fazer por semana.
Peso#
Para quem tem sobrepeso ou obesidade, a SBD fala em perder pelo menos 5% do peso corporal. O capítulo de exercício da diretriz usa a meta do DPP: pelo menos 7%, mantidos ao longo do tempo. Para uma pessoa de 90 kg, isso significa de 4,5 kg a 6,3 kg. O texto sobre como emagrecer com saúde mostra como chegar lá e o que o SUS oferece.
Alimentação#
O capítulo de nutrição da SBD faz três recomendações diretas para quem tem pré-diabetes:
- comer menos calorias, junto com atividade física, quando há sobrepeso ou obesidade;
- consumir de 25 a 30 gramas de fibras por dia, porque mais fibra está associada a menor risco de diabetes;
- reduzir as bebidas com açúcar, natural ou adicionado, associadas a maior risco de diabetes tipo 2.
A diretriz também recomenda programas estruturados, com grupos de mudança de estilo de vida e educação nutricional, para ajudar a manter o plano. Para montar as refeições do dia a dia, o texto sobre o Guia Alimentar para a População Brasileira resume o que o Ministério da Saúde recomenda.

E remédio?#
A SBD reconhece que as mudanças de estilo de vida nem sempre bastam e prevê que, em situações específicas, o médico pode avaliar o uso de medicamento junto com elas. Essa é uma decisão da consulta, e nenhum remédio deve ser começado por conta própria.
Quando procurar atendimento#
- Resultado na faixa de pré-diabetes: leve o laudo à Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a quem pediu o exame. O Caderno de Atenção Básica nº 36 orienta que essas pessoas recebam orientação sobre alimentação e atividade física e repitam a glicemia de jejum todo ano.
- Exame na faixa de diabetes (glicemia de jejum de 126 mg/dL ou mais, ou glicada de 6,5% ou mais): procure o médico. Pela SBD, um único exame alterado precisa ser repetido para confirmar o diagnóstico.
- Sede excessiva, urinar muito, fome exagerada ou perda de peso sem explicação: procure atendimento sem esperar o exame de rotina.
- Gravidez: o diabetes na gestação tem critérios próprios; o texto sobre diabetes gestacional explica o exame do pré-natal.
- Mal-estar forte: vá a um pronto-atendimento ou ligue para o Samu (192).
Este texto é informativo e não substitui a consulta. A interpretação dos exames e o plano de cuidado são definidos pelo profissional de saúde que acompanha você.
Perguntas frequentes
Glicemia de jejum 100 já é pré-diabetes?
Pela Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, sim: a glicemia de jejum de 100 a 125 mg/dL está na faixa de pré-diabetes, e o normal é abaixo de 100. O Caderno de Atenção Básica nº 36, do Ministério da Saúde, publicado em 2013, usa outro ponto de corte e considera alterada a glicemia de jejum de 110 a 125 mg/dL. Um resultado isolado deve ser interpretado por quem pediu o exame, junto com os demais.
Hemoglobina glicada de 5,7% é pré-diabetes?
Sim. A Sociedade Brasileira de Diabetes considera pré-diabetes a hemoglobina glicada de 5,7% a 6,4%; abaixo de 5,7% é normal, e 6,5% ou mais está na faixa de diabetes. O exame mostra a média da glicose dos últimos 2 a 3 meses e, segundo o Caderno de Atenção Básica nº 36 do Ministério da Saúde, não precisa de jejum.
Pré-diabetes volta ao normal?
Pode voltar. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, em 3 a 5 anos cerca de 25% das pessoas com pré-diabetes voltam à glicose normal, 50% continuam como estão e 25% evoluem para diabetes tipo 2. O Ministério da Saúde descreve o pré-diabetes como a única etapa do diabetes que ainda pode ser revertida. Perder peso, quando há excesso, e fazer atividade física são as medidas com melhor evidência.
Quanto peso preciso perder para reduzir o risco de diabetes?
A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda que pessoas com pré-diabetes e excesso de peso percam pelo menos 5% do peso corporal, com alimentação saudável e atividade física regular. O capítulo de exercício da diretriz cita a meta do estudo Diabetes Prevention Program: pelo menos 7% do peso, mantido, e 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana. Nesse estudo, os novos casos de diabetes caíram 58%.
De quanto em quanto tempo devo repetir o exame se tenho pré-diabetes?
A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda reavaliar uma vez por ano quem tem pré-diabetes confirmado, e em 6 a 12 meses quando os valores estão muito perto dos de diabetes. O Caderno de Atenção Básica nº 36, do Ministério da Saúde, também orienta reavaliação anual com glicemia de jejum.
Quem tem pré-diabetes precisa tomar remédio?
A base é a mudança de estilo de vida, que a Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda para todas as pessoas com pré-diabetes, com o nível mais alto de evidência da diretriz. O documento prevê que, em situações específicas, o médico pode avaliar o uso de medicamento junto com essas mudanças. Nenhum remédio deve ser começado por conta própria.
Fontes consultadas
- 1.Diagnóstico de diabetes mellitus (Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, edição 2026): critérios de pré-diabetes, rastreamento e frequência dos exames — Sociedade Brasileira de Diabetes
- 2.Tratamento do pré-diabetes (Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes): progressão e prevenção do diabetes tipo 2 — Sociedade Brasileira de Diabetes
- 3.Atividade física e exercício no pré-diabetes e no diabetes tipo 2 (Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes) — Sociedade Brasileira de Diabetes
- 4.Terapia nutricional no pré-diabetes e no diabetes tipo 2 (Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes) — Sociedade Brasileira de Diabetes
- 5.Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus (Cadernos de Atenção Básica nº 36, 2013): rastreamento e diagnóstico — Ministério da Saúde
- 6.Diabetes: tipos, pré-diabetes e fatores de risco — Ministério da Saúde, Saúde de A a Z


